09/01/2020 09:27

NO DIA DO LEITOR

 

O Dia do Leitor é comemorado anualmente em 7 de janeiro. Essa data é dedicada às pessoas que são apaixonadas pela leitura. A leitura é desenvolvida nas pessoas através dos anos a partir de influências de familiares e de amigos, tendo como finalidade exercitar as capacidades de comunicação, de interpretação e de cognição dos que buscam decifrar a escrita. No Brasil, a leitura é homenageada também em outras datas, como o Dia da Literatura, Dia Nacional do Livro, etc. No passado existiam leitores assíduos voltados aos mais diversos assuntos. Os conteúdos variavam desde a literatura, passando pela ficção e a diversão. A filosofia, antropologia, a teologia e a poesia desfilavam no cotidiano brasileiro.

Nosso amigo da adolescência “CHINA” (que nunca foi chinês) era o maior leitor de Agatha Christie (especializada em romances policiais, envolvendo crimes e mistérios). Ele “devorava” todos os lançamentos da escritora em nossa cidade natal. Eu gostava mais de livros de poesias, e alguns romances. Eu lia durante a noite antes de dormir um capítulo ou dois. Gostava de ter nossos conhecimentos, mas era preguiçoso para ler, achava cansativo. No entanto, eu lia. Depois comentava com os amigos mais íntimos.

Fui admirador do empresário e bibliófilo José Ephim Mindlin, que faleceu aos 95 anos de idade, o mais famoso leitor do Brasil e um dos maiores colecionadores de livros do país. Ele costumava ler livros todos os dias. Sua biblioteca particular comportava 17 mil títulos (ou 40 mil volumes), entre obras da literatura brasileira e portuguesa, relatos de viajantes, manuscritos históricos e literários (originais e provas tipográficas), periódicos, livros científicos e didáticos, iconografia (estampas e álbuns ilustrados) e livros de artistas (em gravuras). Parte do seu acervo lhe foi doado pelo bibliófilo Rubens Borba de Moraes. 

José Mindlin, leitor apaixonado por livros, legou um tesouro a Biblioteca Brasiliana da Universidade de São Paulo (USP) que ele reuniu desde seus 13 anos de idade, quando este adquiriu “A história universal”, de Jacob Benigno Bossuet, sua primeira obra rara, editada em 1740. De lá para cá, reuniu uma coleção de milhares de livros, nacionais e estrangeiros, entre eles muitas primeiras edições e títulos autografados e doados por amigos escritores como Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa. Não era um homem egoísta. Dizia ele que após a sua morte todo o seu acervo deveria ser doado a uma Biblioteca, para evitar que seus livros ficassem guardados em um espaço escuro da casa de algum familiar, aos cuidados da poeira e dos ácaros, ou serem vendidos para uma instituição estrangeira. Ele dizia que seus livros deveriam servir aos leitores brasileiros.

José Mindlin advogou por alguns anos em São Paulo e deixou a advocacia para fundar a empresa Metal Leve, que mais tarde se tornou uma potência nacional no setor de peças para automóveis. Deixou a empresa em 1996 para se aposentar e ter mais tempo disponível para ler por mais tempo, por se reconhecer como um leitor voraz. Em 20 de junho de 2006, Mindlin foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, onde passou a ocupar a cadeira número 29, sucedendo a Josué Montello. Ainda sobrevivendo no ano de 2005, ele doou sua biblioteca particular de livros para a Universidade de São Paulo (USP), que a transformou na “Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin”. Faleceu em 2010, aos 95 anos de idade, como o maior colecionador de livros no Brasil. Aliás, a leitura deve ser um exercício cotidiano em nossas vidas, por isso é preciso ler de tudo um pouco. Sem a leitura diária de onde vem o seu saber. Por fim, dizia o filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre (1905 - 1980) que “os livros são cartas endereçadas a amigos, só que mais longas”... Pensemos nisso! Por hoje é só.