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Everaldo Damião

Advogado e Jornalista  


Publicado em 29/11/2017 às 22:52

O CORAÇÃO DA ALQUIMIA

Etimologicamente, a palavra “coração” em latim significa “órgão que bombeia o sangue para o corpo”. Mas em grego deriva de uma raiz indo-europeia que diz “kardia” de onde surge os termos cardíaco, cardiograma, etc. A expressão "saber de cor" também vem diretamente do latim: “saber de coração”, isto é, de memória. E, por último, destaca-se a palavra coragem, que também deriva do latim cor. Para os antigos romanos, o coração era a fonte da coragem. As raízes etimológicas da palavra Alquimia provem do árabe que significa “a química”. Na língua portuguesa, a palavra “alquimia” chegou a partir do latim alchimicus, que, por sua vez se derivou do árabe al-kimiya e do grego khemeioa, sendo que ambos os termos significam “química”.

Mas, a verdadeira origem do conceito desta palavra é muito antiga, mas acredita-se que tenha surgido na Índia, local onde a existência de “alquimistas” era bastante notável. Há quem diga que a Alquimia é o Presente do Céu. Segundo uma lenda, a ciência da libertação espiritual conhecida como Alquimia foi dado à humanidade como um presente dos deuses que desceram do céu em torno da época da Atlântida e da Lemúria, há cerca de treze mil anos atrás e nos deixou esse legado de iluminação. A Alquimia, portanto, seria uma iluminação, uma transfiguração, uma transformação, uma ascensão, ou uma realização de Deus.

Para os povos antigos, a ciência da transformação foi o conhecimento mais valorizado e a culminação final da experiência humana. Essa ciência sagrada da alma estava intacta até cerca de três mil anos atrás, quando o conhecimento se tornou fragmentado e em grande parte perdido, por força de uma repressão religiosa e ortodoxa que forçou o conhecimento popular em escolas de mistério. Por isso a Alquimia é tratada como uma Filosofia Perene, ou a corrente subterrânea de conhecimento devido à sua natureza oculta codificados em símbolos, mitos e escrituras.

Sendo assim, devido ao seu poder inerente, a Alquimia sempre foi uma ciência altamente guardada segredo, a fim de proteger o aluno de danos e para proteger o sagrado do profano por uso indevido. Durante a Idade Média, foi adicionalmente escondido para proteger uma vítima de perseguição pela religião ortodoxa. O aspecto oculto da alquimia contribuiu para a falta de definição e de confusão. A Alquimia continua a estar envolta em mistério controvérsia e especulação.

De acordo com SERGE HUTIN (1929-1997), historiador do esoterismo, o verdadeiro Alquimista não está limitado à transmutação dos metais que é um dos poderes da Pedra Filosofal, cuja operação maravilhosa constitui absolutamente um fim em si mesma. Mas, também, “o Alquimista trabalha paralelamente no Laboratório e no Oratório”, diz o filósofo, pois, “ao mesmo tempo em que se desenrolam as diversas operações físicas que levam a transmutação metálica e ao aparecimento final do princípio Ígneo, o “artista” chega, por meio de exercícios espirituais metodicamente graduados, à liberação interior e à iluminação”.

E ainda afirma Serge Hutin: “trata-se de conseguir conhecer seu “sol interior” e, por essa iluminação, alcançar a Consciência perfeita”. E concluindo, ele doutrina: “A transmutação metálica é a imagem da transição interior pela qual o alquimista eleva sua alma através das dimensões cósmicas mais divinas, alcança a compreensão direta e intuitiva das origens e conquista a fusão íntima de sua alma com a Alma Divina que anima todas as coisas. O ser humano chega assim a perceber o mundo espiritual e nele agir. Por isso mesmo ele vê tudo à vontade do cosmo”.

Ora, na Idade Média, os Alquimistas pensavam que a matéria era uma condensação do “Éter” e que seus diversos estados que conhecemos correspondiam a diferentes estágios da sua evolução. Não sabiam eles que na natureza dividida em suas polaridades, que se resume em “macho” e fêmeo”, havia um quinto elemento que se evolui dentro dos quatros elementos da natureza, conhecido como a “quintessência”, mais sutil, que emana do Éter. Afinal, na concepção metafísica de Serge Hutin o verdadeiro Alquimista não procurava realmente fabricar ouro, mas dominar o conhecimento da matéria, na busca da evolução alquímica do espírito. A Alquimia Material era apenas uma contrapartida de uma Alquimia Espiritual, com maior pureza e plena consciência... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 27/11/2017 às 12:19

A DIFERENÇA ENTRE ASTRONOMIA E ASTROLOGIA

Através da morfologia (que trata da formação de cada palavra), a expressão Astronomia está ligada a lei dos astros, enquanto que Astrologia se limita ao estudo dos astros aplicados à natureza humana. Embora tenham semelhança no som do vocabulário, mas são palavras diferentes e com atividades distintas, logo não são palavras sinônimas.

A definição de ASTRONOMIA diz que ela é uma ciência exata que se preocupa com a origem, a evolução, a composição, a classificação e a dinâmica dos corpos celestes. O profissional da Astronomia é necessariamente alguém possuidor de curso de ensino superior, cuja formação acadêmica e cujo trabalho diário inclui o conhecimento pleno de Física e de Matemática, aliado a um sendo crítico aguçado e de uma boa habilidade observacional do movimento dos astros no universo.

A ASTROLOGIA se orienta pelo estudo de um grupo específico de astros que se posicionam e se deslocam no céu, influenciando o destino e a conduta moral dos seres humanos no plano terrestre. O profissional de Astrologia, necessariamente não precisa ser possuidor de curso de ensino superior, mas que se identifique com as mutações dos astros e construam mapas astrais segundo a natureza humana. Os Astrólogos desenvolvem trabalho que está ligado ao aspecto místico de que o Universo tem uma relação íntima com a vida do ser humano. Com a construção de horóscopos parta orientar seus discípulos e seguidores.

A origem da Astrologia pode ser fixada antes do aparecimento da escrita, mas bem depois da pré-história propriamente dita; portanto, na proto-história, segundo revelação do historiador e esotérico Serge Hutin (1929-1997). Os fundamentos da Astrologia foram estabelecidos pelo astrônomo grego Ptolomeu, em seu livro “O Almagesto”. Os movimentos planetários, sob o aspecto místico da Astrologia e da Astronomia, não são contraditórios, exceto pelo fato de que não perseguem os mesmos objetivos. Os Astrônomos estudam o céu buscando penetrar na origem do universo e compreender sua evolução futura, enquanto que os Astrólogos esperam encontrar a chave do comportamento e do destino do ser humano.

Se a Astronomia é ciência e a Astrologia é arte. Ambas possuem técnicas capazes de responder vários questionamentos atuais. Inclusive desperta o grande interesse pela ASTROSOFIA, que é a síntese sutil da Astronomia e da Astrologia, cujo estudo permite que o indivíduo se harmonize com os astros do nosso sistema solar e se beneficie da influência positiva que leses exercem no ser humano, na busca de uma harmonização cósmica.

A Astrologia e a Astronomia evoluíram juntas durante muitos séculos e sua separação foi relativamente recente. No estado atual das coisas essas duas disciplinas (arte e ciência) só mantiveram em comum as efemérides, quais sejam as de observar a posição dos astros em cada dia do mês ou em cada dia do ano.

Ora, a ciência moderna, fruto da teoria e da observação nascida em meados do século XVI e início do século XVII, com os estudos do físico e matemático alemão Johannes Kepler (1571-1630), que possuía uma relação pessoal e ambígua com a Astrologia, fez uso do conhecimento e do movimento das estrelas que sempre foram consideradas eternas e perfeitas, para traçar um caminho de convergência entre o Homem e o Universo, aparentemente de origem comum, embora de formações diferentes e objetivos distintos.

Aliás, essa ideia de que o ser humano é filho das estrelas nasceu da ideia de que o Grande Arquiteto do Universo, esse Matemático Transcendentes, ordenador da Harmonia Celeste, reserva para o homem a capacidade de criar e de renovar todas as coisas. A propósito da formação do Universo, declarou o físico inglês Isaac Newton (1643-1727): “esse arranjo tão extraordinário do Sol, dos Planetas e dos Cometas só pode ter tido como fonte o Desígnio de um Ser inteligente e poderoso, que tudo rege e que se poderia chamar de “Governador Universal”. Esse pensamento também foi adotado e defendido pelo teólogo italiano Giordano Bruno (1548-1600), quando se extasiou ante a pluralidade dos mundos habitados, reconhecendo a infinidade da criação e do universo. Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 21/11/2017 às 06:03

MARTINHO LUTERO E A VIRGEM MARIA

O pregador alemão Martinho Lutero (monge agostiniano, nascido em 1483 e falecido em 1546), considerado como o “fundador da Reforma Protestante”, ao elaborar seu protesto contra 95 procedimentos doutrinários da Igreja Católica, mesmo depois que rompeu com o Papa contra diversos dogmas, sobretudo na doutrina de que o Perdão de Deus poderia ser adquirido pela “venda” ou “comércio” de indulgências, há 500 anos passados, Martino Lutero jamais negou a crença na Assunção de Maria Santíssima ao Céu. Em 1521, na explicação sobre “Magníficat”, Lutero enalteceu a Virgem Maria, confessando que “devemos honrar Maria como ela mesma desejou e como ela expressou no “Magnificat”. Ela louvou a Deus por seus atos. Como então podemos elogiá-la? A honra verdadeira de Maria é a honra de Deus, o louvor da graça de Deus... Maria não é para o bem de si mesma, mas por causa de Cristo... Maria não queria que cheguemos a ela, mas através dela a Deus”.

Reafirmou Martinho Lutero que “não pode haver dúvida de que a Virgem Maria está no céu. Como isso aconteceu, não sabemos. E já que o Espírito Santo não nos revelou nada sobre isso, podemos fazer com ele não há nenhum artigo de fé... É o suficiente saber que ela vive em Cristo. A veneração de Maria está inscrita no mais profundo do coração humano”. (Pregação em 1 de setembro de 1522). No Sermão do Natal em 1522, ponderou Martinho Lutero: “Ela é a consolação e a bondade superabundante de Deus, que o homem é capaz de exultar com tal tesouro. Maria é sua verdadeira mãe...”. Também pregou Martinho Lutero que “Maria é a Mãe de Jesus e a Mãe de todos nós, embora fosse só Cristo quem repousou no colo dela... Se ele é nosso, deveríamos estar na situação dele; lá onde ele está, nós também devemos estar e tudo aquilo que ele tem deveria ser nosso. Portanto, a mãe dele também é nossa mãe.” (Martinho Lutero, Sermão de Natal de 1529).

Em suas surpreendentes ponderações sobre sua crença na existência e na pureza da Virgem Maria, Martinho Lutero confirma que essa senhora é a Mãe de Deus. E assim reconhece com essas palavras: “... ela, com justiça, é chamada não apenas de Mãe dos Homens, mas também a Mãe de Deus… é certo que Maria é a Mãe do real e verdadeiro Deus” (cf. Sermão Concórdia, vol. 24. p. 107). Além disso, ele reconhece que nunca conseguiremos honrá-la o suficiente: “Maria é a maior e a mais nobre joia da Cristandade, logo depois Cristo… Ela é nobre, sábia e santamente personificada. Nós jamais conseguiremos honrá-la suficientemente. Contudo, a honra e o louvor devem ser dados a ela de tal modo a ferir nem Cristo, nem as Escrituras”, diz Lutero no Sermão do Natal, em 1531.

Na visão bíblica e cristã de Martinho Lutero, Maria Santíssima foi concebida sem pecado original. Afirmou o Reformador Protestante, em seu Sermão sobre o Dia da Conceição da Mãe de Deus no ano de 1527): “É uma opinião doce e piedosa a crença que diz que a alma de Maria não possuía pecado original; esta de que, quando ela recebeu sua alma, ela também foi purificada do pecado original e adornada com os dons de Deus, recebendo de Deus uma alma pura. Assim, desde o primeiro momento de sua vida, ela estava livre de todo pecado”. E diz mais, “nenhuma mulher é como ti. Tu és mais que Eva ou Sara, abençoada acima de toda a nobreza, sabedoria e santidade. (Cf. Sermão, na Festa da Visitação, em 1537). Por fim, também revela Martinho Lutero que Maria Santíssima não teve mais filhos depois do nascimento de Jesus: “Cristo foi o único filho de Maria, e a Virgem Maria não teve filhos além Dele... Estou inclinado a concordar com aqueles que declaram que ‘irmãos’ de Jesus significam realmente ‘primos’. A Sagrada Escritura e os judeus sempre chamaram os primos de irmãos” (cf. Sermão, e m 1539). “Ela é cheia de graça, proclamada para ser inteiramente sem pecado, algo tremendamente grande. Por graça de Deus enche-la com tudo de bom e faz dela desprovido de todos os males”. (Personal {“Little”} Prayer Book, em 1522). Ademais, o editor Jaroslav Pelikan (da Editora Luterana) acrescenta: “Lutero... nem sequer considera a possibilidade de que Maria houvera tido outros filhos além de Jesus. Isto é consistente com a sua aceitação ao longo da vida a ideia da virgindade perpétua de Maria. (vide Pelikan, ibid., V. 22:214-5).

E como arremate final não se deverá esquecer que, além de Martinho Lutero, outros reformistas protestantes como João Calvino (1509-1564), John Wesley (17903-1791), fundador do Metodismo, entre outros, também reafirmaram a crença de que Maria, mesmo depois do nascimento de Jesus, permaneceu virgem pura e imaculada e, como sempre, a Mãe de Deus. Eles também exaltam sua qualidade como Bem-Aventurada e “Mãe Espiritual” para todos os cristãos... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 13/11/2017 às 05:51

O CASAMENTO NA VELHICE

Um belíssimo texto do Papa Francisco (o incansável Pregador da Paz), em Audiência Geral no Vaticano no dia 02/04/2014, ditou sábias palavras acerca do Matrimônio. Disse Sua Santidade, que “na união conjugal, o homem e a mulher realizam esta vocação no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva. Quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do matrimônio, Deus, por assim dizer, se reflete neles: imprime neles os próprios traços e o caráter indelével de seu amor. O matrimônio é o ícone do amor de Deus conosco”. Explica o Santo Padre que, sendo Deus a comunhão de três pessoas, que são o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que vivem sempre em perfeita unidade, o mistério do matrimônio sintetiza que “Deus faz de duas pessoas uma só existência”.

Portanto, não existe Matrimônio sem Deus, sem uma ligação com o eterno, assegura o Papa Francisco. Mas, em sua sabedoria humana, ele também reconhece que há dificuldades na vida conjugal e também muitas brigas – “algumas vezes, voam os pratos!” –, mas isso não deve ser motivo de tristeza. E acrescenta: “a condição humana é assim. Mas o segredo é que o amor é mais forte do que quando se briga. Por isso, eu aconselho sempre aos esposos, para que não terminem o dia em que tiverem brigado sem fazer as pazes. E para fazer as pazes não é preciso chamar as Nações Unidas! É preciso um pequeno gesto, um carinho, um sorriso”. Na visão crítica de Sua Santidade, existem três palavras-chaves, até certo ponto “mágicas”, para manter acesa a chama da vida matrimonial: com licença, obrigado e desculpa. “Com estas três palavras, com a oração do esposo pela esposa e da esposa pelo esposo e com o fazer as pazes sempre, antes que termine o dia, o matrimônio seguirá adiante”, isto porque a união do casamento é o ícone do amor de Deus pela humanidade.

Ora, o Matrimônio além de servir para a multiplicação dos seres e da manutenção da unidade familiar, também serve de acalento na velhice. É claro que na terceira idade tudo fica mais difícil. O desafio para se manter ativo e harmonioso é mais exigente, em face da queda dos hormônios e do controle das doenças que surgem após os 50 anos de idade. Isso sem falar nas instabilidades emocionais e nas inconstantes perdas de bom humor. No meio disso tudo a preocupação constante com os filhos, com os netos e demais familiares. Nem sempre na velhice o casal goza do conforto da aposentadoria, da boa saúde física e mental e da tranquilidade plena com a sobrevivência dos membros da família.

São raros os casais que desfrutam de uma velhice harmoniosa, sem conflito, sem novos compromissos e sem novas preocupações. Cuidar dos filhos e investir em suas carreiras, agora passa a ser proteção para os netos e os bisnetos. Tudo volta a ser como era antes. Os compromissos são outros, mas o objetivo é o mesmo. O real motivo do casamento é manter a unidade da família, mesmo com o afastamento dos filhos do lar conjugal e da independência de cada um deles. Isso sem esquecer a entrada de outros membros no ciclo familiar, como genros, noras, sogros e sogras.

O Matrimônio na terceira idade não se resume apenas na união de um casal na velhice, mas a conservação de uma família unida e fraterna, bem relacionada e simplesmente amorosa. Manter um casamento na terceira idade não é nada fácil. Manter a rotina sem perder os sonhos e o esforço de resolver os conflitos com calma, sabedoria e compreensão, é uma tarefa árdua, mas prazerosa para quem não se descuidou da vida passada. Todo parceiro é exigente em vida, principalmente quando alcança a terceira idade.

Isso sem esquecer-se dos filhos e dos parentes agregados. E, mesmo com a perda da libido, que pode ser causada pela diminuição da produção hormonal, que é responsável pela redução da atividade sexual, um casal na velhice não deve lamentar as perdas, porque “a sexualidade vai muito além do ato em si: o que eles querem é ficar próximos de tudo que traga prazer para os dois”, afirma a especialista Cristiane, lembrando que, para os homens, a vida sexual é mais prazerosa do que a da mulher, pois muitas vezes a mulher é criada para satisfazer o homem em primeiro lugar. E as mulheres continuam mais expressivas e envolvidas do que os homens.

A famosa feminista francesa Simone de Beauvoir, esposa do filósofo Jean-Paul Sartre, quando questionada sobre o casamento, afirmou: “O amor é aquele que não prende, que respeita, em que os dois são iguais e que se constrói não por obrigação a nenhuma norma, mas pela livre vontade de estar junto”... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 06/11/2017 às 09:51

PALMEIRENSE FOI FUNDADOR DE ARAPIRACA

Manoel André Correia dos Santos nasceu no ano de 1815 em Anadia (AL), mas viveu por algum tempo em Palmeira dos Índios, especificamente nas terras do povoado de Cacimbinhas, região sertaneja da Terra dos Xucurus (ou Chucurus), onde conheceu sua esposa, a palmeirense Maria Isabel da Silva Valente, e ali constituiu família. Cacimbinhas pertenceu ao município de Palmeira dos Índios até o ano de 1958, quando foi emancipada politicamente e desmembrada da Terra de Graciliano Ramos. Pode-se dizer que Cacimbinhas era e ainda é uma terra sertaneja misturada com terra do agreste, dotada de um clima quente ao dia, mas saudável durante a noite.

Porém, motivado pela esperança de encontrar uma região favorável, menos quente e com mais abundância de água para fixar residência e melhor atender as expectativas de aumentar os seus rendimentos com a agricultura, adquiriu uma parte de terra na zona norte de Anadia, cuja terra rural era propriedade do seu sogro, Capitão Amaro da Silva Valente Xavier (bisavô de Monsenhor Macedo, vigário de Palmeira dos Índios). Uma terra privilegiada com boa posição geográfica porque se situava no centro do Estado de Alagoas, à margem direita do Riacho Seco do Traipu. A única referência da localidade era uma árvore frondosa e acolhedora, conhecida pelo nome de Arapiraca, que era nativa do lugar. Por sinal, o nome “Arapiraca” tem origem indígena na língua Tupi. Os índios xucurus a chamava de “árvore em que periquito pousa”, ou ainda, “ramo que arara visita”. Exatamente nas proximidades desta árvore conhecida por “Arapiraca”, em solo agreste de Alagoas, por volta de 1848, que o desbravador Manoel André Correia dos Santos construiu casa e manteve sua morada. Uma localidade que aos olhos de Manoel André seria no futuro uma região acolhedora e próspera.

Segundo a cultura oral, a escolha dessa localidade se deve ao fato de que “Manoel André Correia dos Santos, vindo de Cacimbinhas, pertencente ao município de Palmeira dos Índios, após um dia de intenso sol e muito calor, durante sua viagem para tomar posse do lugar “Alto do Espigão do Simão do Cagandu”, de propriedade do seu sogro, escolheu a sombra de uma enorme árvore para acampar e descansar”. Diz a tradição popular que Manoel André naquele momento havia dito: “Essa Arapiraca, por enquanto, é a minha casa”. Essa árvore típica da zona agreste, da família das Mimosáceas, espécie de angico branco, que dava sombra e conforto aos viajantes que por ali passavam, com o nome de Arapiraca, só foi oficializada no dia 30 de outubro de 1924, data da emancipação política do município, durante o governo do Dr. José Fernandes de Barros Lima.

Esse episódio retrata o primeiro marco histórico e referencial do nascimento do povoado e do surgimento da cidade que recebeu o nome de ARAPIRACA, em homenagem à árvore que se tornou lugar de encontro para os viajantes do agreste alagoano. Em seguida, ao longo das décadas, famílias de Palmeira dos Índios e de Anadia, lugar de procedência do desbravador Manoel André, fixaram morada nessa região agreste. Em 1860 muitas famílias foram se viver nas terras da Arapiraca, porque havia comentário de que Manoel André possuía uma grande propriedade de mandioca, que era a garantia contra a fome do homem pobre. A partir de então, as terras de Arapiraca foram voltadas à plantação de gêneros alimentícios até 1940, quando se deu início à expansão da produção de fumo que se estendeu até o ano de 1980.

Em 1855, a família de Manoel André sofreu a perda lamentável da matriarca, Dona Maria Isabel da Silva Valente, vítima de epidemia da cólera. No ano de 1864, ainda consternado, Manoel André construiu uma Igreja sobre a sepultura da esposa, que ficava ao lado direito da sua residência, cujo templo religioso foi consagrado a Nossa Senhora do Bom Conselho.

Mas a cidade só veio a crescer nos anos 40 do século XX, em razão das grandes transformações pelas quais passava o Estado de Alagoas e do incremento substancial da cultura do fumo no nordeste. Nesse período foi instituído o Curso Primário na cidade, com a fundação do Grupo Escolar Adriano Jorge. Em 1950 foi à vez do Ginásio Nossa Senhora do Bom Conselho (atual Colégio Bom Conselho). Finalmente, Manoel André morreu em Arapiraca aos 75 anos de idade... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 30/10/2017 às 05:51

É POSSÍVEL UM CATÓLICO SER MAÇOM

Ouvi de certo padre neófito a afirmação de que “os Papa João XXIII e João Paulo VI tiveram forte influência maçônica, mas essa relação de fraternidade entre Sua Santidade e a Ordem Maçônica não afasta a proibição de que o Cristão Católico não pode ser Maçom”. Ora, antes adentrar nessa discussão pessoal com o sacerdote, é preciso conhecer o dogma da “Infalibilidade do Papa”, proclamado pelo Concílio Vaticano I (1869-1870), durante o papado de Pio IX (Giovanni Maria Mastai-Ferretti), que dentre outras decisões concedeu o Dogma do Primado e a Infalibilidade do Papa, visando combater o Galicanismo (independência da Igreja católica de cada país com relação ao controle papal) e defendendo os fundamentos da fé católica, condenando os erros do Racionalismo, do Materialismo e o Ateísmo.

Assim, de acordo com o Carisma da Infalibilidade Papal decretada pelo Vaticano ficam estabelecidas quatro condições: 1 - Que o Soberano Pontífice se pronuncie como sucessor de Pedro, usando os poderes das chaves, concedidas ao Apóstolo pelo próprio Cristo; 2 - Que se pronuncie sobre Fé e Moral; 3 - Que queira ensinar à Igreja inteira; 4 - Que defina uma questão, declarando o que é certo, e proibindo, com anátema, que se ensine a tese oposta.

E como fonte de pesquisa me debruço no tratado – “O Papa e o Concílio” - obra traduzida pelo advogado, jornalista, político, escritor e jurisconsulto RUI BARBOSA de Oliveira, que retrata o Conflito entre o Estado Brasileiro e a Igreja Católica, fato este acontecido em 1877, decorrente da proibição de que padres não realizassem celebrações nem cerimônias em que tivesse participação de maçons, sob pena de não ter uma existência legal na sociedade.

Na sua introdução ao livro “O Papa e o Concílio”, Rui Barbosa ataca a Infalibilidade do Papa, defendendo a liberdade de expressão e de culto pela qual sempre lutou. Questionava o catolicismo como o credo oficial imposto a toda a população cristã e, acima de tudo, pregava um Estado laico, completamente separado da Igreja.

Aliás, sob essa ótica do Carisma da Infalibilidade do Papa, também é bom observar que para exercer o Ato Infalivelmente em qualquer documento ou forma de pronunciamento, seja em uma Encíclica, em uma Carta Apostólica, em um Decreto Especial, em uma Bula, uma Constituição Apostólica etc., Sua Santidade precisa deixar explicito no documento qual a condição a ser estabelecida entre as quatro (4) condições exigidas pelo Dogma, acima citadas.

De modo que, nem sempre pode ser aplicado o Ato de Infalibilidade do Papa em seus escritos ou em seus pronunciamentos. Existem vários exemplos que confirmam essa assertiva. No discurso do Papa Paulo VI na ONU, Sua Santidade se declarou como “doutor em humanidades”, não houve atitude infalível, porque ele não se pronunciou como Papa. Na Encíclica “Fides et Ratio”, João Paulo II diz que faz “considerações filosóficas”, pronunciando-se como “mestre de filosofia”, de modo que não se vislumbra que este documento é infalível. Em sendo assim, pode-se dizer que, tanto nos Concílios Ecumênicos quanto nos Documentos Oficiais da Igreja Católica, só é infalível a decisão que o Papa declarar como tal, estabelecendo um anátema contra quem defenda a tese oposta.

Portanto, acerca dessas ponderações, faz-se oportuna e precisa o pronunciamento do Bispo Dom Estevão Bettencourt, teólogo e monge beneditino (in Pergunte e Responderemos, Ano VII, nº 195 – Março/1976), que considera ser possível um Cristão Católico ser Maçom. Ademais, não é apenas uma posição isolada de Dom Estevão Bettencourt, mas também de outros sacerdotes católicos, basta uma leitura mais apurada sobre o livro - Maçonaria e Igreja Católica, de autoria dos Padres J.A.E. Benimeli, G. Caprile e V. Alberton (4º ed., Editora Paulus, São Paulo, 1998).

Por fim, ensina-nos Sua Excelência Reverendíssima, Dom Estevão Bettencourt (1919-2008), que: “... Quanto aos católicos que ainda não pertencem à Maçonaria e nela desejam entrar, para que o possam fazer de consciência tranquila, procurem previamente certificar-se dos rumos filosóficos adotados pela loja maçônica a que se candidatam. Procurem chegar à possível clareza, usando de sinceridade para consigo mesmos, para com a Igreja e para com Deus. Se se torna evidente que em tal Loja não há intenções anticatólicas, entrem...” (Ob. Cit., p.41). [...] Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 23/10/2017 às 08:20

A MULHER NA MAÇONARIA

A base da Filosofia Maçônica é a Fraternidade e a Tolerância, por isso a Maçonaria dedica especial atenção à família, que é o grupo humano mais notável na sociedade. O papel do PAI maçom é de suma necessidade na formação moral e intelectual dos filhos. É o Pai que modela o caráter, a dignidade, a honestidade e a coragem do novo ser humano que está em construção no lar familiar. Mas a MÃE não é menos importante que o Pai, porque ela é responsável pela formação humanística dos filhos, pela incorporação da humildade, simplicidade, caridade e ternura que esse ser humano deve adotar para si e exibir essas virtudes para o mundo. Excelentes Homens e maravilhosas Mulheres que experimentaram, de forma direta ou indireta, os ensinamentos da doutrina maçônica, por intermédio dos seus pais, seus avôs, seus tios ou seus irmãos consanguíneos, inclusive na convivência com seus maridos e com seus filhos, membros da Ordem Maçônica, sabem da importância dos Maçons, pela distinção dos seus pensamentos e seus atos; das suas palavras e atitudes.

Entretanto, embora a Mulher não participe diretamente dos trabalhos maçônicos no interior das Lojas Maçônicas como membros ativos, não se pode desconhecer que ela não tenha a devida importância no progresso dessa fraternidade masculina. Na verdade, a Esposa de Maçom presta uma valiosa colaboração no aperfeiçoamento dessa Instituição, porque, enquanto seus Maridos se dedicam aos trabalhos ritualísticos da Loja, as Esposas constituem como guardiãs e vigilantes do lar e dos filhos. Portanto, a Maçonaria Universal tributa à Mulher não somente o respeito que ela merece como mãe, esposa, cunhada e filha, mas também a admiração por ela ser o símbolo da unidade familiar e o ornamento perfeito da humanidade, na qual exerce grande papel civilizador e propulsor no desenvolvimento dos povos, por suas todas as virtudes que formam seus dotes de sensibilidade feminina, principalmente nos trabalhos assistenciais, espalhando a seu redor o carinho e a solidariedade ao próximo.

O maçom francês e católico Alex Mellor justifica o impedimento da Mulher na Maçonaria por razões históricas, psicológicas e morais, porque na Maçonaria Operativa não era possível existirem pedreiras. Com acerto ele declara que, quando da fundação da Moderna Maçonaria, o Clube Londrino, a exemplo dos tradicionais clubes de homens, não aceitavam a iniciação feminina, visto que suas reuniões se realizavam em tavernas, as quais, por mais seletas que fossem não eram locais apropriados para as senhoras. Aliás, a tradição das Corporações da Arte dos Pedreiros excluía as mulheres desta profissão, enquanto que os Clubes Londrinos só admitiam homens (Pedreiros Livres), que se reuniam entre si para tratar de negócios. Nessa época, quando do ressurgimento da Maçonaria Moderna na Inglaterra, os ingleses se reuniam somente em clubes para homens.

Diante desses fatos, a exclusão da Mulher ficou vinculada aos “regulamentos das Corporações de Construtores que proibiam o emprego das mulheres nas obras de construção, com exceção da viúva do mestre e da sua filha órfã”, a que se permitia continuar os “negócios” do marido ou do pai para poder manter a sobrevivência da família, mas não se permitia aceitá-las como aprendizes do ofício de pedreiro, por lhe faltarem conhecimentos profissionais para o trabalho. Entretanto, sabe-se que naquela época existiam mulheres gesseiras, almofarizeiras, porém, muito raramente pedreiras. Não obstante, comenta-se que várias viúvas faziam parte da Companhia de Maçons de Londres. Outro motivo da exclusão da Mulher na Maçonaria no século passado está relacionado à sua menoridade jurídica, pois ela ficou relegada por força lei que lhe privou de ser livre, emancipada, e que mantinha seu estado de menoridade e de submissão ao homem.

Contudo, a partir de 1935 a Maçonaria Masculina Francesa tem defendido que não se justifica mais a exclusão da Mulher nos Quadros da Maçonaria Universal, daí a necessidade de serem instaladas Lojas Maçônicas Femininas pelo mundo ocidental como “Oficinas” Independentes e Autônomas. Aliás, em nossos dias, com a evolução, o desenvolvimento e o progresso da humanidade já ficou estabelecido que entre homens e mulheres existe igualdade de pensamentos e de direitos sociais, políticos e jurídicos. Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 16/10/2017 às 08:22

DOENTE DE SANTA CASA – Última Parte

A Imunidade Tributária concedida aos Hospitais Beneficentes e as Santas Casas de Misericórdia é uma proibição constitucional ao poder de tributar. Não representa uma renúncia fiscal, mas a proibição de tributar e cobrar impostos dessas áreas. Difere da Isenção Fiscal, que é uma renúncia fiscal. Na Imunidade Tributária o Poder Público está proibido de agir, por impedimento da Constituição Federal. Nas isenções, é o próprio poder tributante que abre mão da sua receita fiscal, visando estimular o desenvolvimento de determinados seguimentos sociais e econômicos.

A Imunidade Tributária é cláusula pétrea na Carta Magna, não pode ser modificada (§4º, inciso IV, do art. 60 da CF/88). Mas, neste momento, discute-se no STF se o atendimento de 60% do SUS obrigatório para gozo da imunidade tributária do art. 195, § 7º, da CF é constitucional ou não. O julgamento do Recurso Especial foi concluído em 23/03/2017, após votos dos ministros Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Marco Aurélio, Joaquim Barbosa, Carmen Lúcia e Luís Roberto Barroso reconhecendo a inconstitucionalidade da norma. O resultado foi no sentido de que existe inconstitucionalidade na exigência, ficando vencidos os ministros Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. A tese aprovada foi de que “os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar”, vetando o art. 195, §7º, da CF, que exigia a obrigatoriedade do atendimento de 60% do SUS para gozo da imunidade tributária nas Unidades Hospitalares.

Assim, enquanto o Congresso Nacional não edita uma Lei Complementar (reserva legal) fixando o percentual de atendimento do SUS nos Hospitais Beneficentes e nas Santas Casas para que estes gozem da imunidade tributária, a anarquia continua com falsa máscara de que existe dificuldade financeira. O atendimento pelo SUS em hospitais particulares foi reduzido em 50% por falta de repasses de verbas públicas e pela ausência de reajuste nos valores pagos pelo SUS dizem seus dirigentes. O mesmo acontece nas Unidades Beneficentes e nas Santas Casas de Misericórdia, de acordo com seus provedores. Foram reduzidos leitos destinados aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), isso sem falar na precariedade do atendimento médico-hospitalar.

De nada valem os convênios celebrados pelo Poder Público com os Hospitais particulares e beneficentes para que os pacientes do SUS recebam o atendimento especializado, inclusive com internação nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Porém, além da falta de oferta de leitos nas UTIs e da realização de serviços médicos, como internações, transplantes e cirurgias eletivas em especialidades como cardiologia, neurologia e pediatria, os convênios firmados com o SUS não passam de papéis em branco, sem qualquer credibilidade. Em vários Hospitais de natureza beneficentes e filantrópicos em nosso Estado, que antes possuía uma equipe médica invejável em transplantes e em procedimentos cardiovasculares, e que até 2003, atendiam pacientes do SUS, hoje estão desarticuladas, por que os atuais dirigentes só tem seus olhos voltados para os usuários particulares ou detentores de Planos de Saúde.

Portanto, para corrigir esse problema a Defensoria Pública de Alagoas que, atua independentemente da condição financeira da pessoa assistida, podendo ajuizar ações judiciais contra entes públicos em favor de interesses difusos e coletivos, por intermédio do Núcleo de Direitos Coletivos, representado pelo Dr. Daniel Alcoforado, decidiu interpelar judicialmente os representantes do Hospital do Açúcar e da Santa Casa de Misericórdia de Maceió para realizar com urgência 27 cirurgias cardíacas em pacientes com estado mais crítico e que aguardam atendimento. E o prazo determinado pela Justiça é que isso seja realizado dentro de 30 dias.

Mas não é só isso. A inciativa do Defensor Público Daniel Alcoforado vai mais além, pois exige que os Hospitais em Alagoas façam levantamento da relação de pacientes que aguardam procedimentos cirúrgicos e encaminhá-la à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para que recebam o serviço adequado. Também a Defensoria Pública requisitou as Secretarias Municipal e Estadual de Saúde à apresentação de um plano de execução dos procedimentos cirúrgicos em 109 pacientes que se encontram aguardando numa fila a realizam de cirurgias cardiovasculares, restando fixado prazo até 30 de outubro deste ano. Agora é bem possível que os pacientes do SUS tenham mais visibilidade nas Unidades Hospitalares e as Secretaria de Saúde tenham mais respeito com a saúde pública no estado... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 06/10/2017 às 08:21

DOENTE DE SANTA CASA – Parte I

Já passou o tempo da observação feita pelo saudoso humorista baiano ZÉ TRINDADE que dizia: “Doente da Santa Casa, sabe lá o que isso?/ Doente da Santa Casa!/ Que sina, que desgraceira./ De segunda a sexta-feira/ é sacudido, revirado,/ quase que liquidificado,/ por estudante tarado,/que junta na cabeceira./ Tiram sangue, botam sangue,/exames de raios X,/agulha grossa na veia./ Tacam sonda no nariz,/ dão com o martelo na perna,/peteleco na barriga./ Cada exame desgraçado,/ só pra descobrir uma lombriga./ Diz trinta e três!/ Mais uma vez trinta e três./ E diz quatro, cinco, seis,/ setenta, noventa e três./ E a todos que vão pedindo,/ vai o infeliz repetindo:/ trinta e três./ Doente da Santa Casa /que resistência brutal./ Seu fígado é mais apalpado/que broto no carnaval./ Seu coração é mais ouvido/ que o Hino Nacional/ E todo remédio novo,/ antes de ser dado ao povo,/ o laboratório não esquece./ Manda amostras pros doentes da Santa Casa,/ para ver o que é que acontece./ Doente da Santa Casa./ Se o caso é de abrir barriga,/ às vezes sai até briga,/pois tudo o que é doutor,/que acaba de ser formado/ quer estrear o bisturi/ no abdome do coitado!/ Mas, no fim, tudo se ajeita,/ pois é achada a receita,/ um que abre, outro que fecha/ e um terceiro enfia a mecha!/ Doente da Santa Casa.../ Se o infeliz cai na besteira/ de ter uma doença rara,/ destas que nem catedrático/ diagnostica de cara,/ aí é que o infeliz sofre pra burro... não pára./ Pois vem estudante, professor,/ catedrático, doutor,/ até cientista e reitor./ Levam o homem para o Congresso.../ Doença pouco comum na Santa Casa/ é um sucesso!/ Doente da Santa Casa/ que alegria que ele tem/ quando a enfermeira anuncia: - O doutor hoje não vem!”

A Santa Casa de Maceió (antigamente conhecida como “Santa Casa de Misericórdia”) já marca um ciclo de mais de 165 anos de fundação. Essa Casa da Saúde de Maceió foi criada em 07/09/1851 pelo cônego João Barbosa Cordeiro, com o lançamento da pedra fundamental no antigo Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, por isso se convencionou a comemorar a fundação desta instituição em 27 de setembro, data dedicada a São Vicente de Paulo, santo que inspirou sua criação. Naquela época, o cônego João Barbosa Cordeiro, pároco da capital, com a ajuda física e espiritual das irmãs Vicentinas, coordenou a arrecadação de inúmeras doações para abrir a pequena unidade hospitalar na cidade. O terreno para sua construção foi doado pelo advogado João Camilo de Araújo e o projeto do prédio foi uma gentileza do engenheiro civil Pedro José de Azevedo Sharamback. Este engenheiro também foi responsável pela construção dos prédios da Assembleia Legislativa, do Mercado Público, da Fazenda Estadual (atual Ministério da Fazenda) e do Liceu de Artes e Ofícios (atual Espaço Cultural da UFAL, na Praça Sinimbu).

Mas a criação das Santas Casas de Misericórdia não é uma originalidade brasileira. Essa instituição teve origem no “Compromisso da Misericórdia de Lisboa”, por volta de 1498, com a aprovação do rei Dom Manuel I e, posteriormente, confirmado pelo Papa Alexandre VI. Seu regulamento teve como base os ensinamentos de São Tomás de Aquino, inspirado na Irmandade da Nossa Senhora da Misericórdia. No Brasil, a atuação destas Casas de Saúde dividiu-se em duas fases: a primeira representou o período de meados do século XVIII até 1837, como instituição de natureza caritativa; e a segunda compreendeu o período de 1838 a 1940, com a preocupação de natureza filantrópica. A primeira Santa Casa de Misericórdia implantada em terras brasileiras foi na cidade de Olinda em 1539, na província de Pernambuco.

Mas, a realidade de hoje é outra, bastante diferente do tempo de Zé Trindade. As Santas Casas de Misericórdias evoluíram, deixaram de serem hospitais filantrópicos para se transformarem em empresas prestadores de serviços de saúde, lucrando com isso e sendo imunes ao pagamento de tributos fiscais. Deixaram de serem unidades para serem complexos hospitalares e ambulatoriais, atendendo mais aos pacientes particulares (aqueles que podem pagar por serviços médicos) e aos usuários de Planos de Saúde, em detrimento dos pacientes pobres e financeiramente hipossuficientes, que não podem contratar tais serviços, totalmente dependentes do SUS (Serviço Único de Saúde Pública). Os melhores equipamentos e os melhores profissionais da saúde estão lotados nas Santas de Casas de Misericórdias. Aliás, nos Estatutos Sociais dessas instituições foi retirada a expressão “misericórdia” (afinal, quem possui misericórdia tem compaixão e pratica a caridade). E não é isso o que acontece nos dias atuais... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 25/09/2017 às 10:46

JORNAL NO INTERIOR

Se o jornalista IVAN BARROS não fosse um dos historiadores de Palmeira dos Índios; se ele não tivesse sido o vereador mais votado na história desta cidade; se ele não fosse um dos biógrafos do jurisconsulto Pontes de Miranda; se ele não tivesse sido repórter da Revista Manchete (Editora Bloch), no Rio de Janeiro; se ele não fosse o “tribuno” que é, com certeza, o fato de ter fundado e mantido um jornal, durante 15anos, no interior do Estado, já lhe consagraria o título de um dos notáveis palmeirenses do Século XXI na terra de Graciliano Ramos. Portanto, a criação e a manutenção do semanário “A Tribuna do Sertão” já seria um motivo plausível para render homenagem a este comunicador palmeirense, visto que não é fácil manter um jornal num Estado, pobre e desassistido, como é o de Alagoas.

Ora, pesquisando a história da Imprensa Escrita no Estado, com especial atenção aos semanários editados no interior que circularam na capital de Alagoas, poucos editores foram contemplados com mais de 500 publicações, ou seja, com a edição de notícias durante mais de 500 semanas, o que corresponde a 15 anos de sobrevivência, promovendo a cultura e o entretenimento no seio da comunidade alagoana. Nenhum político, mesmo tendo mais de 5 legislaturas, ou, ainda, possuindo mais de uma vez cargos eletivos no Poder Executivo, poderá possuir tal glória e merecer o registro de tal façanha na História. Aliás, fundar e manter um jornal, durante 15 anos, é algo heróico.

Isso sem falar nos “atentados” contra a liberdade de imprensa, patrocinados por autoridades levianas, que repudiam críticas contra suas ações políticas. E sem falar também nos “boicotes” praticados por políticos corruptos que tentam inviabilizar a divulgação de “notícias de interesse público”. A bem da verdade, “A Tribuna do Sertão”, em Palmeira dos Índios (AL), vivenciou situações constrangedoras como essas, mas superou seus adversários, em benefício do público leitor.

Sendo assim, é preciso que se diga que o problema da imprensa não está apenas na falta de apoio financeiro, mas, em face das “perseguições políticas”, advindas de autoridades públicas, comprometidas com a imoralidade social. E foram fatos como esses que “fecharam” dezenas de jornais em Alagoas, nos últimos anos. E os fatos de hoje não são diferentes daqueles de ontem. A história se repete. Há cerca de 75 anos, Alagoas conheceu a saga do jornalista José Antônio da Silva (palmeirense, nascido em 14/09/1894, e falecido em Maceió, em data de 3/2/1952), o mártir da imprensa escrita, que, como fundador da “Gazeta de Notícias”, foi perseguido, preso e injustiçado, cuja “experiência” resultou em uma declaração publicada no Diário Oficial do Estado: “...quão ingrata é a vida dos jornalistas provincianos, pela escassez de meios econômicos para se manterem... (...) dificuldades, tão sérias, que os deixam na triste e embaraçosa situação de não poderem, nem sequer, satisfazer os compromissos perante a classe dos tipógrafos, vivendo a empresa da abnegação de seus auxiliares, muitas vezes pessoas dedicadas e identificadas à profissão e à sorte do jornal... (...) salvo exceção, compreendendo aqueles que gozam de favores do Governo estadual ou municipal, o jornal dos pequenos Estados não têm vida própria e vive por amor ao sacerdócio de que pela sedução de lucros compensadores; por isso mesmo, como sacrifícios ingentes, enfrentam crises agudíssimas, passando as mais graves privações...”

Quem não se lembra do semanário palmeirense “Folha de Alagoas”, editado por Luiz Byron Passos Torres (1951-2006), filho do historiador Luiz B. Torres, cujo jornal sobreviveu apenas a dois anos e meio (janeiro/2001 a agosto/2003), por falta de recursos financeiros. Mas, ainda bem, que “A Tribuna do Sertão” tem a sorte de possuir um fundador que é aposentado como Promotor de Justiça. Daí, por que, mensalmente, ele destina parte do seu salário para garantir a continuidade da empresa jornalística. Privilégio este que faltou aos jornalistas José Antônio da Silva, nos anos 50, e ao Byron Torres, no ano de 2003... Pensemos nisso! Por hoje, é só.
 


Publicado em 11/09/2017 às 08:55

PORQUE A MAÇONARIA POSSUI TEMPLO, RITOS, PARAMENTOS E GRAUS

Em passado não muito remoto a Maçonaria Universal vivia em harmonia com a Igreja Cristã (especificamente a Igreja Católica). Naquela época essa Instituição não tinha essa denominação de "Maçonaria" (que hoje é conhecida como uma associação de homens livres e de bons costumes, que se consideram irmãos entre si e vivem em igualdade, unidos pela fraternidade e pela liberdade). No passado, os membros ativos e regulares da Maçonaria eram pedreiros, construtores e arquitetos responsáveis pela edificação das grandes obras, pontes, catedrais, santuários e monumentos sagrados.

Esses homens se organizavam em assembleias e se reuniam em "alojamentos" localizados nos interiores das Catedrais. Esses "alojamentos'' também eram reconhecidos como "Oficinas" ou "Lojas Simbólicas", porque disponha de todos os instrumentos de trabalho, como réguas, prumos, esquadros, compassos, maço e cinzel, que simbolicamente representavam a retidão, o equilíbrio, a equidade, a harmonia, etc.

Sem esquecer que no centro da Loja dos trabalhos se destacava o "Livro da Lei", simbolizado pela Bíblia (como referência ao judaísmo e ao cristianismo) ou representado pelo "Alcorão" (como identidade religiosa do islamismo), entres outras religiões professadas pelos membros maçons, uma vez que a Maçonaria, por ser uma entidade ecumênica, não discrimina qualquer crença religiosa, mas afasta do seu convívio social os ateus, em face dos mesmos rejeitarem a fé em uma divindade superior.

E tanto isso é verdade que a instituição desde os tempos memoráveis adotou uma denominação própria para a existência de um Ser Supremo, Onipresente e Oniciente, invocado como "O Grande Arquiteto do Universo", que, etimologicamente, refere-se ao Criador de tudo que existe no mundo material, imaterial e espiritual, independente de uma crença religiosa ou de uma religião específica. Ele é o Supremo Construtor e o Grande Geômetra que pensa, projeta e cria todas as coisas.

Em seus encontros rotineiros, esses homens usavam "aventais" de trabalho com identificações de sinais e de símbolos em suas vestimentas, denominadas de "paramentos", nos quais se identificava o grau de conhecimento e de liderança de cada ''pedreiro'' (aprendiz), "construtor" (companheiro) ou "arquiteto" (mestre). A expressão manter "sigilo entre colunas" tinha a finalidade de manter segredo sobre os assuntos discutidos e tratados durante as assembléias, nas quais eram permitidas a presença de Sacerdotes, Bispos e Arcebispos, desde que convidados em dias específicos.

As promessas e os juramentos dos membros de cada Oficina perante seus irmãos e superiores hierárquicos se restringiam a manter inviolável o compromisso com a verdade, a fraternidade e a honra diante da organização, da família e sociedade. E quando esses "operários" da construção civil eram convocados pelo Papa, Sumo Pontífice e chefe supremo da Igreja Católica, para defender a supremacia do cristianismo e os lugares sagrados (a Terra Santa), eles se despiam dos seus aventais de trabalho e se uniformizavam de "soldados" para integrar as expedições das "Cruzadas" visando evitar o domínio dos turcos muçulmanos e o avanço do Islamismo na Palestina, onde Jesus Cristo, nasceu, pregou e morreu, segundo a tradição cristã.

Mas, no final do século XI, durante a sociedade feudal, a Igreja da Europa ocidental começou sofrer mudanças em sua forma administrativa e passou a enfrentava problemas com a corrupção de muitos dos seus bispos e abades, que levavam uma vida luxuosa e abandonavam suas obrigações religiosas, dando mais valor as coisas do mundo e relegando as obras do espírito. Em razão dessa transformação nos destinos da Igreja Católica, as Cruzadas (que nasceram como um movimento militar em defesa da Terra Santa) deixaram de existir, mas sob a liderança dos "pedreiros" livres foram criados os cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém (Hospitalários ou Hospitaleiros) e a dos Cavaleiros Templários, voltados à instituição de um movimento político e permanente em defesa da sociedade. Essa é a razão da Maçonaria contemporânea ter adotado um sistema moral, velado por alegorias e símbolos, que busca o aperfeiçoamento social e intelectual da humanidade, combatendo a ignorância, o fanatismo, os erros, os preconceitos e a ditadura, tanto civil quanto militar, tendo como lema e princípio universal "o amor ao próximo"... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 04/09/2017 às 10:21

O PERJÚRIO NA MAÇONARIA

A sociedade como entidade social vive limitada em mecanismos de sustentação, os quais são capazes de manter a continuidade da convivência humana, sem o que, induvidosamente, a vida em grupo seria insuportável e até mesmo impossível. Os limites que são estabelecidos nos grupos sociais, políticos e religiosos são imprescindíveis entre as pessoas, com o objetivo de manter acesa a chama da unidade do grupo e dar continuidade aos ideais humanos. As regras sociais, assim como as leis, servem para garantir que a igualdade, a liberdade e fraternidade sejam respeitadas, de modo a contribuímos para um mundo mais justo para todos. Obedecer às leis e as regras de boa convivência humana são uma necessidade que não pode ser negligenciada. Ninguém pode fazer tudo o que quer, pois, em dado momento, estará violando direitos de terceiros. Liberdade, sem disciplina, é libertinagem; Igualdade, sem obediência, é anarquia; Fraternidade, sem amor, é demagogia.

Nos últimos tempos o ser humano se multiplicou e se desenvolveu sob a face da terra, chegando ao ponto de estabelecer outras normas de comportamento, relegando os bons usos e os bons costumes. As instituições perderam seus propósitos perante a conveniência social moderna. No entanto, a Maçonaria como uma sociedade milenar, universal, reservada e discreta, de princípios filosóficos, filantrópicos, iniciáticos e progressistas se manteve dentro da normalidade, sem deixar de perder a sua essencialidade e mantendo a sua inviolabilidade. A bem da verdade, a Maçonaria não é uma sociedade secreta como afirmam alguns críticos desinformados. “Não é certo que a Maçonaria seja uma sociedade secreta, pois, entende-se por sociedade secreta aquela cuja existência é ignorada e cujos membros são desconhecidos”, revela-nos um Landmark.

Ademais, que “os segredos da Maçonaria não se devem divulgar”, entende-se como um raciocínio lógico e sensato, pois, “nem tudo pode ser revelado e nem tudo pode ser compreendido por quem ainda não foi instruído”. Aliás, não existem maçons desconhecidos, todos eles são conhecidos e aceitos em vários ciclos sociais. Por vezes, a Maçonaria foi combatida, injuriada, difamada, caluniada e perseguida, mas nunca perdeu a sua condição de guardiã da sociedade humana. Mesmo com os avanços da Ciência e da Tecnologia, a Maçonaria conservou seus hábitos e suas tradições, fazendo uso de lições e de doutrinas que evoluem, educam e disciplinam os seres humanos em sua vida social e política. Para tanto, ela desenvolveu saberes humanos e compartilhou filosofias buscando assegurar uma vida harmônica e saudável para seus membros e suas famílias.

Dentre suas regras de comportamento, a Maçonaria adotou o “Sigilo Maçônico” como meio de velar pela harmonia e pela unidade do seu grupo social. Como consequência pela quebra do Sigilo Maçônico, implantou-se na instituição a figura do PERJÚRIO (perjurium, em latim), que é a ação ou efeito de Perjurar; que trata do juramento falso ou ainda da violação do juramento prestado entre pessoas com a mesma convicção e a mesma orientação. No âmbito jurídico, o Perjúrio é o delito penal em que alguém presta um falso testemunho perante a Justiça ou faz uma falsa acusação contra o semelhante, para prejudicar alguém através de mentiras ou de falsas verdades.

O que empresta à Maçonaria seu caráter secreto é o fato de que seus membros, reconhecidos como irmãos fraternos, devem se pautar de modo inquestionável perante sua família, seu trabalho e diante da sociedade. Na parte concernente às regras de conduta social, recomenda-se que “os Maçons devem ser circunspectos em suas palavras e em suas obras”, mantendo o sigilo absoluto sobre suas ações, por ser uma atitude humilde e respeitosa para com os outros.

Ademais, existem outros segredos que devem ser mantidos pelos maçons, por se tratarem de símbolos e alegorias indispensáveis à compreensão dos iniciados nos mistérios maçônicos. Violar juramentos prestados, fazer acusações falsas, prejudicar os outros com mentiras ou falsas verdades é praticar PERJÚRIO, que é a ação ou efeito de Perjurar. Na compreensão da doutrina maçônica é uma atitude de traição, de covardia e de falsidade irreparável. Em 1792, o maçom mineiro Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier) foi vítima de um “perjúrio” que o traiu perante as Cortes Portuguesas, levando-o à morte por enforcamento, tendo por causa a Independência do Brasil... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 25/08/2017 às 04:41

O PAPA JOÃO PAULO II E A MAÇONARIA

De forma resumida, a Maçonaria é uma sociedade filosófica, filantrópica, iniciática e progressista. Uma instituição aparentemente secreta perante a opinião pública. É uma sociedade discreta, de caráter universal, cujos membros cultivam o aclassismo, humanidade, os princípios da democracia, em defesa da liberdade, da igualdade e da fraternidade, na busca do aperfeiçoamento intelectual do ser humano. A Maçonaria é uma sociedade fraternal, que admite todos os homens livres e de bons costumes, sem distinção de raça, de credo e de religião, ideário político ou posição social.

Suas principais exigências são que o candidato acredite em um princípio criador, tenha boa índole, respeite a família, possua um espírito filantrópico e o firme propósito de tratar sempre de ir em busca da perfeição, aniquilando seus vícios e trabalhando para a constante evolução das suas virtudes. Seu adjetivo "maçônico" está relacionado com a expressão "maçom" (que provém do inglês mason e do francês maçon), que quer dizer pedreiro ou construtor. Estudiosos, pesquisadores e historiadores costumam dividir a origem da Maçonaria em três fases distintas: Maçonaria Primitiva, Maçonaria Operativa e Maçonaria Especulativa. Por Maçonaria Primitiva ("Pré-Maçonaria"), entende-se o período que abrange todo o conhecimento herdado do passado mais remoto da humanidade até o advento da Maçonaria Operativa, que representou a época antiga dos pedreiros e construtores de igrejas e de catedrais, corporações formadas sob a influência da Igreja Católica na Idade Média.

Por Maçonaria Operativa, compreende o surgimento da associação dos cortadores de pedras, que tinha como ofício a arte de construção de castelos, muralhas etc. Também outras corporações se formaram, como dos artesãos, ferreiros, marceneiros, tecelões, mestres em pedraria, etc. As "Guildas' (confrarias) dos Pedreiros moveram-se para a construção das estradas e das novas fortificações dos Templários. Nesse aspecto, a Igreja Católica encontra neste sistema o ambiente ideal para seu processo expansionista, por meio da proliferação dos mosteiros, que reproduzem a sua estrutura, detendo o poder político, econômico, cultural e científico da época.

Essas corporações de "pedreiros-livres" ultrapassavam as questões profissionais, uma vez que elas possuiem um Santo Padroeiro e sua sede era estabelecida em um Templo (Igreja) ou Capela. "Além dos deveres religiosos que se impunham aos seus membros, o ofício dos pedreiros-livres assumia preocupações caritativas, como socorro aos doentes e a missa para os mortos".

A Maçonaria Especulativa tem sua origem na Inglaterra em 24/06/1717, com o movimento iniciático tal e qual o conhecemos hoje em dia, e que é uma consequência do "Iluminismo" (conceito que sintetizava tradições filosóficas, sociais, políticas,correntes intelectuais e atitudes religiosas), promotora da revolução industrial do século XIX e da revolução francesa. A partir dessa época surgiu o rompimento das relações entre a Maçonaria e a Igreja Católica, porque esta instituição religiosa questionava a soberania de Roma e consequentemente do império Romano, criticada pela Maçonaria Especulativa, que admitia um estado laico, sem laços com o governo. Após 21anos, em 28/04/1738, o papa Clemente XII promulgou a bula In eminenti apostolatus specula que entrou para a história, por ser a primeira condenação pontifícia da Maçonaria.

Esse conflito perdurou até o advento do Papa João Paulo II, que quebrou essa animosidade entre os cristãos católicos e os maçons. Na opinião da Sua Santidade, o Papa João Paulo II, a Maçonaria é uma "respeitável organização". Segundo seu entendimento, "a maçonaria não afasta ninguém da própria religião, mas pelo contrário constitui um incentivo a aderir ainda mais a ela", porém, mesmo assim, ainda existe divisão dentro do Clero da Igreja Católica.

Entendeu o papa João Paulo II que a Maçonaria é conduzida por uma doutrina filosófica, independentemente de credo religioso, mas que invoca a supremacia do Grande Arquiteto do Universo que, etimologicamente, se refere ao "Planejador e Criador' de tudo que existe no mundo material e imaterial, independente da crença pessoal de cada maçom. Por essa razão o maçom é um ser "Ecumênico", porque abraça todas as religiões, só excluindo os ateus que pregam a negação de Deus ou de Deuses e que repudiam a existência de um Ser Supremo.

Ademais, os objetivos perseguidos pela Maçonaria são ajudar os homens a reforçarem o seu caráter; melhorar sua bagagem moral e espiritual e aumentar seus horizontes culturais.... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 18/08/2017 às 19:05

O AGRICULTOR E O ENGENHEIRO

O agricultor SEBASTIÃO CORREIA NUNES (Sebastião Cuscuz) e o engenheiro CARLOS ROBERTO ALBUQUERQUE DA SILVA (Carlos da Ultradata), ambos com a idade de 66 anos, são “palmeirenses” nascidos na Terra dos Xucurus. Tanto o Agricultor quanto o Engenheiro tinham algo em comum. Num primeiro plano, foram meus amigos íntimos. Num segundo plano, faleceram em dias diferentes num intervalo de 15 dias, após tratamento médico e internação hospitalar em Maceió.

A mesma causa de morte de um também atingiu o outro, com enfermidade generalizada no pulmão, em razão da condição de fumante de tabaco (cigarros industrializados). Seres humanos políticos e sociais por sua natureza, como disse o filósofo Aristóteles. Eles nunca exerceram cargos públicos, mas tinham opiniões formadas sobre a política e os homens públicos. O Agricultor ainda tentou, por várias vezes, ser eleito vereador no município, sendo vencido em sua pretensão. O Engenheiro nunca tentou exercer cargo eletivo, muito embora cogitasse ser útil à sociedade.

Tanto o Agricultor quanto o Engenheiro possuíam qualidades comuns. Os dois eram apaixonados por sua terra natal. O Agricultor se dedicava ao cultivo das plantas, lavrando, plantando e colhendo; cuidando de vacas, ovelhas, galinhas e outros animais. Acordando muito cedinho, quando o galo cantava e o sol começava a nascer, ele ia colher o leite das vacas, recolher os ovos das galinhas e dar de comer a todos os filhos e a esposa. Era assim que o Agricultor iniciava seu trabalho do dia a dia. E não ficava só aqui, também ia ao campo pastorear, semear e plantar novas espécies no solo. Cuidar e tratar bem os animais eram outras atividades diárias, fazendo uso da força física e do saber empírico (conhecimento adquirido pela observação e pelo senso comum, baseado na experiência pessoal e dos outros, sem qualquer comprovação científica).

Por vezes, passava da hora do almoço entretido pelos afazeres do campo. Nesse momento ele acendia um ou mais cigarros para passar a fome. Em casa comia um pequeno almoço quando lá chegava. Depois do almoço continuava com os mesmos trabalhos ou com outros que fossem necessários naquele dia, como cavar, podar, ceifar, debulhar e muito mais. Ao fim da tarde voltava a cuidar das vacas, verificava o que ainda havia de fazer e voltava ao lar para descansar. Tudo isso era feito com dedicação e muita paixão, porque era um homem amante da natureza e gostava de andar ao ar livre, sem obrigação, seguindo seus próprios impulsos aonde quer que o leve.

O Engenheiro (que foi formado em Mecânica para projetar, construir e fazer manutenção de máquinas e equipamentos) não era diferente. Logo após deixar seus estudos superiores em Recife, muda de opinião e volta à sua Terra Natal. Em Palmeira dos Índios desenvolve, projeta e instala uma fábrica de lentes para a Loja de Óculos dos seus pais na Praça da Independência. Mas não se limitou a essa ideia. Em pouco tempo, por possuir conhecimento científico sobre Dinâmica e Estática, Eletricidade e Eletrônica, Metrologia e Instrumentação, Desenho Técnico e Robótica, entre outras ciências afins, o Engenheiro alterou seus planos e criou a Empresa ULTRADADA, visando expandir o uso e o aproveitamento das máquinas computadorizadas no interior do Estado. Palmeira dos Índios foi primeira cidade interiorana de Alagoas a dispor de uma Loja para a venda de Microcomputadores.

O saudoso tabelião Luiz Fernando Barros foi o primeiro a adquirir um Micro na cidade e eu fui o seguinte usuário, graça a insistência do Engenheiro que, além de vender equipamentos também prestava ampla manutenção. Inclusive foi “escola” para outros que se especializaram na área da informática. Em razão da sua vida agitada e das preocupações diárias nunca se afastou do uso do cigarro, tal como o Agricultor.

No entanto, Sebastião e Carlos eram gentes especiais. Extremamente sensíveis e de características marcantes, capaz de tomar decisões rápidas e de agir com base nelas. Adeptos da improvisação e não da minúcia, viviam a vida, segundo suas opiniões. Homens de qualidades profundamente humanas, atraídos pelo amor da família e dos amigos. Apesar de mostrarem grosseiros e rispidamente francos em suas opiniões, eram acolhidos por todos. Embora levando vida privada e simples, compartilhavam seus sonhos e suas esperanças com poucos amigos íntimos. Eu fui um desses companheiros que gozaram das suas companhias e amplas discussões... Pensemos nisso! Por hoje é só.  


Publicado em 13/08/2017 às 06:08

AGOSTO, MÊS DO DESGOSTO – Última Parte

No Século I, os antigos povos romanos acreditavam que um dragão cuspindo fogo passeava pelo céu noturno em agosto (mês, aliás, batizado por eles em homenagem ao imperador Augusto César). Seria um dos filhos de Daenerys Targaryen? Nada disso. Era apenas a constelação de Leão, que fica mais visível durante essa época do ano.

Aliás, o mês de agosto representa o número 8, que nos estudos da numerologia simboliza a vida o resultado prático do que cada um de nós produz durante a vida, por essa razão é um mês tão radical. Isso que nos expressar que tanto poderemos ter sucesso quanto fracasso, ou seja, fama ou fracasso. Na opinião do numerólogo Yubertson Miranda: “Se temos agido com consciência, maturidade e perseverança para realizar nossas metas, o resultado será promissor. Caso contrário, não receberemos uma reação próspera da vida. E não adianta culpar o destino, a vida ou o mês de agosto. É simplesmente a lei de ação e reação ocorrendo de forma explícita. O número 8 se parece muito com o número 13 - enquanto algumas pessoas o amam, outras detestam. Uns consideram um número de sorte, outros de azar”.

Segundo a numerologia o número 8 (oito) significa “tenacidade”, “coisas do mundo”. É um número prático e pertence às pessoas sucedidas que se dão bem no mundo dos negócios. Tem muito haver com as coisas materiais (em oposição às coisas espirituais). São pessoas que trabalham duro, desenvolvendo autoconfiança, ambição, poder e habilidades humanas. Mas, aqui, ocorre, uma reflexão: nunca deve se deixar atrair de maneira obsessiva pelo prazer do poder e do dinheiro que estes possam proporcionar ao homem, porque o ser humano corre o risco de tornar-se materialista, voltar-se apenas para o acúmulo de bens, tornando-se um ser intolerante, arrogante e radical. As coisas do mundo torna o homem insatisfeito e depressivo...

Assim sendo, nos países latinos, Agosto é o mês do desgosto, das desgraças e das infelicidades. Na opinião do folclorista pernambucano Pereira da Costa: "agosto é um mês aziago, é um mês de desgostos; e é de mau agouro para casamentos, mudanças de casa e empreendimentos de qualquer negócio de importância" (Folclore Pernambucano, p.116). Para Pereira da Costa: "O diabo aparece furtivamente, iludindo a vigilância dos arcanjos, que o trazem sob as suas vistas, armados de flamejantes espadas; mas, no dia de São Bartolomeu, a 24 de agosto, o diabo solta-se licenciadamente do inferno, e fica em plena liberdade. Por isso é prudente a gente prevenir-se para não cair nas suas ciladas (...)”.

Essa ideia de que Agosto é o mês do Desgosto, nós herdamos dos nossos colonizadores portugueses. No século 16, época das grandes navegações, era nesse mês que as caravelas navegavam no mar, na busca de novas conquistas. Por isso, as namoradas e as noivas dos navegadores nunca casavam no mês de agosto, porque elas não podiam desfrutar da lua-de-mel, além do mais, poderiam passar rapidamente da condição de recém-casadas para a de viúvas, em virtude do risco dos seus amados em alto mar. Por isso a tradição portuguesa consagrou a expressão “casar em agosto traz desgosto”, segundo afirmação do escritor Mário Souto Maior, que depois foi resumida para a frase conhecida: “agosto, mês do desgosto”.

A fama de mês agourento cresceu ainda mais na cultura luso-brasileira, durante o século 20, graças a desastres e acontecimentos como o Início da Primeira Guerra Mundial (1º/08/1914), a Destruição da cidade japonesa de Hiroshima por uma bomba atômica lançada pelos EUA (06/08/1945), o suicídio de Getúlio Vargas (24/08/1954), o Início da construção do Muro de Berlim, na Alemanha (13/08/1961), a renúncia de Jânio (25/08/1961), a morte prematura da atriz norte americana Marilyn Monroe (05/08/1962). Também foi no início do mês de agosto de 2003, que Sílvio Santos, dono da Rede de Televisão SBT, em tom de brincadeira, ousou dizer que iria morrer, mas Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo, aos 98 anos, morreu em primeiro lugar no dia 06 de agosto de 2003... Por isso, é preciso varrer das nossas mentes os maus sentimentos, pensamentos e ações negativas durante os meses que antecedem o mês de agosto, para garantir a nossa sobrevivência... Isso se for possível... Mas, essa é outra história! Pensemos nisso. Por hoje é só!
 


Publicado em 05/08/2017 às 07:01

AGOSTO, MÊS DO DESGOSTO – 1ª Parte

Há muitos anos, desde criança, ouço histórias e estórias acerca do mês de agosto, como sendo o mês do cachorro louco e de coisas afins. Quando adolescente, ouvia o conselho dos mais velhos: “meu filho, numa sexta feira 13, nunca passe debaixo de uma escada, na qual um gato preto está deitado”. E sempre respeitei tal pedido, visto que é arriscado passar por baixo de uma escada, em qualquer lugar durante o dia ou a noite. Porém, quanto ao “gato preto” debaixo da escada ou em qualquer lugar, eu os deixo para lá, porque são animais imprevisíveis, astutos e matreiros, que se esquivam. Afinal, não tenho nenhuma paixão por gatos, quer sejam pretos, brancos, cinzas, amarelos ou de qualquer cor. Existem outros animais que me agradam mais, como, por exemplo, os cães. Afinal, tudo é uma questão de afinidade. Nada tenho contra os “gatos”, desde que eles não me ataquem...

Quanto ao mês de Agosto eu tenho algumas restrições. È um mês fatídico, emblemático, misterioso, pois sua origem é conflituosa. O mês de Julho, que possui 31 dias do ano, ingressou em nosso calendário no sétimo mês do ano como sendo julius, em substituição ao antigo mês quintilis, por ato de uma homenagem do cônsul Marcos Antônio ao seu rei Júlio César, por volta de 45 anos antes de Cristo. A homenagem imposta pelo Senado Romano em louvor ao seu rei (que não é o nosso rei) resultou na tragédia do ano seguinte, quando Sua Majestade, o rei JÚLIO CÉSAR, foi assassinado a golpes de punhais e adagas por BRUTUS, seu leal amigo, liderando seus opositores.

Ora, Augusto César, o primeiro dos imperadores romanos, depois da morte do rei Júlio César, que antes fora comandante-chefe do exército romano e conquistador de novas terras, por pura vaidade e abuso de poder, resolveu se auto promover e exigiu que o Senado Romano alterasse o calendário para substituir o mês sextilis, depois do mês de julho, para incluir o mês de augustus, exigindo, também, que este mês teria 31 dias, igual ao mês de julho, data dedicada às homenagens a Júlio César. E, para tanto, o imperador romano mandou retirar um dia do mês de fevereiro. Tudo isso aconteceu por volta de 24 anos antes de Cristo.

Assim, desde sua origem, entende-se que Agosto é um mês que usurpa datas comemorativas, que impõe sua vontade, que inibe os outros meses, que causa danos e desgostos à natureza e aos homens. Veja, por exemplo, é o mês que mais possui comemorações notáveis. È no mês de agosto que se comemora o folclore (a arte que “estuda tudo o que constitui o equipamento mental do povo desde que distinto da procedência técnica. Não é a forma do arado que chama a atenção do folclorista, mas os “ritos” praticados pelo lavrador quando o faz penetrar no solo; não é a manufatura da rede ou do arpão, mas os “tabus” observados pelo pescador quando está no mar", segundo o livro Handbook, da Folklore Society, de Londres, publicado em 1913).

Portanto, é o mês das lendas, das superstições, das danças e dos cânticos populares. Também é o mês da Amamentação, do Tintureiro, do Padre, da Saúde, da Televisão, do Advogado (embora eu discorde desta homenagem nesse mês), do Estudante, do Garçom, Consciência Nacional, do Hoteleiro, da Pintura, do Magistrado, dos Pais, das Artes, do Economista, dos Encarcerados, do Pensamento, do Protesto, da Unidade Humana, dos Solteiros, do Patrimônio Histórico, da morte (Assunção) de Nossa Senhora, do Fotógrafo e da Fotografia, das Vocações Religiosas, da Habitação, dos Artistas, do Aviador Naval, da Infância, do Feirante, do Soldado, dos Catequistas, do Psicólogo, do Corretor de Imóveis, do Bancário, da Avicultura, do Combate ao Fumo, do Nutricionista, entre outras datas. Entre as datas religiosas, destaca-se o martírio de São Bartolomeu, apóstolo, cujo dia é comemorado em 24 de agosto. No mais, foi no dia 24 de agosto de 1572 que a rainha Catarina de Medici ordenou o massacre de São Bartolomeu, que ceifou milhares de vidas humanas. Por sinal, no Brasil, o dia 24 de agosto é o dia de todos os “Exus” (espíritos do mal) nos candomblés brasileiros.

Portanto, agosto é um mês marcado por grandes tragédias. O mês do azar e dos desgosto. Em agosto sempre aconteceram episódios marcantes e inesquecíveis. Senão vejamos: no dia 14 de agosto de 1831, os poloneses foram vencidos pelos russos na chamada revolta de Varsóvia e muita gente morreu sonhando com a liberdade; no dia 14 de agosto de 1844, a França invadiu Marrocos; no dia 11 de agosto de 1863 a França dominou o Cambodja; no dia 6 de agosto de 1890, na cidade de Nova York, o primeiro homem foi eletrocutado numa cadeira elétrica, onde o Estado assumiu o papel de Senhor da Vida e da Morte; em 24 de agosto de 1910, o Japão invadiu a Coréia, à custa de muito sangue e de muitas lágrimas; no dia 1º de agosto de 1914, começou a 1ª Grande Guerra Mundial...

No Brasil, agosto é considerado o mês do azar em decorrência do suicídio do presidente Getúlio Vargas, ocorrido no dia 24 (ano de 1954). É o mês do desmancha-prazeres. Foi no mês de agosto, no dia 22 (ano de 1981), que partiu para a eternidade o compositor Raul Seixas, que cantava: “... a civilização se tornou tão complicada, que ficou tão frágil feito um computador, que se uma criança descobrir o calcanhar de Aquiles... com um só palito pára o motor...". Mas, essa é uma outra história! Pensemos nisso. Por hoje é só!
 


Publicado em 31/07/2017 às 06:29

A CURA INTERIOR PELO RISO

Em passado remoto, o “riso” era considerado uma manifestação “diabólica”, supondo-se que o Diabo usava da “gargalhada” quando se apossava de uma alma. Os antigos religiosos diziam que o céu era um lugar de seriedade e de silêncio, enquanto que o inferno era um lugar de riso e de dor. Aristóteles, gênio dos filósofos, disse que o riso é algo próprio do ser humano. Ele observou que alguns animais antropoides (chimpanzés, gorilas e orangotangos) abrem suas bocas, expõe seus dentes, retraem os cantos da boca, e emitem vocalizações altas e repetitivas, não como o “riso dos humanos”.

Pelo contrário, são apenas “sons” parecidos com “guinchos” ou “granidos”, com certas posturas corporais. Mas, isso não é “riso humano” que libera endorfinas para o cérebro, combatendo a dor; que aceleram as glândulas salivares e lacrimais; que fortalece o coração, estimulando funções cardiovasculares e dilatando artérias, evitando “aneurismas”; que enchem os pulmões de ar, provocando a sensação de bem estar; que contraem os músculos abdominais, relaxando a vesícula; que fortalece o sistema imunológico, evitando as doenças; que comprimem os músculos das pernas e agitam os pés, como que sugerindo “asas” para voar. Não é esse o “riso” dos antropoides, que apenas “gargalham” ou “murmuram”, usando de “gestos”, “granidos” ou “posturas” para chamar a atenção dos animais da mesma espécie (com certo “ar” de exibicionismo). Semelhantes as “esses animais” são alguns “homens públicos” (por nós conhecidos e que vivem no meio de nós), que “gargalham” nos logradouros públicos, com o fim de imitir “sons” para irritar os adversários ou tentar convencer seus “asseclas” e aliados que são pessoas livres e felizes. Meras “caricaturas”! Esses “animais domésticos”, inseridos na vida pública, como já dizia o professor mineiro Alberto Deodato, não sabem rir, apenas “imitam” ou “copiam” outros animais “irracionais”.

Por enquanto, estou apenas me referindo ao “riso natural do ser humano”. Esse riso espontâneo, gracioso, generoso, ingênuo ou infantil, que não causa dano aos outros. Estou me referindo ao riso dos amigos; ao riso dos amantes; ao riso pais dedicados e dos filhos amorosos; ao riso das pessoais puras e sinceras; o riso que demonstra o gosto pela vida; o riso que encanta e embala emoções; o riso solto, sem cinismo, sem gozação, sem maldade, que não morde a gengiva, nem envenena os corações alheios. Também, não pretendo aqui, descrever o riso arrepiado; o riso falso ou arrependido: o riso amargo ou melancólico, ou, ainda, o riso decepcionado ou frustrado. Esses “risos”, porém, precisam de tratamento psicológico, de terapia específica, para serem “curados” e, depois, exibidos.

Ora, se na Grécia antiga, Platão descrevia o riso como “um prazer associado à dor, ligado muito frequentemente à zombaria”; se, na época Romana, o riso tinha uma caráter negativo, segundo disse Túlio Cícero; por sua vez, na Renascença, o riso passou a ser valorizado, enobrecido, exaltado. François Rabelais, frade franciscano, atribuiu-lhe um valor terapêutico. O filósofo francês René Descartes considerou o riso como uma das principais expressões de alegria. Enquanto isso, Baruch Spinoza lhe atribuía uma função mística e nele via uma extensão de nossa natureza divina.

De fato, o riso “cínico”, “debochado” e “irritante”, por seu turno, representa a extensão da natureza “diabólica” do homem. Nesse aspecto, há de se reconhecer que hoje, o riso “natural e franco” mantém uma boa reputação, pois são reconhecidos nele benefícios para si e para os outros, tanto no plano físico, como no plano psicológico. Pierre-Augustin C. Beaumarchais dizia que: “Eu me faço a rir de tudo, por medo de ser obrigado a chorar”. E Theodor Haeeker confirmava “a alegria e o humor formam o ambiente mais nobre da humanidade”. Mas, sem fazer disso uma “panaceia”, pode-se dizer que o riso “livre e solto”, faz bem ao corpo e a mente daquele que ri. Não há nada melhor que uma “boa gargalhada”, sem ironia, sem deboche, sem desprezo aos outros. E, sem exagero, dizia São Francisco de Assis: “Um santo triste é um triste santo”. Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 15/07/2017 às 05:00

MUITO BARULHO PARA POUCA CAUSA

A Reforma Trabalhista rendeu muito barulho na imprensa e nas redes sociais. Essa "discussão sem fim" na mídia escrita, falada e televisada nos perturbou por vários meses. Contra essa Reforma se levantaram vozes da CUT (Central Única dos Trabalhadores), de Dirigentes Sindicais, Juízes do Trabalho, Líderes do Partido dos Trabalhadores, do PCdoB e de outras agremiações partidárias, sem qualquer conhecimento de causa, ou, quem sabe, com "muito" conhecimento, em defesa dos seus próprios interesses. Poucas vozes mantiveram a consciência de que todo esse "barulho" tinha um endereço certo: manter instalado o "palanque" para a campanha presidencial das Eleições de 2018.

Eu fui uma dessas vozes "anônimas" que manteve a coerência em suas convicções políticas e jurídicas, afirmando que o Projeto de Reforma Trabalhista era matéria infraconstitucional, não violando a Constituição Federal. Os 100 (cem) artigos de mudança na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em nenhum momento contrariam os princípios da Carta Magna. A CLT não é uma "constituição" que possui "cláusulas pétreas" (isto quer dizer, disposições que proíbem a alteração de regras na Lei Maior, por meio de emendas, tendentes a abolir normas constitucionais relativas às matérias por elas definidas). Então, a CLT é norma mutável, infraconstitucional, sendo, pois, uma Lei Complementar que pode ser alterada, modificada, emendada e revogada por aprovação do Congresso Nacional e sancionada ou vetada pela Presidência da República. Logo, a CLT não é norma imutável. E para tanto basta que lembremos das inúmeras alterações já feitas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) desde sua criação em 1943. Nesses 74 anos de existência, a CLT sofreu centenas de mudanças em seu texto original, assinado pelo reacionário Presidente da República, Getúlio Vargas.

Ora, é bom que se diga que muitos direitos foram incorporados aos trabalhadores, após o surgimento da CLT em 1943. Por exemplo o 13º Salário não faz parte da CLT, trata-se de uma Lei Ordinária Federal que instituiu oficialmente a Gratificação de Natal para os Trabalhadores (popularmente conhecida como 13º Salário) no ano de 1962. O notável advogado trabalhista, que se tornou Professor Universitário e Juiz do Trabalho em São Paulo, Dr. Jorge Luiz Souto Maior, afirmou que em 1943, quando da aprovação da CLT, apenas existiam 921 artigos tratando das relações do trabalho, mas apenas 625 diziam respeito aos direitos trabalhistas propriamente ditos, porque os demais dispositivos regulavam o processo do trabalho. Dentre esses artigos originais, apenas 255 não foram alterados ou revogados, de modo parcial ou total. Na opinião do jurista trabalhista, "grande parte das mudanças aconteceu durante o regime militar que adotou o modelo econômico neoliberal".

E não fica por aqui as mudanças feitas na CLT. O "trabalho à distância" (fora do ambiente da empresa), citado no art. 6º da CLT, como relação de emprego, foi modificado pela Lei nº 12.551, de 15/12/2011. A "Jornada de Trabalho" do art. 58 da CLT foi alterada pela Lei nº 10.243, de 19/06/2001. No tocante ao "Trabalho da Mulher", citado no art. 373-A da CLT, foi incluído pela Lei nº 9.799, de 26/05/1999, que também proibiu a prática da revista íntima em trabalhadoras, assim como eliminou a exigência do atestado ou exame para a comprovação de gravidez ou esterilidade. Em abril de 2002 foi instituída na CLT a regra que estende a licença-maternidade de 120 dias para as mães adotivas. No entanto, foi revogado o art. 379 que proibia o trabalho noturno às mulheres, em 1989. Contudo, o direito ao Aviso Prévio de 30 dias, em caso de demissão do trabalhador, instituído pela Lei Federal nº 1.530, de 26/12/1951, foi ainda alterado durante o mandato de Getúlio Vargas. A criação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), para substituir a estabilidade adquirida pelo empregado com mais de 10 anos no trabalho no mesmo emprego, aconteceu no regime militar, em 1966. Mas, o fim da estabilidade foi extinta após a Constituição de 1988.

Entretanto, o que se pode criticar na atual Reforma Trabalhista (que, inclusive, deve ser alterada com brevidade), é quanto a retirada do Direito de Descanso do Trabalhador, que, pela legislação anterior permitia um intervelo de, no máximo, 2 horas para repouso e alimentação, mas que agora "deverá ser negociado entre patrão e empregado, desde que tenha pelo menos 30 minutos de intervelo entre a jornada de trabalho de 8 horas diárias". Isso é um absurdo, porque a média da faixa etária dos trabalhadores brasileiros está na ordem de 40 anos de idade. Logo, não permitir um descanso amplo ao trabalhador na sua labuta diária, é prejudicar o seu direito à uma vida mais longa. Aliás, faltam aos nossos parlamentares e legisladores o devido conhecimento dos usos e dos costumes do povo europeu, principalmente das nações alemã e holandesa. Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 07/07/2017 às 16:31

A CUT E A JUSTIÇA TEM MEDO DA REFORMA TRABALHISTA

No estudo da Filosofia do Direito, dizem os filósofos acerca da Teoria da Justiça que ela existe para solucionar as questões de ordem social, na busca de evitar a prática de crimes. Na opinião de John Rawls, para a prevenção da criminalidade, verifica-se a importância da contribuição da Justiça. Na Teoria de Equidade da Justiça Social, defende John Rawls (1921-2002) que a Justiça busca alternativas para melhor distribuição dos bens e das riquezas na sociedade, e como uma das causas da ocorrência da criminalidade são fatores relacionados à desigualdade entre os homens, a “injustiça” se faz presente no meio social.

Por conseguinte, verifica-se que havendo a diminuição das desigualdades sociais, decorre a possibilidade de redução da criminalidade. Na visão crítica de John Rawls para que ocorra a Justiça é preciso que as instituições sociais garantam os direitos básicos da igualdade e da liberdade de cada indivíduo integrante da sociedade, de modo a não haver desequilíbrio nos interesse e nas relações sociais. Havendo, pois, a construção de uma relação amistosa e eficaz entre as pessoas com a finalidade de se obter pontos comuns entre elas, com respeito aos direitos fundamentais da boa convivência humana, então, será alcançada a Justiça Social.

De acordo com John Rawls, professor de filosofia política da Universidade de Harvard (EUA), na aplicação do “princípio da equidade” deve prevalecer dois outros princípios: o da “Liberdade” e o da “Igualdade”. O Princípio da Liberdade diz que cada pessoa deve ter um direito igual ao mais abrangente sistema de liberdades básicas iguais que sejam compatíveis com um sistema de liberdade para as outras. E o Princípio da Igualdade sustenta que as desigualdades sociais e econômicas devem ser ordenadas de tal modo que sejam ao mesmo tempo: a) consideradas como vantajosas para todos dentro dos limites do razoável (princípio da diferença), e b) vinculadas a posições e cargos acessíveis a todos (princípio da igualdade de oportunidades).

Ora, esse pensamento do professor John Rawls está consolidado no entendimento do filósofo francês, Jean Jacques Rousseau (1712-1778), pai da Teoria do Contrato Social. Rousseau afirmava que a liberdade natural do homem, seu bem-estar e sua segurança seriam preservadas através do “contrato social”, uma vez que, diante da fragmentação e da diversidade de visões do mundo atual, sustenta-se a necessidade de um “Consenso sobreposto”, qual seja, um consenso em torno de uma concepção pública de Justiça compartilhada pela comunidade social. Para Rousseau, a Justiça Social só será alcançada através de um “contrato social”, por meio do qual prevaleça a soberania da sociedade, ou seja, a soberania política da vontade coletiva.

Dessa forma, nesse Contrato Social será preciso definir a questão da igualdade entre todos, do comprometimento entre todos. Se por um lado a vontade individual diz respeito à vontade particular, a vontade do cidadão (daquele que vive em sociedade e tem consciência disso) deverá ser coletiva; deverá haver um interesse no bem comum. Este pensador francês acreditava que “o povo seria ao mesmo tempo parte ativa e passiva deste contrato, isto é, agente do processo de elaboração das leis e de cumprimento destas, compreendendo que obedecer a lei que se escreve para si mesmo seria um ato de liberdade”.

Portanto, não há outra sentença a se chegar senão a de que tanto a CUT (Central Única dos Trabalhadores) quanto a Justiça do Trabalho temem que a Reforma Trabalhista venha aniquilar as suas “forças” diante dos conflitos entre Capital e Trabalho. A CUT teme com a perda da receita financeira anual da “obrigatoriedade do pagamento das contribuições sindicais por parte de todos os trabalhadores brasileiros”, independentes de classe e de profissão, cuja medida vai esvaziar substancialmente os “cofres” dos Sindicatos e inibir o enriquecimento ilícito de alguns dirigentes sindicais; e a Justiça do Trabalho que teme perder o alto índice de “demandas” judiciais, implicando, substancialmente, no fechamento de várias Varas do Trabalho no imenso território brasileiro.

Mas, isso é um grande equívoco por parte da CUT e da JUSTIÇA DO TRABALHO, pois, mesmo havendo a “composição amigável” entre patrões e empregados, para fim de acordo coletivo, previsto na Nova Reforma Trabalhista, haverá sempre a possibilidade dos trabalhadores recorrerem aos seus Sindicatos para orientá-los e encaminhá-los na “negociação” com seus empregadores. E quanto à Justiça do Trabalho, ela sempre será indispensável nos litígios trabalhistas quando se fizer oportuna e necessária a sua intervenção judicial... Pensemos nisso! Por hoje é só.


Publicado em 30/06/2017 às 06:26

Um olhar sobre o repórter fotográfico

Se o médico palmeirense MARCOS MORAES, que transferiu seu domicílio para o Rio de Janeiro, ainda estivesse por aqui, com certeza responderia algumas dúvidas que trago comigo. Contabilizo vários amigos e conhecidos que no exercício da sua profissão como Jornalista ou Repórter Fotográfico tiveram suas vidas ceifadas pelo Câncer no Estômago. O que observo sobre essa Patologia é que ela é uma doença letal, muito comum no nordeste. E como ela se confunde com simples dores abominais e perda de apetite e de peso. Geralmente acreditamos que ela não passa de um sintoma de má digestão ou infecção intestinal, mas nunca suspeitamos que possa ser um sinal de possível tumor (neoplasia gastrointestinal) no interior do corpo.

Em regra, o Câncer no Estômago é silencioso. Em pouco espaço de tempo, ele provoca metástase, espalhando-se pelo organismo através da corrente sanguínea. Quando o paciente possui boas condições financeiras, a morte é adiada e a sobrevida é prolongada por vários anos, com menos sofrimento e maior esperança, em razão do tratamento médico de alta qualidade aplicado nos grandes centros hospitalares. Um desses exemplos aconteceu com o Governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), que morreu aos 53 anos de idade, após quatro (4) anos de tratamento contra problemas decorrentes de um câncer no estômago, mesmo assistido pela melhor equipe médica do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde ficou internado e lá faleceu.

Penso eu que o fato do Jornalista e do Repórter Fotográfico, viver em constante tensão emocional no exercício do trabalho, correndo para todos os lados em busca de notícias do cotidiano, preocupado com a “pauta” do veículo de comunicação onde trabalha, consumindo tabaco (cigarros) ou ingerindo bebidas alcóolicas (em excesso), ou ainda se alimentando com comidas pobre em vitaminas A e C, geralmente enlatados, corantes e conservados em sal, tem maior possibilidade de adquirir a bactéria “H. Pylori” que infecciona o estômago, desenvolvendo tumores no organismo. Acrescenta-se a esses fatores de risco as pessoas portadoras de diabetes. Aliás, quantos de nós, jornalistas, repórteres, advogados, professores, policiais e empresários procuram o auxílio médico para realizar um exame de “Endoscopia Digestiva”, para se livrar da dúvida de que não possui tumores no estômago?

Pois bem, o Repórter Fotográfico e Cinematográfico, EDSON SILVA (“Javali”), que se identificava como “fotojornalista”, faleceu como vítima de câncer no estômago, aos 63 anos de idade, após quatro meses de luta contra essa enfermidade. Sua história começou como fotógrafo de eventos sociais e de campanhas políticas em Palmeira dos Índios, quando as fotos nasciam de filmes negativos, reveladas em laboratório. Atualmente, ele era “free lance” em jornais e revistas, fazendo uso de câmeras fotográficas digitais. Como cinegrafista, teve seu início com uma Câmera Super-8, com a qual participou de Festivais de Cinema Amador, produzindo documentários. Conquistou dois prêmios em fotojornalismo no Diário Gazeta de Alagoas. Sua obra fotográfica se espalha por vários lugares no território nacional. No ano passado, durante entrevista na Rádio Gazeta de Alagoas, falou da sua vida em São Paulo e em Alagoas produzindo filmagens e realizando fotografias. E, uma vez indagado sobre a importância da sua profissão, ele se limitou a relembrar um ditado popular chinês que diz: “Uma imagem vale mais que mil palavras”... Pensemos nosso! Por hoje é só.
 


Publicado em 22/06/2017 às 18:39

O PAPA NÃO VEM AO BRASIL EM 2017

É profundamente lamentável e bastante frustrante o anúncio da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos Brasileiro) de que, em resposta ao convite do Presidente do Brasil, Michel Temer, o Papa recusou a vir à Aparecida do Norte (SP), durante a celebração dos 300 anos da aparição de Nossa Senhora em São Paulo. A priori, não acreditei que o Papa Francisco tivesse escrito uma carta-resposta ao Governo Federal recusando vir ao Brasil em 12 de Outubro de 2017, citando como motivo a “crise” política e socioeconômica do país.

Em represália aos fatos deprimentes que ocorrem no Brasil contra o povo humilde, os trabalhadores e os dependentes de benefícios sociais, Sua Santidade assim escreveu:
“... Sei bem que a crise que o país enfrenta não é de simples solução, uma vez que tem raízes sócio-político-econômicas, e não corresponde a Igreja nem ao Papa dar uma receita concreta para resolver algo tão complexo”. (...) Porém, não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam serem aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão além da esfera meramente financeira”, acrescentou o Pontífice.

A “desculpa” do Papa, segundo justificação da CNBB, é que, para este ano de 2017, “Francisco já tem viagens programadas ao Egito, a Fátima (Portugal), à Colômbia, á Índia, a Bangladesh e o continente africano”. Contudo, essa tomada de decisão contraria a promessa do Papa que, em 2013, durante sua visita ao Rio de Janeiro, em face da Jornada Mundial da Juventude no Brasil, o Santo Padre Francisco havia declarado que retornaria ao Santuário Nacional de Nossa Senhora em Aparecida (SP), para as celebrações da Festa dos 300 anos de aparição da Mãe Aparecida em território brasileiro.

Em que pese a minha admiração ao comportamento pacificador do Papa Francisco em razão dos vários conflitos em vários países do mundo, inclusive a sua antipatia às atitudes do Presidente dos EUA, Donald John Trump, que tem se mostrado insensível às necessidades dos refugiados e aos povos fronteiriços da majestosa Casa Branca, Sua Santidade não deixou de receber o Governante Norte Americano quando em sua visita ao Vaticano nos últimos meses.

Afinal, como pode um homem “humilde e santo”, como Chefe de Estado do Vaticano e Chefe da Igreja Católica, deixar-se levar pelas imoralidades dos desmandos políticos de um Chefe Político em uma nação católica, e evitar seu contato pessoal com a enorme população de fieis ao cristianismo no Brasil, por discordar das ações e atitudes do Governo Federal.

Fico perplexo, indignado, diante dessa notícia. Quero crer que isso não deverá acontecer entre nós, porque o povo brasileiro é mais importante que o Governo de Michel Temer, é mais útil que o Partido dos Trabalhadores, o PMDB ou o PSDB. A comunidade cristã e católica do Brasil não merece essa “desatenção” apostólica do Papa Francisco.

Aliás, é do nosso conhecimento que o Prefeito de São Paulo, João Dória, em passagem pelo Vaticano na manhã de 19 de abril deste ano, “pediu diretamente ao Pontífice que reconsidere sua decisão de não vir ao Brasil para a comemoração dos 300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida (1717-2017)”. Porém, o Papa respondeu a João Dória, que esperou mais de hora pela Audiência, de forma simplista: “Difícil, mas espiritualmente estou com você”.

Na saída, ao ser interpelado por jornalistas de plantão no Vaticano, o Prefeito Paulistano, João Dória, comentou: “Humildade é algo que não falta a um papa. Especialmente ao Papa Francisco. Voltar atrás é prova de grandeza. E espero, sinceramente, que Sua Santidade possa revisar essa decisão e ir ao Brasil no próximo mês de Outubro”. (...) E como ficarão os milhares de romeiros e devotos de Nossa Senhora Aparecida na Festa dos 300 anos da Aparição da Mãe de Deus em território brasileiro no dia 12 de Outubro deste ano. Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 16/06/2017 às 06:23

A INSTRUÇÃO PÚBLICA NA VISÃO DE TAVARES BASTOS E DE GRACILIANO RAMOS

No aniversário do Mestre Graça, resolvi escrever sobre os Programas de Instrução Pública em Alagoas na época de Tavares Bastos (1861-1873) e de Graciliano Ramos (1932 a 1936). Tavares Bastos tinha se convencido de que só através da Instrução Público (por meio da Educação Pública) poderia ocorrer uma regeneração moral na população, para que o Brasil passasse a pertencer à comunidade das nações civilizadas.

Com uso de Panfletos, Tavares Bastos defendeu um “programa de instrução pública” marcado pela escola com professores adequadamente preparados e habilitados para o exercício da função, que deveria ser complementada por condições materiais adequadas, como instalações de prédios, aquisição de livros, e uma prática pedagógica alicerçada nos princípios da cientificidade. Tavares Bastos, entre 1861 a 1873, defendia um conjunto de conhecimentos que prepararia o aluno e o profissional para o mercado futuro do trabalho. Ele advogava a idéia de uma escola gratuita e universal, com ensino obrigatório, em escola mista, com programa de ensino voltado, principalmente, para as disciplinas baseadas em princípios práticos e que possibilitassem ao aluno um tipo de conhecimento mais adequado às necessidades oriundas das transformações da indústria, do comércio e da agricultura.

Ambos, Tavares Bastos e Graciliano Ramos, adotaram concepções semelhantes em épocas diferentes, a partir do modelo morte-americano. O Primeiro um teórico e o segundo um prático.

Graciliano Ramos, famoso romancista, que exerceu também atividades políticas, como a de prefeito em Palmeira dos Índios (1928) e a de Diretor da Imprensa Oficial de Alagoas (1931). Atuou na área da educação, como professor e diretor da Instrução Pública de Alagoas (1932-1936), quando, por motivos políticos, foi demitido e preso, sendo enviado à prisão no Rio de Janeiro.

A importância que deu à educação durante seu mandato como Prefeito em Palmeira dos Índios, valeu a Graciliano Ramos o convite para o cargo de Diretor da Instrução Pública de Alagoas (1932-1936), correspondente hoje ao de Secretário Estadual de Educação. Nos anos que se seguiram, Graciliano Ramos revolucionou os métodos de ensino em Alagoas. Oportuno lembrar que a razão da escolha de Graciliano Ramos para administrar a escolarização pública, em 18 de janeiro de 1933, por ato do Governador Afonso de Carvalho, conforme noticiou o periódico “O Semeador”: “justificava-se por três motivos: primeiro, por sua notoriedade no meio literário, segundo, por sua administração na Prefeitura de Palmeira dos Índios”.

A partir das ações públicas de Graciliano Ramos, no exercício de Diretor da Instrução Pública de Alagoas, observa-se que ele foi rigoroso no uso das verbas públicas para atender as necessidades da escola destinada ao povo. Destarte, apesar do pouco tempo gerindo a escolarização do Estado, Graciliano Ramos esforçou-se para abolir o perfil da instituição escolar de Alagoas retratado em sua literatura, onde a escola representava os moldes tradicionais, com professores sem formação qualificada para o magistério e o pouco valor na profissão docente, com um ensino que não problematizava a vida do aluno e com o uso rotineiro de castigos corporais escolares. No período em que Graciliano Ramos geriu a escolarização nas Alagoas, é válido esclarecer que ele implementou melhorias significativas na escolarização.

Como se sabe, por parte de Graciliano Ramos houve uma preocupação com a infância pobre, a estrutura física das escolas e com a formação para o exercício docente, visto que eram e ainda são aspectos fundamentais na estruturação de qualquer sistema de ensino. Como contribuição para a escolarização no Estado, ressalta-se que ele promoveu novidades, como o fardamento escolar, a criação de jardins de infância separados dos grupos escolares, a valorização das professoras primárias despendendo uma gratificação anual no salário delas, a recriação da inspeção escolar a fim de fiscalizar o ensino. Acrescente-se ainda que ele reformou prédios escolares e criou grupos escolares na capital e no interior, tendo em vista a substituição das escolas isoladas. Com a distribuição de material escolar, o Mestre Graça aumentou as matrículas de alunos nas instituições de ensino, em número considerável... Pensemos nisso! Por hoje é só.  


Publicado em 09/06/2017 às 06:08

JUNHO, MÊS DA FÉ E DA GRAÇA

Estudei por longos anos no Colégio Pio XII, mantido pelos Sacerdotes da Congregação do Sagrado Coração de Jesus. Lá conheci a história do francês e Padre João Leão Dehon (1843 -1925), fundador desta instituição religiosa, que deixou atrás de si uma obra notável e duradoira como “santo” sacerdote, como educador prestigiado, como escritor e conferencista reverenciado, como apóstolo social e, sobretudo, como fiel devoto do Coração de Jesus. Ele que sempre em oração diante da imagem de Cristo afirmava de “não querer outra coisa, senão viver e morrer como Apóstolo do Coração de Jesus”. Dizia ele diante da imagem do Sagrado Coração: “Para Ele vivi, para Ele morro”.

Também no Colégio Pio XI, convivi com os Irmãos Maristas, devotos de Nossa Senhora Auxiliadora. Além do vasto conhecimento do ensino clássico da época, também me envolvi com a Oração do Rosário durante o mês de Junho (mês consagrado ao Coração de Jesus). Por várias vezes vivi intensamente a adoração eucarística dos padres/educadores do Ginásio Pio XII, como itinerário da adoração comunitária. Na capela existente no interior do Colégio havia a adoração, seguida por um profundo silêncio, que terminava com a bênção do Santíssimo Sacramento.

Alunos e professores, por alguns instantes permaneciam sintonizadas e unidos no mesmo motivo de adoração, a partir do sentimento orante e da vivência da graça com o Coração de Jesus. Durante todo o mês de junho, e a cada dia, os Irmãos Maristas e os alunos mais devotos recitavam em versos o conhecimento da vida e da obra de Jesus de Nazaré, no sinal da fé e da graça na vida do cristão, animada pelo Espírito Santo, com o amor incondicional e indefectível do Mestre. Em nossas preces diárias, em regra, reconhecia-se em Cristo a verdadeira liberdade e a ampla confiança que vem do amor profundo do Pai e do Filho, testemunhado pelos apóstolos e discípulos de Jesus. Desde o primeiro dia de junho até o dia 30, louvava-se o Pai porque fomos salvos pelo amor incontestável do Filho. As nossas atenções se voltam principalmente ao Coração dilacerado de Jesus que sofreu tanto as dores da carne quanto as dores do espírito, antes de se dar totalmente ao Pai Eterno, “Pai, a ti eu te entrego o meu espírito”, num gesto de obediência e de unidade.

Junho, como o mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, faz-nos remeter à advertência de Maria Santíssima no Casamento do apóstolo André, irmão de Pedro, nas Bodas de Caná: “Fazei tudo que ele vos disser”. E é assim que devemos proceder durante todo o mês de Junho, quando nos faz lembrar e comemorar a existência de três notáveis apóstolos de Cristo: Santo Antônio de Pádua, São João, o Batista, e São Pedro, o príncipe da Igreja Cristã.

Aliás, confessou GALLIFET, “a devoção ao Coração de Jesus é um exercício de religião que tem por objeto o adorável Coração de Jesus Cristo, abrasado de amor pelos homens, e ultrajado pela ingratidão deles”. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus, firma-se no amor imenso e profundo de Cristo aos homens, quando ofereceu o seu Coração Humano e deixou-se imolar por nós diante do sofrimento e da humilhação da Cruz. Pensemos nisso! Por hoje é só.  


Publicado em 02/06/2017 às 20:02

NO DIA NACIONAL DA IMPRENSA

No dia 1º de Junho, debrucei-me no travesseiro em cima da cama para ver, ouvir e ler acerca do noticiário nacional. Vi, ouvi e li sobre tudo o que aconteceu nesta data, desde as “incoerências” de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos a partir de 2017, até as “loucuras” de Kim Jong-woon ou Kim Jung Woon, líder político da Coreia do Norte, general de quatro estrelas do Exército Vermelho e vice-presidente da poderosa Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores.

Isso sem esquecer as tragédias nas cidades nordestinas, com inundações, alagamentos e desmoronamentos provocados pelas chuvas. Mas o que mais me causou indignação nos noticiários é que os políticos e o homem comum continuam ignorando que “as secas no Nordeste são cíclicas, porque se repetem em ciclos de 10 em 10 anos, mais ou menos. Faltou a imprensa, falada, escrita e televisada, informar à população que o nordeste já sofreu com mais de 32 estiagens mais ou menos prolongadas entre 1840 (época imperial) e 2017 (período da nova república). Aliás, o Imperador Dom Pedro II, atento aos efeitos conjunturais e transitórios da seca no Nordeste, declarou à nação na Sessão Legislativa do dia 14 de outubro de 1877, que: “... venderei até o último brilhante de minha coroa antes que algum cearense morra de fome...”. Ora, a história sobre a Seca no Nordeste e as ações políticas paliativas como criação do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), entre outras medidas que não resolveram essa questão. A Seca continua afrontando a natureza nordestina, sem que haja um engajamento das lideranças políticas e dos grandes empresários brasileiros no sentido de combate-la na raiz do problema, em toda sua forma ou estrutura. Pelo contrário, o que se ouve nas rodas sociais é o desprezo pela pobreza e pela miséria reinante nessa região rica de pessoas humildes e de famílias hospitaleiras.

Pois bem, no dia 1º de Junho de 2017 não vi, nem ouvi ou li qualquer comentário ou documentário sobre a “importância” da Imprensa no Brasil. Pelo contrário, chamou-me a atenção o comportamento antiético da grande mídia nacional incentivando às massas para se indignar contra os desmandos no país, mas também violando os princípios constitucionais, na busca de “obter” vantagens indevidas dos erros e das ações de algumas autoridades públicas enlameadas pela desonestidade e pela corrupção desenfreada, que atinge em maior proporção as classes mais necessitadas. O que vi, ouvi e li pela imprensa em geral foram palavras injuriosas, ofensivas, mentirosas acerca de comportamentos humanos, como se isso elevasse o nível cultural dos eleitores ou expectadores, na ânsia de vender mais jornais ou de aumentar seus índices de audiência e de divulgação.

Por isso, o advogado, jornalista e ex-presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000), exigiu que a Imprensa devesse ter preocupação com a objetividade e com a verdade: “Pela sua própria natureza, a informação jornalística é superficial, colhida e redigida apressadamente. O jornalista não pode esperar, tranquilamente, que a verdade saia do fundo do poço. Desce ao fundo e vai surpreendê-la. Descobre que a verdade tem várias faces e o seu instinto lhe dita que deve atender aquilo que mais interessa aos leitores”. E acrescentava o notável jornalista pernambucano: “O que se pode exigir de um jornal é que ele seja honesto com os seus leitores. O que se pode exigir do jornalista é que não use de má-fé com seu público, induzindo-o ao erro em matéria de fato, seja pela falsificação das notícias, seja pela sua omissão. Critica-se muito o mau uso que certos jornalistas fazem do poderoso instrumento de que dispõem. Evitemos exagerar a capacidade de bem fazer e mal fazer do jornalismo. Os jornalistas não vivem numa torre de marfim, mas no torvelinho humano. (...) A Ética de que falamos é aquela que se exige do comportamento do jornalista, honestidade, sinceridade e respeito. É isso que o público leitor espera dos jornalistas”. Mas, voltando às secas nordestinas, destaco o que minha memória guardou disso tudo. Mesmo diante do sofrimento, o sertanejo sabe conviver com a seca, a estiagem, a falta d’água no campo semiárido, mas ele não consegue compreender porque a “corrupção” é mais importante no noticiário nacional. Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 27/05/2017 às 06:51

A TEORIA DA FORÇA VITAL - Tributo a Carlos Roberto Albuquerque da Silva

A Teoria científica da FORÇA VITAL, também conhecida como “Vitalismo” nasceu no Século XIX, por idealização do cientista sueco Jöns Jakob Berzelius. Naquela época, o número de estudiosos que se dedicava ao estudo da “Química Orgânica” era insignificante, porque a síntese dos compostos orgânicos em Laboratório era bastante deficitária. Até então a Biologia (ciência que se relaciona com a vida e os organismos vivos) conceituava a “Química Orgânica” como sendo “a ciência que estuda as substâncias produzidas pelos seres vivos”.

A teoria defendida por Berzelius era mais ampla e mais clara. Essa síntese dos “Compostos Orgânicos” dependia de uma “Força Vital”, segundo o entendimento do cientista sueco. Para esse observador e pesquisador da Teoria de Força Vital, “um composto orgânico tem sempre que ter sido originado de um outro composto orgânico”. Para ele, a síntese de “Compostos orgânicos" dependia diretamente de uma “Força Vital”.

Com efeito, a “Força Vital” é uma energia de natureza única que circula por todo o nosso corpo físico e psíquico, conferindo-lhe a existência e dirigindo toda a vida vegetativa. Por isso, essa “energia” equilibra os opostos e harmoniza a consciência das nossas células com a vida vegetativa, que é parte da “alma” (essência) responsável pelas funções vitais.

O círculo pelo qual essa “Força Vital” flui por nosso corpo físico e psíquico é o sistema neurovegetativo, também conhecido como sistema simpático. Essa “corrente” de energia vital que circula em nosso corpo precisa estar sempre estável e suficientemente forte para produzir paz, saúde e criatividade. O campo magnético que flui em nosso corpo passa pela “Força Vital”. Quando mais estivermos polarizados com a Força Vital, mais harmoniosa será a interação entre o corpo psíquico e a alma (nesse aspecto, entenda a Alma como a Essência do Espírito).

Para os místicos, a “quintessência” (o quinto elemento) que domina a natureza humana está contida no seio da Força Vital. Essa quintessência é considerada pelos “alquimistas” como a polaridade que uni os quatros elementos que constituem nosso corpo, a saber: a terra, a água, o ar e o fogo. Sem essa “energia” unificadora da Força Vital, os elementos opostos não podem ser unidos, sendo essa “essência” capaz de conectá-los, em nosso benefício.

O uso equilibrado e adequado dessa “Força Vital” possui o poder de ascender aos céus inefáveis, como também poderá descer aos abismos infernais, se fizer incorreto o seu uso.

Na visão dos místicos e dos alquimistas a “quintessência” contida no seio da “Força Vital” é responsável pela constatação de que “tudo é uma coisa só”. Em outras palavras; tudo o que está acima nos mundos superiores, é como o que vemos aqui neste mundo abaixo. Portanto, é verdadeiro, correto e sem falsidade afirmar que, “o que está em baixo é como o que está em cima”, para que possamos realizar os milagres de uma só coisa. Isso que dizer que, o mundo físico (orgânico) quanto o mundo metafísico (espírito e eternidade) estão numa mesma dimensão, refletindo uma na outra e se relacionando mutuamente.

Aliás, acredita-se na compreensão humana de que o quinto elemento (quintessência) consiste na “energia” original criadora do Universo, detentora de poder e de unidade.

A Força Vital (ou quintessência) é como um “fogo” penetrando o Tálamo do coração, (a que equiparamos ao plexo cardíaco) e que se expande pelo Hipotálamo (o plexo nervoso simpático situado na parte inferior do cérebro), em conexão com a glândula pituitária até o “Epitálamo” (o plexo conectado com a glândula pineal). Sendo assim, a energia vital da “quintessência” entra em nosso corpo físico pela Traqueia e é a absolvida pelos “Pulmões“. É nos pulmões que a Força Vital alcança primeiro o sangue, que recebe essa essência e distribui para todo o sistema corporal. Nesse aspecto, o primeiro órgão a receber o sangue é coração (centro cardíaco, plexo cardíaco e pericárdio) que está unido à alma que habita a profundeza da nossa existência. Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 19/05/2017 às 04:42

QUE PAÍS É ESSE?

 Engaçado, para não dizer trágico, a letra da canção do compositor Renato Russo, integrante da banda “Legião Urbana”, continua atual quando ele afirma: “Que País É Esse? (...) Nas favelas, no senado, sujeira pra todo lado. Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação. Que país é esse? (...) No Amazonas e no Araguaia, ia, ia. Na Baixada Fluminense, no Mato Grosso e nas Gerais e no Nordeste tudo em paz... Na morte eu descanso, mas o sangue anda solto, manchando os papéis, documentos fiéis, ao descanso do patrão. Que País É Esse? (...) Terceiro mundo se for, piada no exterior, mas o Brasil vai ficar rico, vamos faturar um milhão quando vendermos todas as almas dos nossos índios num leilão. (...) Que país é esse?” 

Contudo, alguém discorda do artista: “O Brasil vai ficar rico, com todos os políticos na prisão, aí, então, começaremos a estudar o futuro da nação”. Todavia, como é atual e Impressionante esta letra musical de Renato Russo, escrita há mais de 30 anos, onde ele retrata a realidade que o Brasil vive agora e que constata que espécie de político temos hoje. Ora, “Que país é esse?” tem o prisma de Brasília, revelou Renato Russo. Portanto, essa letra musical da linha politizada do ROCK brasileiro ainda é atual porque mantem o mesmo cenário de 1978, onde Renato morava e produzia música em Brasília. Cidade modelo “idealizada” por Juscelino Kubitschek, “construída” por Oscar Niemeyer e “humanizada” por Lúcio Costa, que continua ao longo dos anos formando corruptos no Congresso, nos Ministérios e no Palácio da Alvorada. 

Por incrível que pareça, Renato Russo, embora tenha escrito essa letra em 1978, demorou dez anos para gravar em disco, porque, como sonhador que ele era, tinha a esperança de que o Brasil melhorasse e que a canção se desatualizasse, perdendo sua razão de ser. Mas isso não aconteceu e não acontecerá tão cedo, enquanto existirem lideranças políticas como as que temos hoje no Brasil. Que país é esse? Ainda soa ao nosso ouvido mais atual do que nunca. Verdadeiramente, como disse Renato Russo “ninguém respeita a Constituição”, desde o pobre da favela até o senador em Brasília, que não nos dá bom exemplo de conduta e de ética. Aliás, não havendo respeito à Constituição não há ordem nem há progresso, só existe bagunça e sujeira para todo lado. Todos acreditam que o país pode melhorar, mas ninguém dá o primeiro passo na busca de um futuro promissor. 

Até o Presidente da República segue na mesma canalhice, aliando-se a ministros, deputados e senadores corruptos. E o povo decepcionado nada diz, nada faz, permanecendo de braços cruzados, esperando um Milagre no mês de Maio em qualquer parte do território nacional. Em parte do texto da sua melodia, Renato Russo relembra a violência e a guerrilha no Brasil, desde o Amazonas até a Baixada Fluminense. Não precisou revelar os crimes existentes, mas indicou as regiões vítimas do descaso do Poder Público. E encerra o sonhador com o seu sonho de que só é possível descansar desse pesadelo após a morte, uma vez que as autoridades públicas que poderiam fazer alguma coisa, simplesmente ignoram, fazem vista grossa diante do sofrimento do povo e da indignação da nação. 

Por fim, faço minhas às palavras do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, acerca de que “é preciso saber com maior exatidão os fatos que afetaram tão profundamente nosso sistema político e causaram tanta revolta” (...) "E pressa, sobretudo, para restabelecer a moralidade nas instituições e na conduta dos homens públicos". Confessa FHC que “a solução para a grave crise atual deve dar-se no absoluto respeito à Constituição. É preciso saber com maior exatidão os fatos que afetaram tão profundamente nosso sistema político e causaram tanta indignação e decepção. 

É preciso dar publicidade às gravações e ao fundamento das acusações. Os atingidos por elas têm o dever de se explicar e oferecer à opinião pública suas versões. Se as alegações de defesa não forem convincentes, e não basta argumentar são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia. O país tem pressa. Não para salvar alguém ou estancar investigações. Pressa para ver na prática medidas econômico-sociais que deem segurança, emprego e tranquilidade aos brasileiros. E pressa, sobretudo, para restabelecer a moralidade nas instituições e na conduta dos homens públicos”... Pensamos nisso! Por hoje é só. 


Publicado em 12/05/2017 às 07:31

HOMOSEXUALISMO NÃO É CRIME

Conheci muito bem o Padre Antônio, vigário da minha Paróquia. Ele era e ainda é mais ortodoxo do que eu. Quando lhe emprestei o Livro “Evangelhos Apócrifos” para ele ler e aplicar seu conteúdo como suplemento nas suas homilias, ele não se mostrou interessado. Disse-me: “os livros canônicos são verdadeiros e devidamente reconhecidos pela Santa Igreja”. Mas, “por curiosidade, vou ler este livro”. Por sinal, o Reverendo ainda está de posse dessa obra.

Qual não foi a minha surpresa quando vi, li e ouvi comentários acerca da sua relação íntima com dois jovens (maiores de idade) em quarto de um Motel. Minha indignação não foi contra a opção sexual do Sacerdote. Aliás, eu conheço várias autoridades civis, militares e eclesiásticas que são homossexuais em nosso estado e em todo território nacional. No entanto, essas pessoas vivem de forma discreta, sem exibicionismo e sem alarde. Muitas dessas personalidades possuem vida em comum com seus amados ou amantes (pouco importa o emprego correto da palavra). A minha indignação foi contra a imprensa falada, escrita e televisionada que não poupou críticas ao Padre Antônio, expondo a “fragilidade” dos pastores da Igreja Católica. Ora, se a imprensa comentasse a respeito da “infantilidade” e da “ingenuidade” do sacerdote em deitar numa cama de Motel com alguns jovens (por sinal, adultos), eu até que admitiria tal censura, visto que um vigário é uma autoridade pública, que deve manter uma atitude moral irrepreensível, regrada pelo bom comportamento social. E como “bom comportamento social” entendo ser alguém recatado, ordeiro, humilde e discreto. O exibicionismo exacerbado e provocador não asseguram um bom comportamento social. Afinal, um pároco, vigário, bispo ou simples sacerdote ou pastor é uma “vitrine”, que está sempre vigiada, observada, analisada e censurada. Portanto, uma autoridade religiosa, civil ou militar em geral diante da sua comunidade ou da sociedade local deve ser alguém que dê bons exemplos e mantenha conduta exemplar, para servir de modelo a ser seguido pelas crianças, pelos adolescentes, pelos jovens e até mesmo pelos adultos, na sua vida social e dentro ou fora da sua atividade profissional.

A decisão da Diocese em divulgar Nota Oficial informando a abertura de processo canônico em desfavor do Reverendo para fins de justificar a perda do seu cargo como Vigário da Catedral é necessária e oportuna, pois, a comunidade local exige tal atitude do Chefe da Igreja. Mas, por outro lado, não se justifica a “caça às bruxas” por parte da imprensa nacional e por alguns membros da Igreja Cristã, visto que o homossexualismo não é Crime no Brasil. O que verdadeiramente é crime, a ser combatido e eliminado no país é o Crime de Pedofilia, em que envolve abusos sexuais contra crianças e adolescentes. No novo ordenamento jurídico da nação “homossexualismo” não é mais escândalo na vida diária do brasileiro. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece a homossexualidade como algo natural, desde que respeitado o pudor público. Poucos são os países que ainda criminalizam as relações sexuais entre seres do mesmo gênero. No Brasil, inclusive, a norma constitucional e infraconstitucional assegura a União Estável e, até mesmo, o Casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O Código Penal brasileiro já retirou do seu contexto a Prostituição e o Homossexualismo como delitos criminosos. O Brasil, por decisão do Supremo Tribunal Federal, já admite o ingresso de homossexuais nas Forças Armadas, assim como reconhece o direito do homossexual em casar e adotar crianças, pela via judicial, entre outras conquistas.

Mas, por vivermos em país com regime democrático, livre de preconceitos e de injustiças, tanto não se deve alimentar a “homofobia” (repúdio ao homossexual) como também não se deve “discriminar” as pessoas que possuem opiniões contrárias ao homossexualismo. O que se pune e deve se reprimir é a discriminação à pessoa que não se comporta de maneira ordeira e educada. A vida privada da pessoa, tal como a honra, a dignidade, a liberdade e o direito de opção sexual só interessa a cada cidadão.
Entendo, pois, sob a luz da lógica e do bom senso que a “punição” do padre Antônio deve se restringir apenas a perda do cargo público de Vigário da Paróquia e não se exceder a “expulsão” do mesmo da vida sacerdotal, isto porque: “Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec” (Hebreus, 5:6)... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 05/05/2017 às 19:23

MAIO É MÊS DE MARIA

O Mês de Maio é conhecido tradicionalmente como o Mês de Maria, aquela que é serva de Deus, Mãe do Salvador e Esposa do Espírito Santo (Espírito Paráclito que desceu sobre os Apóstolos, em Pentecostes). Maio é, por tradição, o mês da Festa Mariana que é cheia de muito significado. No Calcário, antes de dar seu último suspiro como homem, Jesus vendo Maria e, perto dela, João, o discípulo a quem amava, nos ofereceu sua mãe, como uma divina proteção diária: “Mulher, aí está o teu filho”. Depois disse para João: “Aí está a tua mãe”. (João, 19, 26-27). Essa frase foi dita há cerca de dois mil anos e ainda repercute em nossas vidas. Neste mês de Maria, com carinho, alegria e devoção, pede-se a intercessão da Mãe de Jesus (Nossa Mãe), por todas as Mães que geram, choram, criam, sofrem, trabalham, educam, lutam, tropeçam, perdem, ganham, sonham...

João era pescador, filho de Zebedeu e de Salomé, irmão de Tiago Menor. Foi um dos evangelistas a escrever sobre a Vida e a Obra do Mestre. Jesus impôs a ele e a seu irmão o título de “Filhos do Trovão”, em face de seu temperamento vivaz e impulsivo, aparentando intolerante e cáustico. João, ao lado de Tiago, Pedro e Paulo, ficaram conhecidos como “Colunas da Igreja”. João morreu em Éfeso, no Império de Trajano, em 27 de Dezembro, entre 98 a 117 depois de Cristo. Muitos criticam João por suas pequenas “inserções pessoais” nos textos, como “aquele a quem Jesus amava”. De seu relato, deduz-se que “ele” era o preferido, o confidente, o escolhido do Mestre, mesmo sabendo que Jesus deu a Pedro a primazia de ser “Príncipe dos Apóstolos” (aquele que sendo “duro” como uma pedra seria o fundador da Igreja Cristã ). João, por sua narrativa, faz-nos entender que ele era a parte sentimental do cristianismo nascente. Afinal, não se pode igualar João a Pedro. Suas ações foram distintas. Cada um exerceu papel significativo na Missão. João escreveu seu Evangelho quando todos os apóstolos já haviam morrido. São João e São Lucas fizeram questão de enaltecer Maria. João eleva Maria, mãe de Jesus e sua Mãe, ao patamar da coragem, da força da fé, da graça e da verdade. Relata João que durante um casamento em Caná da Galiléia, Maria intercedeu junto ao filho para que ele realizasse um milagre. Tendo acabado o vinho, Maria disse: “Eles não têm mais vinho”. Jesus, respondeu: “Mulher, o que temos nós a ver com isso? Ainda não chegou a minha hora”. Maria disse aos servos: “Fazei tudo o que ele nos disser”. Esse foi o começo dos sinais...

Maria é sinal da ternura e da misericórdia de Deus. É a parte materna do Divino Pai Eterno. Na tradição católica, Maria está ligada à pureza, a ternura e a virgindade. Como noiva, Maria é símbolo da castidade, da moça virgem, antes do casamento. É tradicionalmente, a Mãe de Cristo, a Mãe da Igreja e a Mãe de todas as criaturas. O anjo Gabriel entrou no quarto de Maria e disse: “Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está contigo!” [...] “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com sua sombra...”. Meses depois, na casa da sua prima Izabel, grávida de João Batista, Maria ouviu a saudação: “Bendita és tu entre as mulheres, e é bendito o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a Mãe do meu Senhor venha me visitar?” (Lucas, Cap. 1). Ora, o que distingue os cristãos/católicos dos cristãos/protestantes é o culto à Maria em suas orações. Maria se faz exemplo de todas as mulheres, as quais se sacrificam por seus filhos e seus maridos. De Maio a Abril há muito que suplicar à Maria (Nossa Mãe). O Santo Padre, Bento XVI, sabe disso! João Paulo II sofreu atentado no dia 13 de Maio de 1981, na Praça São Pedro, perpetrado pelo turco muçulmano Agca e pela KGB (da Rússia). Maria evitou a morte do Papa!... Pensemos nisso! Por hoje é só.


Publicado em 12/04/2017 às 18:00

Semana Santa

A “Quaresma” é um período notável na Igreja Católica, trata-se dos 40 dias que antecedem a Morte de Cruz do Cristo. É nessa época que fazemos reflexões sobre nossas faltas cometidas. Muitas pessoas fazem promessas durante a Quaresma. Conheço pessoas que fazem “promessas” para serem vencedoras em demandas na Justiça. Ou seja, serem reconhecidos seus Direitos.

Mas, aqui, cabe uma questão, que merece análise. Não basta apenas ter o Direito, ou ser reconhecido seu Direito na Justiça. É preciso, muito mais: “merecer esse Direito”. Nesse aspecto, acredito que só Deus é quem pode reconhecer se somos merecedores de tais Direitos. A “Quaresma” começa na quarta-feira de cinzas, depois do Carnaval (A Festa da Carne). Durante a “Quaresma” (40 dias) as cerimônias religiosas possuem um formato especial e os fiéis fazem orações com mais fervor.

A “Quaresma” tem um significado bíblico muito profundo. A Igreja Cristã Católica oferece três propostas aos seus fiéis: o cristão deve cumprir uma penitência; orar intensamente e propagar a caridade. No final da “Quaresma”, inicia-se a “Semana Santa”, período em que se deve lembrar as ações e as tentações sofridas por Jesus Cristo; lamentar a sua Morte de Cruz e comemorar a Ressurreição do Salvador, com a difusão do perdão.

Na “Semana Santa”, especialmente na Sexta-Feira (que integra o itinerário do Tríduo Pascal), revivemos o Dia da Paixão e da Crucificação de Jesus Cristo. É na Semana Santa que, além das reflexões sobre sua existência, os fiéis fazem penitências e deixam de comer “carne” para renovar o “Espírito de Fé”. A “Carne”, nesse aspecto, representa o martírio e o sofrimento do Cristo, que foi espancado, torturado, açoitado, desfigurado e humilhado.

A Semana Santa (que acontece todos os anos) chega ao fim no Domingo, com a “Festa da Páscoa”: Dia da Ressurreição de Jesus Cristo. Segundo o Papa Bento XVI, na Semana Santa há um conjunto de celebrações importantes para a Igreja, “que nos oferece a oportunidade para atualizar os mistérios centrais da Redenção”.

O nascimento e a obra de Jesus Cristo foi um marco divisor no mundo antigo. Ele simboliza uma passagem no tempo que modifica todas as percepções de ética, de moral e de direitos humanos. Até uma família humana e terrena, Jesus Cristo teve na terra dos homens, mesmo sendo um “homem divino”, filho de Deus, que veio ao mundo, através de um Espírito Santo (iluminado por Deus), sendo filho de uma Mulher, Maria, uma virgem cheia de graça e de esplendor, que foi abençoada desde o útero de sua mãe, Ana, segundo a tradição cristã. Jesus Cristo teve uma vida gloriosa, surpreendente, magistral e honrosa.

Também seu pai adotivo, José, o carpinteiro da Galiléia recebeu uma “visita” celestial. Ele ainda se empenhou na educação do menino e do homem JESUS que, aos 12 anos, deixou o lar familiar para acompanhar os Essênios e, aos 33 anos, realizou um feito tão notável que ninguém, entre todos os mortais, nascido de uma mulher, tenha conquistado o respeito e a admiração da humanidade, durante mais de dois mil anos.

Independentemente dos seus fantásticos “milagres” que a Bíblia relata, de forma minuciosa, desde sua infância até a sua morte de Cruz, Jesus Cristo ainda hoje surpreende a todos nós por sua capacidade de amar, de compreender, de tolerar, de conciliar e de conceituar valores morais.

De acordo com o médico psiquiátrico, Augusto Cury, que antes se dizia Ateu (pessoa que nega a existência de qualquer divindade), mas se transformou num homem “apaixonado” por Jesus Cristo, confessa em sua obra (Analise da Inteligência de Cristo, em 5 volumes) que JESUS DE NAZARÉ é verdadeiramente um MESTRE. Não apenas o “Mestre dos Mestres”, mas também o “Mestre do Inesquecível”, o “Mestre do Amor, o “Mestre da Sensibilidade” e o “Mestre da Vida”.

Embora o papa Bento XVI tenha dito que “os judeus não têm culpa na morte de Cristo”, como um meio de evitar a discriminação entre as raças. Em verdade, os judeus condenaram Jesus achando que ele era um impostor e que podia desestruturar a comunidade judaica da época. O Apóstolo João Evangelista, testemunhou: “Ele veio para junto dos seus, mas os seus não o receberam”.

Como o Império de Roma não acreditava na “força” de Cristo, o Procurador Romano Pôncio Pilatos ofereceu recompensa para quem, entre os judeus, entregasse o Messias. E assim foi feito. Os Judeus da época entregaram o “Mestre dos Mestres” ao Império Romano e Pôncio Pilatos mandou crucificá-lo.... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 07/04/2017 às 04:51

A SABEDORIA DO SILÊNCIO INTERIOR

Transcrevouma lição da Filosofia Taoísta, alterando algumas palavras para uma melhor compreensão do texto, no seu formato original:“Pense no que vai dizer antes de abrir a boca. Seja breve e preciso, já que cada vez que deixa sair uma palavra, deixa sair uma parte do seu Chi (energia). Assim, aprenderá a desenvolver a arte de falar sem perder energia.Nunca faça promessas que não possa cumprir. Não se queixe, nem utilize palavras que projetem imagens negativas, porque se reproduzirá ao seu redor tudo o que tenha fabricado com as suas palavras carregadas de Chi.

Se não tem nada de bom, verdadeiro e útil a dizer, é melhor não dizer nada. Aprenda a ser como um espelho: observe e reflita a energia. O Universo é o melhor exemplo de um espelho que a natureza nos deu, porque aceita, sem condições, os nossos pensamentos, emoções, palavras e ações, e envia-nos o reflexo da nossa própria energia através das diferentes circunstâncias que se apresentam nas nossas vidas.Se você se identifica com o êxito, terá êxito. Se você se identifica com o fracasso, terá fracasso. Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos são simplesmente manifestações externas do conteúdo da nossa conversa interna. Aprenda a ser como o Universo, escutando e refletindo a energia sem emoções densas e sem pré-conceitos.Porque, sendo como um espelho, com o poder mental tranquilo e em silêncio, sem lhe dar oportunidade de se impor com as suas opiniões pessoais,evitando reações emocionais excessivas, tem a oportunidade de uma comunicação sincera e fluida.Não se dê demasiada importância e seja humilde, pois quanto mais se mostra superior, inteligente e prepotente, mais se torna prisioneiro da sua própria imagem e vive num mundo de tensão e ilusões.

Seja discreto, preserve a sua vida íntima. Desta forma libertar-se-á da opinião dos outros e terá uma vida tranquila e benevolente invisível, misteriosa, indefinível, insondável como o Tao.Não entre em competição com os demais, a terra que nos nutre dá-nos o necessário. Ajude o próximo a perceber suas virtudes e qualidades, a brilhar. O espírito competitivo faz com que o ego cresça e, inevitavelmente, crie conflitos. Tenha confiança em si mesmo. Preserve a sua paz interior, evitando entrar na provação e nas trapaças dos outros. Não se comprometa facilmente, agindo de maneira precipitada, sem ter consciência profunda da situação.Tenha um momento de silêncio interior para considerar tudo que se apresenta e só então tome uma decisão. Assim desenvolverá a confiança em si mesmo e a Sabedoria.

Se há algo que não sabe, ou para que não tenha resposta, aceite o fato. Não saber é muito incômodo para o ego, porque ele gosta de saber tudo, ter sempre razão e dar a sua opinião muito pessoal. Mas, na realidade, o ego nada sabe, simplesmente faz acreditar que sabe.Evite julgar ou criticar. O Tao é imparcial nos seus juízos: não critica ninguém, tem uma compaixão infinita e não conhece a dualidade. Cada vez que julga alguém, a única coisa que faz é expressar a sua opinião pessoal, e isso é uma perda de energia, é puro ruído. Julgar é uma maneira de esconder as nossas próprias fraquezas.O Sábio tolera tudo sem dizer uma palavra. Tudo o que o incomodanos outros é uma projeção do que não venceu em si mesmo. Deixe que cada um resolva seus problemas e concentre a sua energia na sua vida. Ocupe-se de si mesmo, não se defenda. Quando tenta defender-se, está a dar demasiada importância às palavras dos outros, a dar mais força à agressão deles.Se aceita não se defender, mostra que as opiniões dos demais não o afetam, que são apenas opiniões, e que não necessita de convencê-los para ser feliz. O seu silêncio interior torna-o impassível.

Faça uso regular do silêncio para educar o seu ego, que tem o mau costume de falar o tempo todo.Pratique a arte de não falar. Tome algumas horas para se abster de falar. Este é um exercício excelente para conhecer e aprender o universo do Tao ilimitado, em vez de tentar explicar o que é o Tao. Progressivamente desenvolverá a arte de falar sem falar, e a sua verdadeira natureza interna substituirá a sua personalidade artificial, deixando aparecer à luz do seu coração e o poder da Sabedoria do Silêncio.Graças a essa força, atrairá para si tudo o que necessita para a sua realização e completa libertação. Porém, tem que ter cuidado para que o ego não se infiltre…

O Poder permanece quando o ego se mantém tranquilo e em silêncio. Se o ego se impõe e abusa desse Poder, este se converterá num veneno, que o envenenará rapidamente.Fique em silêncio, cultive o seu próprio poder interior. Respeite a vida de tudo o que existe no mundo. Não force, manipule ou controle o próximo. Converta-se no seu próprio Mestre e deixe que os demais seja o que têm a capacidade de ser...” Pensemos nisso! Por hoje é só.  


Publicado em 26/03/2017 às 23:15

Terapia Para Manter O Casamento

Nesta semana dedicada a São José, esposo de Maria, mãe de Jesus, eu decidi escrever sobre o Matrimônio, inspirado nessa Sagrada Família que nos dá exemplo de união, de paz, de ternura e de obediência com os ensinamentos de Deus, simbolizado pelo Amor e pela Tolerância. São José, o homem trabalhador, bom e justo, deu testemunho à humanidade de possuir humildade e saber perdoar quando “percebeu” que Maria estava grávida e o filho não foi gerado por ele.

Mas, São José era um viúvo, pai de dez (10) filhos, sendo oito (8) do sexo masculino e duas (2) do sexo feminino, que vivenciou no seu dia a dia o exercício da prudência, do companheirismo, da proteção e da aceitação. Quando perdeu a primeira esposa não blasfemou contra Deus ou contra o Mundo, porque era um homem devotado à obediência e ao amor divino. Com certeza, em algum momento da sua vida na companhia da sua primeira Esposa, São José deve ter tido momento conturbado, incerto, conflitante, duvidoso, porque num relacionamento entre um homem e mulher geralmente acontecem situações imprevisíveis, isto porque são seres de natureza diferente, de cultura opostas e de comportamentos antagônicos. Tudo pode ter acontecido nessa união, que nós desconhecemos, mas que, provavelmente, tinha mais compreensão do que discórdia. E a prova mais segura dessa relação harmoniosa é que Deus escolheu José para ser pai adotivo de Jesus, porque conhecia sua bondade e sua honestidade. Maria, por sua vez, foi escolhida para ser Esposa de José e mãe de Jesus, porque era uma mulher sensata.

Aliás, esse tipo de mulher, diz a Bíblia em provérbios, conquista respeito e admiração, fala com sabedoria e ensina com amor. A mulher sábia edifica o seu lar, mas a mulher insensata derruba sua casa com as próprias mãos. A mulher sensata, que é casada, é uma benção para o seu marido e, se tem filhos, sabe ensinar aos homens a ter um relacionamento íntimo com Deus. A mulher sensata é a abençoada por Deus. Essa dedicação a Deus traz sabedoria à mulher e se reflete em todas as áreas da sua vida: no lar, no trabalho, nos negócios, na Igreja, no lazer... A mulher sensata é uma “graça” para todas as pessoas à sua volta. Ela é um exemplo e faz a diferença no lar, no trabalho e na sociedade. A mulher sensata se reveste de força, de coragem e de dignidade; ela sorri diante do futuro e nada a faz desacreditar. E por ser sensata, ela é também bondosa, humilde, fraterna e tolerante. Finalmente, diz a Bíblia em Provérbios: “Uma Esposa exemplar; feliz quem a encontrar! É muito mais valiosa que as pérolas”.

Não existe motivo fútil ou banal que faça um casal sensato buscar a Separação ou o Divórcio. Há dois mil anos atrás, quando “percebeu” que sua Noiva estava grávida e que esse filho não era dele, São José pensou em abandoná-la para que ela não fosse punida com a morte por apedrejamento, que era o costume na época. Ele simplesmente fugiu de casa por uma noite. Foi para o deserto próximo à sua residência. Chorou, gritou, mas o anjo Gabriel durante a madrugada o visitou em sonho e o acalentou dizendo que ele tivesse fé; que Maria era honesta e aquela obra não era dos homens, mas tão somente de Deus. “Volta para casa, porque Maria te espera”, disse o Arcanjo.

Ora, não se pode admitir que qualquer problema, qualquer crise, destrua uma relação amorosa, porque toda a raiva, toda decepção é temporária, transitória. José soube ouvir (escutar) o conselho do Anjo Divino, que salvou o seu casamento. E não só foi isso. O Arcanjo Gabriel, em sonho, apareceu para José para lhe dar um novo aviso: “Herodes quer matar o menino Jesus”, você e Maria têm que fugir para o Egito. E José obedeceu. Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 09/03/2017 às 14:20

Resquícios da Ditadura Militar na OAB

A imprensa regional divulgou um fato desconhecido no meio social, mas muito discutido entre os advogados brasileiros. Noticiou a imprensa escrita que: “o advogado Klenaldo Silva Oliveira, após assumir a Controladoria Geral do Município de Palmeira dos Índios, foi instado a renunciar a Presidência da 3ª Subseção da Ordem por expressa determinação do Conselho Seccional da OAB, em Alagoas”. E conclui o noticiário: “De fato o art. 28, inciso III, da Lei nº 8.906/94 torna incompatível com o exercício da advocacia quem exerce cargo ou função pública na administração direta ou indireta”. Acreditavam os homens da imprensa que, “em razão da vacância do cargo de Presidente da Subseção da OAB, em Palmeira dos Índios, assumiria esta função a Vice-Presidente, Maria Vilma Tavares Neves, de forma interina, até a convocação de uma nova eleição na entidade. Porém, não é essa a norma imposta pelo Estatuto da OAB. No parágrafo único do art. 66 deste Diploma está escrito que: “extinto qualquer mandato, nas hipóteses deste artigo, cabe ao Conselho Seccional escolher o substituto, caso não haja suplente”. Todavia, nas hipóteses do art. 66 do Estatuto não contempla o caso de “renúncia de mandato eletivo”, somente o cancelamento de inscrição, a condenação disciplinar e as faltas injustificadas. No entanto, o relator do Estatuto da OAB, Paulo Luiz Netto Lôbo, em seu comentário acerca do assunto, confessa que “a renúncia não está incluída entre as hipóteses de perda de mandato previstas no art. 66 da Lei Federal nº 8.906/94), não podendo ser fundamento de sua extinção” (1996: 235). Entretanto, o parágrafo único deste artigo, dispõe que: “Extinto qualquer mandato, nas hipóteses deste artigo, cabe ao Conselho Seccional escolher o substituto...”.

Logo, há de se admitir sob a luz da lógica jurídica que, o “suplente do Presidente é o Vice-Presidente”, substituto natural do titular, nas suas faltas e impedimentos. Inclusive, o Presidente da OAB, em todas as esferas da instituição, será substituído sucessivamente pelo Vice-Presidente, pelo Secretário-Geral, pelo Secretário-Geral Adjunto, pelo Tesoureiro, e, na ausência destes, pelo Conselheiro mais antigo e, havendo coincidência de mandatos, pela pessoa mais idosa. Assim, a advogada Maria Vilma Tavares Neves, Vice-Presidente da 3ª Subseção da OAB/AL, pela sistemática legal deveria substituir Klenaldo Silva Oliveira, que renunciou ao cargo de Presidente da entidade, por escolha pessoal. Essa regra moral deveria ser aplicada de imediato. Mas, nada disso é real no Estatuto da OAB, que, por resolução do Conselho Federal, admite que a Renúncia de Cargo nas Diretorias da OAB, “cabe ao Conselho Seccional escolher o substituto,  por meio de Eleição Indireta”. Um absurdo, um retrocesso na vida dos advogados, que pregam pela transparência, pela moralidade, pela legalidade, pela eficiência e pela democratização da Ordem.  

            Ora, o ato de criação da Subseção da OAB depende, além dos requisitos expostos no Regimento Interno dos Conselhos Seccionais, da fixação da sua base territorial, com definição dos limites da sua competência e autonomia. Mas, isso não importa no contexto do Estatuto da OAB, que, de modo ditatorial, determina que “Extinto qualquer mandato, nas hipóteses do art. 66, cabe ao Conselho Seccional escolher o substituto”, por meio de Eleição Indireta perante os membros do Conselho Seccional. Essa é a normatização do art. 54 do Regulamento Geral da OAB. Portanto, cabe aqui uma crítica devida. As Eleições Indiretas no Brasil remonta ao passado da Ditadura Militar. Essa opinião não é só nossa. O advogado paraibano, Marcos Souto Maior Filho, disse ser favorável a mudança no Estatuto da OAB, o que para ele constitui a redemocratização interna da OAB: Não é possível que nos dias atuais tenhamos na OAB eleição indireta. Isso é resquício da ditadura militar. Vejo como um movimento sem retorno a redemocratização das eleições diretas na OAB.” E não é só isso. O Brasil possui 700 mil advogados inscritos na OAB, entre os quais dois terços (2/3) repudiam essa prática, que vislumbra resquício da ditadura militar. Isso sem esquecer a contradição contida neste Estatuto que admite, “na ausência de normas expressas no Estatuto e neste Regulamento, aplica-se, supletivamente, no que couber, a legislação eleitoral” (art.137-C, do Regulamento Geral da OAB). Desde quando se aplica o Código Eleitoral Brasileiro na OAB? Pensemos nisso! Por hoje é só.


Publicado em 06/03/2017 às 07:40

Mistérios da Iniciação Mística

Geralmente no final de cada ano ou no início do ano que começa, as organizações e fraternidades filosóficas realizam suas iniciações em todas as partes do mundo. Desde que alcancei o grau 33 na Ordem Maçônica e o grau 12 na Fraternidade Rosacruz, pude saborear o encantamento das iniciações e ainda hoje, por meio de outros irmãos e frateres, tenho experimentado calafrio e temor durante uma nova iniciação no mundo místico, vivenciando “viagens”, “passagens”, “descobertas” e “juramentos”, sob os critérios dos rituais e dos “landmarks” (marcos imutáveis, proeminentes e resistentes, feitos e instalados para durarem e não serem deslocados). Muitas vezes, relutei em continuar a caminhada durante uma Iniciação, tanto por resistência de uma força física invisível que tentava me impedir para não alcançar tais objetivos, quanto de uma força vital que me aconselhava a não desistir, observando que meus passos não poderiam me impedir de conhecer a verdade que na minha frente se descortina.

O interessante é que uma nova iniciação sempre descortina novidades, que, por vezes, nos assusta, nos faz temer, mas que nunca nos decepciona na trajetória. O temor com o desconhecido, em pouco tempo desaparece por completo, porque depois das trevas nasce a luz. As inibições e restrições, e até mesmo os preconceitos, são ignoradas diante das surpresas que vão surgindo. A cada instante, você não é o mesmo. No entanto, o medo e a hesitação são mais intensos para alguns iniciados do que para outros. Afinal, todos nós temos personalidades diferentes, com sentimentos próprios, educação diferenciada e atitudes pessoais. Algumas pessoas são mais assumidas, corajosas e destemidas, diante das “manifestações” que ocorrem no “Umbral” (portas ou regiões do mundo espiritual), na busca da elevação da alma. Outras pessoas se sentem temerosas e inibidas estando frente a frente com a realidade. Nesse caso, elas dependem de ajuda exterior para superar seus problemas e seus obstáculos. Mas, uma coisa é certa, não se pode progredir na Senda da evolução Espiritual se não autopurgar ou renovar as obstruções indesejáveis que impede o crescimento no corpo, no espírito e na alma.

A Iniciação Mística é eficaz na busca da libertação do homem novo, livrando-o dos temores, dos medos e das restrições autoimpostas. É durante a Iniciação Exotérica (saberes da face pública das coisas e dos seres humanos) e a Iniciativa Esotérica (interpretações das doutrinas filosóficas e religiosas), que encontramos a satisfação das necessidades emocionais do nosso ser psíquico. O ato da Iniciação tem mais a ver com as emoções do que com a razão. É durante a Iniciação que a nossa consciência nos fala com a voz do “mestre interior” e nos faz elevar às alturas, liberando-nos a cruzar o “novo” Umbral que nos leva à Luz, iluminando nossos pensamentos, corrigindo nossos erros, dominando nossas paixões e nos concedendo a oportunidade de conviver com o conhecimento sagrado, após vivenciar com provas e testes que nos purificam contra o orgulho e a vaidade. O Iniciado em qualquer ordem filosófica ou em qualquer fraternidade iniciática tem a convicção que não é um ser único, isolado ou separado. O Iniciado possui plena consciência que ele se harmoniza com a Inteligência Cósmica Superior que domina todo o Universo e que agrega em si mesma a paz profunda e o amor eterno.

Toda Iniciação representa a passagem das Trevas à Luz, a transição da vida finita para a alma infinita. Uma vez iniciado na senda do mistério, o neófito passa a conhecer a dualidade da vida, representa pela Cruz (sofrimento e doação) e a Rosa (símbolo da beleza e da perfeição), uma completa a outra e as duas se irmanam numa só dimensão. O resto é só progresso e iluminação. Na fraternidade Iniciática tem-se a percepção de que se transmitem um conhecimento enigmático ou incomum, sempre com vetor oculto. A idéia de DEUS (ser supremo e criador) é pura Luz e que o nosso espírito é composto de luz. Os persas e os hindus, em civilizações antigas, já possuíam uma noção avançada desse conceito, pois sustentavam a existência de dois princípios a reger a vida no universo, segundo lições de Zaratrusta (século XII a.C). Esses dois princípios eram a Luz, representada pelo Deus Marduc (Ahura Mazda) e as Trevas, representada pelo Deus Arimã. Paralelamente, os egípcios, que tem a mesma idade da tradição religiosa persa, desenvolveram uma teogonia com base num conceito similar, que colocava o Deus Rá, simbolizado pelo Sol, como a divindade suprema do seu Panteão, a quem estavam submissas todas as outras deidades. Pensemos nisso. Por hoje é só.
 


Publicado em 20/02/2017 às 18:34

Tudo Aconteceu em Fevereiro

Fevereiro não é só o mês do Carnaval. Ao longo dos tempos, Fevereiro acumula vários acontecimentos históricos que vão desde o surgimento do Decreto Imperial da Coroa Portuguesa, que obrigou que o transporte de ouro, diamantes e outras pedras preciosas do Brasil, fossem feito nos cofres das frotas (navios), com exclusividade, no ano de 1736, até a “derrota” dos Índios do Brasil, que se opõem à demarcação fronteiriça dos domínios luso-espanhóis na América do Sul, por motivo da aplicação do Tratado de Madrid de 1750. No ano de 1953, em diversas localidades de São Tomé e Príncipe, na África, milhares de pessoas se manifestam contra as condições de recrutamento forçado de mão-de-obra indígena do Brasil para as grandes plantações em terras portuguesas. Em 1971, os astronautas norte-americanos Alan Shefard e Edgar Mitchell, passeiam na Lua. Em Portugal nasce o Padre António Vieira (1608), o maior tribuno religioso. No Reino Unido é concedido o direito de voto às mulheres com mais de 30 anos de idade (1918). O primeiro disco de ouro é atribuído ao maestro Glenn Miller (1942). O Estado do Vaticano é reconhecido pelo mundo através do Tratado de Latrão, no ano de 1929. Nascem Abraham Lincoln, futuro presidente dos EUA, e o biólogo Charles Darwin, autor da obra “Origem das Espécies”, em 1809. O negro africano, Nelson Mandela, presidente do ANC, é libertado após 27 anos de prisão, em 1990. Dar-se a assinatura de um protocolo adicional à Concordata, entre Portugal e a Santa Sé, em que se permite o divórcio aos católicos (1975). Acontece o nascimento do astrônomo italiano Galileu Galilei, perto de Florença, em 1564. Em Portuga são abolidas as distinções entre Cristãos Velhos e Cristãos Novos, mandando-se queimar os registros civis dos cristãos-novos (1773).

Também no mês de Fevereiro, registram-se outros acontecimentos marcantes na história da humanidade. Trava-se no Brasil a Segunda Batalha dos Guararapes, em que o exército holandês, que ocupava a Capitania de Pernambuco, é derrotado pelo exército de Francisco Barreto. A primeira batalha tinha sido travada no ano anterior, com vitória portuguesa, no ano de 1649. É criada a Capitania de Minas Gerais, separada da Capitania de São Paulo, devido à descoberta das minas de ouro, em terras mineiras (1720). Abolição de todas as formas de escravatura em todas as colônias e os domínios portugueses, em 1869. Na Itália, Benito Mussolini funda o Partido Fascista Italiano (1919). Cassius Clay, ou Muhammad Ali, se torna campeão mundial de boxe na categoria peso pesado, e a sonda norte-americana “Ranger VI” chega à Lua, em 1964. Nasce nos EUA o físico e inventor norte-americano, Thomas Alva Edison, em 1847. Thomas Edison patenteia a invenção do fonógrafo (1878). Thomas Edison apresenta a primeira sessão pública do cinema sonoro (1913). Até hoje Thomas Edison é o maior inventor de todos os tempos, tendo sido autor de 1.093 invenções e inovações, entre elas a criação da lâmpada elétrica.

Fevereiro é marcado como o mês de nascimento do ator norte-americano Clark Gable (1901), do ator James Dean (1931), da atriz de cinema anglo-americana, Elizabeth Taylor (1932), do ator norte-americano, John Travolta (1954). No Egito, é descoberta a câmara funerária do Faraó Tutankhamon (1923). O monge Martinho Lutero, teólogo alemão, promotor da Reforma Protestante, desafia o poder da Igreja Católica ao divulgar teses contra os abusos e práticas do clero, em 1517. Lutero também traduz a Bíblia para o alemão (1546). Nasce Vitor Hugo, poeta e dramaturgo francês, autor do clássico da literatura “Os Miseráveis” (1802). Morre o imortal artista Michelangelo (1564), mais conhecido Miguel Ângelo, que foi pintor, escultor, poeta e arquiteto italiano, considerado um dos maiores criadores da história da arte do ocidente. Suas obras esculturais se encontram em Roma, no Teto da Capela Sistina, nos Museus Capitolinos, nas Basílicas de São Pedro e de São João dos Florentinos, na Porta Pia, na Biblioteca Laurenciana, nos Palácios Farnésio, Senatório e do Santo Ofício, na Igreja de Santa Maria, na Villa Collazzi, Sacristina Nova, além das esculturas anatômicas de Moisés, de David e de Nossa Senhora da Pietá.

O mês de Fevereiro, que possui apenas 28 dias, a não ser em anos bissextos, que passa a 29 dias, tem sua origem em Fébruo, conhecido como Deus da Morte e da Purificação, segundo a mitologia etrusca. Originariamente, este mês possuía 30 dias, mas por exigência do Ditador Romano César AUGUSTO, um dos seus dias passou para o mês de Agosto, para que o mesmo ficasse com 31 dias, semelhante a julho, mês batizado em homenagem ao Imperador JÚLIO CÉSAR... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 09/02/2017 às 20:46

O SEGUNDO MATRIMÔNIO RELIGIOSO

O Papa Francisco foi enfático quando confessor sua crença de que “Jesus Cristo não tem medo das novidades”. Sua afirmação aconteceu durante a discussão na Santa Sé (no Vaticano) sobre a permissão da Igreja Católica celebrar o Segundo Matrimônio de casais Divorciados. Com tal opinião, o Papa Francisco facilitou o processo canônico para que casais católicos se casem pela segunda vez, permitindo aos Bispos o poder para anularem a união matrimonial em determinados casos. Contudo, o Santo Pontífice, pressionado pela Cúria Romana, advertiu que “o pedido de Nulidade não é um Divórcio — a Igreja considera que o casamento é de vínculo indissolúvel. Mas, o matrimônio pode ser nulo se for comprovado que ele nunca foi válido”.

Embora o entendimento do Papa no documento “Motu Próprio” (em latim, “de sua própria iniciativa”) possua valor moral e histórico, não atende às necessidades dos casais que tiveram seus matrimônios validos na forma da lei canônica, mas que, por força maior, não poderam manter sua relação conjugal, sendo um dos cônjuges a vítima potencial do desfazimento da união matrimonial. Afinal, na forma como foi proposto pelo Santo Padre, Papa Francisco, só haverá um segundo matrimônio se o casamento for declarado “nulo”, “inválido” pelo Bispo, uma vez que, na opinião da Santa Sé, “o matrimônio pode ser anulado se for comprovado que ele nunca foi válido”.

Lamentavelmente, a Igreja Católica Apostólica Romana confunde “validade do ato” com a “impossibilidade de manter a união conjugal”, por culpa exclusiva de um dos cônjuges, responsável pela falência da vida em comum entre um Homem e uma Mulher. Desse modo, não existe fato novo na Seara do Cristianismo Católico, porque a grande maioria dos divorciados (hoje afastados da comunhão religiosa) não teve seus casamentos reconhecidamente inválidos, “nulos de pleno direito”, mas “anulados” pela civil em face da irresponsabilidade de uma das partes que não assumiu o papel de cônjuge fiel, amante, honesto, fraterno e responsável com os filhos na relação conjugal.

A boa idéia do Papa não resolveu o problema dos divorciados na Igreja Católica, que ainda “considera o casamento um vínculo indissolúvel”, que não pode ser “anulado”. Isso quer dizer que, uma vez casado, de forma válida por um sacerdote competente, não haverá um “Segundo Casamento”, porque os juízes eclesiásticos, para efeito da “validade”, vão considerar apenas as causas anteriores ou concomitantes à celebração do matrimônio. Os juízes eclesiásticos nunca julgarão os fatos posteriores à cerimônia do casamento. Portanto, não é do interesse da Igreja “anular” o ato que foi “perfeito” em sua celebração. Em outras palavras, os casos que imporão em “nulidade” do ato do casamento são fatos simplistas como a união do genitor ou da genitora com seus filhos; a união de irmãos com irmãos; a impotência sexual antes do casamento; a declaração expressa de um dos cônjuges de que não gostaria de ter filhos; preferências sexuais incompatíveis nos primeiros meses da celebração do casamento, etc. Nesses casos o casamento é “nulo” desde o começo, porque eles nunca existiram, explica o padre Jesus Hortal Sánchez, autor do livro “Casamentos que nunca deveriam ter existido” (editora Loyola).

Contudo, não é está à realidade prática dos casais divorciados no mundo. O Divórcio no Direito Civil vai além dos casos típicos listados nos exemplos acima. O verdadeiro casamento está relacionado com o bem-estar dos cônjuges, da relação familiar e da sociedade humana. Com certeza, se Jesus Cristo ainda habitasse a terra, em corpo humano, com certeza acolheria outras mulheres, como Maria Madalena que fora abandonada pelo marido porque ela era estéril. E que teve de se prostituir com Generais Romanos para sobreviver, porque seu “ex-marido”, em razão do Divórcio que lhe foi concedido pela Lei Mosaica, confiscou todos os bens materiais da Esposa, que, antes de se casar, era rica e proprietária de terras na região da Magdala (na região de Jerusalém), juntamente com seus irmãos consanguíneos, Lázaro e Marta, residentes em Betânia, na colônia dos Leprosos... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 05/02/2017 às 17:53

NOSSA MÃE, MARIA SANTÍSSIMA

Maria Santíssima não é só a Mãe de Jesus. Ela também é Nossa Mãe, é Sua Mãe, é Minha Mãe. Antes d’ela ser a Mãe da Igreja, da Paróquia ou da Diocese, ela é Nossa Mãe. É com Maria que a humanidade caminha rumo aos ensinamentos do Cristo: “Fazei tudo que Ele mandar!”. É esse Mestre dos Mestres que nos conduz a Deus, ao Pai Eterno. Com Maria alcançamos seu Filho e nos espelhamos nele (em atos e ações), como o Caminho, a Verdade e a Vida.

Maria, a maior educadora da história da humanidade, não só ensinou o Mestre de Nazaré quando criança e adolescente em Belém e na Galiléia. Como Mãe Peregrina, que acompanhou seu filho em todos os momentos (inclusive, fugindo com Ele para o Egito) até sua morte no Calvário, ela continua nos seguindo e nos ensinando como Mãe Adotiva e discípula de Jesus e Serva de Deus. Como disse João Paulo II, por ter sido Mãe do Redentor, Maria não nos corrige em nossas faltas. Isso fica a cargo do Cristo e do Pai Eterno. Ela apenas nos ensina a refletir sobre nossos erros cometidos. Como Mãe e Educadora, ela não desiste facilmente de voltar seus olhos sobre nós, tanto nos instantes de alegria quanto nos dias de tristeza. Como Mãe do Amparo, ela nos estimula a recomeçar, na busca de novo caminho. Como Mãe da Piedade, ela não nos deixa caminhar sozinho. Ela caminha conosco na direção do Cristo Glorificado.

Jesus, o Nazareno, desde cedo sabia da importância de Maria em sua vida íntima e em sua vida pública. E tanto isso é verdade que Ele permitiu (mesmo a contragosto) que ela decidisse quando seria praticado seu primeiro milagre público. Isso aconteceu nas Bodas de Caná, na Galiléia, durante a comemoração das núpcias de casamento de André, irmão de Pedro. Maria, Mãe do Perpétuo Socorro é tão importante na história dos povos que em dois livros sagrados (a Bíblia e o Alcorão) exalta-se seu nome, sendo que, entre nós, cristãos, existe o culto à sua vida e à sua obra. Aliás, Maria, entre suas virtudes humanas, simboliza Amor, Ternura, Piedade, Compaixão e Singeleza de Deus.

E por ser difícil entender o mistério da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), o Pai Eterno possibilitou a todos nós, cristãos e católicos, a providência de conhecer e venerar Maria, a Mãe do Redentor, como a realidade central da nossa fé, na esperança de dar a conhecer os mistérios divinos. Por isso, a presença singular de Maria, Nossa Senhora do Socorro, em nossa vida nos possibilita a compreensão do segredo que envolve a crença na Existência de Deus, no plano espiritual. Sem a interferência de Maria em nossas vidas, fica difícil compreender os mistérios que envolvem o Pai, o Filho e o Espírito Santo, como sendo uma só pessoa em potência, poder e divindade.

A devoção à Maria, Mãe da Igreja e Nossa Mãe, constitui uma admirável riqueza na nossa fé. Maria de Nazaré (do Calvário e de Pentecostes) ocupa um lugar especial em nossos corações. Desde a origem da terra (da queda de Adão e de Eva, no Livro dos Gêneses), Maria tem seu lugar presente na história da salvação humana. Sua existência como mulher, esposa, filha e serva se estendem pela Antiga Aliança, definindo-se em maior graça e importância no Novo Testamento. Sua personalidade foi construída ao longo dos tempos e se imortalizou na sua relação com Jesus, o Filho de Deus Encarnado, concebido por obra do Espírito Santo. Maria assume seu papel de vanguarda na vida cristã, distribuindo fé e alimentando esperança. Maria das Graças e Compadecida constitui a base da nossa fé cristã. Ela representa a Ternura do Pai, a Fidelidade do Filho e a Força do Espírito Santo, numa linguagem acessível que permite aos fiéis reconhecerem o mistério da divindade do Pai Eterno. Afinal, quem vê a Mãe, vê o Filho, e, consequentemente, verá o Pai! Quem venera Maria Santíssima, a Mãe Penitente do Bom Conselho, também glorifica Jesus Cristo, o Filho Misericordioso do Deus do Amor... Pensemos nisso! Por hoje é só. 


Publicado em 27/01/2017 às 06:34

O QUE É UMA CRÔNICA

Acerca de 40 anos escrevo crônicas em jornais e revistas. São mais de mil textos publicados, ao longo desses anos. Eu teria feito mais sucesso se estivesse escrevendo romances, contos ou poesias. Mas, não era a nossa pretensão. Resolvi escrever crônicas, porque nessa forma de estilo literário o narrador e o autor se confundem numa só pessoa. Na crônica deve-se refletir algo da realidade, do contexto atual. E toda crônica que se preza encerra uma opinião pessoal, literária ou científica. Identificada e datada com fatos do cotidiano, ela se diferencia do que se costuma chamar de literatura. Daí porque não se vê um bom livro de crônicas reconhecido pela crítica literária.

O cronista é o primo pobre da literatura. Não tem compromisso com os temas abordados. Ao mesmo tempo em que é livre para escrever seus artigos, é também escravo deles, porque não há um rigor a ser mantido. A crônica tem vida curta nas folhas dos jornais e das revistas. Os prêmios literários, com seus louros e suas glórias, vão sempre para os romancistas, os poetas e os contistas. Machado de Assis e Graciliano Ramos experimentaram essa verdade cruel. Não ficaram famosos por suas crônicas, publicadas em jornais e em revistas. Tão somente foram reconhecidos pela crítica mundial por seus romances e por seus contos editados. Porém, no Brasil se conhece famosos cronistas que, até certo ponto, são disputados pela mídia digital e impressa. Mas, pasmem, eles não são valorizados pelo gênero literário que abraçaram. Muito pelo contrário. São reconhecidos pela “boa fama” do escritor, por se tratar de anarquista, bem-humorado, gozador ou coisa parecida. Nesse caso, não é a crônica em si que atrai o leitor, mas a notoriedade do autor da crônica.

Entretanto, as crônicas continuam invadindo os jornais, as revistas, os “blogs”, entre outros veículos de comunicação social. Muitas jornalistas se tornaram artistas virtuais, com o uso de crônicas sobre a realidade do cotidiano, apimentando fatos ocorridos e alfinetando pessoas notáveis, numa demonstração de verdadeiros gladiadores verbais nas arenas da imprensa escrita, radiofônica, televisada e digital.

Mesmo fazendo parte de duas Academias de Letras, percebo a discriminação contra o cronista. Em tempo algum constatei a realização de Concursos ou de Torneios Literários para agraciar e premiar as melhores crônicas ou os melhores cronistas. E isso não acontece apenas em território Alagoano. O preconceito se estende até mesmo na Academia Brasileira de Letras. Os literatos brasileiros só valorizam o romance, o conto e a poesia.

Alguns cronistas ousados já selecionaram crônicas escritas para jornais, garimpando coleções de Diários e Semanários, na busca de condensar temas importantes da vida social, com o fim de fazer ver à crítica literária de que a crônica também é um gênero da literatura, merecedora de prêmios e elogios.

Por outro lado, entendo que a melhor crônica ainda é aquela que se perde no tempo, no espaço da geografia desconhecida, onde o leitor não conhece a realidade de então, nem o lugar onde tudo aquilo se passou, mas se delicia como uso das palavras ou com o trocadilho das frases. Aliás, jornal velho, mas não lido, é muito mais interessante do que jornal do dia-a-dia. Os fatos passados são mais jocosos e curiosos ao leitor. Aliás, todos pensam que já conhecem a realidade atual de “cabo a rabo”, mas o passado ainda não!...

À primeira vista é que os novos “escritores” e “blogueiros” que escrevem crônicas na imprensa querem parecer simples, mas originais, com talento e criatividade, para lidar com assuntos do cotidiano sem torná-los corriqueiros. Essa é uma fórmula de manter a assiduidade dos leitores, já que tudo é consumo e tem que dá “Ibope”... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 18/01/2017 às 04:15

O Estatuto da Cidade

 O “Estatuto da Cidade” não se trata apenas de uma norma federal (Lei nº. 10.257/2001) nascida por força da Constituição de 1988, para definir as diretrizes da política urbana nas cidades, em face da inexistência de ações governamentais nos municípios, mas, também, é um instrumento legal para exigir dos gestores municipais a fixação de regras de ordem pública e de interesse social em prol do bem coletivo, assegurando ao povo uma melhor qualidade de vida, com segurança e bem-estar comunitário, em harmonia com o equilíbrio do meio ambiente. O “Estatuto da Cidade” é o instrumento legal de proporcionar às cidades uma melhor condição de vida, em consonância com o Direito Urbanístico, em vigor na atualidade. Afinal, não se concebe a falta de planejamento e de ações políticas concretas em cidades com uma população elevada. O desenvolvimento urbano e o crescimento social, voltado à garantirem direitos e benefícios às populações das cidades, não se realizam sem a execução de uma política urbana, previamente planejada. Aliás, a Constituição Federal, em seus princípios constitucionais, ordena o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Isso sem esquecer o direito à terra urbana, à moradia, o saneamento ambiental e o transporte coletivo e o trabalho.


O Poder Público Municipal não pode se limitar apenas a pagar os salários de seus Servidores Públicos; a manter funcionando as Escolas e as Creches Públicas; a limpar as ruas e a exercer o seu Poder de Polícia, fiscalizando as atividades profissionais, comerciais e industriais dos seus munícipes. Além disso, o Gestor Público deve ser alguém comprometido com uma Ação Política, devidamente planejada, no sentido de garantir o bem-estar de seus habitantes. O Plano Diretor, por exemplo, que é um planejamento obrigatório para todas as cidades, com mais de 20 mil habitantes, tem o objetivo de desenvolver e promover a expansão das áreas urbanas. No Plano Diretor o município deverá normalizar e fiscalizar as construções e as edificações urbanas; a reservar áreas verdes para o laser e o bem-estar dos munícipes; a fiscalizar a função social das propriedades urbanas, entre outras necessidades sociais.

Contudo, também é preciso que o Poder Executivo Municipal tenha uma estrutura administrativa capaz de se adequar ao tamanho e à complexidade do próprio município. Para tanto, o Prefeito deve ter a iniciativa de promover cursos e treinamentos para o aperfeiçoamento do conhecimento de seus funcionários. Também é preciso que o Prefeito Municipal evite o excesso de Secretarias e de Auxiliares, extremamente prejudiciais à boa gerência e maior eficiência do serviço público. O Dirigente Municipal tem que ser competente e honesto para estruturar a Prefeitura em condições de atender melhor a população. As questões básicas de um município, como educação, saúde, segurança, assistência social, meio ambiente e obras públicas têm que serem metas prioritárias na visão de um Chefe Político. Por isso, um Programa de Governo deve ser elaborado em cada município, visando alcançar as metas que foram fixadas. 

Todo Prefeito, que se diz honesto e honrado, deve ter a consciência de que todo serviço público custa dinheiro e que dinheiro não se encontra nas lixeiras ou nos bancos de praça. Os recursos financeiros são sempre escassos em qualquer cidade, de porte pequeno ou grande, devendo ser usados com moderação e responsabilidade. O mau uso do dinheiro público é a causa do empobrecimento das Cidades e do enriquecimento ilícito de Prefeitos. Por isso, o Estatuto da Cidade deve ser visto como uma diretriz para que o Prefeito Municipal elabore um plano de ação política, voltado ao desenvolvimento urbano e o bem-estar dos cidadãos do município. 

O “Estatuto da Cidade” (Lei n. 10.257/2001), também denominado de “Lei do Meio Ambiente Artificial”, tem como objetivo formular diretrizes gerais de administração do ambiente urbano. Essa legislação surgiu para regulamentar os artigos 182 e 183 da Carta Magna Federal frente aos reclames de ordem pública, interesse social, bem estar dos cidadãos e equilíbrio ambiental, estabelecendo normas gerais para a política de desenvolvimento urbano. O “Estatuto se mostra como meio jurídico hábil a proteger o meio ambiente artificial, indo ao encontro do art. 225 da Constituição Federal de 1988, que determina: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Pensemos nisso! Por hoje é só. 
 


Publicado em 06/01/2017 às 04:49

A legalidade do reajuste dos vereadores

Nos meus 35 anos na Advocacia, interpretando a Constituição Federal, entendo que não existe violação ao art. 21 da Lei de Responsabilidade Fiscal, “se existente dotação (cobertura) orçamentária e disponibilidade financeira suficiente, ou seja, a despesa já estava previamente autorizada, dispondo o administrador de respaldo financeiro”, é permitido o reajuste do subsídio, fixado pela Câmara Municipal em cada legislatura para a subsequente, conforme dispõe a Constituição e estabelece a Lei Orgânica do Município. Entendo que o art. 21 da Lei de Responsabilidade Fiscal, que proíbe o aumento de despesas com pessoal nos últimos 180 (cento e oitenta) dias do mandato do titular do respectivo Poder, não se aplica na fixação do subsídio dos Vereadores, porque, no caso dos Parlamentares Municipais, a norma aplicável para esse fim está no art. 29, inciso VI, da Lei Maior. Esse é o limite para o caso, e não há outra regra. Trata-se de aumento de subsídio dentro do princípio constitucional, e não de aumento de despesas com pessoal em geral. Os dois conceitos não se misturam, pois um é ditado pela Constituição Federal e o outro por Lei Complementar (LRF), hierarquicamente inferior à Carta Magna. Por outro lado, entendo que é inconstitucional o aumento da remuneração do Prefeito, do Vice Prefeito e dos vereadores na mesma legislatura por Resolução da Câmara Municipal (art. 29, inciso VI, com redação original da CF/88). Se assim ocorrer, durante o curso do mandato, é dever do Poder Legislativo e Executivo restituir os valores recebidos ao patrimônio público, acrescidos de juros e de correção monetária, com incidência a partir do recebimento dos subsídios indevidos, mesmo que haja a aprovação das despesas pelo Tribunal de Contas, conforme determinam as Súmulas 54 e 43 do Superior Tribunal de Justiça, porque afronta a Carta Magna da Nação. 

É exigência da Constituição que os subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários sejam fixados por Lei de iniciativa da Câmara Municipal, uma vez observado as regras dos artigos 37, inciso XI, 39, §4º, 150, inciso II, 153, inciso II e art. 153, § 2º, inciso I, da Carta Magna do país. Assim, o subsídio dos Vereadores será fixado pela Câmara Municipal em cada legislatura para a subsequente, desde que observados os limites da Constituição e os critérios da Lei Orgânica do Município. No caso deste município, que conta com uma população estimada entre 50 mil a 100 mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a 40% do subsídio dos Deputados Estaduais. E como o subsídio mensal do Deputado Estadual está no patamar de R$ 25.322,25, então, permite-se que a remuneração mensal do Vereador nesta cidade deverá ser equivalente ao valor de R$ 10.128,90 (correspondente a 40% do subsídio mensal do Deputado Estadual. No mais, a atual Constituição determina que o total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar o montante de 5% da receita do município. Ora, como Palmeira dos Índios possui Receita Anual prevista na ordem de R$ 212.772.917,66 (duzentos e doze milhões, setecentos e setenta e dois mil e novecentos e dezessete reais e sessenta e seis centavos), logo, a Remuneração Anual dos Vereadores deverá ser calculada no montante de R$ 1.823.202,00. Assim, a Receita Anual deste município estimada em R$ 212 milhões, permite a aplicação de 5% sobre tal receita, o que representa o valor anual de R$ 2 milhões e 200 mil reais. Portanto, reconheço como constitucional a remuneração anual dos Vereadores Palmeirenses para a Legislatura 2017/2020 (no valor mensal de R$ 7.500,00), o que corresponde ao patamar anual de R$ 1 milhão e 300 mil reais.

Por fim, não há como discutir sobre ilegalidade do Poder Legislativo Municipal que fixou o subsídio dos Vereadores para a Legislatura 2017/2020, no valor mensal de R$ 7.500,00 (Lei Municipal nº 2.119, de 23/12/2016). Também há de se reconhecer que a Emenda Constitucional nº 25, de 2000, limitou o subsídio da Câmara Municipal à vista de dois fatores: a população local e a remuneração do Deputado Estadual. Tal apuração se baseia no subsídio único do parlamentar, não agregando verbas indenizatórias recebidas, como auxílio moradia, ajuda de custo para deslocamento, entre outros privilégios. Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 30/12/2016 às 17:40

CRÔNICA DE ANO NOVO

Antes de se vestir de “branco”, símbolo da pureza e da paz, ou de vestir-se de “amarelo”, para atrair para si riqueza e prosperidade, devemos refletir sobre a “cor da alma” que queremos ter nesse Novo Ano que se inicia. Essa “alma” que deve possuir todas as cores do arco-íris. Um pouco de tudo, embalado pela esperança de ter um mundo melhor, mais atraente e mais útil, com seres humanos menos violentos e muito menos corruptos. Mas, também reconhecer que devemos realizar atos e ações que promovam o amor, a fraternidade e a tolerância, sem empurrar com a barriga para o próximo ano o que de mais importante se deve fazer nesse Novo Ano. Pouco ou quase nada adianta fazer “simpatias” e “promessas” a espera de um futuro melhor, se não mudarmos as atitudes pessoais e agir com mais simplicidade e humildade. É claro que precisamos da “Fé” para mover as montanhas intransponíveis que nos cercam. Combater a “preguiça” e o “desânimo” é indispensável para avançar contra as batalhas que desejamos vencer. Por isso, é preciso lutar, seguir em frente, com coragem e determinação. Também é preciso rezar e orar para não sermos desviados do caminho que escolhemos trilhar nesse Novo Ano. A Oração da criatura, com devoção ao Criador, tem o poder e a força de eliminar todos os obstáculos no meio do caminho. Afinal, “é dando que se recebe e é perdoando que se é perdoado”, ensinou-nos São Francisco de Assis. 

Portanto, durante essa caminhada rumo ao Ano Novo é dever de todo cristão (extensivo aos “iluminados” de todas as outras religiões) definir seu trajeto e pontuar seus objetivos, observando a lição sábia do Mestre dos Mestres: “eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Nessa nova caminhada pense e medite em silêncio, sem nada falar e sem se distrair, refletindo sobre tudo o que fez ou deixou de fazer no transcorrer do Ano Velho que já se foi. Reavalie seus sonhos, seus anseios e suas aspirações. Cuidado com a “ambição”, porque ela é nefasta, diabólica e falsa. Sugiro que descubras novas coisas que ainda não fez, mas que lhe proporcionaria felicidade e paz profunda. Visite os parentes e os amigos e lhes seja solidários. Todos nós temos sempre algo a oferecer àqueles que nos amam e nos servem. Um abraço sincero, uma palavra bondosa e um sorriso franco já agradam o nosso semelhante. Tudo pode acontecer quando olhamos para o outro com amor e com ternura. Comecemos olhando para os familiares, sem nunca se esquecer dos vizinhos, dos amigos e dos benfeitores. O Novo Ano só acontece para quem é capaz de se fazer Homem Novo ou Mulher Nova. Mesmo diante dos aborrecimentos, das tristezas e das angústias, vale apenas sorrir e manter a esperança. Aliás, nem tudo são flores e calmaria. As dores e os problemas existem e sempre existirão, mas a estrada está posta diante de si mesmo para ser caminhada e o caminho é longo, mesmo com os momentos de desespero e instantes de incerteza.

Nesse Novo Ano que se inicia devemos olhar em frente rumo ao futuro próspero, sem se preocupar com as coisas que não se realizou, porque isso gera “depressão”; sem almejar ou antecipar as coisas que fará no amanhã, para não sentir a dor da “ansiedade”; sem se revoltar com o que não fará hoje, para não sentir “angústia” nem “desprezo”. Viva com intensidade cada dia, realizando o que é possível fazer, pois durante o caminhar no Novo Ano você terá tempo de sobra de concretizar seus vários sonhos.

A propósito, chegou a hora de ler mais e de escrever muito. Escute mais e não deixe de falar, de comentar e de se indignar diante dos erros e dos absurdos praticados pelos outros, mesmo que esses agentes sejam seus amigos ou familiares. Seja amável com os inimigos; tolerante com os incrédulos; fraterno com os carentes; incisivo com os irresponsáveis. Encare a vida com intensidade, sendo criativo e humanitário. Faça tudo isso acontecer nesse Novo Ano, que não lhe foi possível realizar no Velho Ano que já se foi.

Esqueça a pressa de querer fazer tudo de uma só vez. De acordo com o Livro de Eclesiastes (Capítulo 3): “Tudo tem o seu tempo determinado... há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher; tempo de adoecer e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; (...) tempo de abraçar e tempo de afastar-se; (...) tempo de calar e tempo de falar; tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz”. Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 26/12/2016 às 08:38

Eu creio que sou cristão ortodoxo

Certa vez, em diálogo com Monsenhor José Araújo Silva, filósofo, pároco emérito, professor de português, articulista deste Semanário, ouvi dos lábios deste sacerdote de que meus escritos sobre religião demonstram que sou “Ortodoxo”. Não me causou nenhum impacto tal opinião. Também não iniciei qualquer discussão porque não havia clima para isso. Afinal, esse encontro ocorreu após a Celebração da Santa Missa, enquanto o Templo já estava vazio, necessitando da minha retirada em respeito ao horário e à idade avançada do meu interlocutor.

Mas, o que é ser “ortodoxo”? Essa expressão vem da Língua Grega (orthodoxos) – “é aquele que tem a opinião certa”; de ortodoxia (ortho) – “reto, verdadeiro, correto” + “Doxa” – “opinião, elogio”; de “Dokein” – “aparentar, parecer”. Ortodoxo é um indivíduo que age ou pensa conforme a “ortodoxia” (não confundir com os adeptos da Igreja Católica Ortodoxa). Ser um Cristão Ortodoxo é seguir a “verdadeira” doutrina de Jesus Cristo, segundo seus Evangelhos. Ser Cristão Ortodoxo não é vestir somente terno ou roupa social; não andar de bermuda; não falar gírias; não assistir televisão; ouvir ou cantar determinados hinos; não beber vinho em demasia; nunca comer carne vermelha; nunca discutir sobre rituais; nunca comentar sobre política, família e religião, entre outros comportamentos sociais. Também não é pela linguagem que se usa ou pelo modo legalista de defender suas idéias que possa identificar um Cristão Ortodoxo. Ser Ortodoxo, independente do aspecto físico ou social, é praticar a bondade; é ser coerente com suas convicções; é tolerar as opiniões divergentes; é cultivar a Justiça. Aliás, falando em nome de Deus, o discípulo São Paulo afirmou: “Abstende-vos de toda a aparência do mal”. Afinal, a palavra “aparência” no texto bíblico grego tem o sentido de “essência”.

Muito cedo, lembro-me que li textos do livro “Confissões” de Santo Agostinho (354-430) que resumiu sua existência na seguinte sentença: “Senhor, criaste-nos para Ti e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousar em Ti” (Confissões 1,1). A partir daquele dia acreditei que minha alma foi feita para o infinito, pois meus prazeres humanos não me satisfazem totalmente. Pelo contrário, estou sempre necessitando de novas revelações e buscando as coisas que vem do alto; refletindo sempre sobre o meu papel no mundo e entre meus semelhantes. Por que vivo? Por que tenho de morrer? De onde venho e para onde vou? O que faço para não ser inútil?

Ora, por influência de Santo Agostinho, compreendi melhor a vida: “Ter fé é acreditar nas coisas que você não vê; a recompensa por essa fé é ver aquilo em que você acredita”. Em sua análise, Santo Agostinho aconselha: “Se você acredita no que lhe agrada nos Evangelhos e rejeita o que não gosta, não é nos Evangelhos que você crê, mas em você”. Nesse contexto, aprendi que com a verdade e a beleza, com a liberdade e a voz da consciência e com a ânsia de infinito e de sentido do bem moral, o homem sempre estará questionando sobre a existência de Deus em sua vida e recebendo sinais da sua misericórdia e compaixão. Confesso que leio o Antigo Testamento como leitura primária da Bíblia Cristã para justificar a onipresença do Divino Jesus Cristo nesta terra e entre os seres humanos iluminados. Mas, como cristão, creio que Jesus de Nazaré, como filho de Deus feito homem, é a “palavra única”, perfeita e insuperável do Pai Eterno. Em Jesus Cristo, Deus disse tudo o que havia de ser dito, inclusive alterou o temor dos profetas que viveram neste mundo antes do “Mestre da Galiléia” falando em nome de Deus, durante a longa história da Humanidade. Creio que não haverá outra palavra sobre Deus e Sua magnífica obra, senão àquela difundida por Jesus Cristo e seus apóstolos nos Evangelhos. 

Com efeito, minha linha de conduta e de pensamento segue “rigorosamente” (ortodoxamente) os quatro (4) Evangelhos, escritos por São Mateus, São Marcos, São Lucas São João. Os demais textos escritos do Novo Testamento são leituras complementares, adicionais, mas nem sempre receptivas, se não estiverem em perfeita harmonia e sintonia com as “palavras” de Jesus de Nazaré. Nos “Atos dos Apóstolos”, texto escrito por São Lucas, também acato os ensinamentos dos apóstolos, mas sempre em conta com as “palavras” do Mestre dos Mestres, Jesus Cristo, nos Evangelhos transcritos. Assim, de um modo geral, fico à vontade para reconhecer a verdade expressa pelo Monsenhor José Araújo Silva à cerca da minha personalidade. Realmente, sou cristão ortodoxo, porque não me deixo influenciar por nenhuma outra palavra contrária àquelas proferidas por Jesus Cristo... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 13/12/2016 às 21:30

O Natal do Mestre dos Mestres

Como se sabe o NATAL do Menino Jesus, filho adotivo de Maria e de José de Nazaré, faz-nos lembrar que nunca estivemos sós. Que existe uma ordem de seres divinos (puramente espirituais) existindo entre nós desde a criação do Universo, voltados às mais diversas atividades, sem que possamos conceber visivelmente suas presenças em nossas vidas corpóreas. Mas eles existem de fato, sendo esta a revelação da verdade cujo plano foi estudado, traçado e arquitetado pelo Grande Arquiteto do Universo. Alguns desses seres possuem tempo integral em nosso planeta, desde sua origem, integrando nossa passagem pela terra. Outros, porém, mais elevados em estado espiritual, visita-nos apenas de tempos em tempos, para observar de perto a nossa evolução e acompanhar as nossas atividades, tanto na área física como no campo metafísico, muito embora eles estejam sempre em comunicação conosco em longas distâncias, cujas mensagens são transmitidas por via da meditação, da oração, da levitação e dos sonhos. Muitas informações vão e vem, mas percebemos pouco, por falta da capacidade de interagir com nossos sentidos primitivos, que não absorvem tais conhecimentos em sua totalidade. Embora a presença desses seres invisíveis sejam uma constante em nosso planeta e, em particular, em nossas vidas terrestres, somos incapazes de senti-los na mesma frequência, pois a carne que possuímos impede à liberdade de captação da “luz”. E aqui fica o alerta: é possível que a nossa tecnologia avançada favoreça no sentido de captação da presença desses seres entre nós, mas esse é outro assunto, visto que nada criamos, apenas somos instrumentos da criação, como mensageiros do Ser Criador. É ele que define quando e como podemos utilizar dos nossos dons e dos talentos, diante desses recursos tecnológicos.

Desde a mais remota civilização, o Planeta Terra recebeu a visita de seres “iluminados”, possuidores de sapiência e de fraternidade. Dentre esses seres evoluídos, destaca-se a passagem do Mestre Jesus, o Cristo, soberano filho da Trindade Santa que reina sobre todo o Universo, inclusive sobre a terra. Nosso Mestre dos Mestres que surgiu nas terras de Jerusalém, depois de Abrão, de Elias, de David, de Salomão, de Zoroastro, de Confúcio e de Buda, veio trazer a “Verdade” do Ser Criador de todas as coisas e de todas as criaturas. Nessa “verdade” velada estão contidas a humildade, a tolerância, a solidariedade e o amor verdadeiro.

A partir do surgimento (nascimento) do Mestre de Nazaré e da sua pregação sobre a face da Terra, ficou mais fácil o entendimento da existência da alma e da ordem sistêmica que emana do espírito (essência da matéria). Foi a partir D’Ele que o ser humano (homens e mulheres) tomou consciência de que não é um ser único, que não é imutável e que não é descartável. Foi Ele que pregou e, até agora ninguém contestou, que a sua existência foi marcada pela orientação do “caminho”, pela busca da “verdade” e pela certeza da compreensão da “vida”. E que ninguém alcançará o Pai-Criador sem sua interferência ou compaixão. Mas, sua existência sobre o Planeta Terra e sobre o Grande Universo não é única. Para que Sua realeza predomine sobre o tempo e o espaço, também existem os Anjos Guardiões (serafins, querubins, arcanjos, tronos, denominações, potentados, principados, etc.), além de outras divindades, em escalões inferiores, que corroboram com Sua missão redentora e salvadora, inclusive, promovendo eventos considerados “mágicos” e “milagrosos” em nossas mentes e corpos primitivos, que, isoladamente, não produzem “luz”. 

No Planeta Terra nada acontece por acaso. A região da Palestina onde o Mestre dos Mestres teve sua existência foi terra escolhida pelo Grande Arquiteto do Universo, tanto por se tratar do lugar mais importante do comércio antigo e do tráfego de vários grupos humanos, como também por ser o local propício para a expansão da mensagem da “Boa Nova”, que iria fascinar o mundo antigo e o mundo contemporâneo. Os pais adotivos do Mestre dos Mestres, Maria e José, foram escolhidos, não só porque eram pessoas obedientes na comunidade de Nazaré, mas por se tratar de “seres” iluminados e integrantes do “orbe celeste”. Após a gestação no ventre humano de Maria, Jesus de Nazaré nasceu em data de 25 de agosto do ano 7 antes de Cristo. Todavia, a escolha do seu Natal em 25 de Dezembro se deve ao fato de que nessa data o dia é mais longo de todos os dias do ano e que sol dura mais tempo iluminando a terra, conhecido como o “solstício” do verão. E, sendo Jesus “a luz do mundo” (João, 9:5) e “o sol que nasce do alto para iluminar os que vivem nas trevas e na sombra da morte” (Lucas, 1), o Imperador Romano Constantino deliberou, no Século IV, festejar o Nascimento de Jesus em 25 de Dezembro de cada ano. Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 08/12/2016 às 10:29

Quem é o Espírito Santo

A palavra “Espírito Santo” não é um conceito exclusivo do Cristianismo. Embora o termo “Espírito Santo” constitua a “terceira pessoa da trindade cristã”, ele não se limita ao dogma da Religião Cristã. A Palavra tem sentido amplo, como “Luz Divina”, “Luz Inefável”, “Fogo Divino” ou “Sopro e Essência de Deus”, segundo a interpretação latina, grega e hebraica. Na Religião Judaica, especialmente no Antigo Testamento, em “Gênesis” que trata da origem da Terra, está descrito que “o Espírito de Deus pairava sobre as águas”, assim, a frase empregada designa a “Alma e o Sopro de Deus”. No Novo Testamento, que narra a Vida, a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus de Nazaré, o Cristo, a expressão tem o significado de “Luz Inefável”, correspondendo a “Sabedoria de Deus”, representada pelo Mestre dos Mestres, Jesus Cristo, durante sua existência humana. E como “Luz Inefável”, entende-se que o “Espírito Santo” está associado ao simbolismo do fogo, tanto na tradição Judaica quanto na tradição Cristã. A natureza do Espírito Santo é revelar e confirmar a mensagem divina. É a força mística do poder impessoal de Deus. Mas, a expressão hebraica para o “espírito” (ruach) é “feminina” em Gênesis (1:2). Logo, Maria de Nazaré é o “rosto materno” e a “porção feminina” de Deus, divinizada pelo Espírito Santo. Maria, como “templo” do Espírito Santo, é a parte “feminina” da Trindade Santa. Ela guia, defende, convence, intercede milagres, tem entendimento e exerce sua vontade.

Quando do Ato da Crucificação de Jesus no Monte Calvário, o Procurador Romano Pôncio Pilatos ordenou que, por cima da cabeça do Cristo na Cruz, fossem gravadas as letras “INRI”, que é a abreviatura da frase latina: “Igne Natura Renovatur Integra”, a qual significa “a Natureza Humana é inteiramente regenerada pelo Fogo Divino”. O latim era a língua oficial do Império Romano. Porém, no contexto judaico, o Apóstolo João Evangelista (João, 19:19) assegura que se trata da expressão “Jesus Nazarenus Rex Judaeorum”, que se traduz como sendo “Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus”. Com efeito, o “fogo terrestre” representa o poder regenerador, como agente de transmutação de um estado “sólido” para um estado “plasmático”, de acordo com a classificação de Albert Einstein (estados físicos da matéria: sólido, líquido, gasoso e plasma). Isso quer dizer que a substância do “Plasma” é o estado em que se encontra no universo a maioria da matéria física. A água, por exemplo, possui em sua essência três estados: sólido (gelo), líquido (água propriamente dita) e gasoso (vapor da água). Contudo, há poucas substâncias que se encontram em estado físico denominado de “plasma”, segundo o comentário do professor Alberto Ricardo Präss (cf. “Plasma, o quarto estado da matéria” (PDF). Transcrito da Pequena Enciclopédia da Física Nuclear, de R. Gladkov. Consultado em 23/06/2009). 

Na Doutrina Espírita o “Espírito Santo” representa o “Fogo Divino” purificador e regenerador, que veio ao mundo para eliminar os pecados da humanidade e purificar o “carma” coletivo. No seu esplendor de “calor”, o Fogo é fonte de “luz”, que ilumina e resplandece nas trevas. O “Espírito Santo” é o símbolo do “Bem” e da “Verdade”, que existe em oposição às trevas que representa o “Mal” e a “Mentira”. O “Espírito Santo” invocado pelos humanos simboliza o “Estado de Consciência” atingido pela “Luz Divina” que recebe a “Iluminação”. Na essência, o “Espírito Santo” se reporta a Deus. Melhor dizer que o “Espírito Santo” representa a “Palavra de Deus”. No Evangelho segundo São João está dito: “No começo era o Espírito, e o Espírito estava junto a Deus, e o Espírito era Deus”. Do ponto de vista esotérico, a “Trindade Santa” reúne o PAI que corresponde ao “Pensamento Divino”, o FILHO que o “Verbo Divino” e o ESPÍRITO SANTO que é a “Ação Divina”. Logo, “o Ser Humano feito à imagem de Deus” é dotado de “pensamento” (intenção), de “palavra” (vontade) e de “ação” (intenção e operação). Em sua obra escrita “O Homem de Desejo”, o rosacruciano Louis-Claude de Saint-Martin, afirma acerca do simbolismo do Pai, do Filho e do Espírito Santo: “... A relação dos centros particulares com o centro universal é o ESPÍRITO SANTO; a relação do centro universal com o centro dos centros é o FILHO; e o centro dos centros é o CRIADOR. Assim, DEUS-PAI cria os seres; DEUS-FILHO comunica a vida; e DEUS-ESPÍRITO SANTO é a própria vida”. O Espírito Santo é o “Sopro Divino” que purifica, regenera, inspira e ilumina todo ser, tanto no corpo quanto na alma humana... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 02/12/2016 às 08:24

O PRESIDENTE NEGRO

José Bento Monteiro Lobato (1882-1948) autor de “estórias” como “O Sítio do Pica Pau Amarelo”, “Reinações de Narizinho”, “Zeca Tatu” e tantas outras, não era apenas um criador de fábulas. Também não se pode dizer que ele foi apenas o “precursor” da literatura infantil brasileira. Monteiro Lobato foi advogado, jornalista, editor, inventor. Em sua trajetória de vida mostrou que, além de excelente escritor, era uma pessoa inventiva, pois seu sonho na adolescência era fazer a Faculdade de Belas-Artes, mas por imposição do seu avô, o Visconde de Tremembé, proprietário da Fazenda de Buquira, ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, em 1904. Monteiro Lobato era um homem com espírito de pioneiro, aventuroso, empreendedor, dinâmico, corajoso e direto. Um homem altamente energético, que odiava a restrição e amava a liberdade. Impulsivo, satírico e impaciente. 

Criou a União Jornalística Brasileira, uma empresa destinada a redigir e distribuir notícias pelos jornais. Foi tradutor de obras da literatura universal e de artigos do “Weekly Times” para os jornais. Fundou a editora “Monteiro Lobato & Cia.” para dar espaço aos novos talentos brasileiros. Em 1927, foi Adido Comercial nos EUA, para defender os interesses culturais do Brasil, por indicação do presidente brasileiro Washington Luís. Entusiasmado com as inovações tecnológicas em terras norte-americanas, liderou o movimento nacionalista - “O petróleo é nosso” - que lhe enviou para a prisão.

Em razão de sua personalidade forte, ele fez uso da crítica para construir sua obra literária, em forma de contos e de artigos. E, embora tenha escrito um único romance, de ficção científica - “O Presidente Negro” (1926) – este livro não alcançou à mesma popularidade de suas “estórias” dedicadas às crianças. Hoje, seu livro é assustador, por vários motivos. Primeiro pelo caráter premonitório da obra. No ano de 1926, Monteiro Lobato previu a invenção de um tipo de “rádio transmissão de dados” (microcomputador) que possibilitaria o ser humano a cumprir suas tarefas da própria casa e sem a necessidade de se deslocar para o trabalho. Também previu o desaparecimento do jornal impresso (em papel) porque as notícias seriam “radiadas” diretamente para a casa das famílias, aparecendo os textos em caracteres luminosos numa tela (tipo, internet) - exatamente como acontece nos dias de hoje.

Mas, suas premonições não param por aí. Um ano antes de ser “Adido Comercial” nos EUA (1927), Monteiro Lobato começa a escrever seu único romance – “O Presidente Negro” (ou “Choque das Raças”), onde preconiza a idéia da eleição de um Presidente Negro para ocupar a Casa Branca, na época do apogeu da Ku Klux Klan (KKK), organização racista que prega a supremacia branca e o protestantismo em detrimento de outras religiões, fundada em Tennessee, em 1865, após a Guerra Civil Americana. Em curto resumo da obra, Monteiro Lobato escreve sobre um movimento político no ano de 2228, que surge da divisão da raça branca, entre homens e mulheres; de um lado o candidato do Partido Masculino (Kerlog) e do outro lado à candidata do Partido Feminino (Evelyn Astor). A feminista (Evelyn Astor) está com a vitória garantida, mas, eis que surge no cenário da disputa um líder negro (Jim Roy), que acaba eleito como o 88º Presidente dos EUA... Ora, qualquer semelhança com os fatos atuais, não é mera coincidência! O Partido Masculino tem a cara vermelha do Republicano John McCain, enquanto que o Partido Feminino tem a face azul da feminista e Democrata Hillary Clinton (esposa do ex-presidente “Bill” Clinton). O líder Barack Hussein Obama, advogado, de 47 anos, filho de um negro do Quênia com uma branca do Kansas, eleito o 44º Presidente, não deixa de ser o personagem “Jim Roy”, magnânimo, criativo, generoso, entusiasta, indulgente, pomposo e dogmático, criado por Monteiro Lobato... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 24/11/2016 às 18:06

VAQUEJADA: O NOVO ESPORTE MILIONÁRIO

Uma Ação Cível Pública, movida pelo Ministério Público e a Defensoria Pública Estadual junto à 2ª Vara da comarca de Palmeira dos Índios, impediu a realização da 25ª Vaquejada “Ulisses Miranda 2016”, a ser realizada no Agreste alagoano, nas terras de outrora consagradas como “Maracanã das Vaquejadas”. Essa alusão se deve ao fato de que há cerca de 70 anos existiu na Terra dos Xucurús o PARQUE SÃO JOSÉ (Maracanã das Vaquejadas), propriedade de José Mendes “Preto”, avô da vereadora Marta Mendes Gaia. Cresci nesta cidade frequentando a Vaquejada, também conhecida como Festa de Apartação, Pegadas de Boi ou Corrida de Mourão. Aliás, sob essa expressão “Corrida de Mourão”, os compositores Luiz Gonzaga e Fagner, em 1991, gravaram uma melodia inesquecível. Escreveu o saudoso “Gonzagão:

“Meu sertão tem Futebol, tem Samba, tem Farinhada,
Leilão, Reisado e Novena, mas nada disso me agrada;
Meu Fraco é Cavalo e Gado, Cantoria e Vaquejada!” 

Desde cedo, na cidade de Palmeira dos Índios, eu aprendi que a VAQUEJADA é uma “atividade cultural” do Nordeste, na qual dois homens (vaqueiros) a cavalo encurralam o boi na pista e têm de derrubar o animal em corrida, puxando-o pelo rabo (calda), entre duas faixas de “cal” na Arena (Pista de Vaquejada). Nunca acreditei ser um Esporte, porque este é uma “atividade física” que objetiva à competição entre adversários da mesma espécie, podendo tais modalidades ser coletivas, duplas ou individuais, mas sempre com participantes iguais em espécie, diante de desafios que promovam a saúde e a educação, visando à inclusão social. Para ser uma atividade esportiva, a modalidade tem de envolver habilidades e capacidades motoras, com regras saudáveis e preestabelecidas, na busca de uma identidade esportiva, com o incentivo e o apoio social.

Aliás, como atividade de tradição cultural, a Vaquejada tem que assegurar a “liberdade comportamental” dos animais, evitando que estes sofram desconforto, ferimento, doença, estresse, medo, ansiedade, fome ou sede. Certa vez, eu vi meu pai, pequeno fazendeiro, recusar o aluguel de boiada da sua propriedade para ser usada em pistas de vaquejada. Disse ele à minha mãe: “não aluguei o meu rebanho porque há possibilidade de maus-tratos físicos no manejo dos bois antes e depois da corrida”. Meu pai, homem do campo, conhecia a origem da Vaquejada. Dizia ele: “no passado as fazendas de pecuária não eram cercadas e o rebanho bovino dos vários fazendeiros se misturava nos pastos. Assim, era preciso realizar a “Festa da Apartação” no mês de junho, depois da estação chuvosa. Os vaqueiros se reuniam na sede de uma Fazenda para recolher os bois no pasto que se misturavam com o gado dos vizinhos. Eles amarravam, ferravam, castravam e separavam. Esse manejo da boiada exigia habilidade, força, criatividade e coragem do vaqueiro”. Esse costume perdurou até o início deste século. Em 1934, um Decreto Federal, que ainda está em vigor, definiu que “consideram-se maus tratos praticar ato de abuso ou crueldade em qualquer animal”. E a Lei de Crimes Ambientais no Brasil considera crime contra a fauna “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”.

Muitos veterinários afirmam que “a natureza cruel das vaquejadas é atestada”. Abusos ocorrem antes mesmo de o animal ser solto na Arena. Para que o bovino, manso e vagaroso, adentre a pista de corrida, o animal é confinado em um cercado e depois num labirinto, onde é atormentado, encurralado, espancado com pedaços de madeira pontiagudos, submetido a choques elétricos e a sucessivas trações de cauda, para que ele corra em disparada pela Arena, após a abertura da cancela que dá acesso à pista. A professora de medicina veterinária da USP, Irvênia Luiza de Santis Prada, revela que: “conter o boi pelo rabo é o bastante para luxar as vértebras da cauda, romper vasos e ligamentos e, em alguns casos, arrancar completamente o rabo do animal”. Ela diz que, “além da dor física, o boi que é submetido constantemente a essa prática também sofre estresse crônico”. Portanto, embora não se possa reconhecer como atividade esportiva, no sentido literal da palavra, a Vaquejada é uma tradição cultural. E como tal deve ser reconhecida, mas também há de se admitir que Cultura não é algo imutável. No Brasil, por muitos anos, aplicou-se a Escravidão contra os negros. As mulheres de cor branca não podiam votar até 1934. Mas o povo evoluiu. A realidade agora é outra. Esse argumento simplista de “Tradição Cultural” não pode prosperar, em detrimento dos vaqueiros (homens simples) e do sofrimento dos animais... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 19/11/2016 às 08:23

O UNIVERSO VISÍVEL E O AMOR VERDADEIRO

Místicos afirmam que existem 7 (sete) Universos que compõe o sistema cósmico arquitetado pelo Ser Criador. Se nós, terráqueos, temos somente 5 (cinco) sentidos, não se pode negar que em noutras galáxias deve haver seres com mais sentidos, isto porque no imenso Universo ainda há grandes espaços não preenchidos pela matéria visível, existindo só em estado “plasma”. O Universo tem vida, ele respira, expande, morre e se regenera. Este é um dos grandes mistérios do Ser Criador. Os místicos negam a Teoria Cosmológica do “Big Bang”, conhecido como a “Grande Explosão”, que resultou na formação inicial do Universo (cosmólogos usam o “Big Bang” para firmar à ideologia de que o Universo, em tempo finito do passado, estava denso e muito quente e explodiu, de modo que, desde então, tem se resfriado pela expansão ao estado diluído de sólido, líquido e gasoso. Na opinião dos místicos o “Big Bang” (a “Grande Explosão”) nunca existiu. Tudo não passa de um “Conto de Fadas”. Acredita-se que o Universo foi arquitetado e gerado pelo Ser Criador, segundo sua vontade. Para estes criacionistas, nenhum objeto poderia ter surgido do “nada”. Como poderia, falando filosoficamente, o “nada” ter se expandido e criado o Universo com uma simples “grande explosão”?

Ora, a matéria do Universo teve início com a formação de gases no espaço infinito que deu origem a uma “grande nebulosa” (gigantescas nuvens de poeira e plasma), de onde surgiram galáxias, estrelas, planetas e objetos de um Universo Visível. O Planeta Terra foi formado a partir de uma parte da massa deslocada de uma grande estrela-mãe, que agrupou todas as partículas de gases, poeira e plasma do Universo. Essa parte separada atingiu grande tamanho com sua expansão, captando outros objetos e grandes massas de rocha e minerais que circulavam errantes pelo vasto sistema. No início a captação desses objetos pela força da gravidade era constante no Cosmo e o material desses objetos eram simplesmente agrupados.

Assim, existem segredos ainda não descobertos pela ciência acerca da origem e da composição da matéria. Não sejamos ingênuos em crer que a matéria do Universo, por si só, pode gerar o “plasma da vida”, que anima os viventes de vontade e de livre arbítrio. É preciso a fusão de uma “centelha” concedida (ativada) pelo Ser Criador. Este é o sublime mistério que a ninguém, entre nós, foi revelado. O “plasma da vida” que foi implantado no Universo e gerado em nossas vidas contém a programação apropriada para sempre aperfeiçoar e evoluir. Também não sejamos inocentes em imaginar que somos os únicos seres inteligentes do Universo, nem tão pouco acreditar que o Planeta Terra seja o único no Universo a ser habitado por criaturas viventes. Isso seria um absurdo. Aliás, a cada instante, o Universo floresce de vida e de luz, em todo vasto sistema cósmico. Quanto à nossa composição física e formação metafísica, é preciso entender que o nosso corpo (matéria) não é auto-suficiente, porque existe dentro de nós uma “essência divina” (do Amor Criador) que promove a jornada da nossa evolução espiritual. Também não imaginemos que o elemento “morte” seja a única forma de “desmaterialização” da matéria corpórea, visando o deslocamento da personalidade-alma para sistemas mais avançados.

Ora, nenhum momento da história do Universo é perdido. Tudo é registrado em sistemas avançados que vão além da nossa compreensão. Sabe-se que anos 50, o frade beneditino Marcello P. Ernetti, cientista e exorcista de Veneza, entregou ao Papa Pio XII um “cronovisor” (máquina que permite capturar imagens do passado). Ele disse ao Santo Padre que, “ao lado de Enrico Fermi e Wernher von Braun teria sido capaz de ver eventos tão antigos quanto à fundação de Roma, em 753 a.C, e a destruição de Sodoma e Gomorra”. Nesse contexto é bom relembrar a passagem do mestre “Jesus de José” (Jeshua Ben Joseph) pela Terra, há mais de 2 mil anos. Foi por sua Palavra (verbo encarnado) que tivemos o saber da verdade, do caminho e da vida, sob o olhar mais amplo da humildade, da sabedoria e do amor verdadeiro. A partir do “Homem de Nazaré” tivemos a oportunidade de conhecer o milagre extraordinário do “AMOR” que constrói e se edifica em nosso templo interior, que não se desgasta, não se lança fora, não morre. O Evangelista João (I João, 3) diz que “... Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor”. Logo, todo aquele que “ama” é nascido de Deus e conhece a Deus. E o apóstolo Paulo (Romanos, 13:10) arremata: “... o Amor não faz mal ao próximo... Portanto, quem ama deseja o melhor para o próximo”... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 12/11/2016 às 05:11

O FENÔMENO DA ATRIZ QUE VIROU PRINCESA

A norte americana Grace Kelly, atriz bem sucedida, que se tornou a Princesa Grace de Mônaco, após seu casamento com Rainier III, príncipe-soberano do Condado de Mônaco (França), além de ter sido vencedora do Troféu “OSCAR” na categoria de “Melhor Atriz” e de ter sido considerada a 13ª lenda do cinema mundial pelo Instituto Americano do Cinema, também foi notável no exercício da realeza no Palácio de Monte Carlo, em Mônaco. Com o príncipe Rainier III teve três filhos: Caroline de Mônaco, Albert II e Stéphanie de Mônaco.

Em 1951, com 22 anos de idade, Grace Kelly atuou pela primeira vez em uma produção cinematográfica – “Horas Intermináveis”. Como atriz, durante seis (6) anos de carreira no Cinema, ela estrelou em 11 filmes, entre eles “Amar é sofrer”, pelo qual ganhou o “Oscar” de “Melhor Atriz” (1955) e o “Globo de Ouro” de melhor atriz em filme dramático, além de outros prêmios da Indústria Cinematográfica. Kelly é também considerada “um ícone da moda” e “a princesa mais bonita da história”. Grace Kelly ganhou também uma estrela na “calçada da fama de Hollywood”, por sua contribuição ao cinema mundial. Seu último filme – Alta Sociedade (1956) – foi indicado ao OSCAR na categoria “Melhor Canção Original”, por sua interpretação com a canção “True Love”.

Após seu casamento com Rainier III, príncipe-soberano do Condado de Mônaco, Grace Kelly abandonou sua profissão de atriz e se envolveu intensamente à vida de família. Como Princesa e aristocrata, Grace se engajou na CRUZ VERMELHA, dedicando-se à filantropia, inclusive ajudando a pessoas que desejavam seguir na carreira artística. Seus trabalhos humanitários se intensificaram após o Governo Francês de Charles De Gaulle ter especulado a possibilidade de isolar o Palácio de Monte Carlo, visando eliminar a aristocracia vivida por sua família real. A Princesa de Mônaco Grace desempenhou papel decisivo na negociação política entre o Presidente da França, Charles De Gaulle, e seu marido, Rainier III, soberano do Condado de Mônaco. Kelly foi madrinha de instituições sociais entre elas uma organização internacional criada por ela, que tinha como objetivo ajudar crianças carentes.

Quanto à sua biografia, sabe-se que a menina Grace Patrícia Grimaldi nasceu na Filadélfia (EUA), em 12/11/1929, mas tinha ascendência irlandesa e alemã, penúltima filha do casal Jack Kelly e Margaret Katherine, um campeão Olímpico de Remo e uma Treinadora Desportiva. Seu pai fez fortuna com uma empresa de construção. Por tais motivos, desde cedo, a jovem Grace demonstrou interesse pelas artes cênicas, tendo atuado em várias peças de teatro na Escola. Inicialmente, ela foi educada na Pensilvânia, onde começou a se interessar pela dramatologia e pela dança. Enquanto frequentava uma escola católica para moças ricas, Kelly participava de eventos de moda em sua cidade. Em 1947, graduou-se pela “Stevens School”. Nessa instituição cresceu o interesse pelas artes cênicas, o que fez com que ela mudasse para Nova Iorque, onde foi estudar teatro na Academia Americana de Artes Dramáticas. Quando criança, Grace já queria ser atriz e bailarina. Os tios paternos de Grace Kelly eram ligados às artes, ao teatro e ao cinema. Seu tio Walter Kelly era um ator multifuncional e ficou conhecido nacionalmente após atuar no filme “The Virginia Judge”, produzido pela MGM (1935). George Kelly, outro tio, afastado da família por sua homossexualidade, tornou-se famoso na década de 1920, como dramaturgo, roteirista e diretor, após produzir a comédia “The Show Off”.

Mulher de fortes emoções e sentimentos poderosos, altamente imaginativos, persistentes, com discernimento sutil. Morreu aos 52 anos na cidade de Monte Carlo (Mônaco), em 14/09/1982, vítima de acidente automobilístico. Em 2011, após sua morte, foi anunciada a compra dos direitos da obra “Grace – A Princesa de Mônaco” pela produtora “Stone Angels” para adaptação cinematográfica. O filme, em longa metragem, foi dirigido por Olivier Dahan. O papel da “Eterna Princesa” foi protagonizado pela atriz Nicole Kidman, cujo enredo foi fixado no período da vida de Grace Kelly entre 1961 a 1962, quando ela desempenhou ação decisiva no conflito envolvendo o Governo Francês e Principado de Mônaco. O Presidente da França, Charles De Gaulle, comentava entre seus amigos: “Grace Kelly é a Afrodite norte-americana”, associando a deusa Afrodite da mitologia grega à sua imagem: “Deusa do amor, da beleza corporal e do sexo”... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 04/11/2016 às 16:12

A FORÇA DA PRECE

A Prece sempre fez parte das tradições e das práticas religiosas no mundo inteiro, desde os primórdios da civilização até os dias de hoje. A Oração nasceu com o alvorecer dos tempos. Os místicos cristãos consideram a Prece um fenômeno absolutamente necessário à elevação espiritual da alma humana. Eles são convictos que a Oração tem o poder de atrais os influxos Divinos para a terra e de instaurar no Ser Humano a natureza de Deus, reconstruindo o Templo do Verdadeiro Amor no coração da criatura humana. Homens imortais como Zoroastro, Confúcio, Buda, Moisés e Buda, entre outros, faziam preces meditativas na busca do encontro espiritual com a Divindade Celeste. Eles perceberam, ainda cedo, que a Prece recitada com emoção e fervor tem a força de conceber graças e de transmitir sabedoria. Na Oração, simultaneamente, pode-se articular a confissão, a gratidão ou a intercessão. O Ser Humano ao recitar a Prece se coloca à disposição do Criador, com plena convicção de que é parte da natureza Divina e, como tal, pode ser ouvido por Deus e pode receber resposta d’Ele, a qualquer momento e em qualquer lugar, desde que sua alma esteja contrita e em ressonância com o Amor à Divindade. Essa experiência foi vivida por Marthe Robin (1902–1981), mística católica que viveu na França. Disse ela em confissão: “... hoje pela manhã, após a comunhão, o êxtase bruscamente me arrebatou. Senti a união mística de minha alma com Deus. Impossível descrever o que compreendi, repetir as comunicações que recebi, explicar as luzes que Deus me deu sobre Sua obra nesse momento... Ouvi em mim uma voz que me pressionou a buscar, ou melhor, a dar o Amor Divino. E essa voz era a voz do próprio Amor. Meu coração, num célere ímpeto, voou para Deus. Ele se sentiu elevado, depois despojado de tudo e finalmente entregue aos braços de Deus, onde vive sem jamais sair de já”. 

Mas, para alcançar o “arrebatamento” é preciso que a Prece seja recitada por alguém com a alma bondosa e justa. A presença de Deus no interior do ser humano depende do que se pede a Ele e das ações que praticamos em seu Nome. De acordo com Charles Mopsik (1956–2003), pensador francês que renovou o estudo da Cabala e do misticismo judaico: “A ajuda que Deus pede ao ser humano é que ele se associe à Sua obra e ore em Seu favor”. Também Angèle de Foligno (1248 –1309), mística e religiosa da Ordem Terceira de São Francisco, que viveu profundamente mergulhada na Oração, exorta a força da Prece: “orai, orai, assiduamente! Quanto mais orardes, mais sereis iluminados”. E disse mais: “Uma Oração devotada, pura, humilde, forte, profunda e assídua. E não falo somente da prece vocal; falo da prece mental, da prece que parte do coração e de todas as potências da alma reunidas”. Aliás, segundo Ralph Waldo Emerson (1803–1882), filósofo, escritor, poeta e pastor religioso estadunidense a Prece poderá ser ouvida e atendida: “Nenhum homem jamais orou sem aprender alguma coisa”. Aliás, toda prece é sempre seguida de resultado, desde que seja feita na forma e condição adequadas. Porém, não sejamos ingênuos, o atendimento às nossas preces não depende da nossa única vontade e do nosso vasto entendimento, quando esse desejo se opõe à vontade d’Ele. O direito de pedir nos cabe, mas o direito de ser atendido caberá a Deus. Por isso, John Stephen Piper (70 anos), pregador batista calvinista, adverte: “Orar com fé não significa que tudo o que pedimos acontecerá. Significa que confiamos que Deus nos escutará e ajudará da melhor forma”.

Por fim, não podemos omitir Santo Agostinho (354–430), bispo africano: “A oração é o encontro da sede de Deus e da sede do homem... Teu desejo é a tua oração; se o desejo é contínuo, também a oração é contínua. Não foi em vão que o Apóstolo disse: Orai sem cessar. Ainda que faças qualquer coisa, se desejas aquele repouso do Sábado eterno, não cesses de orar. Se não queres cessar de orar, não cesses de desejar”. Ensina-nos Chico Xavier (1910–2002): “No mínimo, a Prece nos pacifica para que encontremos por nós mesmos, a saída para a dificuldade que estejamos enfrentando”. E a escritora Clarice Lispector (1920–1977) esclarece: “Eu peço a Deus tudo o que eu quero e preciso. É o que me cabe. Eu não tenho o poder. Tenho a prece”. A Prece ilumina a mente, esquenta o coração, alimenta a fé e fortalece a esperança. Quando se Ora, a existência se fertiliza, renova-se as energias e a alma respira, expelindo uma força de equilíbrio no corpo. Neste instante, o Ser Orante sentirá harmonia e paz profunda, não restando dúvida de que a sua prece foi ouvida... Pensemos nisso! Por hoje é só.  


Publicado em 27/10/2016 às 10:33

A VERDADE DA DOR NO DIA DE FINADOS

Conheci “BUDA” aos 15 anos de idade, ao ler a obra “SIDARTA”, do poeta e romancista alemão Herman Hesse, pela Editora Record, editada em 1950. E, por falar sobre Herman Hesse é bom lembrar que ele foi um rebelde contra os poderes deste mundo, temporais e espirituais. Mas a rebelião de Hesse tem uma causa: é a paz do mundo, a externa e a interior. Sua convicção sobre o BUDISMO, não é o “Zen” Japonês, mas o Indiano – o autêntico. A vida do personagem “SIDARTA” parece com a de BUDA, onde se reconhece a doutrina da identidade de tudo que é vivo: idênticos são o pecado e a santidade, a sabedoria e a loucura e, enfim, a vida e a morte. Esta obra nasceu após Herman regressar da Índia. Seu livro/romance “SIDARTA” resultou no Prêmio Nobel de Literatura em 1946, em face de manter um interesse permanente e universal entre os leitores em todo o mundo ocidente.

A Iluminação de SIDARTA, que se fez BUDA, surgiu durante ORAÇÕES Meditativas. Sua Sabedoria ocorreu em três grandes etapas. Na primeira ele se lembrou de todas as suas encarnações passadas e teve o sentimento de que aquela vida era para ele a última. Na segunda ele compreendeu a maneira como os ciclos de reencarnações funcionam e adquiriu a certeza de que o ser humano é o desfecho de uma evolução gradual através do reino vegetal, animal e humano. Na terceira etapa ele recebeu a revelação das “Quatro Nobre Verdades”: a verdade da dor; a verdade da origem da dor; a verdade da cessação ou supressão da dor; a verdade do caminho que leva à cessação ou supressão da dor. Ora, SIDARTA GAUTAMA, conhecido como BUDA (o Iluminado), fundador do BUDISMO, viveu entre 563 a 483 antes de Cristo, na região do Himalaia (Índia). Era filho de uma família rica e teve uma vida de luxo e de poder até os 29 anos de idade. “Sidarta” desconhecia a miséria, porque sua família não permitia que ele tivesse contato com a vida fora do palácio. Mas, quando teve oportunidade de entrar em contato com a pobreza do povo e com o sofrimento humano, ele resolveu mudar radicalmente sua vida. Abandonou o palácio, deixando esposa e família, e passou a buscar explicações e soluções para o sofrimento humano. De acordo com os místicos da época, BUDA começou a ORAR e a MEDITAR até alcançar a ILUMINAÇÃO. E a partir deste momento, passou a divulgar suas experiências e seus ensinamentos. O princípio do BUDISMO é a busca pela “anulação dos desejos materiais” como meio de eliminar o “sofrimento”. Para tanto, é necessário a prática de ações e de pensamentos positivos (justos e corretos). Ele morreu aos 80 anos de idade, em Nepal (Índia).

Narram-se histórias que os “Três Reis Magos” (Belchior, Baltasar e Gaspar) que visitaram e adoraram ao menino Jesus, andavam a procura da “Reencarnação de BUDA” pelo Oriente, por isso eles eram astrólogos ou astrônomos, adeptos dos fenômenos naturais. Eles não eram “Reis”, mas sacerdotes da Religião Zoroástrica, criada na Pérsia. De acordo com a narrativa do Evangelista São Mateus, os Reis Magos viram uma Estrela e foram até a região onde nascera Jesus, o Cristo. Portanto, os Magos (sábios do Oriente) sabendo que se tratava do nascimento de um Rei, foram ao palácio do Rei Herodes em Jerusalém, na região da Judéia. Eles perguntaram a Herodes sobre o nascimento da criança. Este respondeu nada saber. Mas, o Rei Herodes alarmou-se e se sentiu ameaçado, e pediu aos “Magos” que, se o encontrassem, avisassem a ele, porque iria também adorá-lo, embora sua intenção fosse a de matá-lo.

Quanto “A Verdade da Dor”, BUDA se debruça sobre o “sofri¬men¬to” (a “Insatisfação”). Nessa primeira verdade, ele observa que não é possível ao ser huma¬no con¬quis¬tar total satis¬fa¬ção plena neste mundo e que o sofrimento é inevitável. Não é possí¬vel evi¬tar a Dor. A priori, os “sofri¬men¬tos” são internos e externos. O Sofrimento Inter¬no é aque¬le que con¬si¬de¬ra¬mos parte de nós, como a dor físi¬ca, a ansie¬da¬de, o medo, o ciúme, a sus¬pei¬ta, a raiva, etc. O Sofrimento Exter-nos é aque¬le que pare¬ce vir de fora, como o vento, a chuva, o frio, o calor, a seca, os ani¬mais selvagens, as catás¬tro¬fes natu¬rais, as guer¬ras, os cri¬mes e assim por dian¬te. O Sofrimento Interno latente é aquele que está presente nos momen¬tos mais feli¬zes: objetos se quebram, pessoas morrem, tudo enve¬lhe¬ce e se dete¬rio¬ra. O Sofrimento Interno é causa¬do por estar¬mos pre¬sos em um Mundo de Ilu¬são, constantemente mutável. No Mundo da Ilu¬são, temos pouco con¬tro¬le sobre nossa vida. Sentimos ansieda¬de, medo, insegurança, temor e impo¬tên¬cia à medi¬da que vemos tudo se transforman¬do de um dia para o outro... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 24/10/2016 às 18:03

A ESPIRITUALIDADE MAÇÔNICA

A Maçonaria é uma sociedade civil de fins fraternos e humanitários, que se fundamenta em princípios filosóficos e iniciáticos, na busca de alcançar a espiritualidade humana, que se traduz na dimensão do homem se harmonizar com o seu Deus, a quem o denomina como “O Grande Arquiteto do Universo”. Esse mesmo Deus que a maioria das Religiões o reconhece como Único, Universal, Onipotente, Onisciente e Onipresente, e que lhe dedica vários nomes, como Alá, Samsara, Adônis, Javé, Adonai... Esse é o mesmo Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, propagado pelo cristianismo.
A filosofia maçônica orienta seus filiados no sentido de que esta instituição não é uma religião, embora exija de seus adeptos a fé num Deus Único e Universal e a crença na imortalidade da alma. O seu templo não é uma igreja, mas um lugar de meditações e de debates sobre as boas obras que podem levar o homem a atingir um padrão de ética e de moral capaz de aprimorar o seu estado de Pureza interior e de aperfeiçoar o seu senso de Justiça. A Maçonaria não só crê que a natureza humana é divina e boa, como também seus postulados fazem alusão a uma força suprema no mundo.

O Sistema Maçônico, como regra de comportamento humano, não doutrina, mas orienta o homem em sua caminhada rumo ao crescimento espiritual e ao aperfeiçoamento das condutas sociais no seio da sociedade onde ele vive, permitindo o desenvolvimento de suas faculdades intelectuais e lhe possibilitando a experimentação de manifestações pessoais diante das vivências humanas. O Maçom, com sua liberdade de consciência, pratica sua espiritualidade sem qualquer influência da filosofia maçônica, mas tendo como instrução os postulados universais que regem a Maçonaria no mundo.

Aliás, a Loja (ou Oficina) Maçônica simboliza o mundo, o universo em que vivemos. É uma plataforma que permite o crescimento do maçom, o seu desenvolvimento espiritual, assim como a sua elevação ética e moral. Uma plataforma, que quando utilizada de forma correta, de coração aberto e em verdade, permite ao indivíduo aperfeiçoar-se e crescer. Em suma, torna o homem melhor e mais apto, livremente responsável, que, partilhando um desígnio com seus Irmãos Fraternos, se evolui e aperfeiçoa o meio onde se insere, esta é a missão e a dimensão da Espiritualidade Maçônica.

A Espiritualidade Maçônica consiste no reconhecimento em si da vida humana, de seu valor e de sua utilidade na Terra, a partir do uso da liberdade, da fraternidade e da igualdade inerentes ao homem, alinhados na perfeita harmonia com Deus, o Supremo Senhor da vida e da morte. Verdadeiramente, a Espiritualidade Maçônica nada mais é do que o exercício da atividade do espírito (o que não se confunde com Espiritismo, pois este é outra doutrina filosófica). A Espiritualidade Maçônica consiste em edificar um templo de virtudes no homem, de modo a tornar o mundo melhor.

O objetivo do trabalho maçônico é ser uma escola de homens livres e de bons costumes, capazes de se tornar um exemplo de caráter e retidão na comunidade conde vive, desbastando a pedra a bruta das imperfeições humanas, aperfeiçoando-se na plenitude de suas ações e atitudes, contribuindo para deixar o mundo um paraíso melhor do que aquele quer herdamos. Um mundo que seja um primado da Razão e da Filosofia, da bondade Moral, da Ética e da Justiça Social.

Ora, na prática, fala-se de Espiritualidade como parte da vida psíquica, fruto da inteligência humana, que nos parece mais elevada: aquela que nos confronta com Deus ou com o Ser Absoluto, com o infinito ou com o todo, com o sentido da vida ou a falta dele, com o tempo ou com a eternidade, com a oração ou com o mistério. O Espírito, no conceito maçônico, é a energia que dá vida à matéria (corpo), visto que o homem é resultado de um composto: corpo, espírito e alma (sendo esta última à essência do espírito, que se assemelha ao Deus, seu Criador). Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 14/10/2016 às 20:18

Do Contrato Social ao Prêmio Nobel de Economia

O filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), se ainda fosse vivo, deveria ter sido o premiado na Suíça pelos membros da Real Academia de Ciências, no início deste mês, pela excelente contribuição dada à humanidade ao lançar sua obra clássica – DO CONTRATO SOCIAL (abril de 1762). Mas como isso não foi possível, a Fundação Alfred Nobel homenageou dois dos seus inúmeros discípulos, Oliver Hart, de 68 anos de idade, professor britânico de economia da Universidade de Harvard, e Bengt Holmström, de 67 anos, professor finlandês de economia e administração do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que venceram o Prêmio Nobel de Economia - 2016, com a divulgação de “ferramentas teóricas e valiosas acerca da compreensão dos contratos sociais e das múltiplas aplicações em diversos contextos das instituições da vida real”, de acordo com a decisão dos membros da Real Academia de Ciências.

O trabalho de Oliver Hart tem ajudado a entender quais companhias devem se fundir, além do equilíbrio correto de financiamentos e quando instituições, como escolas de economia, devem ser privadas ou públicas. Já o trabalho de Bengt Holmström tem contribuído para formular contratos para executivos, conforme a Academia Sueca em comunicado oficial no dia 10 de outubro. Porém, para melhor entender esse notável acontecido na Suíça no início deste mês, é oportuno que nos reportemos à obra - “Do Contrato Social” - do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) que, como pensador do Iluminismo na Revolução Francesa, afirmou que as ciências e as artes servem para tornar o homem sociável e para fazê-los amar a escravidão. Mas, ele também admite que “mesmo com os esforços para estudar os homens, nos distanciamos de conhecê-lo”.

Desde 1762 até hoje, as idéias de Jacques Rousseau possuem utilidade na vida contemporânea, porque ele foi um educador teórico voltado à boa Educação e ao fortalecimento das Instituições Públicas, porque para ele essas idéias precisavam ser mais bem trabalhadas. Em sua opinião, as Instituições Educativas e Políticas corrompem o homem e tiram-lhe a liberdade. Em outra obra - “Educar para Crescer”, ele crer que “para a criação de um novo homem e de uma nova sociedade, seria preciso educar a criança de acordo com a Natureza, desenvolvendo progressivamente seus sentidos e a sua razão com vistas à liberdade e à capacidade de julgar”.

No seu livro, “Do Contrato Social”, Rousseau mostra qual é o objetivo da Ordem Social. Para ele, a “ordem social” não vem do direito natural, nem da força física, mas de uma convenção, de um pacto social. Em sua concepção, o homem perdeu a liberdade original e que a Ordem Social é um direito sagrado que não existe na natureza, mas funda-se em Convenções. E ele cita a Família como a mais antiga das sociedades humanas, onde o Pai tem cuidado com os filhos e por isso sente Amor. Mas, no caso do Estado (contrariando os que dizem - “alguns nascem para governar, outros para ser governados”), Rousseau é incisivo: “o governante não ama o povo, mas tem prazer em governar”. Em sua lógica, ele condena a desigualdade social, que surge com a Força para, depois, ser transformada em Direito. Diz ainda que “somos obrigados a obedecer às potências legítimas”, porque o estado de guerra não nasce das relações pessoais, mas das relações das coisas. Por isso, “a guerra é uma relação entre os Estados e não uma relação entre os Homens”, daí surge o Direito de Conquista, que nasce da lei do mais forte. E numa relação entre um Soberano e seu Povo, ele assegura que sendo um o Senhor e o outro o Escravo, só existe uma lógica: “o interesse de um só homem será sempre o interesse privado”.

No “Contrato Social” os bens são protegidos e a pessoa, unindo-se às outras obedecem a si mesmo, conservando a liberdade e a autonomia. No pacto social “cada um de nós coloca sua pessoa e sua potência sob a direção suprema da Vontade Geral”. E diz mais: “as leis são úteis àqueles que possuem, e prejudicam os que nada têm, onde o Estado existe para o bem comum, e a vontade geral deve dirigi-lo para esse fim”. A Vontade Geral é um ato de soberania, atende ao povo, por isso é lei. Esse é o princípio que devia ser obedecido, mas nem sempre é assim. Aliás, o soberano (Rei ou Estado) não pode ter uma opinião contrária a todos, mas o indivíduo pode. Diz Rousseau, no Contrato Social os compromissos do corpo social são mútuos. Trabalhando para os outros, trabalha-se para si. O indivíduo tem sua vontade particular, mas existe a vontade geral. Cada homem é legislador e sujeito, obedecendo às leis que lhe são favoráveis. O Tratado (ou Pacto) Social tem por finalidade conservar os contratantes”. Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 10/10/2016 às 22:07

SALOMÃO, O MAIS SÁBIO DOS HOMENS

SALOMÃO, filho do Rei David, foi mais sábio e notável que seu pai. Não traiu, não praticou adultero, não foi desonesto, não rompeu sua aliança com Deus - o Criador dos Homens e o Grande Arquiteto do Universo. SALOMÃO, embora filho bastardo do Rei David, que foi gerado de uma relação adúltera do seu genitor com a mulher do general Urias, este enviado por Sua Majestade para o campo de batalha onde foi morto em combate, revelou-se o homem mais fascinante e importante entre os homens hebreus. Creditam-se ao Rei Salomão, filho de David, uma coleção de poesias, preces, cânticos e hinos, inspirados pelo Espírito Santo de Deus, destinados a ser lidos e cantados no culto do Templo de Jerusalém. Também se credita a Salomão os textos mais sábios de meditação e de louvor da antiga história de Israel, contidos no Antigo Testamento, os quais foram utilizados pelos profetas, por Jesus Cristo e pelos apóstolos. Diz-se que os SALMOS BÍBLICOS (cânticos e orações pronunciadas pelo povo israelita em louvor e em lamentação a Deus), em sua grande maioria são criações do Rei Salomão, em cujos textos se celebram as obras maravilhosas de Deus na criação do Universo e do Ser Humano, como, imagem e semelhança do Ser Criador. De acordo com o doutor angélico, Santo Agostinho, “nos Salmos fala a Igreja em Cristo e fala Cristo na Igreja”.

Os Salmos editados pelo Rei Salomão propõe um cântico novo da pessoa humana diante das opções terrenas do Bem e do Mal, da Felicidade e da Ruína. É fruto da Sabedoria do Rei Salomão a verdade sobre “os dois caminhos”: “é feliz quem não segue o conselho dos maus, não se detém no caminho dos pecadores, nem toma parte nas reuniões dos zombadores, mas na lei de Javé (Deus) encontra sua alegria e nela medita dia e noite”. Além do “Livro dos Salmos”, onde o Rei Salomão enaltece a confiança do justo e da confiança em Deus diante das atribulações e dos perigos na vida, também se atribui a ele o “Livro dos Provérbios” (verdadeira antologia da sabedoria do povo de Israel), em cuja coleção de citações, máximas e sentenças, que já se encontravam na boca de todos os israelitas, como sendo um patrimônio do pensamento popular, tendo como fonte primária o próprio povo. Nessa obra (de forma literária do tipo sapiencial) inserida no Antigo Testamento, Salomão reúne todos os ensinamentos dos sábios de Israel, acumulados pela tradição oral e pedagógica como lições de vida espiritual. Os “Provérbios” possuem duas partes distintas: as “antiéticas”, quando uma citação se opõe a outra (exemplo: “o salário do justo serve para a vida, o ganho do ímpio é para o pecado” (Prov. 10:16), e as “paralelas”, quando a segunda citação repete o pensamento da primeira (exemplo: “com a bondade e a fidelidade se expia a culpa, e com o temor (ou amor) de Javé se evita o mal” (Prov. 16:6). O “Livro dos Provérbios”, como ensinamento de vida pura e perfeita, atesta a grande importância dos hebreus pela Sabedoria, que se resume em um conjunto de virtudes morais que tem como fundamento o Amor de Deus, respaldado pela obediência, pela disciplina, pela prudência, pela tolerância e pela humildade. O “Livro dos Provérbios” é uma fonte inesgotável de experiência humana, como caminho da felicidade e meta a ser atingida pelos seres humanos.

Porém, não fica apenas aqui a contribuição do Rei Salomão aos povos e as nações da terra. Também, deve-se ele a obra “Livro de Eclesiastes”, que entre outras lições de vida e de relação fiel com Deus, revela o conceito de “vaidade”, entendida como incapacidade do homem de conhecer os recônditos desígnios de Deus. Em “Eclesiastes”, o Rei Salomão reflete sobre o que ele absolveu no mundo e nos homens, fazendo uso do seu método de reflexão e de sua experiência humana, como Rei e como Servo de Deus. No “Livro de Eclesiastes” destacam-se três idéias básicas: em uma análise racional da vida não se consegue achar nela um sentido verdadeiro, porque tudo é vaidade; pois Deus determina tudo o que acontece; isto porque o homem não consegue entender o que Deus estabeleceu, nem conhece o agir de Deus no mundo. Nessa obra, explicitam-se as reflexões sobre a brevidade da vida, sobre a inutilidade do cansaço, sobre a falência das relações humanas. Mas reconhece que “é preciso gozar da vida e dos bens deste mundo, porque são o único fruto que o ser humano retira de seus trabalhos”. Como adverte que “o gozo da vida também é dom de Deus”, portanto, “o ser humano deve prestar contas a Deus de seus atos e do uso que faz dos bens materiais, que não são duráveis”... Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 29/09/2016 às 16:53

Eleições no dia de Mahatma Gandhi

A princípio, eu queria escrever sobre as Eleições Municipais de 2016. Porém, não encontrei empolgação para esse momento. Mudaram-se apenas os nomes, os titulares dos cargos e das cadeiras na Prefeitura e na Câmara de Vereadores, mas os problemas continuam os mesmo, sem soluções. Sendo assim, aproveito a data de 02 de Outubro para comemorar o 122º aniversário do nascimento do líder pacifista indiano e “pai da nação indiana”, Mahatma Gandhi, reconhecido como “A Grande Alma”, que morreu assassinado por extremista indu com três tiros desferidos à traição, aos 78 anos de idade, mas que deixou um legado de homem honesto, corajoso, humilde e piedoso. Em sua opinião, costumava afirmar para seus admiradores e aliados que “O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente”.

Mohandas Gandhi, mais conhecido por Mahatma Gandhi, foi um dos idealizadores e fundadores do moderno estado indiano, livre do imperialismo inglês, e um influente defensor do princípio da não-agressão (Satyagraha), forma não-violenta de protesto, como um meio de revolução pacifista. Foi ele quem ajudou a Índia a se libertar do governo colonialista britânico, inspirando outros povos a protestar por suas próprias independências e, em última análise, para o desmantelamento do Império Britânico e o surgimento da Comunidade Britânica. Aliás, o princípio indiano do “satyagraha” aplicado por Gandhi que pode ser traduzido como “o caminho da verdade” ou “a busca da verdade”, também inspirou gerações de ativistas democráticos e anti-racistas do mundo inteiro, a exemplo de Martin Luther King nos EUA, de Nelson Mandela na África do Sul, de Agostinho Neto em Angola, entre outros.

Neste momento que se realizam as eleições mais depressivas (que causa depressão) na história contemporânea do Brasil, por conta da corrupção, da imoralidade, da mentira e da insensatez na classe política, torna-se oportuno recordar a figura do líder político e espiritual da Índia Mahatma Gandhi que, em seus pronunciamentos, enumerava sete (7) razões para a Decadência da Sociedade Humana. Dizia o Mestre da Nação Indiana que não se pode aceitar Riqueza sem Trabalho, Prazer sem Sacrifício, Conhecimento sem Sabedoria, Comércio sem Moral, Política sem Idealismo, Religião sem Ética e Ciência sem Humanismo.

Em seus encontros políticos de natureza pacifista, Gandhi pregava suas reflexões:
– “Uma coisa lançou profundas raízes em mim: a convicção de que a moral é o fundamento das coisas, e a verdade, substância de qualquer moral. A verdade tornou-se meu único objetivo. Ganhou importância a cada dia. E também a minha definição dela foi constantemente ampliando-se”.
– “Minha devoção à verdade empurrou-me para a política; e posso dizer, sem a mínima hesitação, e também com toda a humildade que não entendem nada de religião aqueles que afirmam que ela nada tem a ver com a política”.
– “O erro não se torna verdade por se fundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo a verdade não se torna erro pelo fato de ninguém a ver”.
– “Odeio o privilégio e o monopólio. Para mim, tudo o que não pode ser dividido com as multidões é tabu”.

Por fim, finalizo esta crônica, saudando o dia 2 de Outubro como um dia muito especial, não pelas Eleições Municipais que se realizam, porque elas não me trazem nenhum gozo e nenhuma esperança, pois, há muito tempo, penso como o jogador Bernardo – “No Brasil existe dois tipos de políticos: os corruptos declarados e os declarados corruptos”. Também comungo do pensamento do saudoso Winston Churchill “a diferença entre um estadista e um demagogo é que este decide pensando nas próximas eleições, enquanto aquele decide pensando nas próximas gerações”. Porém, encanto-me com dia 02 de Outubro porque nessa data, há 122 anos, nasceu um homem íntegro e humilde que reconheceu que a ALMA SEM ORAÇÃO É IMPURA: “A oração salvou-me a vida. Sem a oração teria ficado muito tempo sem fé. Ela salvou-me do desespero. Com o tempo, a minha fé aumentou e a necessidade de orar tornou-se mais irresistível. A minha paz muitas vezes causa inveja. Ela vem-me da oração. Eu sou um homem de oração. Como o corpo, se não for lavado fica sujo, assim a alma sem oração se torna impura”. Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 16/09/2016 às 08:49

CHICO XAVIER, UM ESPÍRITO DE LUZ

A assertiva acima de que Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) é um “espírito de luz” não é uma redundância ou um pleonasmo (uma “figura de linguagem” ou um “vício de linguagem”). “Um espírito de luz” (ou seja, um ser do bem) é proposital no contexto desta crônica, porque também existe a expressão “espírito das trevas”, enfatizando um ser espiritual do mal, demoníaco, maligno. Na língua havaiana, o significado do nome “Manaolana” (Mallory) quer dizer “Mulher com espírito de luz”. O conceito espiritualista do termo “Espírito de Luz” se define como um “espírito evoluído” ou “espírito do bem”, que atua no espaço físico e psíquico ajudando a evolução de “espíritos inferiores”, ou seja, espíritos em fase de evolução, de progresso e de crescimento. Segundo os espiritualistas os “Espíritos de Luz” são similares aos “anjos”, puros e benéficos. Mas, aqui fica a advertência do Mestre dos Mestres, Jesus Cristo, que orientando seus discípulos ponderou: “Ainda que falasse a língua dos anjos, sem amor no coração, de nada valeria”.

Mas, o que será o “Espírito”. Na teoria de Platão (428-348 a.C.), que foi discípulo do filósofo Sócrates, o homem é possuidor de Corpo (matéria), de Espírito (energia que carrega as emoções, os pensamentos, os sentimentos) e de Alma (a essência do espírito), substância invisível, imaterial e supra-terrena. Enquanto o corpo modifica-se e envelhece, o espírito se transforma em novas energias e a alma, imutável e eterna, é divina. Esse campo de força ou de energia (espírito) pode ser impregnado de forma positiva ou negativa, de acordo com a qualidade das emoções, dos pensamentos e dos sentimentos. No “Mito do Cocheiro”, em diálogo com “Fedro”, Platão faz uma alegoria: “O corpo humano é a carruagem, eu, o homem que a conduz, os pensamentos as rédeas, os sentimentos são os cavalos”. Platão compara a alma a uma carruagem puxada por dois cavalos, um branco (irascível) e um negro (concupiscível). O corpo humano é a carruagem (espécie de Veículo), e o cocheiro (a Razão) que conduz através das rédeas (pensamentos) os cavalos (sentimentos). Isso quer nos ensina que cabe ao homem, através dos seus pensamentos, saber conduzir seus sentimentos, porque somente assim ele poderá se guiar no caminho do bem, com o espírito da verdade. Aliás, já dizia Sócrates, Mestre de Platão, que todo vicio é ignorância e que não há nada mais deprimente do que uma pessoa que age por impulsos e é dominada por paixões e por prazeres. Possuir autocontrole desses sentimentos é essencial para sermos felizes, visto que a felicidade só pode ser alcançada se formos capazes de dominar (moderar) nossos pensamentos e sentimentos pela razão. E no Novo Testamento, São Paulo (I Carta aos Tessalonicenses) faz distinção entre corpo, alma e espírito quando diz: “Que o próprio Deus da paz vos santifique inteiramente, e que todo o vosso ser - o espírito, alma e o corpo - seja guardado irrepreensível para a vinda do Senhor Jesus Cristo!” (5,23).

Na noite de domingo (30/06/2002), às 19h30, em Uberaba (MG), o coração de Chico Xavier parou de bater. Ele acabava de se deitar na sua cama estreita em seu quarto singelo de dormir, após ter rezado pela última vez. Ele partiu como queria, sem dor e sem sofrimento. Ninguém chorou sua morte porque, ao longo dos seus 92 anos, ela já havia “consolado” a todos com palavras de conforto. Em vida, ao se referir à morte, ele disse: “Morre um capim, nasce outro”. E quando questionado sobre a quantidade das suas obras (412 livros), com tiragem de 25 milhões de exemplares, Chico Xavier respondeu: “Os livros não me pertencem. Eu não escrevi livro nenhum. ‘Eles’ escreveram”. Naquele dia, Chico Xavier se referia aos “Espíritos” de Emmanuel e de André Luiz, aos quais o “Médium” atribuía a autoria das suas obras psicografadas e que lhe guiaram em vida. Alguns livros psicografados atribuídos a André Luiz foram adaptados para o teatro, a televisão e o cinema, notoriamente a obra “Best-seller” – Nosso Lar – como um filme de sucesso lançado no Brasil no ano de 2010.

Esse homem, Chico Xavier, que foi mulato e menino pobre em Pedro Leopoldo, cidade de Minas Gerais, filho de pais analfabetos, transformou-se em mito. Foi idolatrado, venerado, atacado e perseguido como um ídolo popular. Era um homem simples, humilde, amoroso e caridoso, possuidor de um bom coração e de bons sentimentos, que na vida praticou boas ações, servindo e amando o próximo... Pensemos nisso! Por hoje é só.

Chico Xavier , foi um médium, filantropo e um dos mais importantes expoentes do Espiritismo. Wikipédia
Nascimento: 2 de abril de 1910, Pedro Leopoldo, Minas Gerais
Falecimento: 30 de junho de 2002, Uberaba, Minas Gerais 


Publicado em 08/09/2016 às 12:15

As duas Faces da Maçonaria

A Maçonaria nasceu com o homem. No entanto, ela é uma criação mais simples e menos complexa do que o homem. Afinal ela existe para servir o homem e a humanidade. Sua origem se perde no tempo, mas sua finalidade filosófica se mantém estática por vários séculos. Desde sua criação até os dias de hoje, ela vem se moldando a história humana no Mundo e no Brasil. Nas independências e nas proclamações de países e de nações ela se fez e ainda se faz presente. Em todo episódio humano surpreendente e marcante, como em qualquer tempo e em qualquer solo terrestre, vê-se e ouve-se falar sobre a presença do “espírito maçônico” personificado em atos e atitudes de homens notáveis. As duas faces da Maçonaria se molduram no perfil da “Maçonaria Operativa” e da “Maçonaria Especulativa”. Os “maçons operativos” foram os construtores medievais das pontes, das catedrais e dos grandes monumentos, que se associavam em “guildas” para melhor defender os seus interesses classistas e estavam estreitamente ligadas ao sistema religioso da época. As primeiras “guildas” foram despertadas na Inglaterra ao final do século IX e início do século X. Os “maçons especulativos” eram homem livres, com uma nova mentalidade social que começaram a ocupar o espaço vago deixado pelos maçons operativos, que se desestruturavam, a partir do século XVI. Esses “Maçons Especulativos” empunharam a bandeira de uma nova fraternidade, não mais alicerçada exclusivamente em rígidos padrões religiosos, mas livremente nascida da compreensão, da tolerância e da solidariedade humana.

A diferença entre as duas faces da Maçonaria não se resume na assertiva de que o Maçom Especulativo é o Maçom Operativo que deixou de trabalhar como pedreiro e construtor e aprimorou o seu “espírito maçônico”. Não! Foram as Lojas Operativas que se transformaram em Lojas Especulativas pela substituição gradual dos seus membros, que faziam obras materiais, por membros especulativos, que adotaram o uso da reflexão, da imitação e da experiência como meio de ganhar sabedoria, sem desprezar o conhecimento acumulado das gerações passadas. Por isso, o rápido crescimento da Maçonaria Especulativa no século XVIII demonstra que ela tinha propósitos definidos. Ser “maçom especulativo” significa ser observador e crítico para perceber os princípios morais subjacentes aos símbolos e aplicá-los na construção de relacionamentos humanos confiáveis e leais, na busca da construção de uma harmoniosa e perfeita fraternidade entre os homens.

Mas, não se pode esquecer que, mesmo sendo Maçom Especulativo, ele não possa também ser um “construtor de obras materiais” como o eram os mestres Maçons Operativos do passado. Tanto um quanto o outro, essencialmente, são altruístas e filantrópicos.

E o que é o espírito maçônico? É o sentimento que tem por fim o despertar do homem, libertando-o do sonho da ignorância e reorientá-lo no cumprimento do dever de ser útil aos semelhantes. Preferindo ter “a garganta cortada”, “o coração arrancado” ou “o corpo divido ao meio”, antes de trair a confiança dos irmãos, dos companheiros e dos seus mestres, mantendo-se incólume no juramento de ser um homem justo e de bons costumes, que entrega à sua vida a serviço da humanidade, sem exibicionismo ou vaidade. Esse Espírito Maçônico ensina aos seus adeptos, um comportamento que não se encontra em nenhum outro grupo social. E se esse espírito maçônico não for absorvido, não será este homem um Maçom perfeito. Com esse espírito, o alferes Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), o grande mártir da Independência do Brasil, marchou para a forca com a serenidade dos que fazem a coisa certa e no tempo certo, sem se importar com a grandeza da sua atitude, mas com o desejo apenas de servir. O Arauto da liberdade brasileira conheceu a história da Declaração de Independência dos EUA assinada pelo maçom George Washington e reuniu em Minas Gerais um grupo de inconfidentes dispostos a romper os laços da exploração e da tirania portuguesa no Brasil. Com seus irmãos mineiros, Tiradentes repetiu a façanha corajosa em Ouro Preto que resultou na Independência do Brasil, mesmo sacrificando sua vida humana. O sacrifício de Tiradentes serviu de exemplo a outro maçom, Simon Bolivar, e aos seus companheiros que estremeceram o chão das colônias espanholas na América do Sul, proclamando o fim da submissão ao trono espanhol... Pensemos nisso! Por hoje é só.

(*) Frater Rosacruz, Grau 12º - Mestre Instalado, Grau 33º
 


Publicado em 31/08/2016 às 16:40

MUTAÇÕES NA NOVA MULHER

Uma dama (“socialite”) da sociedade alagoana, ao completar 70 anos de idade, escreveu uma crônica (Camas Separadas), onde confessa que “de uns tempos para cá vem pensando, seriamente, em trocar a cama de casal, por duas de “solteirão”. [...] “As razões são mais óbvias que nariz na cara. Estamos envelhecendo, eu e o marido. Diante de tal conjuntura, passamos a admitir, administrando “numa boa” nossas diferenças, senão vejamos: Adoro o frio. Quase não me cubro à noite, ar condicionado gelado. Ele, por sua vez, se enrosca no “edredom” deixando apenas o nariz de fora. Legítimo sertanejo. Ele já foi capaz de dormir numa rede da varanda sobre a qual os raios do sol incidiam. Nem o calorão do meio dia ou a claridade excessiva conseguiu perturbá-lo. Só de olhar, transpirei, aflita. Mas permanecemos, por 40 anos, discretamente resignados enfrentando essa diferença. [...] Necessário se torna salientar que, via de regra eu o empurro na cama durante a noite, na inconsciência do sono profundo, até deixá-lo distante, e me espalhar. Dia desses, ele caiu no chão. Ouvi o baque e senti a enormidade do meu egoísmo. Resolvi falar conciliando propósitos e objetividade. Comecei a praticar a novidade no apartamento em Maceió. Dois quartos com cama de casal. [...] Num deles passei a dormir sozinha, com toda potência do ar condicionado. Num outro, ao lado poente, ele, com aparelho de ar desligado. Verdadeiro micro-ondas. Quando ouvi o ator Marcelo Antony, interpretando o personagem Cássio, em Beleza Tropical, dizer à namorada, após uma boa transa, que ela fosse dormir no quarto ao lado: “porque ele gostava de dormir esparramado!”, aproveitei a deixa. Adotei a fórmula [...] Dormem bem, os dois [...] nada nos impede, no entanto, de marcarmos presença, vez por outra [...] Trata-se de uma porretada na rotina. Uma visitinha à noite, intempestivamente, possibilita o reencontro com a novidade...”

Quando li a crônica, discordei. Transcrevo opiniões de duas mulheres conhecedoras da natureza humana. A jornalista e escritora MARINA COLASANTI (79 anos), que comenta no livro “A Nova Mulher” (Rio de Janeiro, 1980): “... a solidão a dois é talvez mais terrível, porque inconfessada. Dizer que se está só equivale a dizer ao outro que ele não existe. É a rejeição total do outro. A rejeição e a perda. E quem está só, mesmo a dois, não tem condição de perder mais nada, nem mesmo aquilo que, na verdade, não tem. O casal não se entende; o casal vive apartado embora dormindo numa grande cama de casal; o casal se encontra apenas fortuitamente em campo neutro, terreno das fertilidades. Os amigos do casal comentam: por que não se separaram? E eles mesmos... vezes sem conta se perguntam: por que não me separo? [...] ... Um dia, ele foi embora. Acabou. A grande paixão saiu da sua vida. Ditas as últimas palavras, esgotadas todas as possibilidades de reconciliação, aí está você, sozinha. E sozinha se debrue que ele não vai telefonar. Não vai aparecer. Perdido o ponto principal de referência, você se sente desnorteada, sem saber com quem viver, conviver, retomar fatos e palavras, contar coisas, ouvir coisas. Sem essa paixão ao redor da qual tudo tinha estruturado. Você acorda de manhã e pensa: Meu Deus, pra que eu fui acordar?” Porém, há de entender que “... os casais imaturos não dialogam, disputam. Mesmo se a aparência é de diálogo, mesmo se ninguém grita com ninguém, mesmo se parecem muito sensatos, estão na verdade de tocaia, um querendo puxar o pé do outro, um querendo demonstrar que o outro quebrou o vaso de flores, começou primeiro, está errado, enfim, não tem razão. O casal imaturo não quer chegar às causas, quer consertar os efeitos. Não está preocupado com o futuro, está ligado somente no presente. E é típica do casal imaturo a preocupação centrada em livrar a própria cara, uma vez de cuidar do sucesso da relação...”

Por outro lado, a atriz e escritora LIV ULLMANN (com 78 anos), no seu livro “Mutações” (Rio de Janeiro, 1978), sentencia: “... nenhum relacionamento entre as pessoas é perfeito. Não há violinos tocando, quando alguém que eu amo me beija. O “happy end” de Hollywood é um produto fabricado, que jamais encontra equivalente na vida real. Um mundo de sonho que é perigoso, porque incita as pessoas a procurarem sempre novidades. Acreditando que, daquela vez, encontraram “a pessoa certa”. [...] ‘O que é o amor?’ Será amor o que eu tenho? [...] A ternura entre os dois – o fato de terem um ao outro agora. Com uma felicidade simples. Isso é amor. O tipo de amor de que são capazes. O resto é fantasia...”. Pensemos nisso! Por hoje é só.
 


Publicado em 24/08/2016 às 20:02

Agosto, mês do desgosto

Desce criança ouço estórias e histórias sobre o mês de agosto. Mês do cachorro louco e de coisas afins. De há muito, ouço o conselho dos mais velhos: “meu filho, numa sexta feira 13, nunca passe debaixo de uma escada, na qual um gato preto está deitado”. E sempre acatei tal pedido, visto que é arriscado passar por baixo de uma escada, em qualquer lugar ou dia do ano. Porém, quanto ao “gato preto” debaixo da escada ou em qualquer lugar, eu os deixo prá lá. Afinal, não tenho nenhuma paixão por gatos, pretos, brancos, cinzas, amarelos, ou de qualquer cor. Existem outros animais que me agradam mais. Afinal, tudo é uma questão de afinidade. Nada tenho contra os “gatos”, desde que eles não me ataquem...

Quanto ao mês de Agosto eu tenho restrições. É um mês fatídico, emblemático, misterioso, pois sua origem é conflituosa. O mês de Julho, que possui 31 dias, ingressou em nosso calendário no sétimo mês do ano como sendo “Julius”, em substituição ao antigo mês quintilis, por ato de homenagem do cônsul Marcos Antônio ao rei Júlio César, por volta de 45 anos a. C. A homenagem imposta pelo Senado Romano em louvor ao seu rei (que não é o nosso rei) resultou na tragédia do ano seguinte, quando Sua Majestade, rei JÚLIO CÉSAR, foi assassinado a golpes de punhais e adagas por BRUTUS, seu leal amigo, liderando seus opositores.

Ora, Augusto César, o primeiro dos imperadores romanos, depois da morte do rei Júlio César, que antes fora comandante-chefe do exército romano e conquistador de novas terras, por pura vaidade e abuso de poder, resolveu se autopromover e exigiu que o Senado Romano alterasse o calendário para substituir o mês sextilis, depois do mês de julho, para incluir o mês de augustus, exigindo que este mês tivesse 31 dias, igual ao mês de julho, data dedicada ao Rei Júlio César. E, para tanto, Augusto César mandou retirar um dia do mês de fevereiro. Tudo isso aconteceu por volta de 24 anos a.C. Desde sua origem, Agosto é um mês que usurpa datas comemorativas, que impõe sua vontade, que inibe os outros meses, que causa danos e desgostos à natureza e aos homens. É o mês que mais possui mais comemorações. É em Agosto que se comemora o folclore (a arte que “estuda a cultura social e mental do povo desde que distinto da procedência técnica. Não é a forma do arado que chama a atenção do folclorista, mas os “ritos” praticados pelo lavrador quando o faz penetrar no solo; não é a manufatura da rede ou do arpão, mas os “tabus” observados pelo pescador quando está no mar", segundo o livro Handbook, da Folklore Society, de Londres, publicado em 1913). É o mês das lendas, das superstições, das danças e dos cânticos populares. Foi no dia 24 de agosto de 1572 que a rainha Catarina de Medici ordenou o massacre de São Bartolomeu, que ceifou milhares de vidas humanas.

Por sinal, no Brasil, o dia 24 de agosto é o dia dos “Exus” (espíritos do mal) nos candomblés. Agosto é um mês marcado por tragédias. O mês do azar e do desgosto. Em agosto sempre acontecem episódios trágicos. No Brasil, agosto é considerado o mês do azar em decorrência do suicídio do presidente Getúlio Vargas, ocorrido no dia 24 (ano de 1954). É o mês do desmancha-prazeres. Foi no dia 22 de agosto de 1981 que partiu para a eternidade o compositor Raul Seixas, que cantava: “... a civilização se tornou tão complicada, que ficou tão frágil feito um computador, que se uma criança descobrir o calcanhar de aquílis... com um só palito pára o motor...” Também foi no mês de agosto que o dono da Rede de Televisão SBT, Sílvio Santos, ousou dizer, em brincadeira, que iria morrer, mas Roberto Marinho, aos 98 anos, presidente das Organizações Globo, morreu em primeiro lugar no dia 6 de agosto de 2003.

Ora, segundo a numerologia, o número 8 (oito) do mês de agosto, significa “tenacidade”, “coisas do mundo”. É um número prático e pertence às pessoas sucedidas que se dão bem no mundo dos negócios. Tem muito haver com as coisas materiais (em oposição às espirituais). São pessoas que trabalham duro, desenvolvendo autoconfiança, ambição, poder e habilidades humanas. Mas, aqui, ocorre, uma reflexão: nunca deve se deixar atrair de maneira obsessiva pelo poder e pelo dinheiro que estes possam proporcionar ao homem, pois, o ser humano corre o risco de tornar-se materialista, voltar-se apenas para o acúmulo de bens, tornando-se um ser intolerante, arrogante e radical. As coisas do mundo torna o homem insatisfeito e depressivo...

Assim sendo, nos países latinos, Agosto é o mês do desgosto, das desgraças e das infelicidades. Na opinião do folclorista pernambucano Pereira da Costa: "agosto é um mês aziago, é um mês de desgostos; e é de mau agouro para casamentos, mudanças de casa e empreendimentos de qualquer negócio de importância" (Folclore Pernambucano, p.116). Para Pereira da Costa: "O diabo aparece furtivamente, iludindo a vigilância dos arcanjos, que o trazem sob as suas vistas, armados de flamejantes espadas; mas, no dia de São Bartolomeu, a 24 de agosto, o diabo solta-se licenciadamente do inferno, e fica em plena liberdade. Por isso é prudente a gente prevenir-se para não cair nas suas ciladas (...)”.

Finalmente, foi no dia 13 (sexta-feira) de agosto de 1987 que eu e minha mulher (ela, dormia no carro, grávida de sete (7) meses, sem cinto de segurança), capotamos e caímos de uma ponte em uma rodovia de Pernambuco... Minha filha nasceu no mês seguinte... Eu, minha esposa e milha filha estamos todos vivos... Mas, essa é outra história! Pensemos nisso! Por hoje é só.

 


Publicado em 18/08/2016 às 13:07

ANALFABETO PODE SER SENADOR

A Constituição Federal dispõe que compete ao Senado Federal, privativamente, “processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos Crimes de Responsabilidade”, mas também determina que ao Supremo Tribunal Federal “cabe-lhe processar e julgar, originariamente, o Presidente e o Vice-Presidente da República nas infrações penais comuns”. Logo, as atribuições do Senado Federal e do STF são distintas quanto ao julgamento de crimes praticados pelas maiores Autoridades Políticas do país. É assim que prescrevem os artigos 52 e 102 da Carta Magna. Por outro lado, a Constituição Federal assegura que “são Crimes de Responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra o Livre Exercício do Poder Legislativo, a Probidade na Administração Pública e a Lei Orçamentária da União” (art. 85). 
 
Ademais, quem pode ser Senador da República? Diz a Lei Magna da Nação que o Senador será eleito dentre os membros inscritos de um partido político, que tenha nacionalidade brasileira, possua alistamento eleitoral, tenha o pleno exercício dos direitos políticos, possua domicílio eleitoral na circunscrição e tenha a idade mínima de 35 anos de idade (CF/88, art. 14, § 3º). Nada mais. Não precisa ter outros requisitos. Por isso, ele poderá ser um analfabeto político, literalmente falando. É isso que acontece com o Senador da República Lindbergh Farias (PT-RJ) que interferiu na Reunião do Senado, durante a Leitura do Relatório do processo de “Impeachment” pelo Senador Antônio Anastasia (PSDB/MG), que afirmou em seu parecer de 441 páginas ser favorável à saída definitiva da Presidenta afastada, Dilma Rousseff. Conforme noticiou a imprensa, o Senador do PT pelo Rio de Janeiro no início da sessão requereu à Comissão Processante para suspender o ato e convocar o Procurador do Ministério Público Federal no Distrito Federal, Dr. Ivan Cláudio Marx, para que este fosse ouvido, visto que o mesmo, em 08 de julho deste ano, arquivou um procedimento criminal contra Dilma Rousseff, onde se apurava o caso das “pedaladas fiscais”. Ora, o notável Senador carioca demonstra que não conhece a Constituição Federal e que desconhece a diferença entre Crimes Comuns e Crimes de Responsabilidade.  
 
Erroneamente, este Senador pensa que todos os crimes são iguais. Sua atitude demonstra se tratar de um anarquista ou de um ignorante no exercício do cargo de Senador da República, pois, o Código Penal Brasileiro não tipifica esse crime, para justificar a aplicação de uma possível condenação criminal. De modo que não há como condenar um agente político pela praticar de “pedaladas fiscais”. Mas, no âmbito da administração pública a "pedalada fiscal” é a prática do Agente Público, através do Tesouro Nacional, atrasar a transferência de dinheiro público para os Bancos Estatais, propositalmente, com o objetivo de melhorar artificialmente as contas públicas, ao mesmo tempo em que obriga os Bancos a arcarem por conta própria com essas despesas que são de responsabilidade do Governo”. Em outras palavras “é deixar de transferir o dinheiro público para os Bancos Estatais, com a fim do governo apresentar despesas menores do que as que ocorreram no exercício financeiro, numa tentativa de ludibriar os agentes econômicos, os credores e o povo em geral”. Sendo assim, qualquer eleitor leigo em Economia Financeira e em Contabilidade Pública não teria dificuldade para perceber que, na mais simples das hipóteses, há algo de “esquisito”, de “imoral”, de “danoso” e de “desonesto” nesta conduta.  No mínimo, qualquer pessoa leiga sabe que isso provoca uma “adulteração” nas contas públicas, um dano ou prejuízo na contabilidade o que pode ser entendido como “fraude fiscal”, mesmo de forma simulada. 
 
O Crime de Responsabilidade é uma infração político-administrativa, definida na Lei nº 1.079/1950, que pode ser cometidas no desempenho da função pública e que poderá resultar no impedimento (impeachment) para o exercício da função pública. Esse julgamento compete ao Senado Federal, quando se tratar do Presidente e do Vice-Presidente da República.  Enquanto isso, o Crime Comum (tipificado no Código Penal) praticado por essas mesmas autoridades federais é julgado pelo Supremo Tribunal Federal, com procedimento criminal por meio da Lei nº 8.038/90. Portanto, Crime de Responsabilidade é diferente do Crime Comum. Este não substitui o outro... Pensemos nisso! Por hoje é só. 
 


Publicado em 07/08/2016 às 16:27

AS OLIMPÍADAS E O SONHO DE LUTHER KING

Na Década de 50 o mundo era diferente. Não havia internet, celulares, tablets, iPhones, nem qualquer outra tecnologia digital. Mas, nos EUA já existia o jovem negro de 21 anos, MARTIN LUTHER KING JR., que se tornou o grande ativista político que lutou contra a discriminação, o racismo e o preconceito em geral; que defendeu as causas e os direitos sociais para todas as pessoas, inclusive pobres, negros e mulheres. Em 1964, com 35 anos de idade, o pastor evangélico Luther King recebeu o Prêmio Nobel da Paz pela sua luta contra a desigualdade social, fazendo uso do protesto sem qualquer violência física ou psicológica, assim como o indiano Mahatma Gandhi e o sul-africano Nelson Mandela. Dizia o pastor e político Luther King: “uma das coisas importantes da não violência é que não busca destruir a pessoa, mas transformá-la”. Sua poderosa arma era seus eloquentes discursos que lhe deu a notoriedade de se tornar o “Cidadão do Mundo”, amante da paz, da harmonia e do respeito ao semelhante. Foi assassinado nos EUA pela covardia e a frieza dos homens que desprezavam a convivência pacífica entre os povos e as nações. Porém, sua missão pacifista não terminou com sua morte, pois seus admiradores em sua Terra Natal instituíram o “Dia de Martin Luther King Jr.”, como um feriado nacional norte-americano, sendo comemorada essa data na terceira segunda-feira do mês de janeiro de cada ano.

            Na véspera do seu assassinato na cidade de Memphis (EUA) no ano de 1968, no topo de uma montanha, o notável cidadão negro pronunciou seu último discurso. Mas, sua consagração se evidencia em 1963, durante seu pronunciamento em Washington D.C., com o título célebre – “I Have a Dream” (Eu tenho um Sonho):

“Eu tenho um sonho... O sonho de ver minhas quatro pequenas crianças vivendo em uma nação onde elas são sejam julgadas pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter, por sua personalidade. Eu tenho um sonho... Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios”.

No entanto, se Martin Luther King Jr. ainda fosse vivo no dia de hoje, na altura dos seus 87 anos de idade, diante da Televisão na sua casa em Atlanta (EUA) onde nasceu e fez sua história, assistindo com sua família a cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de 2016, realizada no Rio de Janeiro, ao ver em cores o desempenho artístico do garoto negro carioca de 8 anos de idade, de nome Thawan Lucas da Trindade, morador da Vila Kennedy (comunidade pobre da Zona Oeste do Rio de Janeiro), que no palco do grande evento deslumbrou a platéia do Estádio e os telespectadores do mundo, “bailando em samba” ao lado do compositor e sambista Wilson das Neves, com certeza escreveria uma nova mensagem de paz às nações:

“... Eu realizei meu sonho. Vi uma criança negra de 8 anos de idade “sambando” com elegância e com arte no palco do Mundo, diante da curiosidade de toda a humanidade, contagiando os povos com a beleza do espírito olímpico, com “amor no coração e sorriso nos lábios...”

E, com absoluta certeza, Martin Luther King Jr., também repetiria seu pensamento já conhecido e imortalizado nos Estados Unidos da América:

“O que me assusta e me preocupa não é o grito dos maus, mas a indiferença e o silêncio das pessoas boas. (...) Se um homem não descobriu nada pelo qual morreria, não está pronto para viver. (...) Temos de aprender a vivermos todos como irmãos ou morreremos todos como loucos. (...) Suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo...”

Pensemos nisso! Por hoje é só.   

  


Publicado em 27/07/2016 às 16:59

A MORTE DO PROFESSOR ROBSON

Todo profissional que ama sua profissão sonha com sua morte no exercício da atividade. É como o missionário fiel que sente a necessidade de ter cumprido sua missão: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde hoje, a Coroa da Justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia...”, segundo a lição de São Paulo (2 Timóteo 4:7-8).

O Agrônomo e Professor de Matemática, de Química e de Raciocínio Lógico, Robson Gomes Branco, aos 68 anos de idade, faleceu em Sala de Aula, em Arapiraca (AL), quando ministrava seus conhecimentos aos alunos de um cursinho pré-vestibular. O fato inesperado aconteceu na noite do dia 18 de julho de 2016, exatamente às 20 horas, quando Robson Branco teve um desmaio e, consequentemente, uma parada cardíaca. Ele chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) recebendo os primeiros socorros e, logo, encaminhado para o Hospital Regional de Arapiraca, aonde foi a óbito.

O professor palmeirense Robson Branco (filho do saudoso jornalista, professor e advogado José Delfim da Mota Branco) era formado em Agronomia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE), mas desenvolveu seu legado como professor e excelente educador. Marcou sua trajetória profissional com competência, bom humor, integridade, caráter, didática primorosa, alegria, solidariedade e vontade de servir aos alunos sem medir esforços. Com a perda do professor Robson Branco “a profissão de educador em Alagoas está de luto”. Na opinião de inúmeros alunos e colegas de profissão, “as aulas do professor Robson Branco eram sempre compostas por métodos práticos que facilitavam o aprendizado do aluno. O professor, saudosista e barrista, sempre destacava Palmeira dos Índios, sua terra natal, nas questões e resoluções estudadas em sala de aula”. Ele possuía o mesmo estilo de vida do seu genitor, o Professor José Branco: romântico, idealista, diplomata e refinado. Sabia contornar situações difíceis. Servidor, charmoso e encantador.

Diante de seus poucos amigos conterrâneos, ele nos falava da sua experiência como professor e da sua satisfação como pesquisador das ciências exatas. Certa oportunidade, na residência dos seus Pais, em Palmeira dos Índios, ele nos exibiu exemplares de fascículos com conteúdos de assuntos elaborados por ele sobre as disciplinas que ministrava, os quais foram encartados em jornais de várias capitais do nordeste, a exemplo do Jornal do Commercio, em Recife (PE), como suplemento acadêmico distribuído aos leitores e alunos, todas as quintas-feiras, com o título “Rumo ao Futuro”.

Porém, a notoriedade destacável do professor Robson Branco se dava nas dependências de Ginásios de Esportes de várias capitais do país, quando ele enfrentava milhares de alunos inscritos em cursinhos de pré-vestibulares, durante aulas presenciais, promovidas por Escolas Particulares ou Secretarias Estaduais de Educação. Habituado a lidar com platéias de 1 a 2 mil alunos, o professor de Matemática Robson Branco fazia uso de recursos multimídia na elaboração dos “aulões” realizados. Observava o professor de Raciocínio Lógico, Robson Branco: “Agora trabalhamos com o computador, usando animação gráfica e telão. É uma metodologia pedagógica completamente diferente do dia a dia”.

Um ex-aluno potiguar resumiu sua experiência com o professor Robson Branco: “Já fui aluno desse cara em Natal (RN). O cara é simplesmente GENIAL!” Um aluno alagoano confessou: “O melhor professor de matemática que eu já vi em Alagoas, o cara é um gênio, é tão inteligente que tem bancas examinadoras que pega as próprias questões dele”. Outro acrescentou: “Estudar com este professor genial é brincar com os números!” E um aluno de Santana do Ipanema (AL) comentou: “Estou sendo aluno dele em um curso... professor “top”. Um Professor muito inteligente!”

Ora, o professor Robson Branco soube muito bem encarar o desafio de ser um ótimo professor. Na visão desse educador, nascido em Palmeira dos Índios, que percorreu vários estados nordestinos, desde Natal (RN), o papel do professor é amar a profissão e estimular a participação dos alunos, pois não basta à transmissão do conhecimento aos estudantes, também é preciso ensinar seus alunos a prensar, a questionar, aprender a ler e entender a realidade, permitindo-lhes a reflexão e a visão crítica dos conteúdos.... Pensemos nisso! Por hoje é só.

 


Publicado em 21/07/2016 às 13:51

A leitura e sua importância

Ainda jovem aprendi que “a leitura te faz ir mais longe”. Embora tendo sido filho de um pai e de uma mãe que nunca frequentaram a Escola (por viverem na zona rural, cujos pais já eram falecidos), eles foram “autodidatas”, isto é, aprenderam a ler e a escrever por conta própria em casa nos momentos de descanso, depois de um ardoroso trabalho diário. Tanto meu pai quanto minha mãe falava corretamente e escrevia cartas sem qualquer erro grosseiro na escrita. Se eles tivessem conhecido seu contemporâneo o Mestre Graciliano Ramos, nos anos 30, com certeza teriam apreendido a fazer uso sistemático da “Enciclopédia” (Almanaque da Garnier, criado e impresso pelo francês Baptiste Louis Garnier), que consolidou a produção literária brasileira no início do Século 20, sendo um instrumento pedagógico que visava à formação de uma comunidade nacional de leitores, visto que a ausência de livros sempre foi apontado pelos escritores como um grande problema, já que o Brasil era um país escravista e agrícola, com uma população de 90% de analfabetos, onde poucos tinham o privilégio de saber ler e escrever e que pertenciam à classe dominante. Ou do “Dicionário Brasileiro Ilustrado” (organizado por Álvaro Magalhães e editado pela Livraria do Globo, em 1943), obras que acompanhavam o romancista palmeirense em sua rotina diária como professor, jornalista e escritor na busca da sua evolução pessoal e da sua participação na construção de uma identidade regional e nacional. 

Pois bem, na nossa residência nunca deixou de existir, por iniciativa dos meus pais, a leitura do Jornal “Gazeta de Alagoas” (criada em 1936) e da revista “Seleções” (que nasceu nos EUA como “Revista Reader's Digest” (revista para ser digeridas pelos leitores), posteriormente editada no Brasil a partir de 1942). Um periódico mensal que reunia os melhores e mais úteis artigos e reportagens já publicados, usando uma linguagem condensada, sem interferir no “conteúdo” e no “sabor” do texto, como também curiosidades, citações célebres, gramática, dicionário, vocabulários, gírias, diversões, piadas de caserna, entre outras matérias de interesse geral e atual. Afinal, era uma forma discreta dos meus pais ensinarem aos seus filhos e filhas que “ler é instrutivo e prazeroso”; que desenvolve a imaginação, a criativa e faz adquirir educação e cultura. Aliás, a leitura frequente ajuda a criar familiaridade com o mundo da escrita, facilitando a alfabetização e ajudando na fixação da grafia correta e da pronúncia impecável das palavras. O livro tem o poder de construir e de transformar mentes mais sábias. Com a leitura a criança e o adolescente aprendem pronunciar melhor as palavras e se comunica melhor como os outros. 

Quem possui o hábito da leitura e tenha sido acostumado desde criança ao prazer do contato com os livros infantis e didáticos se torna muito mais preparado para os estudos, para o trabalho e para a vida pessoal. Está comprovado pela pedagogia que crianças de 0 a 5 anos, que ouve “historinhas” ou “estorinhas” e que tem oportunidade de folheando livros e revistas desenvolvem maior interesse pelo conhecimento das pessoas e das coisas.   

Nesse ambiente de bom exemplo e de incentivo, tanto eu quanto meus irmãos e irmãs buscamos sempre o ensinamento e a paixão pela leitura de bons livros. Na minha adolescência, estimulado por meus pais e pelos irmãos mais velhos, adquiri com meus próprios recursos (é claro com o dinheiro ganho de meus pais e padrinhos) algumas obras (inclusive clássicos da literatura nacional e mundial) como “O Pequeno Príncipe”, livro do francês Antoine de Saint-Exupéry (1968) e a história de “Fernão Capelo Gaivota”, romance de Richard Bach (1970).

 E até os dias de hoje, continuo sendo um “rato” nas bibliotecas e nas livrarias na busca de encontrar “novas” obras, sobre as quais tenho informações mais ainda não tive a oportunidade de saborear sua leitura. Nestes momentos, lembro-me da minha mãe, na altura dos seus 80 anos de idade, quando ela se sentava numa poltrona em nosso escritório e me pedia um livro para ler. Instantes depois eu a via dormindo na cadeira com o exemplar na mão. Horas mais tarde, em conversa com ela, eu lhe indagava: “Mãe, eu lhe dei um livro para ler e a Senhora leu por algum tempo e depois dormiu”. Ela, instivamente, respondia: “É aí que você se engana! Eu não dormia, apenas sonhava com a minha imaginação sobre os fatos que havia lido e sentia saudade das lembranças e das experiências vividas”. Hoje, aqui e agora, tenho saudade de tudo àquilo que ficou no passado, da minha convivência com meus pais e meus irmãos, com os bons livros que li e com o doce prazer da leitura. Pensemos nisso! Por hoje é só.  


Publicado em 12/07/2016 às 07:18

A DURAÇÃO DE UM DISCURSO

                                                                                                              Por Everaldo Damião, advogado e jornalista 

                                         
        O padre Antônio Vieira (em Portugal era António Vieira), membro da Companhia de Jesus, é uma das figuras importantes da nossa história. Em primeiro plano, pelo seu domínio da língua portuguesa, que fez com que Fernando Pessoa lhe dedicasse um poema em seu único livro publicado em vida “Mensagem”, na parte dos poetas que anunciam o futuro, reconhecendo-o como o “Imperador da língua portuguesa”. Antônio Vieira nasceu em Lisboa (1608). Com 7 anos de idade chegou no Brasil. Sua família humilde, provavelmente descendente de índio ou negro, teve seu pai como funcionário de Tribunais de Justiça. Esse trabalho só foi possível graça ao casamento, já que o cargo fora lhe oferecido como dote. Na época que Antônio Vieira veio para o Brasil, este país era dividido em dois estados: o Estado do Brasil, com sede na Bahia, e o Estado do Grão-Pará e Maranhão. Como descendente de Português, vindo ou nascido nesta terra, Vieira foi educado no Colégio da Bahia (Collegio do Salvador da Bahia). Este Colégio Jesuíta, fundado em 1553 pelo padre Manuel da Nóbrega, foi à primeira instituição de Ensino Superior do Brasil. Possuía educação de qualidade, baseada no modelo humanista que privilegiava a educação clássica (leitura de gregos e romanos, com uso da retórica e o estímulo na competição intelectual).

Por alternar sua vida entre Brasil e Portugal, a obra de Antônio Vieira é considerada tanto literatura portuguesa quanto literatura brasileira. Sua produção literária é composta, na sua grande maioria, por “Sermões” que pregava aos índios e aos moradores da sua época.

O “Sermão” (que é o Discurso sobre tema religioso pregado em púlpito) era considerado um gênero literário, resultado de um esforço intelectual. O “Sermão” tinha como base o estudo da retórica (sobre a “Retórica” escreveu o filósofo Aristóteles, há mais de 2000 anos, que é “a arte de persuadir”). Na sua preparação, o padre jesuíta estudava a forma de exposição e a ordem dos seus argumentos. Na elocução (que é o ato de demonstrar uma opinião ou pensamento através da utilização de palavras) o Orador atentava para a função dos efeitos que o “Sermão” deveria obter. Na execução do “discurso” o pregador memorizava o texto, praticando o tom e a impostação da voz, a expressão corporal, o uso das mãos, a gestualidade e a posição do corpo. Cada gesto e cada postura era objeto de estudos sistemáticos como meio de falar melhor e corretamente, sem inibição nem exageros. Nenhum jesuíta, que tinha treinamento diário, deixava os estudos antes dos 34 anos de idade. Os “Sermões” eram proferidos nas igrejas e muito concorridos. O anúncio de um novo Pregador na Missa celebrada em determinado dia criava grande expectativa na comunidade. Em se falando de Padre Antônio Vieira, sabe-se que, além de seus sermões, Vieira também escreveu poesias, livros poéticos e centenas de cartas. Muito desse material literário ainda é inédito. Na concepção do Padre Antônio Vieira, o “discurso” tem que ter um estilo próprio, claro e conciso. Suas frases têm que ser semelhantes aos aforismos (provérbios, ditados, adágios), cheias de energia, empolgação e curiosidade.

O ato de comunicar é uma questão de estratégia. De acordo com linguista francês Patrick Charaudeau (1992), “comunicar” é um fenômeno mais complexo que simplesmente transmitir uma informação; é preciso considerar-se um dispositivo de comunicação no centro do qual se encontra o sujeito falante em relação ao interlocutor. O fator tempo é essencial se considerarmos o modo narrativo de organização do discurso a ser proposto. É essencial que o Orador acredite no que fala e não desvie sua atenção do tema. Também é preciso que o orador olhe e analise a platéia: como pensam e agem as pessoas que o escutam. As emoções cabem em um discurso, mas com certa discrição. Tanto o discurso oral quanto o discurso escrito tem que possuir sequencia lógica, que quer dizer a forma correta e acertada de raciocinar.

Mas, qual a duração de um discurso? Ensina-nos o Padre Antônio Vieira que “um discurso de 20 minutos é proporcional a experiência de vida de um homem de quarenta anos”. Porém é preciso que o Orador conheça a natureza humana e seus mistérios para poder fazer a diferença. É cansativo e enfadonho um discurso longo. Por isso afirmou o escritor José de Alencar: “Todo discurso deve ser como o vestido das mulheres; não tão curto, que nos escandalizem, nem tão comprido, que nos entristeçam”. Pensemos nisso! Por hoje é só.