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Publicado em 18/08/2017 às 20:10

Arapiraca “revive” ambiente do Bar do Paulo neste sábado

Há cerca de cinco anos, o saudoso Bar do Paulo fechava em definitivo as suas portas em Arapiraca. O estabelecimento foi famoso nos anos 1970 e 1980, levando novidades musicais para toda uma geração de jovens sonhadores.

Para celebrar o seu legado que perdura até os dias de hoje, neste sábado (19) a partir das 21h, o Baco Pub vai realizar um evento em culto a tudo o que o incentivador cultural Paulo Lourenço da Silva fez por esta cidade: haverá um revival do Bar do Paulo.

Com a sua vitrola a postos, ele mais uma vez será o DJ do Agreste colocando canções selecionadas para os presentes, diretamente de sua extensa coleção de vinis nacionais e internacionais, beijando o jazz, dançando com o melhor da MPB e correndo lado a lado com o rock e o blues.

Na seara gastronômica, além do menu do próprio Baco Pub, haverá a tradicional costela de porco da dona Antônia, esposa de Paulo do Bar. O prato era um dos mais concorridos de Arapiraca, tendo sido destaque até em revistas regionais de turismo.

“Esta é uma atitude de fortalecimento dos nossos ícones culturais. As homenagens vêm sempre regadas de entusiasmo e de gratidão. Então, o que vemos é que temos muito a agradecer ao seu Paulo pela nossa formação como pessoas”, diz Albério Carvalho, que ao lado da arquiteta Rosângela Carvalho e dos gerentes do local, Alex “Mago” Lúcio e Maísa Carvalho, idealizou esse evento.

No Bar do Paulo, debatia-se Cinema Novo, filosofia, literatura daqui e de fora, política e, claro, muita música. Isso em plena ditadura militar – um belo exemplo de resistência cultural no interior alagoano. E o Baco Pub é reflexo do que ele projetou naqueles tempos.

Por sua vez, o Baco Pub é um ambiente alternativo e fica exatamente onde era o antigo QG, na Avenida Governador Luiz Cavalcante, bairro Novo Horizonte.


Breno Airan, Ascom Arapiraca 


Publicado em 17/01/2017 às 10:11

Prestes a completar 90 anos, Laura Cardoso festeja volta à ativa

RIO — Nem mesmo toda a vilania de Sinhá foi capaz de fazer com que o público — que muitas vezes não consegue separar criador de criatura —, quisesse ver a atriz Lauda Cardoso, sua intérprete, pelas costas. Pelo contrário. O afastamento da veterana da trama de “Sol Nascente”, por conta de complicações de uma infecção urinária, só fez aumentar o desejo dos espectadores de aplaudi-la. E ela voltou com força total, após 90 dias, com direito a festa do elenco.

— Foi muito difícil ficar fora de cena, longe dos colegas, da novela... É muito ruim não trabalhar. Eu ficava desesperada querendo gravar. Não via a hora de voltar. Pedia para o diretor Léo Nogueira, e ele dizia: “Calma”! Respeitei, mas estava muito ansiosa para esse retorno. Sempre tive confiança em voltar ao estúdio e finalizar essa obra maravilhosa — festeja ela.

Prestes a completar 90 anos, em 13 de setembro, Dona Laura, como é chamada entre os colegas, afirma que só pensa em continuar na agitada rotina de gravações e apresentações.

— Você pode ter a idade que for e estar na ativa. Se está bem de saúde e a cabeça boa, vai descansar? Não pode! O ser humano precisa de movimento. Movimento é vida. Vida é movimento. Se não se sente velha, vai à luta, trabalhar, fazer alguma coisa com o corpo, com a cabeça... — indica a veterana, que aproveita para orientar os jovens: — Seriedade. Estude muito e dedique-se demais ao que está fazendo. Somente com dedicação a gente chega lá. É importante ter vontade de acertar, se capacitar e seguir em frente acreditando que vai dar certo.

Aos rever os 65 anos de carreira, Laura Cardoso afirma que se acha uma mulher de sorte por ter sempre bons papéis, mesmo com o avançar da idade.

— Me dedico demais, respeito muito meus colegas e minha arte. Infelizmente, tem atrizes maravilhosas que não desfrutam das mesmas oportunidade que eu tenho. Nunca tive esse problema — comenta ela, que diz não ter medo da morte: — A gente está sempre querendo viver mais. Só que a vida tem um tempo. Às vezes curto, às vezes longo. Mas é a lei da natureza e a gente sabe que vai embora... É uma pena. O que eu fiz e o que vivi foi tudo sem arrependimentos.



Fonte: O Globo 


Publicado em 10/10/2016 às 22:09

Anatomia do paraíso - é escolhido o melhor romance de 2015

SÃO PAULO — Beatriz Bracher recebeu na noite desta segunda-feira o Prêmio São Paulo de Literatura de melhor romance do ano, com “Anatomia do paraíso” (Editora 34). Entre os estreantes, Marcelo Maluf venceu na categoria reservada a autores com mais de 40 anos, com “A imensidão íntima dos carneiros” (Reformatório), e Rafael Gallo na de escritores com menos de 40, com “Rebentar” (Record). É a primeira vez, desde a criação do concurso, em 2008, que autores paulistas ganham em todas as categorias.

— Tem prêmios que são muito importantes, mas este tem uma importância maior porque é uma meio de fazer o meu livro chegar ao leitor. Este romance, inclusive, intimida as pessoas, que podem achar muito difícil o fato de ter um poema, "Paraíso perdido", do John Milton, como tema. Mas não é necessário. Acho que a história tem mais a ver com o aprofundamento das relações entre o homem e a mulher — disse Beatriz.

Além do prêmio de R$ 200 mil, a vencedora desta edição ganhará um bônus: Beatriz participará da Feira Internacional do Livro de Guadalajara. Gallo e Maluf receberam R$ 100 mil cada um.

— Embora inicialmente o júri tivesse opiniões divergentes, não foi difícil chegar a um consenso, o que indica um corpo de finalistas muito bom e também uma escolha final muito segura. Sobre o fato de serem autores paulistas, é uma novidade para mim, porque não levamos isso em conta em momento algum — disse o escritor Estevão Azevedo, vencedor em 2015 (com “Tempo de Espalhar Pedras”), e que fez parte do corpo de jurados, com o professor Adriano Schwartz, a crítica Elisabeth Brait, a editora Heloísa Jahn e o poeta Ronald Polito de Oliveira.

Escritora, editora e roteirista de cinema, a paulistana Beatriz, de 55 anos, estreou na literatura com “Azul e dura” (2002, 7 Letras). Mas ganhou projeção com seu terceiro livro, “Antonio” (2007, Editora 34), que ficou em terceiro lugar no Prêmio Jabuti e em segundo lugar no Prêmio Portugal Telecom e foi finalista do Prêmio SP de Literatura. “Meu amor” (2009, Editora 34) recebeu o Prêmio Clarice Lispector, da Fundação Biblioteca Nacional, de melhor livro de contos de 2009.

Mais ambicioso dos três romances premiados, “Anatomia do paraíso” conta a história de um jovem estudante de classe média que escreve uma dissertação de mestrado sobre o poema épico “Paraíso perdido” (1667), de John Milton, e seu envolvimento com as vizinhas. Propõe, diz Azevedo, várias camadas de leitura:

— Por um lado, o livro conversa com a literatura, a crítica literária e a tradução; por outro, tem um drama urbano que fala do corpo que sofre e que goza.

FICÇÃO E REALIDADE

“A imensidão íntima dos carneiros” parte de um dado autobiográfico de Maluf, nascido em Santa Barbara D’oeste, em uma família de imigrantes libaneses, para criar um romance de ficção. O autor se coloca como personagem da saga que remonta à história do avô nas montanhas de Zahl, no Líbano, e chega até a ditadura no Brasil.

Em “Rebentar”, por sua vez, Gallo, também paulistano, faz uma prosa realista, na qual não há espaço para a fabulação. No romance, ele conta a história de Ângela, uma mãe que espera pelo filho desaparecido há três décadas e, apesar de tudo, precisa fazer sua vida seguir adiante.

A nona edição do Prêmio São Paulo de Literatura teve finalistas de Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, Pernambuco e Rio de Janeiro. Também teve, pela primeira vez, um finalista internacional, o moçambicano Mia Couto, com “Mulheres de cinzas — As areias do Imperador 1” (Cia. das Letras).

Fonte: O Globo 


Publicado em 16/09/2016 às 11:57

NÃO TINHAM ALMA. NÃO HAVIA PROVAS. MAS, POR CONVICÇÃO, A ESCRAVIDÃO SE FEZ

Diziam que meu povo não tinha alma.

Não havia provas. Mas, por convicção, a escravidão se fez. Quase 400 anos!

Não havia provas mas havia convicção de que o Brasil seria tomado por comunistas, comedores de criancinhas. Resultado: duas ditaduras. A última durou quase 30 anos. Sem provas e por convicção, o genocídio é promovido: Chacina do Carandiru, Candelária, Vigário Geral, Eldorado dos Carajás, Crimes de Maio de 2006 e tantos outros.

Sem provas, mas por convicção, 111 tiros num carro e o assassinato de 5 jovens negros; um tiro de fuzil seguido de arrastamento no asfalto, de Cláudia Ferreira no Rio de Janeiro; O espancamento e a morte de Luana dos Reis no interior de São Paulo. Sem provas e por convicção se deu também a chacina do Cabula, em Salvador.

Pela mais pura convicção e sem nenhuma prova, Rafael Braga continua preso.

Por convicção a polícia continua esculachando, desrespeitando cidadãos em suas abordagens em cada esquina de quebradas, periferias e favelas desse país. Quando não somem com corpos; Quando não assassinam sobretudo a juventude e as crianças negras país afora.

Sem provas, mas por convicção, depuseram uma presidenta eleita pelo voto direto.

Não podemos permitir que sem provas e por pura convicção a política se faça, como tem acontecido no Brasil. Sabemos que a convicção que não requer prova, é uma convicção de classe, uma convicção ideológica, política e a serviço das elites atrasadas desse país. Trata-se de uma convicção de explícito traço fascista, racista e autoritário.

Não podemos permitir que essa prática se dê contra quem quer que seja. Práticas autoritárias contra pessoas famosas, empoderadas ou lideranças políticas do campo progressista quase sempre servem para endossar, justificar, naturalizar e aprofundar ainda mais a violência e a negação de direitos na base da pirâmide, entre os trabalhadores pobres, moradores de periferias, negras e negros, jovens e crianças em todo o país.

Sem provas, apenas por convicção reacionária, nós não vamos permitir. Não vamos aceitar. Ao contrário, deste lado de cá há sim convicção. Mas há provas!

Provas de nossa resistência, de nossa ancestralidade, da resiliência de um povo que, apesar do massacre imposto desde a invasão europeia, se reinventa, se organiza e luta. Nós vamos reagir, afinal, com a licença de Albert Camus: “A violência não é patrimônio dos exploradores. Os explorados, os pobres, os oprimidos também podem emprega-la!”

Vamos enfrentar o fascismo nas ruas, no judiciário, na política e nas urnas! 


Publicado em 01/09/2016 às 13:24

Pré-lançamento do filme “O Olhar de Nise” será realizado na VII Flimar

A VII Feira Literária de Marechal Deodoro (Flimar), realiza, nesta quinta-feira (01), o pré-lançamento do filme “O Olhar de Nise”, do escritor e cineasta alagoano Jorge Oliveira.O filme que documenta a vida da psiquiatra Nise da Silveira, será exibido às 17hs no Espaço Cultural Santa Maria Madalena da Alagoa do Sul, centro histórico de Marechal.

Nesta edição, os participantes da VII Flimar poderão assistir, em ‘primeira mão’, o trabalho do cineasta que dedicou quatro anos de pesquisa sobre a alagoana revolucionária no tratamento das doenças psiquiátricas no Brasil. “O filme conta a história da alagoana a partir dos próprios relatos de Nise e depoimentos de pessoas do convívio dela. O documentário será lançado no Brasil, em Novembro, mas, a convite do Carlito Lima, vamos fazer o pré-lançamento na Flimar”, afirmou o cineasta e escritor, Jorge Oliveira.

A tarde de programação da VII Feira Literária de Marechal Deodoro desta quinta-feira (1) será dedicada a Nise da Silveira. A homenagem começa com a mesa-redonda “Minha amiga, Nise da Silveira”, com a presença do jornalista Maurício Melo. Em seguida, “Nise da Silveira, uma visão feminina”, com a escritora Mônica Montone. Para finalizar, o pré-lançamento do filme “O olhar de Nise”, com o diretor Jorge Oliveira.

As discussões literárias estão acontecendo no Espaço Cultural Santa Maria Madalena da Alagoa do Sul. Paralelas às palestras, outras programações estão sendo realizadas em todo centro histórico de Marechal Deodoro, como a Flimarzinha, na Orla Laguna, a Flimar Jovem, na Esola Eleuza Galvão Rodas, apresentações artísticas no Museu de Arte Sacra Dom Ranulpho da Silva Farias e exposições no Museu Casa de Marechal.

Texto: Giselle Vasconcelos 


Publicado em 08/08/2016 às 19:24

A Alegoria da Caverna. In: A REPÚBLICA – Platão.

A Alegoria da Caverna é uma narrativa escrita por Platão. Conta a história fictícia de pessoas que passam a vida inteira vivendo dentro de uma caverna, como prisioneiras, isoladas do mundo por um muro, onde só existe uma pequena fresta para o mundo real. Nessa caverna as pessoas não vêem umas às outras, elas permanecem de costas ao muro, com visão apenas para a parede do fundo da caverna, presas por correntes. Na caverna existe uma fogueira, no mundo exterior circulam pessoas carregando coisas que acabam sendo projetados pela fresta e pela fogueira no fundo da caverna. Neste ambiente, de quem está no interior da caverna, toda a realidade é construída sobre as sombras na parede e sons distorcidos, sem que se saiba da existência de um mundo diferente do lado de fora da caverna. Certa vez, um desses homens, descrito por Platão, questionou-se sobre o que poderia haver além daquele ambiente.

Dessa forma, esse homem arrumou um jeito de se libertar das correntes a atravessar o muro. Ao se deparar com outra realidade, com toda aquela claridade, sentiu dor, seus olhos ficaram ofuscados e quis voltar para o interior da caverna, mas ficou e descobriu que a verdade era muito diferente daquela que ele acreditava. Depois, ele resolveu voltar parar a caverna e contar a seus companheiros sobre o que descobriu (que o mundo em que viviam e as coisas nas quais acreditavam não consistiam na verdadeira realidade). Foi zombado, caçoado, desacreditado e poderia até ser morto se insistisse em tirá-lo seus semelhantes da caverna. Podemos fazer a seguinte interpretação sobre essa belíssima alegoria: O que é a caverna? O mundo de aparências em que vivemos. O que são as sombras no fundo da caverna? As coisas que percebemos. O que são as correntes? Nossos preconceitos e opiniões, a nossa crença de que o que estamos percebendo é a realidade, a verdade. Quem é o prisioneiro que se liberta da caverna? O Filósofo. (Platão parece fazer referência a Sócrates, para ele o autêntico filósofo). O que é o mundo lá fora? A realidade. Qual o instrumento que liberta o prisioneiro rebelde e com o qual ele pretendia libertar os outros? A Filosofia.


Fonte: resumos.netsaber.com.br/resumo-90789/a-alegoria-da-caverna--in--a-republica