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14/09/2020 05:59 - Atualizado em 14/09/2020 06:02

Alagoas tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano do País nos seus 203 de emancipação

 

Na quarta-feira (16), Alagoas comemora 203 anos de emancipação de Pernambuco com o segundo maior percentual de pobres do Brasil, pior Índice de Desenvolvimento Humano do País (IDH), com a taxa de mortalidade infantil que supera a média nacional, líder absoluto de analfabetismo, com mais de 50% da população em situação de vulnerabilidade social, mais de 50 mil servidores insatisfeitos, abandono da agricultura familiar e sem política de reforma agrária, entre outras taxas negativas. “Neste momento, não temos motivos para festejar. Mas temos razões de sobra para chorar e refletir”.

O desabafo é do presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol/AL), Ricardo Nazário. Ele se junta aos outros líderes dos servidores públicos, dos trabalhadores rurais sem terras, sem teto, economistas e cientistas políticos que sugerem a data como instrumento de cobrança da melhoria econômica e justiça social para a maioria dos 3,3 milhões de habitantes que sentem, de alguma forma, os efeitos do coronavírus. O líder dos policiais civis cobra também melhores condições de trabalho para os servidores da segurança pública, critica a precariedade na maioria das delegacias e o desconto de 14% dos salários para a previdência de Alagoas no momento mais dramático da economia. “Os aposentados e os da ativa descontam até R$ 1 mil para a Previdência de Alagoas. Este dinheiro era o da feira, do aluguel, das contas de luz e água”. Situação semelhante das outras categorias do funcionalismo.

CIENTISTAS

Nos seus 203 anos de emancipação, Alagoas tem muito a comemorar e muito a refletir, ponderam o pesquisador e doutor em Economia, professor Cícero Péricles, e a doutora em Ciência Política, professora Luciana Santana, ambos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), ao lembrarem que a data marca a autonomia, a independência. Quando analisam esses dois séculos percebem momentos de avanços, recuos e na contemporaneidade não escondem a preocupação.

A cientista observa que o estado acumula indicadores sociais muito baixo na educação, saneamento, segurança pública e mais de 50% da população é dependente de proteção social do Estado, ou seja, pessoas que precisam da assistência do poder púbico para sobreviver. A doutora Luciana Santana destacou ainda que os índices de desemprego são altos. “A fome e a miséria são fatores para a gente pensar se há motivo e porque comemorar a data, neste momento”. Na reflexão de Cícero Péricles, Alagoas conseguiu caminhar de forma autônoma na política, assistiu a Independência do Brasil, a abolição da escravidão e a proclamação da República, que afetaram sua política e sua vida social. No século XX, saltou de uma sociedade agrária para urbana, mantendo seus fortes laços rurais.

“É esta sociedade herdeira de um passado de séculos que deverá enfrentar os grandes desafios postos, a exemplo da superação da pobreza e da desigualdade, que ainda travam o caminho dos alagoanos na direção de uma sociedade moderna e democrática”, afirma à reportagem. 


Com Gazeta de Alagoas 


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