26/03/2021 08:08

PEDRO CAVALCANTI NETO, O PROFESSOR

 

Ainda bastante jovem, solteiro, terminando o Curso jurídico, conheci “seu” Pedro Cavalcanti, titular do cartório de protesto de títulos e documentos, da cidade de Arapiraca. Homem simples, generoso, cordial, dir-se-ia humano, radicalmente humano. Nos chamava a todos, indistintamente, de professor.

“Seu” Pedro Cavalcanti era um mestre, sim, da sabedoria e do viver. Parcimonioso, ouvia com paciência e muita atenção. Mas aquele homem sempre solicito nos dava a lição da humildade quando nos tratava de professor. Ele que ensinava, no ação e no gesto, dizia aprender.

Era espírita e, portanto, na busca perene do melhoramento, buscava em Jesus, espírito de luz, o exemplo do existir.

No cartório, no trato diário com o público e serventuários, advogados, promotores e juízes, era um exemplo de competência, responsabilidade e humildade. Buscava, na dimensão humana de seu existir, e no compromisso inarredável do fazer o melhor, e nos limites da responsabilidade do cargo, atender com presteza e humanismo.

Não sei, se depois de morto, aquele homem exemplo de vida e honradez, foi homenageado na cidade que dela nunca se afastou. Não conheço prédio público, quer estadual ou municipal, tributando, em Arapiraca, alguma homenagem àquele ilustre homem do povo e serventuário da justiça.

Deus me deu a imensa alegria de, na condução de Promotor de Justiça, aprender, ainda muito jovem, as lições da vida, da generosidade, do amor, da caridade, da cordialidade, com este cidadão Pedro Cavalcanti Neto, que nos chamava de professor.

Amigo de todos. Não criava impasses. Não tinha conflitos. Não participava de partidos políticos. Todos o respeitavam. Era um mestre na arte do diálogo. Escutava com prazer. Orientava com profundo respeito. Exercia seu ofício com extrema responsabilidade. Foi um exemplo de homem. Propagava o amor. Praticava a paz.

Arapiraca ainda há de lhe tributar a homenagem a um homem que viveu no bem e para o bem.

Fomos amigos, apesar da diferença de idade. Nos intervalos das audiências gostava de ouvi-lo. Ouvir as lições de um homem desprendido, crente em Deus e adepto da caridade. Quando usava a palavra professor, demonstrando humildade, eu tinha convicção que estava diante de um mestre da vida a nos ensinar.

Assim era o mestre Pedro Cavalcanti, o mestre da vida. Ensinando a todos, independente de classe social, a beleza da vida, e que ser bom é o destino que nos leva a Deus.