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10/01/2021 09:36 - Atualizado em 10/01/2021 09:38

Campus Marechal completa 25 anos de história

 

No segundo semestre de 2020, o Ifal Marechal Deodoro completou 25 anos de atuação, celebrando um legado de avanços na oferta de educação profissional, com a consolidação da Educação de Jovens e Adultos e a verticalização do ensino no campus, a partir da implantação de cursos de graduação, especialização e mestrado. Além disso, a trajetória da unidade de ensino reúne casos de sucesso de egressos, premiações nacionais, projetos de impacto social e a fama hospitaleira que, segundo o diretor-geral Éder Souza, não mudou ao longo do tempo.

“O que mais destaca o Campus Marechal é a capacidade de acolhimento com os profissionais e com os alunos da nossa instituição. Somos um campus onde as relações humanas, de amizade e companheirismo, são extremamente valorizadas. E tentamos sempre que as pessoas se sintam acolhidas, se sintam bem em nossa instituição”, ressalta o dirigente.

É essa sensação de estar em família que a servidora Silvânia de Albuquerque, a mais antiga em atividade na unidade, diz carregar ainda hoje. “Eu tenho o campus como minha segunda casa”, define.
Implantação – O calendário marcava agosto de 1995 quando o Campus Marechal Deodoro iniciou suas atividades como Unidade Descentralizada (Uned) da antiga Escola Técnica Federal, ofertando curso preparatório para 160 alunos da rede pública municipal interessados em ingressar na instituição. No dia 25 de novembro do mesmo ano, foi inaugurada a sede própria da Rua Lourival Alfredo, em Marechal Deodoro, local de funcionamento até hoje.

Silvânia chegou para trabalhar no Campus Marechal nos primeiros meses de 95, com o prédio ainda em obras. A servente de limpeza vinha em permuta do Campus Palmeira dos Índios, onde havia tomado posse um ano e meio antes. “A unidade não tinha sido terminada. Era poeira, operários da obra e nós, servidores, trabalhando ali. Cheguei no primeiro dia estranhando os novos servidores”, lembra. “Mas depois a gente vai se conhecendo, convivendo, e passa a ser uma família”.

Desde sua chegada, a servidora acompanhou não apenas a evolução da estrutura física do campus e das relações de trabalho, como viu o progresso do ensino refletir na própria trajetória acadêmica. Silvânia cursou graduação e especialização no campus. “Vivi uma vida inteira nesse campus. Teve muita troca de servidores, a reforma no prédio. A escola se desenvolveu muito. As mudanças foram muitas”, aponta.

As mudanças às quais a profissional se refere vão do âmbito local ao institucional. A cronologia registra o início das aulas das primeiras turmas de ensino técnico no campus em 1996. Seis anos depois, veio a transformação em Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet). Em 2008, ocorreu uma modificação ainda maior: a instituição tornou-se Instituto Federal de Alagoas (Ifal), por meio da Lei nº 11.892/2008 de criação da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica.

Expansão – O campus que já possuía cursos técnicos integrados em Meio Ambiente e Guia de Turismo, cursos técnicos na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), em Cozinha e em Hospedagem, além do curso superior tecnológico em Gestão Ambiental, em 2014 passou também a ofertar a especialização lato sensu em Educação e Meio Ambiente. Outro passo rumo à verticalização do ensino foi dado em 2017, com a inauguração do primeiro mestrado do Ifal, em Tecnologias Ambientais, na unidade de ensino.

Para o coordenador do mestrado, Stoécio Maia, a contribuição que o Campus Marechal tem dado nas pesquisas ligadas à área ambiental é grande. “O campus já finalizou a primeira turma do mestrado. É um curso multidisciplinar, então as pesquisas são as mais diversas. Marechal investiu no laboratório de Análises Ambientais, que é extremamente bem equipado. E agora basicamente está finalizado um outro laboratório, de Manejo e Monitoramento Ambiental, para aulas e realização de pesquisas. A ideia é otimizar o uso desse espaço, transformá-lo em uma central analítica, um laboratório que possa prestar serviço à comunidade e as pessoas tenham mais opção em Alagoas para fazer análise de solo, de água, de gases”, planeja o docente.

A produção científica do campus abrange, por exemplo, estudos de indicadores biológicos e físicos para avaliar a poluição da água dos riachos da cidade de Marechal Deodoro e adjacências, uso de nanotecnologia para desenvolver sensores aplicados na identificação de contaminantes e poluentes em meios líquidos ou sólidos, bem como análise da relação entre agricultura e as mudanças climáticas globais, com foco no semiárido. As propostas mencionadas já arrecadaram juntas em torno de R$ 1 milhão em recursos de agências de fomento para serem postas em prática, de acordo com Stoécio.

As atividades de extensão desenvolvidas ao longo dos anos no campus também reúnem feitos de impacto social, como no caso da Escola em Libras, proposta de ensino da língua brasileira de sinais impulsionada pela chegada da primeira aluna surda à instituição, e do projeto de coleta de óleo de cozinha nos hotéis e restaurantes da cidade para produção de sabão e outros produtos.

“Esse projeto de extensão deu frutos. Hoje nós temos uma cooperativa no município, extremamente atuante, que produz diversos produtos a partir desse óleo coletado. Isso ajuda a conservação principalmente das lagoas do estado”, destaca o diretor-geral Éder Souza, em menção à Cooperativa de Reciclagem de Óleo de Cozinha de Marechal Deodoro – CooperÓleo, criada a partir da iniciativa extensionista do campus de combate ao descarte inadequado do resíduo.

À frente da gestão do campus desde abril de 2019, o dirigente relata outras ações que considera motivo de orgulho para a unidade. Uma delas é a ampliação da participação de alunos do município de Marechal Deodoro no número total de alunos da unidade. “Historicamente, era um número reduzido de alunos do município e hoje temos, nos cursos técnicos integrados diurnos, 50% de alunos do município. E nos cursos noturnos, 98% são alunos da cidade. Isso aconteceu graças aos cursos preparatórios que foram montados no campus para alunos deodorenses. Foi uma ideia pioneira do Campus Marechal que depois se expandiu para outros campi com apoio da Pró-reitoria de Extensão”, explica.

“Além disso, somos o campus do Ifal com maior quantidade de alunos da modalidade EJA. São cursos que atraem principalmente a comunidade local e têm dado excelentes resultados em termos de formar pessoas preparadas e que estão modificando sua realidade socioeconômica a partir dos conhecimentos adquiridos no nosso campus”, comemora Éder.

Equipe dedicada – O crescimento do campus e a busca pela consolidação da qualidade de ensino, pesquisa e extensão exigiram um trabalho dedicado do quadro funcional ao longo dos anos. Os esforços coletivos de terceirizados, técnicos e docentes contribuíram para alcançar os resultados esperados e para promover diferenciais na história do Ifal Marechal, como a realização de eventos integradores.

É o que conta a bibliotecária aposentada Eunícia Canuto. De 2004 a 2016, época em que esteve lotada no campus, a servidora atuou na organização de festivais literários, exposições e atividades culturais em geral. “Sempre achei que uma biblioteca deveria ter vida e não somente ser um depósito de livros. Essa inquietação me fez ir além de ‘guardadora’ do conhecimento, para disseminadora das informações ali mantidas. Sempre com intuito de ampliar a capacidade de conhecimento dos alunos, inserindo a arte como uma mola propulsora”, relata.

A saudade registrada no depoimento da aposentada acerca dos 25 anos do Ifal Marechal é compartilhada por outros profissionais que integraram a história da instituição. A professora Marília Góis faz parte desse time. O primeiro contato com o campus ocorreu na solenidade da inauguração, quando trabalhou como mestra de cerimônias. De acordo com ela, “a paixão foi imediata”.

Meses depois, a profissional deixava o cargo de comunicóloga da instituição para ingressar na equipe de docentes da unidade, graças à aprovação no concurso público. “Foram longas viagens no percurso de rodovia ainda limitada, o campus ainda sem cantina, sem ferramentas tecnológicas… Éramos nós e os quadros de giz, onde registrávamos e dividíamos nossos conhecimentos, com alunos que nos motivavam e davam um significado todo especial. Era o novo para todos. A construção e consolidação da escola foram frutos de muita dedicação de toda a comunidade”, conta Marília, que assumiu a direção-geral do campus de 2010 a 2019.

Entre os desafios e conquistas mais marcantes, a ex-diretora destaca o processo de reconhecimento dos antigos cursos superiores de tecnologia em Turismo e Hotelaria, por ter exigido muitas horas de trabalho e luta da equipe envolvida, e a presença do Campus Marechal por anos consecutivos no topo do ranking das melhores escolas públicas de Alagoas, de acordo com as notas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

“Rememorar 25 anos do Ifal Marechal e registrar minha gratidão pela oportunidade de construção conjunta de um mundo melhor a partir da educação, me emociona. Vêm a memória tempos muito felizes, vividos com amigos de décadas, vários deles ainda na ativa e contribuindo para o fortalecimento dessa centenária instituição, como motivo de orgulho para todos nós, pelos serviços prestados à sociedade alagoana”, afirma.

Transformação na vida dos estudantes
São muitos os “casos de sucesso” advindos das oportunidades ofertadas no Campus Marechal. Os relatos envolvem estudantes que passaram pela instituição e se beneficiaram dos aprendizados adquiridos para se estabelecer no mercado de trabalho ou seguir carreira acadêmica, caso das egressas Lídia Fabiana Vasconcelos e Rosiane Maria Pereira, que hoje são professoras efetivas do campus.

Lídia ingressou na unidade em 2001, formou-se na primeira turma do curso de graduação tecnológica em Hotelaria e retornou à instituição como docente em 2014. “Voltar ao campus como servidora é, sobretudo, poder contribuir com outras formações, com o crescimento pessoal e profissional dos estudantes que lá estão. É uma responsabilidade ainda maior, é o dever de retribuir toda formação humana e profissional que eu recebi naquela casa”.

Para ela, a vivência no campus abre novos olhares e caminhos e representa a possibilidade de sonhar com dias melhores. “Mudou a minha vida”, resume.

Já Francisco André, ex-paratleta alagoano de natação que representava o campus em competições esportivas, tomou um rumo distante dos muros da escola. O egresso está concluindo a graduação de Direito em outra instituição de ensino, mas diz que sua relação com o Ifal Marechal é um vínculo que não se desfaz.

“Entrei com 16 anos, em 2013. Fui monitor de um projeto de Educação Física. Também desenvolvi o projeto Um Pé, um site de venda de calçados para amputados. E com esse projeto, ganhamos prêmios estaduais e nacional. A estrutura que o campus tem, salas muito boas, apoio psicológico, acadêmico… é sem igual, uma escola de outro nível. Quando finalizei o curso de Guia de Turismo, já consegui entrar para trabalhar em uma das maiores empresas de turismo da América Latina. E no mesmo ano que finalizei, consegui passar na faculdade. Foram muitas coisas boas que vivi lá. Lá, eu fui um jovem que sonhei. Sonhei, acreditei e fui atrás. Sou grato ao Ifal por tudo”, declara.

No caso de Mateus Neri, as experiências enquanto estudante do curso técnico em Meio Ambiente foram ainda mais múltiplas. O egresso, morador da parte alta de Maceió, gastava 5h em média, por dia, no trajeto de ida e volta entre a capital alagoana e o campus. Tudo para abraçar as oportunidades que a instituição lhe oferecia e não abrir mão do curso que mais se identificava.

Mateus participou do projeto de extensão Observatório da Mobilidade Urbana, foi monitor voluntário de História, depois monitor de Matemática no ProIfal, monitor da disciplina de Impacto Ambiental, até chegar à monitoria da disciplina de Matemática. Participou do coral, da equipe de vôlei, integrou projeto de pesquisa, fez viagens para representar o campus em eventos acadêmicos e esportivos, foi representante voluntário do grêmio estudantil.

“Falar da minha experiência com o campus é contar um pedaço importante da minha história, da minha vida. É algo que me comove. Desde o princípio, foi uma luta para estudar lá. No meu primeiro ano, senti um pouco de impacto da realidade nova, do nível de cobrança. Foi puxado, mas foi de muito aprendizado, de adaptação. Foi um divisor de águas o meu ingresso no Ifal. Abriu a minha mente para todo um mundo novo. É uma experiência que traz um amadurecimento em várias áreas da nossa vida”, relata o ex-aluno.

Quando se fala nas mudanças de vida ocasionadas pela vivência no Ifal Marechal, outro estudante exemplo disso é Jackson Filipe, que ingressou em 2011 no curso técnico da EJA em Cozinha, após três tentativas de estudar no campus. “Houve muitas dificuldades, mas enfrentei e segui em frente. Desenvolvi projetos de extensão e um deles, foi na comunidade onde eu moro. E daí, já começou a abrir as portas. Houve oportunidade de participar do Fórum Mundial de Educação, em Santa Catarina, em 2012. Lá, apresentamos a oficina chamada Delícia de Alagoas, onde fizemos um prato de sururu com purê de macaxeira. Foi um sucesso. Apresentamos trabalho de extensão e pesquisa também no Acre”.

Jackson saiu da instituição com a qualificação almejada e se beneficiou da verticalização do ensino, retornando ao instituto em 2016 para fazer a graduação em Gestão Ambiental. “É um pouco difícil, mais exigência, mas estou correndo atrás. Recentemente, participamos da elaboração do cardápio da TAP [companhia aérea portuguesa] e a experiência foi fantástica, porque a gente prestou nosso serviço lá”, acrescenta.

O universitário se diz surpreso e orgulhoso com o profissional que se tornou e o reconhecimento alcançado. “Foi uma forma de representar também minha família. Eu sou filho de um pescador e de uma auxiliar de serviços gerais. Eles não tinham condição de pagar uma escola particular para mim e para os meus irmãos. E com a escola pública, que veste a camisa, o aluno que se dedica pode vencer na vida. Por isso, é de grande importância o Ifal na cidade de Marechal Deodoro. Eu tenho um amor muito grande pela escola onde eu estudo, que foi onde me acolheu”.

O CAMPUS HOJE – Atualmente, o campus possui cerca de 1.200 alunos matriculados, distribuídos em cursos de diversos níveis. Aproximadamente 850 deles são atendidos pela assistência estudantil, com o fornecimento de bolsas ou outros auxílios para garantir as condições de permanência e conclusão ao público em situação de vulnerabilidade socioeconômica.


Ascom Ifal 


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