30/10/2017 05:51

É POSSÍVEL UM CATÓLICO SER MAÇOM

 

Ouvi de certo padre neófito a afirmação de que “os Papa João XXIII e João Paulo VI tiveram forte influência maçônica, mas essa relação de fraternidade entre Sua Santidade e a Ordem Maçônica não afasta a proibição de que o Cristão Católico não pode ser Maçom”. Ora, antes adentrar nessa discussão pessoal com o sacerdote, é preciso conhecer o dogma da “Infalibilidade do Papa”, proclamado pelo Concílio Vaticano I (1869-1870), durante o papado de Pio IX (Giovanni Maria Mastai-Ferretti), que dentre outras decisões concedeu o Dogma do Primado e a Infalibilidade do Papa, visando combater o Galicanismo (independência da Igreja católica de cada país com relação ao controle papal) e defendendo os fundamentos da fé católica, condenando os erros do Racionalismo, do Materialismo e o Ateísmo.

Assim, de acordo com o Carisma da Infalibilidade Papal decretada pelo Vaticano ficam estabelecidas quatro condições: 1 - Que o Soberano Pontífice se pronuncie como sucessor de Pedro, usando os poderes das chaves, concedidas ao Apóstolo pelo próprio Cristo; 2 - Que se pronuncie sobre Fé e Moral; 3 - Que queira ensinar à Igreja inteira; 4 - Que defina uma questão, declarando o que é certo, e proibindo, com anátema, que se ensine a tese oposta.

E como fonte de pesquisa me debruço no tratado – “O Papa e o Concílio” - obra traduzida pelo advogado, jornalista, político, escritor e jurisconsulto RUI BARBOSA de Oliveira, que retrata o Conflito entre o Estado Brasileiro e a Igreja Católica, fato este acontecido em 1877, decorrente da proibição de que padres não realizassem celebrações nem cerimônias em que tivesse participação de maçons, sob pena de não ter uma existência legal na sociedade.

Na sua introdução ao livro “O Papa e o Concílio”, Rui Barbosa ataca a Infalibilidade do Papa, defendendo a liberdade de expressão e de culto pela qual sempre lutou. Questionava o catolicismo como o credo oficial imposto a toda a população cristã e, acima de tudo, pregava um Estado laico, completamente separado da Igreja.

Aliás, sob essa ótica do Carisma da Infalibilidade do Papa, também é bom observar que para exercer o Ato Infalivelmente em qualquer documento ou forma de pronunciamento, seja em uma Encíclica, em uma Carta Apostólica, em um Decreto Especial, em uma Bula, uma Constituição Apostólica etc., Sua Santidade precisa deixar explicito no documento qual a condição a ser estabelecida entre as quatro (4) condições exigidas pelo Dogma, acima citadas.

De modo que, nem sempre pode ser aplicado o Ato de Infalibilidade do Papa em seus escritos ou em seus pronunciamentos. Existem vários exemplos que confirmam essa assertiva. No discurso do Papa Paulo VI na ONU, Sua Santidade se declarou como “doutor em humanidades”, não houve atitude infalível, porque ele não se pronunciou como Papa. Na Encíclica “Fides et Ratio”, João Paulo II diz que faz “considerações filosóficas”, pronunciando-se como “mestre de filosofia”, de modo que não se vislumbra que este documento é infalível. Em sendo assim, pode-se dizer que, tanto nos Concílios Ecumênicos quanto nos Documentos Oficiais da Igreja Católica, só é infalível a decisão que o Papa declarar como tal, estabelecendo um anátema contra quem defenda a tese oposta.

Portanto, acerca dessas ponderações, faz-se oportuna e precisa o pronunciamento do Bispo Dom Estevão Bettencourt, teólogo e monge beneditino (in Pergunte e Responderemos, Ano VII, nº 195 – Março/1976), que considera ser possível um Cristão Católico ser Maçom. Ademais, não é apenas uma posição isolada de Dom Estevão Bettencourt, mas também de outros sacerdotes católicos, basta uma leitura mais apurada sobre o livro - Maçonaria e Igreja Católica, de autoria dos Padres J.A.E. Benimeli, G. Caprile e V. Alberton (4º ed., Editora Paulus, São Paulo, 1998).

Por fim, ensina-nos Sua Excelência Reverendíssima, Dom Estevão Bettencourt (1919-2008), que: “... Quanto aos católicos que ainda não pertencem à Maçonaria e nela desejam entrar, para que o possam fazer de consciência tranquila, procurem previamente certificar-se dos rumos filosóficos adotados pela loja maçônica a que se candidatam. Procurem chegar à possível clareza, usando de sinceridade para consigo mesmos, para com a Igreja e para com Deus. Se se torna evidente que em tal Loja não há intenções anticatólicas, entrem...” (Ob. Cit., p.41). [...] Pensemos nisso! Por hoje é só.