21/06/2019 08:39

A REALEZA DO SANGUE MEDEIROS

 

Sempre fui muito desligado em relação aos eventos e datas comemorativas. Dois exemplos simples: Eu sabia que o São João estava se aproximando porque os colegas na escola já murmuravam o frio na barriga por causa das provas do 2º Bimestre. E quando minha irmã mais nova, Michelle, chegava da escolinha com os bilhetes para sorteio de balaio junino. Era um fuzuê...Enquanto a turma se preocupava em não ficar em recuperação, a missão mais complicada era vender os bilhetes. Quem nunca comprou ou vendeu? Enfim, era uma dor de cabeça. Era até o dia em que minha avó materna Andí Ferreira se disponibilizou a ajudar. Como já contei em postagem anterior, a família de minha mãe mantinha Churrascaria e Mercearia funcionando as margens da rodovia AL220 em frente ao antigo Posto Pichilau. Funcionava das 5h da manhã às 22h, mas na época do corte de cana-de-açúcar, abria no sábado de manhã e só fechava no domingo à noite.

Dona Andí, minha avó, passava praticamente o dia todo por lá. E com todo jeitinho, empurrava bilhetes e mais bilhetes nos clientes. Se chegava pra comprar uma garrafa de água, saía com 2 ou 3 bilhetes. Se almoçava ou jantava, comprava bilhetes na sobremesa.

- Você num vai fazer uma desfeita dessa comigo!

Ela dizia com sorriso no rosto. Método um tanto eficaz

E assim, dos talões dos bilhetes, sobravam apenas os canhotos. E mais talões surgiam e eram vendidos. E na escolinha quem vendia mais bilhetes conquistava o título de Rainha do Milho. Perdi as contas da quantidade de vezes que Michelle foi a Rainha do Milho. A matutinha chegava em casa com a coroa e a faixa de Rainha. Exibia com orgulho.

Michelle foi crescendo, colecionando títulos, até que não quis mais concorrer.

Mas a realeza tá no sangue da família!! Como isso poderia afetar o fluxo sanguíneo?? Ficaria uma lacuna??

O futuro virou presente quando uma certa baianinha chegou. Giovanna mostrou desenvoltura durante os reinados conquistados na terra do Axé. Filha do meu irmão Niélsinei e da incentivadora e mãe/amiga Jailma, Nana é a pessoa mais doce que conheço. E também foi Rainha do Milho. De faixa e coroa.

Mas a família não parou por aí...

Bem que eu disse que tava no sangue!!

Michelle deu a luz a lindona Eduarda, mais conhecida como Bibi. Menina esperta, ligada no mundo, a Rainha do Milho Bibi distribuiu simpatia majestosa nas tantas vezes que foi vencedora.

3 Rainhas. E você acha que parou? Sei não, viu?!?!

Ele estava previsto pra nascer em julho. Mas mal havia começado junho, ele se aperriou pra vir logo ao mundo. E no dia 05 Bibi ganhou uma função a mais na família: virou irmã mais velha. João Gabriel chegou com total disposição pra curtir o primeiro festejo junino. Será um futuro Rei do Milho?

Minha visão do mundo Junino mudou no decorrer da vida (ler postagem anterior). Percebo a fumaça, percebo os fogos, mas também percebo as cores, a musicalidade, os bigodes feitos a lápis, os chapéus de palha, os sorrisos e a dança. É tradição, é amor, é envolvimento do povo durante 1 mês (em alguns locais, até mais de um mês). Gravei em tantas comunidades que se debruçavam na tradição, se juntavam pra fazer comidas típicas, pra pendurar as bandeirolas na rua, para pegar as palhas e montar o palhoção. Arapiraca, Girau do Ponciano, no sertão foram várias, tanto em O Jornal quanto na produção ou reportagem da TV Gazeta. Crianças, jovens, adultos, idosos dançando o mesmo ritmo.

As notas musicais ecoam, balançam as bandeiras, os balões, os vestidos coloridos, as calças remendadas, as sandálias, as fivelas. Sanfona, zabumba e triângulo fazem um som único: o da Felicidade!!

Obs. Fotos das rainhas e do provável futuro rei serão postadas mais tarde nas minhas redes sociais. Curta lá!! Você num vai fazer uma desfeita dessa comigo, né?