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20/03/2020 18:25 - Atualizado em 20/03/2020 18:37

Há 42 países sem casos reportados de coronavírus

 

O coronavírus está ativo há três meses, quando a meio de dezembro irrompeu na cidade chinesa de Wuhan. Há mais de 220 mil infetados e mais de nove mil mortes, ainda assim há à data de hoje mais de 40 estados sem casos oficialmente confirmados. A lista é cada vez mais curta e dinâmica, e entre estes países há alguns que falam português: Angola, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Cabo Verde ou Timor Leste.

Cada vez mais estados de emergência, milhares de milhões de vidas viradas do avesso, infetados e mortes. O coronavírus que tudo está a mudar, ainda não entrou em 42 estados, uns de maiores dimensões, outros apenas micropaíses. O continente africano, alguns países na Ásia, e ilhas da Oceania e da América Central são as zonas em que mais sistemas nacionais de saúde ainda não reportaram situações confirmadas.

A situação do Covid-19 em todo o mundo é muito volátil e a todo o momento há registo de novos casos, pelo que dados podem ficar desatualizados em pouco tempo. No leque destes países, até ao momento sem casos oficiais, estão alguns de língua oficial portuguesa como: Angola, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Cabo Verde ou Timor Leste.

Para esta situação − e ressalvando que fala em abstrato porque não conhece os casos em concreto − o diretor clínico do serviço de Infecciologia do Hospital Curry Cabral, Fernando Maltês elabora três hipóteses: falta de capacidade de diagnóstico local, poucas ligações áreas, nomeadamente com áreas de grande contágio − o que pode ser uma realidade em muitos microestados desta lista, e regiões geográficas com temperaturas mais altas como o continente africano.



Esta última, o especialista em Infecciologia alerta que é apenas uma hipótese uma vez que a relação entre o coronavírus e a temperatura ainda não está comprovada cientificamente.

Três dúvidas
A inexistência de capacidade de diagnóstico pode justificar a presença nesta lista de alguns países. Três casos flagrantes são o da Síria, o Iémen, e o Turquemenistão. No primeiro caso, a fronteira com o Irão, um dos países mais fustigado com esta crise, só por si levaria a suspeitar, a isso junta-se as preocupações dos responsáveis de saúde local para que haja casos que não estão a ser reportados.

O Iémen, por seu lado, é um país que há anos se depara com uma guerra civil duríssima, tendo um sistema de saúde comprometido. O Turquemenistão é um dos poucos países da Eurásia para os quais não existem dados no mapa on-line oficial do instituto Johns Hopkins sobre casos confirmados de coronavírus. Isso pode dever-se à notória dificuldade em obter informações precisas sobre país, onde as informações são estritamente controladas e a censura aos meios de comunicação social é omnipresente.

Falta de testagem
A hipótese levantada pelo diretor clinico do serviço de Pneumologia do Hospital Curry Cabral, Fernando Maltês, de falta de capacidade de diagnóstico, parece ter tração no caso da pequena ilha da Oceania, Vanuatu.

Naquele local, as amostras de teste COVID-19 estão a ser enviadas para laboratórios no exterior e os resultados só chegam sete dias depois. O país insular espera realizar os primeiros testes locais em "poucas semanas", disse à imprensa internacional Posikai Samuel Tapo, diretor dos serviços de segurança sanitária de Vanuatu.

E se houver um surto num destes países?
A Papua Nova Guiné consta também desta lista de locais sem casos oficiais. Mas isso não impede o país da Oceania estar a tomar um conjunto de medidas de precaução e de restrição social. O sistema de saúde local já luta para apoiar seus 10 milhões de cidadãos. As doenças como HIV, a tuberculose e a malária são um fardo quotidiano nos hospitais e exigem uma parcela massiva dos recursos limitados.

Os grandes hospitais têm apenas um pequeno número de camas para cuidados intensivos. O principal hospital público da capital Port Moresby possui menos de 10 camas, por exemplo, e desse pequeno número apenas algumas estão equipadas com ventiladores para pacientes com problemas respiratórios.

Para a maioria dos cidadãos da Papua Nova Guiné, o hospital não é efetivamente uma opção, uma vez que 80% da população vive fora dos centros urbanos, graças à economia informal. Para muitas pessoas, esta crise vai passar sem que tenha acesso a cuidados de saúde.

O método
O número de novos casos de coronavírus multiplica-se e é uma realidade muito dinâmica que faz com que o que agora é verdade, poucos depois já não seja. Ainda que o coronavírus seja uma realidade mundial, que levou aliás a Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar o estado de pandemia, há alguns locais que não têm casos reportados.

Para chegar a esta lista de 42 países, a Renascença cruzou três fontes: a OMS, o Instituto John Hopkins, e um site especializado, o www.pharmaceutical-technology.com. Aos dados destas três fontes, a Renascença acrescentou ainda as triangulou com uma procura por notícias sobre cada um dos países apontados, por cada uma das organizações, de forma a que os dados estejam tão atualizados quanto possível.



Com o Sapo

 


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