25/11/2016 08:26 - Atualizado em 26/11/2016 05:51

Diga não: ceder aos filhos contra os princípios gera insegurança

 

A geração mimimi, que quer “salvar o mundo”, mas se recusa a arrumar o quarto, que só fala em “direitos”, mas jamais em “deveres”, já foi tema de inúmeras colunas neste blog. É que julgo o assunto da maior importância mesmo. Adolescentes e jovens precisam de limites, eis o que uma boa educação deve lhes oferecer. Mas vivemos na era dos adultescentes, dos pais que querem se sentir jovens e se recusam a dizer “não” com mais frequência aos filhos, para serem seus “coleguinhas”, ou simplesmente por falta de paciência (educar dá trabalho mesmo). O resultado, porém, é catastrófico.

Leitores me perguntam como a direita pode chegar aos mais jovens, aos estudantes, como faz a esquerda. Respondo sempre que a luta é muito desigual. Se a esquerda fala às suas emoções, se vende libertinagem como se fosse liberdade, se estimula o comportamento irresponsável como se fosse o máximo da rebeldia justiceira, se fomenta o uso de drogas e enaltece a “sabedoria” da juventude, cabe a direita ser o pai severo, a mãe firme, aquele que educa, ou seja, que impõe limites e traz para a realidade.

Claro que os “progressistas” vão levar vantagem: eles estão tentando seduzir a juventude, desvirtuá-la, alegar que é ela quem sabe mais, quem pode tudo, quem deve governar. Os socialistas jogam tão baixo que tentam colocar os filhos contra os pais, como se esses fossem uns “caretas” repressores que não entendem nada de nada. Todo regime comunista usou os jovens contra os adultos, sendo o caso da Revolução Cultural de Mao na China o mais grotesco.

É nesse contexto que recomendo a coluna de Rosely Sayão na Folha hoje. Ela destaca justamente a importância da boa educação, ou seja, dos pais que têm a coragem de dizer “não” para preservar seus princípios, não cedendo à pressão (insuportável às vezes, é verdade) dos adolescentes. Também fui um adolescente chato, que insistia bastante quando queria alguma coisa. Felizmente tive bons pais que se deram ao trabalho de negar inúmeros pedidos. Como afirma Sayão, é isso que traz segurança ao jovem – e maturidade também, eu acrescentaria. Diz ela:

Não me canso de repetir: crianças, desde muito pequenas, sabem o que querem ou, pelo menos, pensam que sabem. Tal fato não é uma novidade das crianças nascidas neste novo mundo: sempre foi assim. Só que, na atualidade, o que elas demonstram querer é supervalorizado pelos pais, o que nunca aconteceu anteriormente.

E se há uma coisa que as crianças sabem fazer muito bem é batalhar pelo que querem. Elas criam novas estratégias e usam todas as que aprenderam que funcionam. Esse aprendizado começa lá pelos dois anos, mais ou menos.

[…]

Muitos pais não aguentam sustentar com firmeza sua decisão frente a comportamentos rebeldes dos filhos ou frente à insistência incansável deles. E, por isso, cedem.

Entretanto, a concessão que eles fazem pode não ser boa para a criança ou para o adolescente, principalmente por um motivo que considero importante: os filhos percebem, com muita clareza, que os pais estão agindo de forma contrária ao que pensam, ou seja, percebem a incoerência deles. E isso, caro leitor, provoca insegurança nos mais novos, que vai sendo construída pouco a pouco.

Mais importante para os mais novos do que ficar satisfeito e alegre com o fato de ter conseguido o que queria, é sentir segurança com seus pais. É essa sensação que ajuda crianças e adolescentes a crescerem com mais confiança, mesmo frente a todas as adversidades que a vida lhes impõe.

Sendo pai de uma adolescente, sei bem como pode ser difícil sustentar o “não” algumas vezes. Parte o coração, você questiona até que ponto está sendo justo, se não faz sentido o apelo insistente do filho, se você não está sendo duro demais. Eles sentem a dúvida quando você titubeia, e partem pra cima. Mas é nessa hora que devemos focar no longo prazo, preservar os princípios, mesmo quando a maré está contra você.

O pai que quer ser moderninho demais, que cede em tudo para ver o filho “feliz”, que não consegue remar contra a maré nunca e que deixa quase tudo está sendo um péssimo pai, e isso é covardia com a criança. É o que os “progressistas” já fazem com nossos filhos contra a nossa vontade, nas escolas, na imprensa, nas porcarias dessas novelas da Globo.

O filho não precisa de mais um “amiguinho” desses, falso como uma nota de três reais, no pai; ao contrário: nele precisa encontrar uma fortaleza capaz de negar essa libertinagem toda disfarçada de “novos tempos” e “liberdade”. O jovem sempre quis transgredir, e é natural e até desejável que seja assim. A diferença, que assusta, são os pais que agem como seus cúmplices.

Eis a receita certa para formar um mimadinho mais tarde, um típico esquerdista que bate o pé no chão e demanda seus “direitos” todos, jogando o dever de cuidar deles para ombros alheios.


Por Rodrigo Constantino