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26/05/2020 16:22 - Atualizado em 26/05/2020 16:25

Hospital denuncia alta abusiva em insumos médicos

 

Não bastasse o Brasil combater a ameaça da pandemia de covid-19 lidando com desafios de sempre da estrutura da saúde pública e privada no país, a crescente proliferação do novo coronavírus, a escassez de materiais e leitos, bem como o afastamento de profissionais contaminados ganharam um novo agravante: O aumento vertiginoso de até 6.900% dos preços de insumos e serviços que auxiliam no tratamento de pacientes nos hospitais. A direção do Hospital Veredas, em Maceió (AL), denuncia os riscos da prática de preços abusivos para a vida dos brasileiros, após anos de inflação sob controle no país.

“Esta é uma realidade que preocupa, sobremaneira, quem está à frente da gestão hospitalar, especialmente quando se deparara (pasme!) com aumentos dos preços de alguns itens, majorados em mais de 6.000%. Estes produtos são necessários, sobretudo, para manter as pessoas vivas, evoluindo para alta hospitalar, ou cuidar dos ambientes dentro do protocolo sanitário, com novas e importantes exigências, entre outras tantas razões ou motivos”, alertaram dirigentes do antigo Hospital do Açúcar, ligado historicamente ao setor sucroenergético de Alagoas e que também atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

O alerta faz referência à variação de 6.900% no custo da máscara cirúrgica descartável, que o Veredas comprava a R$ 0,05 em novembro de 2019 e passou a comprar a R$ 3,50 em abril deste ano. E ocorre em um cenário de dificuldades de faturamento do hospital particular, a partir da suspensão de boa parte das consultas e cirurgias, exames e outros atendimentos que geram dinheiro para o caixa.

Nesta segunda-feira (25), o Veredas mantém ocupados 100% dos 20 leitos de UTI exclusivos para pacientes do SUS com covid-19, e ocupa 17 dos 20 leitos clínicos para alagoanos com o novo coronavírus. E destaca o fato de que o Decreto-Lei nº 13.992 permitiu a cobrança pela média do faturamento, de forma linear, sem qualquer previsibilidade para o movimento de alta que o mercado faz diariamente nos suprimentos.

O Hospital Veredas ainda alerta para o aumento real em média de 35% do consumo dos produtos, com mais insumos gastos. Certos itens aumentaram seu consumo em mais de 70%, a exemplo dos diversos álcoois; e outros em torno de 50%, como os gases medicinais.

Em contrapartida, o mercado reage com preços abusivos dos insumos. E a denúncia do Vereadas, apresentada como “a ponta do iceberg” por quem destaca estar no “olho do furacão” desta pandemia, alerta a todos os envolvidos com os rumos mais imediatos da saúde brasileira.

“A despeito das leis de mercado, há uma grande possibilidade de instabilidade generalizada no setor, contra a qual e desde já, insurgimo-nos a não prevaricar”, conclui o alerta assinado pelos médicos Edgar Antunes Neto, Adeilson Loureiro e Rodrigo Bomfim, membros da direção do Hospital Veredas; pelo gerente administrativo do Hospital Veredas, Luiz Anhanguera; e publicitário, jornalista e professor da Ufal, Luiz Dantas.

Veja quanto variaram os preços praticados antes da covid-19 (em novembro de 2019) e depois da pandemia (em abril de 2020):



Recursos humanos em crise
Com consumo em alta, preços incontroláveis e o faturamento despencando, o Hospital Veredas ainda pontua que a covid-19 e seus sintomas afastaram mais de uma centena de colaboradores, entre os cerca de 1.500 profissionais de sua equipe multidisciplinar. Quadro que gera mais despesas com o acompanhamento diário dos funcionários afastados, e novas contratações de substitutos para manter as atividades dentro do que manda as nossas boas práticas de Medicina.

“Esta é uma equação perversa e que aponta para graves problemas que enfrentamos desde já, e outros tantos que haveremos de enfrentar de maneira ainda mais aguda. Tudo isso é oriundo de uma situação que ninguém, por mais preparado que fosse, estava pronto a dar respostas de forma eficaz e assertiva”, relata a direção do Veredas.

Os gestores também destacam que a dificuldade de compreensão e resolutividade do tratamento da covid-19, segundo a ciência, expõe os hospitais à queda de seus recursos financeiros por um lado, e os obrigam a assumir despesas em alta e sem controle, por outro lado.

“Isso tem levado algumas instituições ao desespero, apontando para a redução e corte de salários, convenhamos, uma brutal injustiça, quando o correto seria o aumento e o pagamento de gratificações a todos os colaboradores pelo relevante serviço que prestam”, lamenta os dirigentes do Hospital Veredas.


Diário do Poder Alagoas 


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