09/03/2020 09:54

O DIA A DIA DA MULHER

 

Enganam-se aqueles que pensam que o Dia Internacional da Mulher é apenas uma data no calendário anual para que os homens, os filhos e as pessoas interessadas possam presenteá-las com flores, mensagens e chocolates. Não é só isso. Esse dia 8 de março é para comemorar a força que todas elas possuem na vida cotidiana. Inicialmente, essa data surgiu com o Partido Socialista da América que organizou o Dia da Mulher, na cidade de Nova York, em 20 de fevereiro de 1909, com a finalidade de promover uma jornada de manifestação pela igualdade de direitos civis e em favor do voto feminino. Mas, foi exatamente no dia 8 de março de 1917 na Rússia Imperial, que se organizou uma grande passeata de mulheres, em protesto contra a carestia, o desemprego e a deterioração geral das condições de vida no país. Operários metalúrgicos acabaram se juntando à manifestação das mulheres tecelãs que entraram em greve, saindo das fábricas e se envolvendo em violentos confrontos com a polícia e o exército, cujo enfrentamento se estendeu por dias e acabou por precipitar na Revolução Russa de 1917. Assim, nos anos seguintes, o Dia da Mulher passou a ser comemorado naquela mesma data pelo Movimento Socialista Russo.

Essas mulheres russas, sem qualificação, com baixa remuneração, trabalhando de 12 a 13 horas por dias em condições de higiene precárias e insalubres, exigiram solidariedade e ação por parte dos homens, especialmente daqueles que trabalhavam com engenharia qualificada e em fábricas metalúrgicas. As mulheres jogaram paus, pedras e bolas de neve nas janelas das fábricas e forçavam sua entrada nos lugares de trabalho, pedindo pelo fim da Primeira Guerra Mundial e pelo retorno de seus homens para suas casas que estavam no front.

Porém, foi no dia 8 de março de 1975 que foi instituído pelas Nações Unidas o Dia Internacional da Mulher. Atualmente a data é festejada em mais de 100 países, como um dia de protesto por direitos ou de educadora celebração do feminino, comparável ao Dia das Mães. Mas em outros países, a data é amplamente ignorada. Não obstante, as manifestações e os movimentos sociais no mundo inteiro em favor das mulheres só se lembram dessa luta no Dia 8 de Março. Mas alguns países (como os EUA e a Austrália) se dedicam a comemorar o mês inteiro.

Os embates pela sobrevivência da mulher no mundo capitalista não se limita às datas comemorativas. Eles são pensados e agidos no dia a dia, com enfoques especiais em fatos repetitivos no cotidiano. Parece-nos incrível, mas foi em 1965 que as mulheres francesas conquistaram o direito de ter uma conta bancária independente do marido. E, o que é pior, ainda existe países onde a mulher só tem direito a 50% da herança dos irmãos homens. E não é só isso: seu testemunho nos tribunais vale apenas a metade. Em contra partida, em um primeiro plano, nas periferias pobres das grandes metrópoles da América do Sul, a exemplo de São Paulo, as mulheres disputam o mercado de trabalho na mesma proporção que os homens, envolvendo-se na vida econômica dos seus bairros. Na região sudeste do Brasil, 60% das microempresas são constituídas por mulheres.

Embora sejam empresas normalmente menores no tamanho e no faturamento, criadas para conciliar com as necessidades da família, mas ao mesmo tempo desperta uma autonomia econômica que se torna importante no “empedramento” da mulher no núcleo familiar. Logo, é possível reconhecer a dona de casa como gerente econômica da microempresa, exercendo um papel que faz a diferença entre a pobreza e o bem estar na família. Isso sem esquecer-se da armadilha dos empréstimos bancários, com percentuais maiores que 4% ao mês e da areia movediça na falta de controle nos pagamentos dos tributos da Fazenda Pública, que variam entre 40 e 44% do valor do consumo que é destinado aos impostos, em confronto com o faturamento mensal da empresa.

Mesmo assim, as mulheres pobres e empresárias superam suas fragilidades nos negócios e surpreendem em suas capacidades pessoais e em seu empreendedorismo feminino. Profissionais autônomas aumentam seus serviços e ousam a contratar auxiliares para atender as demandas crescentes dos clientes. As habilidades de empreendedoras têm desenvolvido o crescimento feminino na vida econômica do país. Além do seu sucesso pessoal as mulheres retomam suas posições com dignidade, mantendo simultaneamente sua família e sua pequena empresa. Aliás, essa diversidade no trato com várias atividades paralelas é que faz a diferença entre mulheres e homens. As mulheres possuem uma maneira própria de pensar global e de agir local. Pensemos nisso! Por hoje é só.