22/02/2019 14:35

A MÚSICA DE CARNAVAL

 

No Brasil não existia compositor de música de carnaval, mas o Carnaval já existia nos quatro cantos do país, desde a época da Colônia Portuguesa. Como a festa mais popular do país, reconhecida também como o “Maior Espetáculo da Terra”, o Carnaval de hoje movimenta mais de 6 bilhões de reais e gera mais de 20 mil empregos. Mas, no tempo da Colônia e do Império era apenas uma festa do povo simples que recendia a quarta-feira de cinzas (início da Quaresma). A festa teve início na região Nordeste e ganhou destaque no Norte e no Sudeste do Brasil, como uma sátira à Corte Real, eleição de Rei Momo, Rainha e Princesas, além de blocos e de bandas de música.

A Festa do Carnaval veio importada da Ilha da Madeira de Portugal no século 15, segundo os historiadores. Pernambuco foi que recepcionou a festanças no Brasil e introduziu as dança do frevo e as “cantigas” em ritmo de Marcha. Os primeiros foliões foram os carregadores de açúcar. A folia era patrocinada pelos escravos negros e a partir do século 18 a festa passou a ser comemorada em todo o território brasileiro. As Madames brancas não participaram no início porque diziam ser “uma festa suja e violenta”. Porém, com a transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro a festa carnavalesca ganhou maior popularidade. O Carioca que gosta de festa de rua, tal qual o baiano, adotou logo as brincadeiras e os folguedos que variavam de um lugar para lugar. Também foram os cariocas que introduziram os bailes carnavalescos e os passeios de mascarados pelas avenidas. Surgiram os Cordões, ranchos ou blocos por toda a cidade.

Não existiam compositores de música carnavalesca. Foi uma mulher, Chiquinha Gonzaga, em 1899, quem compôs a primeira “marcha” de Carnaval. A Música foi “Ô abre alas / Que eu quero passar...”, hino dedicado ao reinado de Momo, que foi criada para o cordão carnavalesco “Rosas de Ouro”, o qual desfilava pelas ruas do Rio de Janeiro durante a festança. Chiquinha morava no bairro Andaraí, subúrbio do Rio. Foliões se concentravam no seu bairro, ponto de encontro de cordões e de blocos. As fantasias mais tradicionais da época e usadas até hoje são as de Pierrô, Arlequim e Colombina, originárias da commedia dell'arte.

Quem pensa que o samba é ritmo de carnaval, está enganado. A Marcha e o Frevo davam o tom da festa carnavalesca. Mas o samba invadiu o carnaval, afastou o som dos outros ritmos e impôs o seu império: “falou Carnaval, falou Samba”. Carnaval é sinônimo de Samba. Uma lástima. O carnaval de hoje na região sudeste afastou os outros ritmos como Maxixe, Marcha, Chula, Landu e Ópera. Somente o Estado de Pernambuco ainda resiste no Carnaval com seu ritmo próprio desde os primeiros séculos. O Frevo é que anima o Carnaval pernambucano, dando movimento e alegria aos blocos, cordões e ranchos, inclusive com gigantes bonecos e carros alegóricos, travando batalhas nas ruas com confete e serpentina, ao som de bandas de músicas.

Todavia, o Carnaval é uma festa de todos os ritmos e de todos os movimentos corporais. Em São Paulo a sua origem está ligada à manifestação do entrudo, uma brincadeira na qual os foliões atiravam água e outros líquidos entre si, existente desde o século 15. Por volta de 1870, a maneira como a população divertia-se no período carnavalesco passou a apresentar mudanças decorrentes do enriquecimento proporcionado pela expansão cafeeira. No Ria de Janeiro os foliões costumavam frequentar os bailes fantasiados, usando máscaras e disfarces inspirados nos bailes de máscaras parisienses. O Carnaval é uma das principais festas do Brasil, ocupando lugar de destaque entre diversas camadas.

Atualmente, no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de outras grandes e pequenas cidades brasileiras, as escolas de samba fazem desfiles organizados, mantendo verdadeiras disputas para a eleição da melhor escola do ano, segundo uma série de quesitos, que variam, em beleza, harmonia, concentração, fantasia, organização e animação. Com o crescimento vertiginoso dessas agremiações o processo de criação se especializou gerando muitos empregos concentrados, principalmente, nos chamados “barracões” das escolas de samba, onde são investidos milhões de reais... Pensemos nisso! Por hoje é só.