06/11/2017 09:51

PALMEIRENSE FOI FUNDADOR DE ARAPIRACA

 

Manoel André Correia dos Santos nasceu no ano de 1815 em Anadia (AL), mas viveu por algum tempo em Palmeira dos Índios, especificamente nas terras do povoado de Cacimbinhas, região sertaneja da Terra dos Xucurus (ou Chucurus), onde conheceu sua esposa, a palmeirense Maria Isabel da Silva Valente, e ali constituiu família. Cacimbinhas pertenceu ao município de Palmeira dos Índios até o ano de 1958, quando foi emancipada politicamente e desmembrada da Terra de Graciliano Ramos. Pode-se dizer que Cacimbinhas era e ainda é uma terra sertaneja misturada com terra do agreste, dotada de um clima quente ao dia, mas saudável durante a noite.

Porém, motivado pela esperança de encontrar uma região favorável, menos quente e com mais abundância de água para fixar residência e melhor atender as expectativas de aumentar os seus rendimentos com a agricultura, adquiriu uma parte de terra na zona norte de Anadia, cuja terra rural era propriedade do seu sogro, Capitão Amaro da Silva Valente Xavier (bisavô de Monsenhor Macedo, vigário de Palmeira dos Índios). Uma terra privilegiada com boa posição geográfica porque se situava no centro do Estado de Alagoas, à margem direita do Riacho Seco do Traipu. A única referência da localidade era uma árvore frondosa e acolhedora, conhecida pelo nome de Arapiraca, que era nativa do lugar. Por sinal, o nome “Arapiraca” tem origem indígena na língua Tupi. Os índios xucurus a chamava de “árvore em que periquito pousa”, ou ainda, “ramo que arara visita”. Exatamente nas proximidades desta árvore conhecida por “Arapiraca”, em solo agreste de Alagoas, por volta de 1848, que o desbravador Manoel André Correia dos Santos construiu casa e manteve sua morada. Uma localidade que aos olhos de Manoel André seria no futuro uma região acolhedora e próspera.

Segundo a cultura oral, a escolha dessa localidade se deve ao fato de que “Manoel André Correia dos Santos, vindo de Cacimbinhas, pertencente ao município de Palmeira dos Índios, após um dia de intenso sol e muito calor, durante sua viagem para tomar posse do lugar “Alto do Espigão do Simão do Cagandu”, de propriedade do seu sogro, escolheu a sombra de uma enorme árvore para acampar e descansar”. Diz a tradição popular que Manoel André naquele momento havia dito: “Essa Arapiraca, por enquanto, é a minha casa”. Essa árvore típica da zona agreste, da família das Mimosáceas, espécie de angico branco, que dava sombra e conforto aos viajantes que por ali passavam, com o nome de Arapiraca, só foi oficializada no dia 30 de outubro de 1924, data da emancipação política do município, durante o governo do Dr. José Fernandes de Barros Lima.

Esse episódio retrata o primeiro marco histórico e referencial do nascimento do povoado e do surgimento da cidade que recebeu o nome de ARAPIRACA, em homenagem à árvore que se tornou lugar de encontro para os viajantes do agreste alagoano. Em seguida, ao longo das décadas, famílias de Palmeira dos Índios e de Anadia, lugar de procedência do desbravador Manoel André, fixaram morada nessa região agreste. Em 1860 muitas famílias foram se viver nas terras da Arapiraca, porque havia comentário de que Manoel André possuía uma grande propriedade de mandioca, que era a garantia contra a fome do homem pobre. A partir de então, as terras de Arapiraca foram voltadas à plantação de gêneros alimentícios até 1940, quando se deu início à expansão da produção de fumo que se estendeu até o ano de 1980.

Em 1855, a família de Manoel André sofreu a perda lamentável da matriarca, Dona Maria Isabel da Silva Valente, vítima de epidemia da cólera. No ano de 1864, ainda consternado, Manoel André construiu uma Igreja sobre a sepultura da esposa, que ficava ao lado direito da sua residência, cujo templo religioso foi consagrado a Nossa Senhora do Bom Conselho.

Mas a cidade só veio a crescer nos anos 40 do século XX, em razão das grandes transformações pelas quais passava o Estado de Alagoas e do incremento substancial da cultura do fumo no nordeste. Nesse período foi instituído o Curso Primário na cidade, com a fundação do Grupo Escolar Adriano Jorge. Em 1950 foi à vez do Ginásio Nossa Senhora do Bom Conselho (atual Colégio Bom Conselho). Finalmente, Manoel André morreu em Arapiraca aos 75 anos de idade... Pensemos nisso! Por hoje é só.