07/09/2019 16:55

A MAÇONARIA E A INDEPENDÊNCIA

 

O dia 20 de agosto de 1822 foi à data da memorável Reunião Extraordinária da Maçonaria Simbólica do Grande Oriente do Brasil, na Loja Maçônica Comércio e Artes, no Rio de Janeiro, sob a presidência de Joaquim Gonçalves Lêdo, primeiro vigilante da Loja, em substituição ao Venerável Mestre José Bonifácio de Andrade e Silva, que se encontrava viajando. Nessa noite, o Mestre Maçom Gonçalves Lêdo profere um eloquente e enérgico discurso, expondo aos irmãos da corrente liberal a necessidade de se proclamar imediatamente a Independência do Brasil.

Todos os presentes aceitaram a proposta e foi lavrada a Ata (Balaustre) contendo a aprovação. Acredita-se que uma cópia desta ata, acompanhada de outros documentos, foi enviada ao Príncipe Regente da Coroa Portuguesa, Dom Pedro, e Grão Mestre da Maçonaria no Brasil, elevado ao Grau em 13 de julho de 1822. Essa documentação alcançou D. Pedro exatamente às 16h30m do dia 7 de Setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, de onde culminou a Proclamação da Independência do Brasil no mesmo dia, momento em que o Príncipe Regente empunhou sua espada e gritou, diante de todos os presentes, em meio às espadas erguidas dos militares que o acompanhavam: “...laços fora, soldados! Pelo meu sangue, pela minha honra, juro fazer a liberdade do Brasil. Independência ou morte!”.

Porém, enquanto a historiografia brasileira registra inúmeras citações de que o movimento da Independência e da Proclamação da República foi encabeçado por maçons, os livros de História do Brasil produzem citações esparsas e desconexas acerca do que realmente aconteceu, não adentrando no conteúdo histórico dos fatos que antecederam esses dois eventos, limitando a informar que determinado personagem da história era maçom, simplesmente, deixando de mencionar que Joaquim Gonçalves Lêdo e, principalmente, José Bonifácio de Andrade e Silva foram lideres do movimento maçônico e mentores da Independência do Brasil. Todavia, na doutrina maçônica verificamos a importância e a notabilidades desses maçons na história do país. Esta é a razão apontada pelos autores maçons.

Entretanto, não se sabe a data da chegada da Maçonaria, como instituição filosófica e entidade secreta, regidas por regras e landmarques (princípios que delimitam a instituição maçônica), no solo do Brasil, como também não se sabe qual foi o primeiro maçom a aportar em praias brasileiras, nem qual foi o primeiro brasileiro a ser iniciado na ordem maçônica. O que se sabe é que os idéias de liberdade, de igualdade e fraternidade assegurada pela Revolução Francesa (1789-1799) foram introduzidas no país por livres pensadores liberais. Muitos autores maçons acreditam que TIRADENTES (José Joaquim da Silva Xavier), mártir da Inconfidência Mineira, era maçom juntamente com seus pares. Mas a história registra que a província de Pernambuco foi a primeira a se rebelar contra a coroa portuguesa em favor da Independência, através do Movimento de 1817 patrocinado por líderes maçons. Fato este que levou o Rei Dom João VI a proibir a Maçonaria no Brasil em 1818. Somente em 1822, na gestão do Príncipe Regente Dom Pedro, o movimento maçônica voltou a se intensifica em terras brasileiras.

Por outro lado, e pelo que se pode perceber, o movimento da Independência e da Proclamação da República foi muito bem planejado, organizado e executado pela Maçonaria, que teve iniciativa e exerceu influência na Coroa Portuguesa sediada no Brasil. As Lojas maçônicas brasileiras sempre estiveram com seus espaços livres à disposição do progresso e do desenvolvimento das nações. Porém, a idéia de Gonçalves Lêdo em instalar uma Assembléia Constituinte para discutir as liberdades democráticas acelerou o processo sobre a Independência do Brasil. E como se sabe as Lojas Maçônicas no Brasil foram mais atuante aqui que no resto mundo porque não se limitava apenas a guardar os “segredos” da conspiração política, mas de se organizar em defesa da pátria.

Por fim, não se pode esquecer que a Independência do Brasil foi resultado direto de um movimento maçônico, na razão de que a filosofia maçônica está alicerçada na tradição das fraternidades secretas que realizam reuniões ritualísticas na busca do aperfeiçoamento do ser humano em todas as suas dimensões, através da liberdade de consciência, da igualdade dos povos e da fraternidade entre os irmãos, sem preconceito e sem perseguição. Pensemos nisso! Por hoje é só.