06/03/2017 07:40

Mistérios da Iniciação Mística

 

Geralmente no final de cada ano ou no início do ano que começa, as organizações e fraternidades filosóficas realizam suas iniciações em todas as partes do mundo. Desde que alcancei o grau 33 na Ordem Maçônica e o grau 12 na Fraternidade Rosacruz, pude saborear o encantamento das iniciações e ainda hoje, por meio de outros irmãos e frateres, tenho experimentado calafrio e temor durante uma nova iniciação no mundo místico, vivenciando “viagens”, “passagens”, “descobertas” e “juramentos”, sob os critérios dos rituais e dos “landmarks” (marcos imutáveis, proeminentes e resistentes, feitos e instalados para durarem e não serem deslocados). Muitas vezes, relutei em continuar a caminhada durante uma Iniciação, tanto por resistência de uma força física invisível que tentava me impedir para não alcançar tais objetivos, quanto de uma força vital que me aconselhava a não desistir, observando que meus passos não poderiam me impedir de conhecer a verdade que na minha frente se descortina.

O interessante é que uma nova iniciação sempre descortina novidades, que, por vezes, nos assusta, nos faz temer, mas que nunca nos decepciona na trajetória. O temor com o desconhecido, em pouco tempo desaparece por completo, porque depois das trevas nasce a luz. As inibições e restrições, e até mesmo os preconceitos, são ignoradas diante das surpresas que vão surgindo. A cada instante, você não é o mesmo. No entanto, o medo e a hesitação são mais intensos para alguns iniciados do que para outros. Afinal, todos nós temos personalidades diferentes, com sentimentos próprios, educação diferenciada e atitudes pessoais. Algumas pessoas são mais assumidas, corajosas e destemidas, diante das “manifestações” que ocorrem no “Umbral” (portas ou regiões do mundo espiritual), na busca da elevação da alma. Outras pessoas se sentem temerosas e inibidas estando frente a frente com a realidade. Nesse caso, elas dependem de ajuda exterior para superar seus problemas e seus obstáculos. Mas, uma coisa é certa, não se pode progredir na Senda da evolução Espiritual se não autopurgar ou renovar as obstruções indesejáveis que impede o crescimento no corpo, no espírito e na alma.

A Iniciação Mística é eficaz na busca da libertação do homem novo, livrando-o dos temores, dos medos e das restrições autoimpostas. É durante a Iniciação Exotérica (saberes da face pública das coisas e dos seres humanos) e a Iniciativa Esotérica (interpretações das doutrinas filosóficas e religiosas), que encontramos a satisfação das necessidades emocionais do nosso ser psíquico. O ato da Iniciação tem mais a ver com as emoções do que com a razão. É durante a Iniciação que a nossa consciência nos fala com a voz do “mestre interior” e nos faz elevar às alturas, liberando-nos a cruzar o “novo” Umbral que nos leva à Luz, iluminando nossos pensamentos, corrigindo nossos erros, dominando nossas paixões e nos concedendo a oportunidade de conviver com o conhecimento sagrado, após vivenciar com provas e testes que nos purificam contra o orgulho e a vaidade. O Iniciado em qualquer ordem filosófica ou em qualquer fraternidade iniciática tem a convicção que não é um ser único, isolado ou separado. O Iniciado possui plena consciência que ele se harmoniza com a Inteligência Cósmica Superior que domina todo o Universo e que agrega em si mesma a paz profunda e o amor eterno.

Toda Iniciação representa a passagem das Trevas à Luz, a transição da vida finita para a alma infinita. Uma vez iniciado na senda do mistério, o neófito passa a conhecer a dualidade da vida, representa pela Cruz (sofrimento e doação) e a Rosa (símbolo da beleza e da perfeição), uma completa a outra e as duas se irmanam numa só dimensão. O resto é só progresso e iluminação. Na fraternidade Iniciática tem-se a percepção de que se transmitem um conhecimento enigmático ou incomum, sempre com vetor oculto. A idéia de DEUS (ser supremo e criador) é pura Luz e que o nosso espírito é composto de luz. Os persas e os hindus, em civilizações antigas, já possuíam uma noção avançada desse conceito, pois sustentavam a existência de dois princípios a reger a vida no universo, segundo lições de Zaratrusta (século XII a.C). Esses dois princípios eram a Luz, representada pelo Deus Marduc (Ahura Mazda) e as Trevas, representada pelo Deus Arimã. Paralelamente, os egípcios, que tem a mesma idade da tradição religiosa persa, desenvolveram uma teogonia com base num conceito similar, que colocava o Deus Rá, simbolizado pelo Sol, como a divindade suprema do seu Panteão, a quem estavam submissas todas as outras deidades. Pensemos nisso. Por hoje é só.