07/05/2021 11:17

CALÇADA DA FAMA DO BAR DO IRAQUE

 

OIraque, país do oriente médio, lugar onde ocorreu os primórdios da civilização, povo guerreiro e indócil, cheios de conflitos e guerras, é o nome, acreditem, aqui na capital do agreste, Arapiraca, de um bar, que os amigos assim o denominaram, onde todos os sábados, os exceção deste período pandêmico, para extravasar amizade, ouvir a boa música, cantada e tocada por eles, praticando a harmonia que os fazem esquecer as tensões quotidianas.

Michel de Montaigne, 1533-1592, filósofo francês, inspirador de pensadores iluministas, em seu festejado livro “ensaios”, dentre os vários assuntos,tais como: da covardia, do medo, da tristeza, dos ódios e das afeições, também abordou, dentre outros, a amizade.

O grande pensador francês do século XVI, afirma: “ É verdade que a amizade assinala o mais alto ponto de perfeição da sociedade”. E arremata o grande filósofo: “O calor da amizade estende-se a todo o nosso ser; é geral e igual; temperada e amena; soberanamente suave e delicada, nada tem de áspero nem de excessivo. O amor é antes de mais nada um desejo violento do que nos escapa: como o caçador perseguindo a lebre, no frio e no calor, por montanhas e vales; desdenha-a ao alcançá-la e só a deseja enquanto a persegue na fuga”.

Volto ao Iraque, ao bar, tosco, sem atrativos, lembrando um venda do antanho; seus donos sempre alegres, felizes e cordiais. É na calçada do Iraque, localizado em bairro simples, de nome sugestivo, Brasília, que poucos amigos, movidos por violão e encantados pelas vozes, se encontram para ouvir-se. Conheço-os e são praticantes da velha e boa amizade. Da amizade de que fala o filósofo.

Vou eventualmente ao bar do Iraque para sentir a beleza da amizade. Receber a energia saudável do encontro. Observar, ainda que de forma empírica, que a amizade existe. Ali eles cantam, riem, conversam, se respeitam, e sentem a alegria da existência. Não exigem lealdade, porque a vivem na leveza da vida.

Sim, a amizade é possível e existe. É diferente do amor, neste existe a possessão, o controle, o domínio, o ciúme. A amizade é temperada e suave, como disse o filósofo.

Eles, os amigos do Iraque, não se exigem, nem se cobram, todos se doam no gesto simples de se fazerem bem um ao outro, pelo simples fato do encontro, do encantamento de se encontrarem.

São de variadas profissões, de situações de vida diferentes, de segmentos sociais diversos, mas que encontram na música, nos temperamentos de cada um, a suavidade que os mantém harmônicos, praticando a amizade que a maioria das pessoas, movidas pelo imediatismo de interesses não conseguem achar. O interssse deles, na amizade, o simples fato dela existir e o fazerem felizes.

Vinicius de Moraes, compositor e poeta, inveterado fazedor de amigos, sabia,como ninguém, o significado da amizade. Ela era o fator indispensável de sua genialidade.

No Iraque, na calçada poética de um bar que existe para eles: Adailton Reis, Denis, Lula santana, Lula Mendes, Rutemberg, Rolemberg, Fernando Alegria, Mauricio Fernandes, Benício, Sérgio,e outros que eventualmente se juntam, praticam, na leveza de suas existências, a amizade benéfica e transcendental do existir humano, vivida por poucos e propalada por muitos.