09/05/2020 16:57 - Atualizado em 09/05/2020 16:59

Academia Alagoana de Letras dá posse a 3 novos membros

 

A centenária Academia Alagoana de Letras (AAL) empossou três novos ilustres no último dia 1 de abril, durante a primeira assembleia virtual da suntuosa história da instituição. A reunião não convencional foi necessária para que os novos confrades, Maria Heloísa Melo de Moraes, Fernando Antônio Gomes de Andrade e Temóteo Correia Santos, assumissem as cadeiras para as quais foram eleitos ainda no dia 11 de março de 2020, antes de as aglomerações serem proibidas em face da disseminação do novo coronavírus. A reunião contou com a presença virtual do presidente Alberto Rostand Lanverly e de outros membros da AAL.

De acordo com o presidente, a assembleia virtual surgiu como uma alternativa durante a pandemia de Covid-19 -a doença provocada pelo coronavírus- e se mostrou eficaz para dar continuidade aos trabalhos da Academia Alagoana de Letras. Para ele, é mais uma demonstração de que a instituição centenária não parou no tempo e consegue se reinventar, inclusive em seus protocolos.

“A posse havia sido agendada, mas logo depois veio o recesso forçado pela pandemia. Continuamos a nos comunicar e decidimos dar posse ao pessoal. Um termo virtual foi preparado, com assinaturas digitalizadas, dentro de todos os parâmetros previstos em uma cerimônia formal de posse”, explica Rostand Lanverly.

Os novos acadêmicos herdam as cadeiras de ilustres que partiram. Neste caso, foram-se Dirceu Lindoso, Francisco Sales e Margarida de Mesquita, ocupantes respectivamente, das cadeiras um, sete e vinte e um do quadro de sócios da Instituição.

“Eram possuidores não somente de simpatia e inteligência incomparáveis, como, acima de tudo, sempre idolatravam a cultura e a literatura. Eram indivíduos que, quando tínhamos oportunidade de contactá-los, em um único minuto já os conhecíamos e na hora seguinte, estávamos a admirá-los, para, logo após, nos rendermos à sua sabedoria. Estes os motivos de não os esquecermos jamais”, disse Rostand Lanverly, em artigo divulgado recentemente.

Maria Heloisa Melo de Moraes (cadeira 21), Fernando Antônio Gomes de Andrade (cadeira 1) e Temóteo Correia Santos (cadeira 7) assinaram virtualmente os respectivos termos de posse, em que se comprometeram a, com o fim da pandemia, participarem de toda a agenda social proposta aos novos imortais, o que inclui uma cerimônia solene em que saúdam todos os que ocuparam as cadeiras antes deles. Os imortais da AAL possuem a função de difundir o saber literário e salvaguardar fazeres, costumes e saberes que caracterizam o povo alagoano.

Além dos novos imortais, estavam presentes na assembleia virtual, de acordo com a ata, os confrades Alberto Rostand Lanverly, Yaradir de Albuquerque Sarmento, Mirian Marinho de Gusmão Canuto, Carlos Méro e Arnaldo Pinto Guedes de Paiva Filho.

MAIS PERTO
Ao celebrar, no ano passado, o centenário da Academia Alagoana de Letras, Alberto Rostand Lanverly disse que os imortais daquela data fariam história por levar a AAL para mais perto da população. Para cumprir com a palavra, a instituição manteve as palestras abertas e também encabeçou projetos de proximidade, como o Dois Dedos de Prosa & Poesia, que divulgou um calendário anual de conversas, abertas ao público, com escritores alagoanos - até mesmo com os que não integram o quadro societário. Infelizmente, dias antes da estreia do projeto a pandemia provocou a interrupção das atividades.

Agora, ainda em clima de celebração, o presidente Alberto Rostand Lanverly disse que conversou com o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Marco Lucchesi, em busca de uma saída para levar uma mensagem da instituição aos alagoanos. O presidente da ABL, na conversa, teria dito que os imortais deveriam levar uma mensagem de otimismo ao povo.

“Então, em uma nova reunião virtual, os membros foram convidados a gravar uma mensagem, em vídeo, para que compartilhássemos o que temos a dizer neste momento. Claro, enfatizando sempre a importância dos nossos valores culturais”, diz o presidente da AAL, que informou que os vídeos serão divulgados nos próximos dias.

No vídeo feito pelo próprio Rostand Lanverly, a mensagem é para que os alagoanos transformem o tempo de ociosidade em poesia e que descubram a arte de escrever as próprias histórias.

“Espero que surjam escritores deste período de quarentena. E é essa a mensagem de todos nós, uma mensagem para que se preservem o altruísmo, a confiança e a força para enfrentar o momento que estamos vivendo. Vale lembrar que já vivemos outras pandemias, inclusive, em uma delas, entre 1918 e 1920, surgiu a Academia Alagoana de Letras. Ou seja, pode ter sido a pandemia a unir as pessoas em torno da cultura e da literatura, já que naquele momento havia uma grande polarização em Alagoas, com grandes disputas políticas e ideológicas”, finaliza o presidente.


Gazeta de Alagoas