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13/05/2018 08:38 - Atualizado em 13/05/2018 08:46

Lama nas torneiras do povo de Murici, o berço político de Renan

 

Após uma série de reclamações contra a falta de qualidade da água distribuída a vítimas das enchentes de 2010, no reduto político do senador Renan Calheiros (MDB-AL), a juíza Emanuela Bianca de Oliveira Porangaba, da Comarca de Murici (AL), realizou nesta terça-feira (8) uma audiência pública em busca de uma solução para o problema de saúde pública que atinge os conjuntos residenciais Pedro Tenório e Olavo Calheiros I e II – estes últimos que homenageiam o patriarca do clã Calheiros. A audiência aconteceu na Câmara de Vereadores de Murici.

No debate sobre os problemas de abastecimento em Murici estiveram presentes vereadores; o prefeito de Murici, Olavo Calheiros Neto (MDB), sobrinho de Renan; representantes da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), autarquia estadual administrada pelo governo de Renan Filho (MDB); e a moradores dos conjuntos populares munidos de garrafas com a água barrenta que sai de suas torneiras, nas casas populares doadas a desabrigados da tragédia de oito anos atrás e outras famílias pobres muricienses.

Além da falta de qualidade da água fornecida pela Casal nas três comunidades carentes que concentram boa parte da população da cidade, os moradores reclamaram da irregularidade do abastecimento nesses conjuntos e em toda a cidade. Diante da situação, a juíza determinou que a Casal e o Município forneçam água através de caminhão-pipa para as três comunidades afetadas com a qualidade da água. E que o IMA realize, no período de um mês, a coleta da água para a análise.

De acordo com a magistrada, a ideia da audiência pública surgiu ao ser observada a proporção do problema de abastecimento de água da região, que afeta boa parte dos moradores do Município.

“Existiam duas ações civis públicas em curso sobre o mesmo assunto, que é a qualidade da água. Então, eu resolvi fazer uma audiência para dar uma decisão para as duas ações e, ouvindo também a população. Os três conjuntos são os maiores prejudicados em relação à regularidade – falta muito – e, sobretudo, à qualidade. Contudo, todo o município sofre com a falta. Tanto na ação civil pública figuram como réus a Casal e o Município, uma vez q este também abastece uma parte da cidade”, destacou Emanuela Porangaba.

Durante os debates na audiência, foi dito que um projeto para regularizar a situação do abastecimento de Murici tramita há sete anos, após a tragédia das enchentes de 2010, na cidade cortada pelo Rio Mundaú, que abastece a Lagoa Mundaú e tem valor histórico por motivar o nome do Estado de Alagoas. Murici é dominada politicamente pela família Calheiros há 22 anos.

A Casal disse ao Diário do Poder que não fornece água fora dos padrões da portaria do Ministério da Saúde. “Se, por alguma razão, a água não puder ser tratada ou permanecer fora dos padrões após ser tratada, o fornecimento é suspenso imediatamente”, destacou a companhia estadual, por meio de sua assessoria.

Veja mais explicações da Casal, sobre o abastecimento em Murici:

Primeiro, é bom esclarecer que a audiência faz parte de um processo que tem como parte autora a Defensoria Pública Estadual em favor de moradores de dois conjuntos habitacionais.

Não se discutiu ontem a qualidade da água para a cidade de Murici, mas especificamente para esses dois conjuntos: o Residencial Olavo Calheiros [I e II] e o Pedro Tenório. São conjuntos do "Programa da Reconstrução", erguidos após a enchente de 2010.

O manancial de água bruta e a Estação de Tratamento de Água que enviam o líquido para esses conjuntos não são os mesmos que abastecem a maior parte da cidade. Ou seja, a cidade possui dois sistemas operados pela Casal e um terceiro operado pela Prefeitura.

Não se sabe, ainda, o motivo da água chegar com turbidez para os moradores desses conjuntos. A juíza determinou, ontem durante a audiência, que o IMA faça coletas e apresente laudos sobre a qualidade da água. O IMA fará quatro coletas em quatro semanas seguidas e enviará os laudos para a juíza. O objetivo é saber se a água fornecida pela Casal é mesmo barrenta e se essa água está dentro ou fora dos padrões determinados pela portaria do Ministério da Saúde.

Em relação à turbidez, se realmente a água apresentada for a fornecida pela Casal, isso pode ocorrer no próprio manancial, quando chove e desce muita lama e areia para o leito do açude, ou durante a distribuição, no caso da rede ser formada por canos de ferro e antigos. Neste segundo caso, quando a água passa, ela adquire essa cor turva. No caso da água já vir barrenta do manancial devido às chuvas, pode haver alguma deficiência na ETA por não conseguir retirar essa turbidez.

Mas, como disse, é preciso aguardar a análise do IMA, que vai primeiro comprovar se a água fornecida pela Casal aos conjuntos é essa que está barrenta, e segundo se existe algum tipo de contaminação nessa água, se ela está fora dos padrões de potabilidade da portaria do Ministério da Saúde.

Outra causa para a turbidez pode ser o reservatório da própria residência (a caixa de água). Se ele estiver sujo, a água pode ficar turva.

A análise do IMA vai comprovar também se a turbidez é frequente ou se é algo esporádico, ou seja, em virtude da chuva que leva lama e material sólido para o manancial.

Enquanto os laudos do IMA não ficam prontos, a juíza determinou que a Casal e a Prefeitura de Murici, de forma solidária, forneçam carros pipa para esses dois conjuntos. Isso porque a prefeitura também fornece água para eles e para outras áreas da cidade.

Como disse: existem três sistema de abastecimento na cidade, sendo dois operados pela Casal e um pela prefeitura. Por isso é importante o IMA identificar se a água barrenta realmente é a fornecida pela Casal.


Com Diário do Poder 


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