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Lillian Witte Fibe

 Jornalista


Publicado em 20/08/2017 às 09:17

“Reforma” que não reforma

Impressionante como a péssima situação fiscal segue em perigoso processo de deterioração. Impressionante como as medidas anunciadas em Brasília a título de emendar as contas públicas não passam de peça de ficção.

Basta passear pelo noticiário de corrupção, dar uma olhada nas operações Brasil afora da incansável Polícia Federal, para perceber que o alegado déficit provém de um poço de ladrões.

Estimativa de especialista da Fundação Getúlio Vargas sobre o tamanho da sonegação relativa só às apostas do jogo do bicho – na companhia, agora, das apostas de futebol: R$ 30 bilhões. Está no jornal O Globo de hoje. Pra não falar da crucial Lava Jato. E a gente continua a assistir a um bla bla bla do Planalto que dá vontade de chorar. É previdência isso, é custeio aquilo, é frustração de receita etc etc etc.

Cadê as medidas contra corrupção?
Bem, pessoal pedindo o link do vídeo que fiz há 10 dias lá na TV da revista Veja. Incrível como tudo se agravou de lá pra cá. A única coisa que está superada – por ora – é a infeliz ameaça do presidente da República de aumentar imposto. O que, ainda uma vez, só prova que a eterna vigilância é o instrumento que nos resta. Ele só recuou porque viu, através das redes sociais, o tamanho do absurdo que propunha.

Estou bem curiosa pra ver como vai trabalhar a nova procuradora-geral da República a partir do mês que vem. Torço para que ela me surpreenda positivamente. Porque, se dependermos do que sai dos poderes Executivo e Legislativo, o País não melhora. Não muda. Só regride.

As operações contra corrupção destampam, finalmente, a caixa preta de um câncer que consome as finanças nacionais há décadas. Por mais óbvio e repetitivo que isso seja, não podemos, não devemos abrir mão delas.

 


Publicado em 24/07/2017 às 05:22

A ignorância é uma praga

Recebi um “vídeo” sem pé nem cabeça, tão evidentemente falso, que me fez pensar como pessoas com o perfil do remetente chegam a retransmitir esse tipo de “coisa”.
Assunto: a defesa da intervenção militar.
Vem de gente muito rica, que estudou nas escolas mais caras do planeta.
Gente que dá crédito a logotipos e montagens mentirosos a olho nu. Tão criminosos quanto o texto que apresenta o “vídeo”.
Não me considero ingênua. Sei que a internet se presta a essas insanidades há décadas.
Mesmo assim, estou há horas refletindo cá com meus botões sobre o nível de idiotização a que chegamos.
Aqui e no mundo.
Na hora em que vi as imagens, me perguntei se isso não explica, em boa parte, a inexplicável eleição de Donald Trump.
A desinformação, a polarização e o ódio ganham terreno.
A ignorância é uma praga. 


Publicado em 28/06/2017 às 17:56

O fator Dino

A votação de Nicolao Dino para a Procuradoria-Geral é o fato mais importante desde março de 2014, quando surgiu a Lava Jato.
Há apenas 20 dias, Nicolao Dino foi acusado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, de “coagir” os magistrados, ou de “fazer jogo de mídia”, ao defender o impedimento de um dos juízes na votação da chapa Dilma-Temer.
Saiu derrotado no dia 9 de junho.
Ontem, os procuradores de todo o Brasil deram uma sonora resposta não só ao sr. Gilmar Mendes, mas também às organizações criminosas e àquela parcela da sociedade que insiste em acreditar que o Brasil tem jeito.
Tudo indica que Temer não vai nomear Nicolao Dino, o mais votado da lista tríplice. (Os eleitores podem votar em 3 nomes. Dino recebeu o voto de 56% de seus pares.)
Procuradoria-Geral exige espinha dorsal e liderança.
O recado da corporação, que votou ontem majoritariamente em Nicolao Dino, não poderia ser mais claro.
Por isso, o papel da sociedade civil, principalmente através das redes sociais, é mais importante do que nunca.
Temer está desesperado e vai nomear quem bem entender.
Mas a vigilância – sua, minha, nossa – segue fundamental.
É o futuro de nossos filhos e netos que está em jogo.
Só temos duas opções.
Ou a gente se mexe agora, ou a gente se mexe já.

P.s.: a segunda colocada da lista tríplice, Raquel Dodge, é a preferida do clã Sarney. E vem sendo apontada como a mais provável a ser nomeada pelo presidente. Alguma dúvida? 


Publicado em 06/03/2017 às 17:30

Lobby

Vem cá, a reforma prisional, a reforma do judiciário, bem como a sempre impossível reforma política, não parecem um pouco mais urgentes do que as outras, tão alardeadas pelo distintíssimo governo Temer?

Aliás: batizar esses projetos de reformas, seja da previdência, seja trabalhista, é no mínimo ousado.
Em bom português, não passam de remendos às leis trabalhistas em vigor – e cheias de falhas.

Só eu vejo prioridade nas reformas citadas acima, caramba? Só eu vejo isso tão claro como a água?
(Óbvio que não me refiro à transparência da nossa água, e sim à de países menos corruptos, que usam o dinheiro público no tratamento sanitário etc etc etc.)

Sim, estamos cientes que virou moda mundial falar de envelhecimento da população. O refrão da revisão de idade para aposentadoria – e, oh!, do futuro das finanças públicas – está em toda parte.

Ora bolas, o Brasil não é comparável.
Esse marketing do sr. Michel Temer pode funcionar nas altas esferas do poder e do empresariado, que embarcaram legal no lobby dele: mostrar serviço, dizer que as reformas, especialmente a da previdência, são necessárias.

Só que não!
Não aprenderam nada com o desfecho Dilma Rousseff.
No governo, fingem-se de surdos e se calam diante de uma roubalheira cada vez mais chocante e esparramada.
Hello: o dinheiro dos aposentados (e de todos os outros, inclusive dos que começam a fazer suas declarações de imposto de renda) continua indo pro bolso dos chefes das organizações criminosas, nomeadamente os políticos dos mais altos escalões da República.

Já escrevi isso antes, mas é preciso insistir: por que diabos alguém acha que dá pra cobrar mais da pessoa de quem se rouba?
A sociedade segue privada de seus direitos fundamentais, apesar de pagar impostos maiores a cada dia que passa.
Vai sobrar pro eleitor fazer as reformas.
Que não serão indolores para o establishment.
O brasileiro é um craque no uso das redes sociais, exímio nas manifestações de ruas, e será cada vez mais cirúrgico nas urnas. 


Publicado em 01/03/2017 às 06:48

Suruba e carnaval

Mas é cada encrenca! O cidadão não está lá nem há um ano, e confesso que já perdi a conta das crises em que o Planalto se meteu. Essa do Padilha, então, era mais do que anunciada. Parece que não ouviram falar na estratégia de redução de danos, um clássico, caramba.
Ainda por cima, seguem martelando na conversa mole da necessidade das reformas. Previdência, trabalhista.
Estão nos gozando ou o quê?
Ok, ok, eu sei que é carnaval.
Por isso, acho conveniente lembrar um pouquinho do farto histórico policial do senador da suruba.
Que já teria sido apelidado pela turma da propina ora de Caju, ora de Cacique (pois é, a biografia dele também é recheada de assuntos indígenas e ambientais).
Publiquei esse texto em maio do ano passado, e não consegui atualizar com certeza o número de inquéritos a que ele está sujeito no Supremo, tamanha é a lista de casos já arquivados.
Eram oito, e agora em fevereiro, ele ganhou mais um.
Mas a excelência parece entender, e muito, não só de foro privilegiado, mas também de prescrição.
De prescrição de crime. Ou melhor, crimes. 


Publicado em 06/02/2017 às 03:46

Não é a imprensa, é a liberdade de sua família que corre perigo

Eu prometo mudar de assunto e voltar a falar da Lava Jato, dos crimes inimagináveis cometidos por políticos do primeiro escalão da nossa república e que continuam a nos surpreender (fiquei muda ao ler sobre os diamantes do Sergio Cabral), e prometo também voltar a analisar o terrível desemprego que não para de subir.

Mas, tão preocupada estou com o novo comandante em chefe da maior potência do mundo, que, ainda uma vez, peço licença para voltar ao tema Estados Unidos.

Querida amiga, querido amigo, seguidor e crítico: sugiro a leitura do ótimo artigo deste link.
Trata-se de uma reflexão preciosa sobre o autoritarismo e o papel da imprensa na democracia. (Sim, temos consciência que jornalista erra muito.)

Há menos de duas décadas, a duríssimas penas, o Brasil reconquistou a democracia.
Minha geração ganhou na loteria por não enfrentar uma guerra mundial.

Pois acredite, toda atenção agora é pouca à ameaça que o novo presidente americano faz, dia sim outro também, às sagradas liberdades individuais – as únicas capazes de nos levar a um mundo menos injusto, ainda que por caminhos tortuosos.

Em tempo: Eugênio Bucci, o autor do artigo no Estadão de hoje, é um dos poucos jornalistas pelos quais ponho minha mão no fogo.
Não somos amigos próximos, não tenho o e-mail dele, e faz um tempão que não o encontro.
 


Publicado em 17/01/2017 às 07:47

O faz de conta da Previdência

Mas dá pra acreditar que, no calor dos acontecimentos da última semana, o governo insista em pedir mais sacrifício pra população através da reforma da Previdência?
O País mergulhado em sua pior recessão, desemprego batendo um recorde atrás do outro, manifestações de Norte a Sul e de Leste a Oeste, a violência de mal a pior, saúde e educação idem, mas o que vem aí, da parte do Planalto, é uma “reforma” considerada imprescindível por 11 entre 10 economistas de renome.
Ministros apresentam o projeto junto com um tenebroso aviso: se a lei não passar, os velhinhos, viúvos e dependentes deixarão de receber porque a União quebra.
Tenha paciência.
Eles acham que a população vai ficar atemorizada?
Ora bolas, o que o Poder Executivo fez para apoiar as leis contra a corrupção, tão deformadas pelos congressistas?
Não é possível que não esteja claro para os três poderes o que a população já percebeu há tempos e graças a Lava Jato.
Que o buraco da corrupção é muito maior do que o da Previdência.
Legislativo desafia Judiciário e simplesmente não cumpre liminar do Supremo Tribunal Federal que afastou o presidente do Senado.
População vai às ruas para preservar a democracia – e o dinheiro de seus altos impostos que, roubado por organizações criminosas, desaparece dos cofres oficiais.
Mas o lema do Executivo é fazer o brasileiro trabalhar mais tempo para ter direito à aposentadoria que lhe é devida.
Depois não querem que quebre o pau.
Pelo jeito, nem o exemplo do Rio de Janeiro, onde hoje quebrou o pau de novo em frente à assembleia estadual, serve ao Planalto central. 


Publicado em 08/12/2016 às 10:41

O faz de conta da Previdência

Mas dá pra acreditar que, no calor dos acontecimentos da última semana, o governo insista em pedir mais sacrifício pra população através da reforma da Previdência? O País mergulhado em sua pior recessão, desemprego batendo um recorde atrás do outro, manifestações de Norte a Sul e de Leste a Oeste, a violência de mal a pior, saúde e educação idem, mas o que vem aí, da parte do Planalto, é uma “reforma” considerada imprescindível por 11 entre 10 economistas de renome.
Ministros apresentam o projeto junto com um tenebroso aviso: se a lei não passar, os velhinhos, viúvos e dependentes deixarão de receber porque a União quebra.
Tenha paciência.
Eles acham que a população vai ficar atemorizada?
Ora bolas, o que o Poder Executivo fez para apoiar as leis contra a corrupção, tão deformadas pelos congressistas?
Não é possível que não esteja claro para os três poderes o que a população já percebeu há tempos e graças a Lava Jato.
Que o buraco da corrupção é muito maior do que o da Previdência.
Legislativo desafia Judiciário e simplesmente não cumpre liminar do Supremo Tribunal Federal que afastou o presidente do Senado.
População vai às ruas para preservar a democracia – e o dinheiro de seus altos impostos que, roubado por organizações criminosas, desaparece dos cofres oficiais.
Mas o lema do Executivo é fazer o brasileiro trabalhar mais tempo para ter direito à aposentadoria que lhe é devida.
Depois não querem que quebre o pau.
Pelo jeito, nem o exemplo do Rio de Janeiro, onde hoje quebrou o pau de novo em frente à assembleia estadual, serve ao Planalto central. 


Publicado em 02/12/2016 às 08:26

Às favas quem critica os procuradores

Sabe onde tá o dinheiro com que você pagaria o supermercado? Tá no bolso de Zé Dirceu, na conta bancária de Marcelo Odebrecht, e de tantos outros ora sob investigação. É gente que, há décadas, tem privilegiado acesso à grana preta que você manda, a cada minuto, para os cofres de prefeituras, estados e governo federal. E é contra isso que procuradores se insurgem quando ameaçam largar a Lava Jato, que já é um exemplo mundial de combate à corrupção em estado de direito democrático. 


Quem lhes tira a razão alega que, em pleno ano de 2016, ainda é possível seguir a cartilha da “negociação” política. Ora bolas, a turma engaiolada nos gabinetes de Brasília não só não quer dar ouvidos ao “clamor das ruas”. Finge-se alheia, principalmente, à vasta maioria silenciosa que foi pro olho da rua por causa da “irresponsabilidade fiscal” dos governos de municípios, estados e União.

O brasileiro vem sendo cronicamente assaltado por uma sofisticada organização criminosa.
Não venham pedir paciência a esses bravos procuradores da Lava Jato que se revoltam contra uma lei sem pé nem cabeça aprovada por deputados que só pensam em não ir pra cadeia. (Uma lei, de resto, que tem todo o jeito de ser inconstitucional.)
Outra coisa: enfiaram a mão à vontade no dinheiro que é seu, meu, nosso, e agora vêm com essa história de que a PEC dos gastos (que impõe valores máximos para as despesas públicas) é que é importante.
Não é.
A PEC dos gastos é bobagem. É puro marketing. Na melhor das hipóteses, melhora um pouquinho a credibilidade internacional e atenua o chamado “risco Brasil”.
A PEC dos gastos é argumento de quem olha, por exemplo, para a Previdência e prevê um futuro inadimplente pra ela.
Outra besteira.
Permita-se que corruptos e corruptores sigam soltos, que veremos, assim como 2 + 2 são 4, que futuro inadimplente tem o país onde a corrupção corrói a carga tributária imposta à população, seja ela de que tamanho for.
Frente ao tamanho da organização criminosa que pilhou os cofres do Estado, a idade mínima pra aposentadoria tem importância zero.
São terríveis os números do desemprego, do PIB, da renda per capita, da violência, dos mortos sem atendimento em hospitais.
Só na cidade do Rio de Janeiro, os roubos em que a vítima é assassinada (latrocínios) aumentaram 333% em outubro, em relação a outubro do ano passado.
333%!
O Brasil afunda na pior recessão de sua história e na pior recessão do mundo agora em 2016.
Enquanto isso, congressistas querem salvar a própria pele pra continuar a roubar.
E o presidente da República faz saber que está mesmo é empenhado em aprovar a PEC dos gastos, um projeto para o qual a “base aliada” de Michel Temer (mas inimiga do País) parece olhar com extrema boa vontade e simpatia.
Não dá mais pra brincar com a paciência do cidadão.
Os panelaços de ontem foram só uma primeira amostra dos protestos que vêm por aí. 


Publicado em 26/11/2016 às 17:21

E agora, Michel?

O Fiat Elba do governo Michel Temer seria um apartamento que felizmente ainda não existe?
O equivalente ao triplex do Guarujá que não é de Lula?
Gente, que crise!
Já tem até ministro do Supremo Tribunal Federal (Gilmar Mendes) comentando a “suposta” gravação da conversa entre o agora ex-ministro Marcelo Calero e o presidente da República. Se verdadeira, diz Gilmar Mendes, seria inusitada e entraria para o Guiness.
Minha leitura: quando um ministro do Supremo fala isso, é porque nada viu de ilegal na iniciativa de Calero.
Da noite pro dia, Geddel Vieira Lima virou personagem menor nessa história. (Escrevo ao meio-dia e pouco; o Planalto ainda não confirmou, mas a tardia carta de demissão dele já é pública.)
Geddel perde o foro privilegiado (terror de 10 entre 10 políticos hoje), e Calero, um político pouco conhecido há uma semana, cresce na cena nacional.
Seja ou não seja comprometedora “suposta” gravação, quem se deu mal mesmo foi Michel Temer.
Tudo isso nos deixa ainda mais curiosos sobre a votação das medidas contra a corrupção na Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado Rodrigo Maia que acabou de dizer que “nós” (sim, “nós”!) precisamos de Geddel no governo.
E agora, nobre deputado Maia?
De quem Vossa Excelência “precisa” para aprovar a anistia que o sr. jura que não é anistia ao caixa dois?

(Ah, sim, claro que o dólar abriu em alta. O real agradece a Temer.)
—————
Temer, Geddel, Rodrigo Maia: de quem você compraria uma Bic usada? 


Publicado em 31/10/2016 às 15:41

O eleitor está perdido

Aos sinais contraditórios das urnas, pra quem não teve tempo ou paciência de acompanhar os resultados de ontem.
Ideologias à parte, eu concluo que há um recado certeiro do eleitor: tchau PT.
Que derrota!
Se o massacre do primeiro turno já foi surpreendente, o de ontem foi… de emudecer.
Quanto à festejada vitória do PSDB, ok. Aumentou sua fatia no bolo nacional de maneira importante, sim.
Se for verdade o que ouvi há pouco numa rádio, sobre a conquista de 98% das prefeituras do Estado de São Paulo pelo governador Geraldo Alckmin, ele sai mesmo – como todos já anunciaram no primeiro turno – o mais forte candidato ao Planalto em 2018.
Fora isso, o eleitor enviou sinais muito contraditórios ontem.
Todos alardeiam a rejeição aos políticos tradicionais.
Resultado da Lava Jato.
Mas na importantíssima Belo Horizonte, o “não político” escolhido foi o que disse que “rouba mas não pede propina”.
What?
Ouve-se muita besteira em campanha.
Mas o eleitor filtrou todas as bobagens (e, claro, também as declarações inteligentes).
Optou pelo que diz que rouba.
Não conheço o adversário dele nem tenho simpatia por nenhuma legenda.
O que se faz notar é o “não efeito” Lava Jato no eleitor de Belo Horizonte.
Já na capital de Goiás, o eleito não poderia ser um político mais tradicional. Íris Rezende tem 82 anos e longa carreira de cargos públicos de primeiro escalão.
O eleitor está pra lá de perdido.
Só sabe que apóia a Força Tarefa da Lava Jato e seu processo de limpeza.
Tomara que a população continue vigilante especialmente junto ao Congresso Nacional, onde mora o maior perigo contra a varredura que heroicamente começou no Paraná e hoje já se espraia por outras unidades da federação.
Porque, muito, mas muito mais importante do que limitar os gastos públicos no papel, é reduzir o ralo da roubalheira que come aposentadorias, impostos, salários de servidores, empregos da inciativa privada, o valor da moeda e, não menos importante, a saúde dos pobres que seguem sem esgoto ou sem atendimento médico. 


Publicado em 06/10/2016 às 19:37

Cravo e ferradura

O Supremo (Tribunal Federal) tomou ontem decisão histórica sobre a cadeia para condenados em segunda instância.
Como sabemos, é esse, mais do que seus tantos outros problemas, que tira o sono do ex-presidente Lula, réu em São Paulo e no Distrito Federal.
Ele pode ficar preso e, portanto, ser impedido de seguir na carreira política – em resumo, por causa da lei da ficha limpa.
Se o STF complicou a sobrevida na carreira pública dele e de tantos outros políticos, o Superior Tribunal de Justiça, também ontem, aliviou os governadores, cujos processos correm sob sua jurisdição.
Chamado a opinar sobre a denúncia contra o governador de Minas, Fernando Pimentel, o STJ cravou que o processo só continua se houver aprovação da assembleia legislativa.
Tecnicalidades à parte, alguém duvida que acaba de nascer uma jurisprudência, isto é, que a preocupação número 1 de demais governadores investigados passará a ser a obtenção de maioria junto aos deputados estaduais?
Senhores políticos corruptos, o negócio agora é ser governador.
Azar de quem não tem esse ou outro foro privilegiado neste momento, e está, portanto, sujeito à justiça comum (Lula, ex-ministros etc).
A lei da ficha limpa vai valer mais rápido.
Diga-se que congressistas e ministros, com seu foro diferente do nosso, continuam a responder diretamente ao STF, onde a demora é tanta que muitas vezes os crimes prescrevem sem julgamento.
Mas os governadores tiraram a sorte grande.
Repito: precisam dos votos dos deputados locais para barrar ações penais contra eles.
Precisa falar mais?
As duas decisões mostram, mais uma vez, como o futuro da democracia depende da interpretação da lei pelos tribunais de última instância.
Ontem foi um dia histórico pras nossas liberdades individuais.
O Poder Judiciário deu uma no cravo outra na ferradura. 


Publicado em 24/09/2016 às 06:20

Temer é confiável?

Oi todo mundo!
Direto ao ponto: das minhas pendências com vocês, procuro responder agora a uma das perguntas que mais tem aparecido em minhas palestras Brasil afora.

Temer é confiável?
Gente, com toda franqueza, não tenho respostas para perguntas tão boas.
O Brasil parece congelado diante das manchetes de porta de cadeia.
O País se ocupa da Lava Jato.
Procuram-se líderes ou estadistas que nos devolvam à rota do crescimento com estabilidade que começamos a trilhar no Plano Real.
Precisamos de mais e melhores educação, saúde e segurança.
E de menos notícias policiais.
Não sei se Temer é confiável.
Estamos todos cientes do passado complicado, para dizer o mínimo, de vários políticos que formam o gabinete dele.
Concordo com a tese da força tarefa da Lava Jato de que, em matéria de corrupção, “mudar governo não muda nada”.
Mas: se o Brasil ao menos voltar a ser governado até o fim de 2018, teremos saído da ‘paralisia Dilma’.
Não é muito.
Só é melhor do que a situação em que estávamos até o impeachment.
Por ora, está claro para mim que a nossa maior e grande esperança é a coragem e a determinação desses bravos investigadores e juízes que não temem enfrentar os poderosos.
Sabe-se lá que riscos eles e suas famílias enfrentam.
Em tempo: nunca é demais lembrar que de outras jurisdições vêm saindo condenações tão ou mais duras no combate à corrupção do que as da primeira instância de Curitiba.
Porém, não teríamos chegado sequer à superfície do lamaçal dessas organizações criminosas não fosse o apoio da sociedade à independência do Ministério Público, da Polícia Federal, do Poder Judiciário e – o que talvez seja mais surpreendente – da própria Receita Federal.
Graças à fantástica ferramenta que são as redes sociais, e que os brasileiros tão rapidamente aprenderam a usar, nossa democracia, mais do que nunca, está em nossas mãos.
Toda atenção é e continuará sendo pouca, seja qual for o governo. 


Publicado em 20/08/2016 às 06:19

A folha de pagamento não tem nada a ver com o déficit

Quanto mais leio, ouço ou vejo os economistas discorrerem sobre déficit público, mais me sinto repetitiva.
E chata.
Pode ser que minha aritmética esteja superada.
Durante o tempo em que andei afastada deste espaço que você tanto prestigia, segui virando e revirando os mais fundamentados argumentos sobre a necessidade de corte de despesas dos governos federal, estaduais e municipais.
São fantasticamente convincentes.
Pena que nenhum deles considere o inchaço das “despesas”, digamos, não contabilizadas da corrupção enraizada em todas as instâncias e ideologias.
Na mídia em geral, segue prevalecendo a certeza de que as despesas públicas que mais crescem atendem pelo nome de folha de pagamento.
A julgar pela amostra que vimos a partir da Lava Jato, obviamente a despesa que mais cresce é bem outra: trata-se da ladroagem de dinheiro dos impostos.
Governantes se apropriam do dinheiro que sabem tão bem nos cobrar.
E não o contrário.
Não são os aposentados, tampouco os funcionários públicos, que quebram os tesouros oficiais.
As novas delações de empreiteiros e subordinados vão escancarar o fato de que todos os partidos – e a ampla maioria de seus respectivos caciques – roubam a céu aberto.
Como, então, punir ainda uma vez o cidadão em nome do acerto de contas públicas?
Não é por nada, mas será que é tão difícil assim fazer uma conta simples para se chegar à conclusão de que o combate ao déficit público começa pelas medidas contra a corrupção?
Como já disseram tantas vezes os procuradores que compõem a força tarefa da Lava Jato, a corrupção é apartidária, e mudança de governo não muda nada. 


Publicado em 08/06/2016 às 11:17

Tem lógica? Não, né?

Ausente deste espaço há vários dias por motivos alheios à minha vontade (trabalho, trabalho, trabalho na espantosa crise que a sra Dilma nos entregou), andei fazendo uma espécie de copião de várias notas que preciso publicar aqui.
Todas pendentes de releitura no bloco do meu celular.
Mas acabo de ver um número tão emblemático de tudo o que está caindo sobre as nossas cabeças, que começo pelo fato mais recente.
Saiu hoje o IPCA de maio.
Como sabemos, trata-se da inflação oficial.
Pois então: foi o pior maio em oito anos! 0,78%.
12 meses: 9,32%. Mais do que o dobro da “meta” que nasceu para ser a âncora do Plano Real.
Plano que foi atirado ao chão pela janela do Palácio do Planalto.
Responsabilidade do PT, certo?
Mais ou menos!
Qual o item que mais agravou o número do IPCA de maio?
Aumento da Sabesp, governo do Estado de São Paulo, há décadas sob o jugo de um mesmo partido, o PSDB, que, em tese, era a principal legenda da oposição ao PT no Congresso.
A lição que a gente espera sirva aos sucessores tanto de Dilma quanto de Alckmin (sr. Geraldo, o governador tucano de São Paulo), é que martelar preços é burrice.
É inacreditável que chova como o diabo em São Paulo, e que, agora que a pior seca da história acabou, a tarifa da Sabesp dispare 42% num único mês.
Mera e simplesmente porque acabaram-se os bônus na conta de água durante a seca.
Tem lógica?
Não, né?
Mas, assim como fez o Planalto ao represar o preço da gasolina quando queria fazer demagogia, o Estado de São Paulo, administrado pelo lado oposto da política, puniu agora a população.
E esse aumento brutal vai repercutir até nos aluguéis das favelas do Ceará.
Por chás da indexação, a velha correção monetária, que, às primeiras dificuldades do Plano Real, foi se apossando do Brasil e hoje está presente, diretamente ou não, em todos os contratos, sejam trabalhistas, financeiros ou de serviços.
Não é um problema econômico nem partidário – ou, se quiserem, ideológico.
Se nada for feito, essa garotada cheia de energia que ocupou as ruas em apoio à Lava Jato estará fadada a regredir ainda mais na fila da competitividade e do progresso.
O Brasil, infelizmente, está cheio de discursos e vazio em matéria de desenvolvimento.
O mundo anda.
A gente vai ficando pra trás. 


Publicado em 18/04/2016 às 22:53

O vice do fracasso

Depois de Dilma, o grande fracasso do difícil momento político que atravessamos atende pelo nome de PSDB.

Terceiro maior dos atuais 25 partidos representados na Câmara, e legenda que mais deu trabalho ao PT nas eleições presidenciais, é impressionante o papel que o PSDB não desempenha como aquele que, em qualquer país democrático do mundo, seria o protagonista da oposição.

Nem protagonista nem aglutinador.

Um zero à esquerda.

Noticiário hoje, day after da histórica votação: PSDB enfrenta dilema; não sabe se participa ou não do governo Temer; a executiva discute isso, debate aquilo.
Socorro!

Apesar de sua história recheada de episódios em que se esmera por ficar em cima do muro depois dos 90 minutos, não deixa de ser surpreendente que o partido dos tucanos persista em ocupar um papel tão pífio.

Fez e faz questão de manter no peito do PT a faixa de algoz de si mesmo.
Está aberta a temporada de caça a potenciais candidatos ao Planalto em 2018, e o PSDB, que acabou de rachar sobre a candidatura à prefeitura de seu reduto mais importante, a capital de São Paulo, segue “refletindo” – sobre o que não fazer.

Não está nem aí para o fator Lula, por exemplo.
Muita gente desconfia que seja por preguiça. Outros já falam em pura incompetência.
Certeza mesmo, só a de que o Brasil precisa de novos líderes políticos.
Pra ontem. 


Publicado em 05/04/2016 às 15:59

Cesta de natal

Querido internauta, leitor e amigo! Faz tempo, não? Tenho uma lista nada pequena de temas para analisar neste espaço, e tempo cada vez mais curto para escrever ou gravar para você.

Minha agenda anda insana, lotada de trabalhos free lancer. Há tempos não frequentava tanto os aviões quanto agora. É a crise, que aumenta a demanda pelo jornalismo apartidário.
Quero falar com você sobre o ignóbil escândalo da merenda escolar em São Paulo. (Roubar do suco de laranja das crianças?)
Estou pasma com os Panamapapers. Desde domingo, me pergunto se a força-tarefa da Lava Jato está se beliscando para ter certeza do que foi divulgado pelos bravos jornalistas investigativos.

Há pouco mais de 2 meses, com a operação Triplo X, foi a Lava Jato quem alçou o escritório de advocacia do Panamá, Mossack Fonseca, à notoriedade.
A Lava Jato “furou” até o FBI, a poderosa polícia federal americana, ao anunciar em primeira mão o gigantismo da empresa que abre empresas no Panamá para que seus clientes movimentem dinheiro mundo afora.
Incrivelmente, descobriu-se que o proprietário de um dos apartamentos do edifício Solaris, em Guarujá, SP, é uma empresa aberta pela Mossack.
O ex-presidente Lula nega ser dono de apartamento no local.
Claro que, além disso, também constam da minha lista de pendências: o pedido de impeachment contra a presidente e o profundo atoleiro econômico em que o então emergente Brasil vem sendo mergulhado nos últimos 5 anos.

Além de vários eventos internacionais que têm tudo a ver com a gente.
Mas essa do ex-secretário geral do PT, Silvio Pereira, foi demais.
Não posso adiar nem mais um minuto nossa comunicação por este canal.
Preso na semana passada, na mais recente fase da Lava Jato, Silvio Pereira, que frequentou as páginas policiais à época do mensalão por causa de sua potente e luxuosa Land Rover, depôs na Polícia Federal.

Um momento.
Ele disse o quê?
Cestas de natal?

Recebeu, sim, dinheiro das empreiteiras. Por ter vendido cestas de natal!
Deixa ver se eu entendi: depois do mensalão, ele abriu duas empresas de eventos que, a partir de 2006, prestaram variados serviços, inclusive a campanhas eleitorais do PT.

Até onde temos conhecimento, produtoras de eventos são abertas para isso: prestar serviço.
Desde quando são comerciantes de mercadorias?
Não dá pra resistir: alô grandes e pequenos fabricantes, atacadistas e varejistas!
Salvo uma flagrante mentira do sr. Silvio Pereira à Polícia Federal, há concorrência inusitada na praça.
Como se não bastasse a recessão, a queda no faturamento e o consequente fechamento de estabelecimentos em todo o Brasil.
O nome do concorrente é Silvio Pereira, condenado pelo mensalão.  


Publicado em 23/03/2016 às 23:18

Não adianta chiar. Nem demitir.

Três ex-funcionários da PDVSA se declararam culpados de corrupção à justiça dos Estados Unidos.

A PDVSA é a petroleira da Venezuela, gigante e estatal.

A investigação corre no estado do Texas.

Em dezembro, dois empresários da Venezuela foram acusados de infringir a lei americana que pune práticas de corrupção no exterior.

Um deles se confessou culpado ontem, terça.
Deu na Reuters (em inglês).

A pergunta que não cala: adianta atirar contra um juiz brasileiro se tantos países arregaçaram as mangas para coibir a lavagem de dinheiro desde o 11 de setembro de 2001?

A gente sabe a resposta: não.
Não adianta.

Para não nos deixar mentir, estão aí os processos multinacionais contra a Petrobras, abertos por investidores de tantos países da Europa – e também, claro, dos mesmos Estados Unidos que obtiveram confissão de culpa dos venezuelanos ligados à petrolífera de Nicolas Maduro.

No balanço horripilante divulgado esta semana, a Petrobras reservou R$ 162 bilhões para perdas em ações judiciais.

Mas o Palácio do Planalto bem que tenta demonizar a Justiça.
Ou o Ministério Público.

E também a mídia.

Finge não saber, por exemplo, que existe a Convenção de Combate ao Suborno de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações de Negócios Internacionais, à qual o Brasil aderiu no começo do século, conforme lembrou recente reportagem do jornal Valor  

Para assistir clique no link abaixo:
: http://mobile.valor.com.br/brasil/4483260/grupo-anti-suborno-da-ocde-voltara-a-investigar-o-pai


Publicado em 21/02/2016 às 19:41

É por essas e por outras que Brasil segue aleijado

De governo em governo, de intervenção em intervenção, os medos de uma nova crise financeira global, que volta e meia afundam os mercados, vão sendo adiados.
Hoje foi a vez da China. Depois de seguidos desastres na bolsa de Shanghai e de bruscas desvalorizações da moeda, o chefão regulador das finanças foi demitido neste sábado.

É uma medida que tem tudo para ser celebrada na segunda-feira, embora já fosse mais ou menos esperada. Alguém já disse que, depois da monumental recessão deflagrada em 2008, o mundo ficou viciado em bancos centrais. Leia-se em intervenções oficiais salvadoras de uma, às vezes de quase todas as pátrias. Não faz nem um mês, o Japão estreou no território dos juros negativos para tentar sair de uma estagnação de décadas.

Por seu ineditismo, foi uma tremenda surpresa que deu um bom gás aos mercados. (Porque significa a injeção de dinheiro líquido na atividade econômica. É um estímulo para que todos, empresas e famílias, peguem dinheiro emprestado e saiam gastando. Se funcionar, os efeitos no comércio internacional são óbvios.) Em dezembro, Estados Unidos aumentaram pela primeira vez em quase 10 anos seus juros, sob forte tiroteio internacional. Depois do terremoto que se abateu sobre os valores dos ativos no início de 2016, quando se multiplicaram os sinais de fraqueza mundial, também os americanos já deram sinais de que serão extra-prudentes num eventual novo aumento de juros. (Pelas mesmas razões dos japoneses mencionadas no parágrafo anterior.)

E na Europa, para desfazer os cada vez mais convincentes boatos de que os bancos do continente estavam sob risco de quebradeira, o Banco Central que responde pelos 19 países do euro também se pronunciou na mesma direção. E deu pistas idênticas às de seus colegas americanos e orientais: fará tudo o que for necessário para evitar o quê mesmo? Ela, a deflação, que a gente mal consegue imaginar o que seja ou como funcione.

É por essas e por outras que os horrorosos resultados da política econômica de Dilma vão sendo camuflados. Enquanto os governos das moedas fortes não fecharem as comportas da inundação de dinheiro estrangeiro, vai se adiando também por aqui a crise do balanço de pagamentos, ou das contas externas. A dívida pública explode, mas o Brasil desfruta de forte colchão de dólares para honrar seus compromissos financeiros no exterior.

Não está sujeito, assim, à síndrome que hoje encurrala a Venezuela, por exemplo. Como sempre avisou o ex-ministro Mário Henrique Simonsen: a inflação aleija, o balanço de pagamentos mata. O Brasil de Dilma segue aleijado. 


Publicado em 19/02/2016 às 09:27

Entre os campeões da recessão, da inflação e da deseducação

A recessão brasileira só não será pior do que a da Venezuela este ano. O PIB vai encolher 3,5%, segundo a estimativa mais recente do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgada ontem. Ou mais do que isso.

Outro gigante internacional, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), está mais pessimista: preocupadíssima com os países emergentes – mesmo aqueles que (felizmente) têm altas reservas externas como a gente – trabalha com uma recessão de 4% no Brasil. Está no relatório sobre a economia global divulgado hoje, que alerta, inclusive, para os riscos de instabilidade financeira decorrentes dos baixos preços das matérias-primas das quais dependemos.

Foi justamente por causa da baixa procura por essas matérias-primas, que o mercado internacional passou por uma convulsão durante a semana de carnaval. Prevaleceu a dúvida sobre a capacidade de pagamento das empresas que já demitem a rodo pelo mundo, e cujo desempenho depende, por exemplo, de minério de ferro, grãos, metais, petróleo ou aço. Ato seguinte, espalhou-se o pânico de que calotes corporativos desencadeariam a inadimplência do próprio sistema bancário.

Até que a China voltasse de seu feriado de ano novo, o que aconteceu segunda-feira.

O presidente do Banco Central chinês foi logo avisando que tudo daria certo, e os índices começaram a sair do vermelho. Leia-se: o governo vai injetar dinheiro para garantir que a roda da atividade econômica continue girando.

Em seguida, Rússia e Arábia Saudita, dois dos três maiores produtores de petróleo do mundo, prometeram que parariam de aumentar a produção. E o barril, que era negociado abaixo dos US$ 30, sinalizando mais deflação e desaceleração global, voltou a valer um pouco mais (no momento em que escrevo, ligeiramente acima dos US$ 35). Com ele, as ações das petrolíferas.

O acordo, até agora muito mal explicado, forneceu a segunda desculpa de que o mundo precisava para reverter o humor dos mercados.

Bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa também contribuíram, dando pistas de que atuarão para não piorar o confuso quadro mundial.

Goste-se ou não desses ‘mercados’, são eles que espelham mais rapidamente o que pode acontecer com o emprego, a renda, ou o poder de compra de famílias e empresas.

Corta para o Brasil.

Rebaixado de novo pela agência de risco Standard & Poor’s, e com dois relatórios pra lá de preocupantes do FMI e da OCDE, saiu também hoje o tamanho da recessão do ano passado. Trata-se de uma estimativa do Banco Central, sujeita a correções. Mas o número é muito ruim: 4%.

Se a prévia não estiver muito errada, e a estimativa da OCDE para este ano se confirmar, teremos perdido 8% de nosso Produto Interno Bruto apenas entre 2015 e 2016.

Os recordes negativos de inflação, desemprego, vendas, arrecadação e contas públicas são desanimadores e só nos levam a temer que os maus números se confirmem. (A exceção são as contas externas, que resistem à tempestade. Mas o relatório de hoje da OCDE não deixou dúvidas. Desta vez, situação confortável no balanço de pagamentos não vai poupar ninguém.)

Detalhe não menos importante: a Organização é a mesma que, este mês, publicou outro levantamento mundial. Sobre educação. O Brasil está entre os dez piores de 64 países avaliados.

A crise política?

É o ingrediente de que não precisávamos para agravar o quadro geral. Mas a paralisia, tanto do Executivo quanto do Legislativo, é destaque de todas as instituições internacionais no capítulo “Brasil”.

Pois é. Estamos entre os campeões mundiais da inflação, da recessão, da má educação e da corrupção.

Tá bom pra presidente Dilma? Tá bom pro PT? 


Publicado em 09/02/2016 às 16:52

Medo impera nos mercados

Que carnaval, que nada.
Os mercados financeiros são varridos pelo pânico nesta segunda-feira.
Ninguém sabe o tamanho da ameaça de uma nova recessão mundial. Mas a possibilidade atemoriza o investidor.
Ações de bancos despencam em ritmo desalentador – especialmente para quem as detêm.
Alemanha, Grécia, Itália: espalham-se as dúvidas sobre a capacidade dos bancos honrarem seus bônus, diante de maus (portanto, duvidosos) empréstimos em suas carteiras.

Os bons números de crescimento divulgados agora pela Índia em nada convenceram o “mercado” de que a demanda por matérias-primas e/ou produtos industrializados pode melhorar.
No último trimestre de 2015, a Índia ultrapassou a China, e acaba de conquistar o título de economia que mais cresce no mundo: 7,3% ao ano, enquanto China alega estar crescendo 6,8%.

Confiança dos investidores em queda, incredulidade em relação às estatísticas chinesas (onde as reservas cambiais, aliás, sangram e encolhem), queda nos preços do petróleo (indicador fundamental do ânimo geral de atividade econômica), e, claro, recessão em emergentes de peso como Brasil e Rússia.
Tudo em vermelho nos gráficos de hoje.
Em inglês, a melhor cobertura que conheço deste banho de sangue:
www.theguardian.com/business/live/2016/feb/08/uk-business-confidence-falls-global-recession-fears-markets-business-live
 


Publicado em 29/01/2016 às 11:34

Não há precedentes de final feliz

A maior parte do mundo luta contra a deflação.
A começar do petróleo, mas passando também por minério de ferro, níquel, cobre, zinco e produtos agrícolas: os preços das commodities, isto é, de matérias-primas em geral, despencam.
Pela tão simples quanto antiga razão de mercado: demanda fraca, especialmente da China.

Na Europa, nos Estados Unidos e em boa parte da Ásia, a briga é pra conseguir “fazer” uma inflação de 2%.
Essa é a meta perseguida por eles.
Venezuela, África do Sul e, claro, o Brasil, são algumas das exceções.

Com o detalhe de que a África do Sul aumentou duas vezes em dois meses as taxas de juros para segurar o ímpeto por empréstimos ou compras.
Hoje, China e Japão, cada um a seu modo, voltaram a surpreender o mundo com medidas que vão injetar muito dinheiro para estimular empresas e consumidores a investirem e a gastarem mais.

Alguma coisa está muito errada quando um país na nossa situação – inflacionária e ao mesmo tempo recessiva – caminha em direções opostas às do resto do mundo.
São de arrepiar as intenções anunciadas ontem na tão ‘manchetada’ reunião do Conselhão reinventado por Dilma Rousseff.

De novo, ela quer distribuir subsídios com dinheiro público. Dos bancos públicos.
É a mesma receita do primeiro mandato dela, e que já pôs por água abaixo o Plano Real.
A fórmula que desafia a aritmética.

Não há precedentes de país com moeda fraca que tenha aumentado seu déficit (leia-se dívida pública) com final feliz.
Rombos gigantes nas contas federais são luxos exclusivos do clube de nações com moedas sólidas.

De países que não deixam dúvida sobre sua segurança jurídica e que honram seus pagamentos.
O Brasil se esforça por esfacelar esse importante ativo que estávamos conquistando, a confiança do mundo.
Tudo errado. Com uma persistência desconcertante. 


Publicado em 20/01/2016 às 10:14

A nova tungada no seu salário e a debacle das ações da Petrobras

Quanto maior a altura, pior a queda.
Infladas pela euforia do pré-sal, as ações da Petrobras resistiam às turbulências que, 8 anos atrás, já abalavam seus pares.
Sedutoras, beiravam os R$ 43. Era maio de 2008.

Hoje fecharam em inacreditáveis R$ 4,66.
É (novo) recorde (de baixa, óbvio) em 12 anos.
Ninguém sabia, ninguém viu. Todos são inocentes.
O erário público, esse ente abstrato que deveria se chamar contribuinte (aquele que, como você, como eu, declama seu CPF não sei quantas vezes ao dia), é o prejudicado.

O déficit público “exige” sacrifício de todos?
A tabela do Imposto de Renda na fonte não vai ser corrigida, o que equivale a uma nova tungada no salário do brasileiro.
O ICMS, que é estadual, sobe em várias regiões. Também em nome da necessidade de se cobrir os buracos governamentais.
Mas na Petrobras, assim como nas demais estatais, a corrupção segue solta.

Do mesmo modo, os ministros da sra. Dilma que estão sendo formalmente investigados por roubo de dinheiro público não são sequer afastados.
E o real é a segunda moeda mais desvalorizada no mundo, segundo os últimos cálculos do Banco de Compensações Internacionais, BIS.
Sobra pra todos.

Menos para os que mandavam e mandam. Esses não sabiam, não viram, não sabem, não veem. 


Publicado em 09/12/2015 às 17:36

Obrigada, presidente. Bom Natal pra sra. também

A maior inflação oficial num mês de novembro em 13 anos. E a maior anual em 12 anos. De dois dígitos. Saiu o IPCA de novembro. 1% no mês e 10,48% (pode arredondar pra 10,5%) em 12 meses.

Outro recorde pra coleção da sra. Dilma Rousseff. Ela desafiou a aritmética no primeiro mandato. Martelou gasolina. Martelou energia elétrica. Arrombou o déficit público.

Dá nisso. O Nobel da presidente ficou pra depois.

P.s.: tentando postar desde 9:30. Mas a internet do celular do Santos Dumont é de doer. "Conexão perdida. Tentando reconectar." E haja bateria.

A isso a gente chama de custo Brasil. Demora. Demora. Demora pra transportar a safra. Demora pra carregar containers. Demora pra descarregar. Estradas paradas e congestionadas. Bem como a banda larga. Valeu, governo 


Publicado em 11/11/2015 às 11:59

Onde estão os empregos?

Você é adolescente ou conhece algum jovem perdido diante da difícil escolha da profissão?
Tem dúvidas atrozes sobre a melhor escola para seus filhos?

A palavra chave é: matemática.
A revolução tecnológica que atravessamos evolui a uma velocidade desconcertante, concorda?
Em nosso dia a dia, mal aprendemos a lidar com alguma ferramenta básica, já somos surpreendidos por novidades igualmente imprescindíveis. E lá vamos nós aprender a mexer em outra plataforma.

Neste fim de semana, bati o olho num artigo pra lá de interessante do Wall Street Journal sobre a "Uberização do dinheiro) (em inglês aqui). O autor escreveu um livro chamado "Indicadores líderes: uma breve história dos números que governam nosso mundo" (em tradução livre).
Assim como os meios de comunicação, a indústria bancária, segundo ele, vem sendo "uberizada".

Só pra ilustrar com dois exemplos da área da comunicação: vide o fenômeno de audiência em que se transformou o YouTube, ou a dor de cabeça que a Netflix, uma empresa que mal saiu das fraldas, vem dando às maiores e mais sólidas redes abertas de TV do mundo.

Pois, segundo o artigo, os empréstimos 'peer to peer' crescem velozmente (também em tradução livre, 'entre iguais', ou de alguém disposto a 'alugar' algum dinheiro disponível a outra pessoa que dele necessite).

Hoje, o jornal Valor traz reportagem do Financial Times (fechada a assinantes) jornal Valor traz sobre executivos de bancos que se mandaram para o famoso mercado de apostas inglês.

Meu ponto: noves fora zero, os profissionais que estão com tudo e não estão prosa são os que dominam a lógica, a matemática, os famosos e para nós tão misteriosos algoritmos.

Diante de um mundo que será cada vez mais automatizado, a criação de trabalho e, portanto, a geração de renda para que o ser humano providencie sua subsistência está em xeque - mais ainda do que em revoluções anteriores como a industrial.

Se o robô faz tudo, no que vamos trabalhar?
Até que surja uma leve pista do caminho a ser seguido pelas próximas gerações, o consenso é: na dúvida, abrace a matemática.
O reino pertence ao pensamento lógico.

Futuros profissionais graduados em matemática são disputados a tapa nas melhores universidades do mundo. Empresas se veem às voltas com folhas de pagamento cada vez mais caras e atraentes para não perdê-los para a concorrência.

Claro que os programadores de computador também estão preocupados com seus próprios empregos frente às máquinas inteligentes.
Mas um dos especialistas ouvidos pelo Financial Times acredita que a montagem de um quebra-cabeça e seus algoritmos jamais serão substituídos totalmente.

Viva a democratização do conhecimento. 


Publicado em 03/11/2015 às 08:41

Bingo! O mundo mudou. Também para o filho de Lula.

São abusivas as recentes ações da Polícia Federal?
É fato que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, não tem controle sobre a Polícia Federal?
As respostas simples e claras a essas perguntas estão aqui, em artigo do Consultor Jurídico. As dúvidas surgiram porque o filho caçula de Lula, depois de ter o escritório revistado com autorização judicial, recebeu uma intimação ao chegar da festa de 70 anos do pai, às 23:00 de terça-feira.

Há, ou deveria haver, diferença de abordagem a um filho, a um amigo, ou a alguém desconhecido de ex-presidente da República?
Abri para ler sem grande expectativa.

Para minha surpresa, encontrei um texto para leigos e sem "juridiquês".
O autor, que já foi desembargador, diz que a Polícia Federal, "muito mais do que por sua estrutura que é deficitária, vem prestando relevantes serviços ao país. E é a respeitabilidade por ela conquistada que lhe dá ampla independência para apurar delitos (...)".

O dr. Vladimir Passos de Freitas é presidente da Associação Internacional para Administração da Justiça (IACA, na sigla em inglês), com sede nos Estados Unidos.
Criada há 11 anos para perseguir a eficiência do Poder Judiciário e o acesso do público aos tribunais, a entidade reúne 24 países de todos os continentes.
Ao que acrescento: as novas democracias, especialmente da América Latina, agradecem.

Com a expertise de uma pessoa no comando da IACA, portanto, o autor põe em contexto mundial as investigações ora em curso no Brasil.
Bingo: os tempos mudaram.

Queiram ou não, o Fórum Global sobre Transparência e Troca de Informações para Fins Tributários é uma realidade.
E não menos importante: é compreensível que os pais fiquem raivosos com a intimação do filho, mas seria uma ótima oportunidade para provar idoneidade.

Bingo de novo!
Em meio à avalanche de notícias ruins, a leitura já melhorou meu feriado.
É uma lufada de esperança.
Chamo atenção para o artigo, com os votos de melhorar também o seu. Conte-me depois. 


Publicado em 21/10/2015 às 14:24

Mão no vespeiro

Quando você pensa que o governo não consegue se prejudicar mais, ele mostra que consegue, sim.
Como não.
Festival de trapalhadas "só" sobre uma questão chave do tripé que garante a mínima confiabilidade de qualquer política econômica.
Pois quem já foi rebaixado por agência de risco, vai lá e mexe de novo onde? Na perna fiscal.
Justo nisso, inacreditável.
Caraca, o Tribunal de Contas da União acaba de rejeitar o relatório de 2014.
O que só tem um precedente na história deste país: governo Getulio Vargas. Em 1937.
Se a rejeição (do TCU) for aceita pelo Congresso, pode desencadear o pior dos mundos para a presidente Dilma: o processo de impeachment.
Daí a incredulidade da gente ao ver que o governo, sem medo de ser infeliz, volta a mexer no vespeiro e avisa: está pensando em meta flexível de déficit público.
Motivo: a recessão só afunda, e a receita com impostos pode ficar aquém do previsto.
Resultado? Rombo maior do que o projetado.
Não diga!
Meta flexível?
Não estranhem se o dólar subir, como está subindo no momento em que digito, mais de 5%.
Uma pena o que as hoje comprovadas mentiras fiscais do primeiro mandato de Dilma fizeram com as contas federais.
Estamos em pleno velório do tão bem sucedido Plano Real.
Quanta leviandade. 


Publicado em 19/10/2015 às 18:10

Ró-ró

Modus operandi do governo: ró-ró.
O ex-presidente da República e os presidentes da Câmara e do Senado estão sob investigação.
Suspeita-se que tenham cometido crimes com uso do dinheiro público.

As denúncias se avolumam. São cada vez mais críveis.
Na base, sinais exteriores de riqueza incompatíveis com profissão ou atividade.
E/ou suspeitas de enriquecimento ilícito.
Tudo, repito, à custa do bolso do contribuinte.

Resolvi folhear o dicionário.

Onde encontrei que favoritismo é “regime (político, administrativo etc) que concede compensações ou privilégios por influência, amizade, parentesco etc., sem levar em consideração valores como competência, merecimento e honestidade”. Página 1315 do Houaiss.

É riquíssima a língua portuguesa.

De substantivo em substantivo, encontramos sinônimos e variantes maravilhosos.
Ró-ró é “conversa cochichada, às escondidas; combinação secreta; conluio, conciliábulo”. Página 2474 do mesmo dicionário.
Etimologia provável: vocábulo onomatopeico. Aquele originado em som. (Dê asas à sua imaginação.)
Compadrio também é válido. Assim como cambalacho, complô, conchavo, conivência, igrejinha, panelinha, maquinação e mancomunação. Ou afilhadismo.

Está bom pra você?
Os descendentes da presidente Dilma não haverão de se orgulhar desse lado da biografia dela.
O lado ró-ró.