03/11/2015 08:34

Arapiraca Estrela Radiosa

 

Em 1970, com 13 anos eu acompanhava meu pai, o saudoso Pedro Balbino Sobrinho em suas andanças políticas. Tempo, em que, políticos tinham respeito e consideração a seus eleitores.

Naquela época, iniciava-se mais uma campanha eleitoral. Lembro que havia três candidatos a Prefeito de Arapiraca, mas, dois se destacavam. Alonso de Abreu Pereira, um grande e forte empresário (candidato do meu pai) e, Dr. João Batista Pereira da Silva, advogado renomado e filho do empresário João Vigário. Mandato “tampão”, apenas para dois anos de governo.

Passadas as fases da campanha eleitoral, chega o dia “D”, dia das eleições e o Dr. João Batista Pereira da Silva é eleito e proclamado Prefeito de Arapiraca.
João Batista toma posse..., dinheiro nos cofres públicos era bicho papão, quem via..., morria.

João Batista botou as mãos na cabeça e, apelando para seus conhecimentos científicos rumou para Recife, lá bateu a porta da SUDENE. Graças a Deus foi ouvido e aqueles técnicos abençoados arrumaram suas malas e se instalaram em Arapiraca, tudo por conta da SUDENE, pois, Arapiraca não podia pagar uma diária de hotel para ninguém. Terminado o mandato o Prefeito João Batista olhou para trás e, somente, uma obra avistou, havia naquela época uma ponte que ligava o Bairro Centro ao Bairro Alto do Cruzeiro, a famosa ponte da Lagoa. João Batista, orientado pelos Projetos da SUDENE, mandou derrubar a ponte do alto e iniciou os trabalhos de dragagem da Lagoa do Riacho Piauí. Arapiraca ficou dividida em duas bandas e viveu o maior transtorno administrativo, contudo, iniciava-se a partir daquela obra a Construção da Maior Área de Lazer do Município de Arapiraca, hoje denominada de Parque Ceci Cunha.

João Batista passou o governo no início 1973, ao então Prefeito Higino Vital da Silva, entregando-lhe seu grande feito. João Batista entregou a Higino Vital o “MEGA PROJETO DE ARAPIRACA” construído pela SUDENE ao longo dos seus dois anos de mandato. Ali estavam 13 volumes encadernados e prensados, cada, com mais de 300 páginas e, neles continham o histórico, diagnóstico, problemas e soluções e a síntese de Arapiraca, além desses materiais havia mais 26 volumes contendo projetos arquitetônicos, levantamentos topográficos, projetos de engenharia de tráfego, e, a relação dos projetos e planos de trabalho que deveriam ser incrementados e implementados para que Arapiraca pudesse ser a grande metrópole que é nos dias atuais.

Higino Vital, adoentado, cuidou somente das questões sociais e ajudou a centenas de pessoas que o procuravam na prefeitura. Sem dinheiro nos cofres, não construiu basicamente nada, faleceu e Agripino Alexandre, seu vice, assume o governo e se preocupa em reconstruir o Campo do ASA (Estádio Coaracy da Mata Fonseca).
1976, o Dr. João do Nascimento e Silva, recém-formado em odontologia, filho do agropecuarista Manoel Ângelo, é chamado ao sacrifício e se elege Prefeito de Arapiraca, administrou de 1977 a 1982, fez grandes obras, inclusive, deve-se a João do Nascimento a abertura da Avenida do Futuro, hoje, Av. Dep. Ceci Cunha, além das dezenas de Postos de Saúde construídos ao longo do território de Arapiraca. Foi um grande Prefeito na Área de saúde.

Em 1982, numa guerra política desproporcional, na base do três contra um, PDS 1, PDS 2 e PDS 3, contra Agripino Alexandre do MDB, Severino Leão se elege prefeito por quatro anos, que, em meio a crise política nacional ganhou de presente, mais dois anos e, foi contemplado com um mandado esticado para seis anos. Graças a Deus, Severino Leão trouxe para Arapiraca o Prof. Elizeu Diógenes Martins (para exercer o Cargo de Secretário de Planejamento), homem bom, inteligente, muito sábio, íntegro, professor de economia e de inglês da UFAL/AL, que procurando um servidor do quadro efetivo para auxiliá-lo, já que, lhes fora dado, apenas, uma saleta e um datilógrafo, continuo na peregrinação e concluiu por absorver o servidor Samoel Balbino de Melo, um funcionário público, que, na época, estava sendo tratado como um “verme” porque havia coordenado a campanha do opositor.

Iniciado os trabalhos, a Secretaria Municipal de Planejamento, uniu forças e, aos poucos, montou a melhor Equipe de Trabalho que Arapiraca já conheceu, devagarinho e estrategicamente trouxera-se de outras Unidades Administrativas os servidores Luís Carlos de Oliveira, Marcelo Brito, Silvar Brito, formando uma grande frente de trabalho, que contava, também, com as assistentes sociais Cléia Núbia França, Aparecida Santos, e a engenheira civil Maria de Fátima Lima, naquela oportunidade, somaram-se em um ano de trabalho mais de 300 projetos encaminhados a Brasília. Plantadas as sementes o Prefeito Severino Leão começou a colher os grandes e bons frutos. A Favela Escorrego da Catita marcou a humanização da Administração “Por Amor à Terra” do Prefeito Severino Leão. A partir daí Arapiraca virou um imenso canteiro de obras e desenvolveu a passos largos.

Terminado o Governo Severino Leão, se desfez a grande Equipe de Trabalho, acabaram-se as grades frentes de serviços e os projetos sumiram das prateleiras dos ministérios brasileiros.

1989 a 1992 tivemos a Administração do Prefeito José Alexandre dos Santos, que, em época de crise, recorreu a SUDENE e construiu e urbanizou várias praças, construiu milhares de metros quadrados de calçamentos e, construiu alguns centros de saúde. Ao ex-prefeito de Arapiraca e empresário bem sucedido Sr. José Alexandre dos Santos, dispensasse todo e qualquer tipo de comentário porque Arapiraca o conhece.

1993 a 1996, segundo mandato de Severino Leão, que pela intercalação de mandatos, pouquíssimos projetos foram encaminhados a Brasília, não se teve o que continuar, perdera-se o equilíbrio e a linha de atuação da administração, construiu poucas obras e terminou por fazer um governo fragilizado e hostilizado pela sociedade.

1997 a 2000 – período de governo da Prefeita Celia Rocha, que já havia sido Secretária de Saúde no Governo Severino Leão, vereadora por dois mandatos, experiente pela sua atuação na Secretaria de Saúde, montou grandes projetos e fez um belíssimo e extraordinário governo. Construiu grandes escolas, grandes centro de saúde, belíssimas áreas de lazer, asfaltou a cidade, criou a SMTT e, encerrou suas atividades nos braços do povo.

2001 a 2004 – acontece o segundo mandato da Prefeita Celia Rocha, que sempre otimista desejando e almejando fazer o melhor para a Metrópole Arapiraca, não se sabe por que cargas d’água seu governo não emplacou como deveria e na aparente formação de secretarias independentes (pequenas e fragilizadas prefeituras) o governo não cumpriu seu papel, não fez o que se pré-dispôs a fazer. Como no segundo mandato de Severino Leão e, deixou a desejar.

2005 a 2012 – Pensava-se que Luciano Barbosa seria a redenção de Arapiraca, inicialmente pela sua formação, enquanto, engenheiro civil, por todos os cargos exercidos em Arapiraca, Alagoas e no Brasil, com os cursos efetivamente realizados no Brasil e na área de economia e finanças nos EUA, com trânsito livre nos diversos ministérios brasileiros, amigo do Presidente do Senado, o Sr. Renan Calheiros, etc e tal. Fez algo? FEZ SIM. Muito? MUITO sim. É um excelente técnico? É sim. No entanto, não conservou e melhorou o que encontrou e, construiu obras sem planejamento estratégico. Não ouvia empresários, não ouvia servidores, não ouvia a sociedade e, não ouvia os correligionários. Deixou a desejar e, permaneceu todo tempo na sombra da Prefeita Célia Rocha.

2013 – Célia Rocha iniciou seu terceiro mandato. Nomeou um grupo de “”amigos” secretários”, pouquíssimos e raros técnicos e, com raras e honrosas exceções (pessoas que sabe o porquê e para que estejam ali), REPETIU o erro do passado, deixou surgir a formação de pequenos grupos de secretário, ou pequenos prefeitos e já se passaram três anos de exercício permanente de governo e, não se vê quase nenhuma realização. Próximo ano é ano de eleição.

Qualquer prefeito eleito por Arapiraca, precisa ter em mente a responsabilidade e o compromisso de pensar nas questões sociais e nos serviços necessários para receber os agrestinos. É impossível pensar em Arapiraca sem pensar na Região Metropolitana do Agreste.

Este é o meu pequeno relato, contudo, me insiro dentre as pessoas que trabalhou em prol do desenvolvimento e do crescimento da Metrópole Arapiraca.