29/11/2017 22:52

O CORAÇÃO DA ALQUIMIA

 

Etimologicamente, a palavra “coração” em latim significa “órgão que bombeia o sangue para o corpo”. Mas em grego deriva de uma raiz indo-europeia que diz “kardia” de onde surge os termos cardíaco, cardiograma, etc. A expressão "saber de cor" também vem diretamente do latim: “saber de coração”, isto é, de memória. E, por último, destaca-se a palavra coragem, que também deriva do latim cor. Para os antigos romanos, o coração era a fonte da coragem. As raízes etimológicas da palavra Alquimia provem do árabe que significa “a química”. Na língua portuguesa, a palavra “alquimia” chegou a partir do latim alchimicus, que, por sua vez se derivou do árabe al-kimiya e do grego khemeioa, sendo que ambos os termos significam “química”.

Mas, a verdadeira origem do conceito desta palavra é muito antiga, mas acredita-se que tenha surgido na Índia, local onde a existência de “alquimistas” era bastante notável. Há quem diga que a Alquimia é o Presente do Céu. Segundo uma lenda, a ciência da libertação espiritual conhecida como Alquimia foi dado à humanidade como um presente dos deuses que desceram do céu em torno da época da Atlântida e da Lemúria, há cerca de treze mil anos atrás e nos deixou esse legado de iluminação. A Alquimia, portanto, seria uma iluminação, uma transfiguração, uma transformação, uma ascensão, ou uma realização de Deus.

Para os povos antigos, a ciência da transformação foi o conhecimento mais valorizado e a culminação final da experiência humana. Essa ciência sagrada da alma estava intacta até cerca de três mil anos atrás, quando o conhecimento se tornou fragmentado e em grande parte perdido, por força de uma repressão religiosa e ortodoxa que forçou o conhecimento popular em escolas de mistério. Por isso a Alquimia é tratada como uma Filosofia Perene, ou a corrente subterrânea de conhecimento devido à sua natureza oculta codificados em símbolos, mitos e escrituras.

Sendo assim, devido ao seu poder inerente, a Alquimia sempre foi uma ciência altamente guardada segredo, a fim de proteger o aluno de danos e para proteger o sagrado do profano por uso indevido. Durante a Idade Média, foi adicionalmente escondido para proteger uma vítima de perseguição pela religião ortodoxa. O aspecto oculto da alquimia contribuiu para a falta de definição e de confusão. A Alquimia continua a estar envolta em mistério controvérsia e especulação.

De acordo com SERGE HUTIN (1929-1997), historiador do esoterismo, o verdadeiro Alquimista não está limitado à transmutação dos metais que é um dos poderes da Pedra Filosofal, cuja operação maravilhosa constitui absolutamente um fim em si mesma. Mas, também, “o Alquimista trabalha paralelamente no Laboratório e no Oratório”, diz o filósofo, pois, “ao mesmo tempo em que se desenrolam as diversas operações físicas que levam a transmutação metálica e ao aparecimento final do princípio Ígneo, o “artista” chega, por meio de exercícios espirituais metodicamente graduados, à liberação interior e à iluminação”.

E ainda afirma Serge Hutin: “trata-se de conseguir conhecer seu “sol interior” e, por essa iluminação, alcançar a Consciência perfeita”. E concluindo, ele doutrina: “A transmutação metálica é a imagem da transição interior pela qual o alquimista eleva sua alma através das dimensões cósmicas mais divinas, alcança a compreensão direta e intuitiva das origens e conquista a fusão íntima de sua alma com a Alma Divina que anima todas as coisas. O ser humano chega assim a perceber o mundo espiritual e nele agir. Por isso mesmo ele vê tudo à vontade do cosmo”.

Ora, na Idade Média, os Alquimistas pensavam que a matéria era uma condensação do “Éter” e que seus diversos estados que conhecemos correspondiam a diferentes estágios da sua evolução. Não sabiam eles que na natureza dividida em suas polaridades, que se resume em “macho” e fêmeo”, havia um quinto elemento que se evolui dentro dos quatros elementos da natureza, conhecido como a “quintessência”, mais sutil, que emana do Éter. Afinal, na concepção metafísica de Serge Hutin o verdadeiro Alquimista não procurava realmente fabricar ouro, mas dominar o conhecimento da matéria, na busca da evolução alquímica do espírito. A Alquimia Material era apenas uma contrapartida de uma Alquimia Espiritual, com maior pureza e plena consciência... Pensemos nisso! Por hoje é só.