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21/07/2018 08:15 - Atualizado em 21/07/2018 08:15

João Hugo Lyra lança EP cheio de swing, presença e sotaque alagoano

 

"A palavra é necessária diante do absurdo". A poeta Hilda Hilst jogava sua frustração nesse abismo de luz que é a vida no meio do nada.

E João Hugo Lyra dá sentido e corpo a essa mesma palavra. Dá sentido ao nada e o colore de um tudo.

A oralidade e o sentimento (do que já passou) transportado, comunicado através da fala, da cantoria, do sotaque com alma lavada.

O fraseado, o cacuete na voz, o ego-identidade se manifestando. Eu, João. Eu, Tim Maia. Eu, Você. Juntinhos.

É clara sua referência e reverência ao mestre do soul brazuca. Mas João é uma ilha anti-dilúvio. Não se deixa afogar pelo oceano da obviedade.

Sua fórmula é não querer parecer. É ser. É se pôr à altura, à margem do sol daquele mesmo abismo.

Há luz e quando ela existe, há ondas, um balanço todo especial e que chega aos nossos olhos e ouvidos em um volume considerável.

O cheiro de cana queimada pode ser percebida em seu swing apresentado no EP "Eu, João", lançado de forma independente em 2018.

O álbum está disponível em todas as plataformas digitais, como o Youtube, Spotify, Deezer e outras mais, escancarando de forma gratuita o que está por vir.

Ele é o punk do funk alagoano, que ora fala do matrimônio entre o céu e o inferno sem querer ir para nenhum dos dois destinos, ora se vê em territórios sem fronteiras com seus ídolos interagindo, ora revisitando amores idealizados, ora a estar no presente de um minuto atrás, ora não mais ouvindo acauã, ora sinalizando o fim.

Esse, na verdade, é só o começo de uma carreira iniciada escutando e processando a musicalidade dentro de casa - João é filho do músico Dydha Lyra, que assina neste EP as "Nunca Mais Eu Vi" e "A Nave".

"Gandhi no Comando" e "Divina Comédia" são de John Mendonça e Victor Lyra, seu irmão. Este último também compôs "Minuto" e, ao lado de João, "Sinal".

Victor, além de fazer todos os arranjos e ser produtor do EP, ainda toca violão e guitarra no play. E está tudo realmente em casa com Allysson Paz na bateria; Júnior Beatle no baixo; Dinho Zampier no tecalado; Júnior Rhá na percussão; Biro Court e Jucelia Gomez nos backing vocals; Almir Medeiros no sax; Emerson Ronyere no trompete; Everinaldo Almeida no trombone; e os irmãos Tiko no trompete e Teco no trombone; afora a participação de João Lyra, tio de João (Ele, João?), na música "Nunca Mais Eu Vi" com viola e violão.

A captação de som e timbres é do mago Thiago Tenório, juntamente com sua coprodução do EP, e a mixagem e masterização, de Emil Shayeb, do Valetes Records.

Assim, este registro sonoro ganha notoriedade por ter sido feito por muitas mãos, chegando às prateleiras digitais justamente no Dia do Amigo, 20 de julho.

Um brinde então à palavra cantada e ao absurdo que é estar aqui, lendo, e ouvindo e vivendo. Eita, vou morrer...


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