09/10/2018 11:27 - Atualizado em 09/10/2018 11:29

Ciço vira nanico e dá vexame ao ficar fora da ALE

 

A década que separa as eleições deste domingo (7) e aquelas que revelaram o prefeito com maior votação nominal e proporcional da história da capital alagoana transformou em político nanico o fenômeno eleitoral Cícero Almeida, o Ciço (PHS-AL), que tem como marcas os 319.831 votos e nada mais que 81,49% dos votos válidos. E relembrou a provocação eternizada pelos seus adversários tucanos: “Cadê o Ciço?”.

O deputado federal já previa o encolhimento plantado pela sua falta de habilidade política e pelas sucessivas trocas de partidos e evitou tentar se reeleger para a Câmara dos Deputados. Mas seu nível de humildade talvez não contasse com o vexame de não se eleger para uma das 27 vagas da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) e ficar na sétima suplência, escolhido por apenas 8.405 eleitores, 0,56% dos votos válidos.

Com votação 38 vezes menor que seu maior resultado, Cícero Almeida só seria eleito para vereador de Maceió, lá pela 9ª colocação, comparado aos últimos eleitos em 2016. E não se manifestou para seus eleitores, nas redes sociais, após o resultado das urnas.

O pífio desempenho do popular Ciço o deixou atrás de políticos sem expressão política, como o humorista estreante Papa Capim (PSD), que teve quase 2 mil votos a mais que o ex-prefeito recordista de votos.

O desgaste de ter sido condenado em ação de improbidade da Operação Taturana e réu na ação penal da Máfia do Lixo foi ampliado em 2016 pela derrota de Ciço em 2º turno com uma diferença de mais de 20 pontos percentuais para o prefeito de Maceió Rui Palmeira (PSDB). Esta primeira derrota vergonhosa em que teve menos de um terço de seu recorde de votos foi patrocinada pelo então presidente do Senado Renan Calheiros e do governador de Alagoas Renan Filho, ambos do MDB.

No meio do caminho desta tragédia eleitoral, Ciço fez mais de dez trocas de partido e foi alvo de muita reclamação de tratamento arrogante dispensados a aliados políticos. E não conseguiu eleger seu filho Marcos Almeida (PHS) como sucessor na Câmara dos Deputados. O registro do herdeiro político do ex-prefeito foi indeferido pela Justiça Eleitoral por “ausência de requisito de registro” e seus votos não foram computados na apuração oficial.

Ainda que em decadência política, a trajetória pessoal de Ciço impressiona, para quem nasceu pobre em Maribondo, no interior de Alagoas, vendeu picolé, foi cobrador de ônibus e motorista de táxi na capital alagoana, e teve impulsionada a carreira política depois de ser repórter de programa policialesco na TV Alagoas. E se tornou vereador em Maceió, deputado estadual e prefeito duas vezes da capital alagoana, antes de ser eleito para a Câmara dos Deputados, em 2014.


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