26/12/2018 21:07

Dissolveu-se a URSS

 

Em 26 de dezembro de 1991, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) foi dissolvida, um dia após a renúncia do presidente Mikhail Gorbachev. Era o fim definitivo da Guerra Fria. A Federação Russa assumiu os direitos e obrigações da antiga URSS e tornou-se reconhecida como a continuação de sua personalidade jurídica.

A derrocada da URSS pôs fim à principal experiência do comunismo como um projeto alternativo ao capitalismo liberal. Na prática, após sua fundação em 1922, foi erguido um poderoso Estado multinacional controlado com mão de ferro. Isso acabou resultando em um regime de características totalitárias, repressivas e imperiais.

As causas para o fim da União Soviética são múltiplas. A partir do final dos anos 1970 já começavam a ficar claras as limitações do modelo soviético de economia planificada. Esse padrão exigia que tudo que fosse produzido em todos os setores da economia estivesse previsto em planos quinquenais. Isso acabava criando distorções, como o excesso de determinados produtos e escassez de outros. Quando a produção de determinado produto era insuficiente para atender ao consumo, os preços não podiam subir a ponto de inibir a demanda (como costuma ocorrer em uma economia de mercado), mas os produtos simplesmente se esgotavam e desapareciam da lojas e prateleiras dos supermercados.

A pressão dos países capitalistas, liderados pelos Estados Unidos, também pesou sobre a URSS. Em 1983, o presidente Ronald Reagan anuncia a criação da Iniciativa Estratégica de Defesa, que ficaria conhecida como "Programa Guerra nas Estrelas", que tinha por objetivo criar um "escudo" contra os mísseis balísticos soviéticos, dando grande vantagem aos Estados Unidos na corrida armamentista e na corrida espacial. A reação soviética foi ampliar ainda mais os seus elevados gastos na área de defesa e no desenvolvimento do seu dispendioso programa espacial. Mas, desde o fim dos anos 1970, os custos militares da Guerra Fria já eram insustentáveis para a URSS.

Frente aos problemas econômicos e militares, Mikhail Gorbachev (que assumiu o poder em 1985) aplicou dois planos de reforma na URSS: a Perestroika e a Glasnost. A Perestroika foi uma série de medidas de reforma econômicas. Para Gorbachev, não seria necessário erradicar o sistema socialista, mas uma reformulação deste seria inevitável. Com a Glasnost, foi concedida liberdade de expressão à imprensa soviética, retirando a forte censura que o governo comunista impunha. Entre 1987 e 1988, a URSS abdica de continuar a corrida armamentista com os Estados Unidos, assinando uma nova série de acordos de limitação de armas estratégicas e convencionais.

O ano de 1989 viu as primeiras eleições livres no mundo socialista, com vários candidatos e com a mídia livre para discutir. Assim, os regimes comunistas, país após país, começaram a cair. A Polônia e a Hungria negociaram eleições livres (com destaque para a vitória do partido Solidariedade na Polônia), e a Tchecoslováquia, a Bulgária, a Romênia e a Alemanha Oriental tiveram revoltas em massa, que pediam o fim do regime socialista. O ponto culminante foi a queda do Muro de Berlim em 9 de Novembro de 1989, que pôs fim à Cortina de Ferro.

Em agosto de 1990, Gorbachev sofre uma tentativa fracassada de golpe. Após esse episódio, o caos político e econômico agravou o separatismo regional e acabou levando à fragmentação do país. Em setembro, as repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia) declaram a independência em relação a Moscou. Em 1º de Dezembro, a Ucrânia proclamou sua independência por meio de um plebiscito que contou com o apoio de 90% da população. Entre outubro e dezembro, 11 das 15 repúblicas soviéticas declaram independência.

No dia de natal de 1991, em cerimônia transmitida por satélite para o mundo inteiro, Gorbachev, que estava há 6 anos no poder renuncia à presidência do país. Com isso, a bandeira com a foice e o martelo é retirada do Kremlin e a bandeira russa é colocada em seu lugar. No dia seguinte, a URSS estava oficialmente dissolvida.  

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