03/02/2021 09:30

DJAVAN - 72 ANOS. PRA ELE, EU TIRO O MEU CHAPÉU

 

Depois de arrebentar nas paradas com o disco "Luz", que trazia "Samurai" como carro chefe, que tinha simplesmente a participação de Stevie Wonder na gaita, Djavan Caetano Viana pegou a banda que tinha gente do naipe de Hugo Fattoruso nos teclados e Teo Lima na bateria, caiu na estrada e foi faturar o sucesso. E é claro, os caras da gravadora lá, esfregando as mãos com o ouro do outro. Passou um ano e veio a hora de tratar do novo disco, do qual esperavam vendas exponenciais.

Apostando alto, mandaram Djavan para a matriz da CBS, em Los Angeles, onde gravaria seu disco com a produção de nada menos do que o mega produtor Ronnie Foster.

O problema: extenuado com as excursões de shows, ele chegou com apenas três composições na bagagem a L.A. As demais saíram na pressão, do quarto de hotel ou do próprio estúdio, onde ele tinha à disposição um time inacreditável de craques para acompanhá-lo.

Ao fim, Djavan fez um bom disco, pop, com fortes pitadas de funk e soul. E o que era para ser algo meio temerário, graças à mão firme de seu produtor, é um discão, onde a coisas típicas do pop, como "Lilás!, e coisas sensacionais, como o inventivo baião "Obi", ou a balada "Esquinas'".

Com a bolacha impressa, era hora de colocar o Djavan novamente no mercado. E contraram logo o produtor musical Aloísio Legey, o rei brasileiro dos videoclipes para dirigir um vídeo da imagética "Lilás (amanhã/outro dia/lua sai/ventania/abraça/ uma nuvem que passa no ar/ beija / brinca/ e deixa passar)" que iria entrar simplesmente no final do Fantástico, da rede Globo.

Sentindo o feeling da música, concluiu que faria Djavan subir um patamar a mais - iria colocá-lo para dançar confiantemente diante de um grupo de dançarinos - o resto seria trucagem de enquadramento e iluminação!

O problema: a timidez do moço da periferia de Maceió que começou a vida de músico numa banda chamada "LSD (que ele insistia significar simplesmente "Luz, Som, Dimensão") impedia que as coisas avançassem. Depois de alguns dias, Legey jogou a toalha e fez um clip mais "tranquilo" - Uma coisa é o estúdio e os bons na coisa criando e tocando - outra coisa, é você imaginar o que não cabe...

A música, no entanto, estourou e o disco vendeu às pampas. E até hoje merece ser ouvido, pois não há quem não se surpreenda com petardos como a dançante "Lilás", a amarga "Esquinas", a poética e interessantíssima "Obi" - baseada na simples citação de lugares, coisas, frases e, assim, vai, ou simplesmente se renda à careta e wonderística "Miragem".

O grande Djavan faz hoje 72 anos hoje, e pra ele, dou meus parabéns e tiro o meu chapéu.

Como o tempo é advogado e juiz, num show de 2014 ligado ao lançamento do CD "Rua dos Amores" e gravado ao vivo, ele conta com o auxílio luxuoso do filho Max Nunes na guitarra da banda, ora!, ora!, ele está solto e dançante, dominando completamente o palco, cantando o funkão "Boa Noite"...

- Artigo baseado em fatos reais, vistos a seu modo por um fã. Não garantimos a idoneidade de tudo o que foi escrito presidido pela emoção. Querendo veracidade, indicamos a tal realidade dos fatos...
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Severino José, 58, casado, três filhos e um neto, advogado e servidor do DETRAN/GO, haicaísta e articulista."