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Fernando Pinho

Economista e consultor financeiro com vivência em importantes mercados nacionais e internacionais. Em suas análises relaciona estatísticas, matemática financeira, ciência política e história econômica.


Publicado em 25/02/2016 às 07:57

Solidez financeira e longevidade

O tema deste artigo tem sido amplamente debatido e estudado nos últimos 20 anos pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), OMS (Organização Mundial da Saúde), Governos e universidades, principalmente, após a constatação do aumento da expectativa de vida humana e do enfraquecimento financeiro dos sistemas de Previdência Social.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a população brasileira acima de 60 anos saltará dos atuais 23 milhões para 88 milhões de pessoas em 20 anos. Quando isso ocorrer, os idosos serão, aproximadamente, 40% da população brasileira, com pouquíssimas crianças e cada vez menos contribuintes com o sistema previdenciário. Como na Europa.

No caso brasileiro é notória a falta de apetite da população em poupar para um futuro distante. Isso é resultado da inexistência de produtos financeiros adequados para tal finalidade até meados dos anos 90, além de cinco trocas de moedas, hiperinflação, confisco de liquidez (Plano Collor), etc. Infelizmente, como afirmou o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, “somos uma sociedade de cigarras e não de formigas”. Trabalhando-se pouco e mal, além de descansar em demasiado, pouco sobra para reserva financeira.

Por isso, no Brasil, a compra de imóveis sempre foi priorizada para efeito de acumulação de riqueza. De acordo com um artigo do estrategista de investimentos pessoais, Aquiles Môsca, entre 95% e 97% dos aposentados não possuem independência financeira. Não conseguem arcar com seus gastos fixos e variáveis com recursos próprios. Dessa forma, alguns seguem trabalhando, outros dependem de filhos e familiares, e muitos reduzem seu padrão de vida e consumo. Na maioria dos casos, o que ocorre é uma combinação dos três fatores.

Hoje, os brasileiros podem poupar para o futuro sem medo, pois o sistema financeiro nacional está apto a ofertar produtos seguros, além de estar muito sólido. Há produtos financeiros adequados a todos os patamares de renda: caderneta de poupança (que pode também funcionar como conta remunerada para gastos de curto prazo), VGBL, PGBL, CDBs, fundos diversos, fundos estruturados para clientes de alta e altíssima renda e ações. O importante é começar o quanto antes para aproveitar as benesses da capitalização de juros compostos.

Quem está na faixa dos 40 anos precisa pensar com carinho no assunto. Planejadores financeiros orientam que a partir dessa idade o foco dos gastos migre do consumo para a formação de poupança, já que a vida útil para acumular patrimônio financeiro visando um período digno de “pós-aposentadoria” é menor. Criar as chamadas rendas passivas, que independem do trabalho.

A terrível tríade que assola a maior parte da população brasileira deve ser evitada a todo custo: estar velho, doente e sem dinheiro. A leitura dos livros “Pai Rico, Pai Pobre”, de Robert Kyosaki (leitura agradável para iniciantes ao assunto) e “O Valor do Amanhã”, do economista Eduardo Giannetti, pode ajudar a melhorar a compreensão do assunto. Afinal, nunca é tarde para refletir! Nem para começar a poupar dinheiro.