Notícias / Cultura


Imprimir notícia

04/09/2018 07:54 - Atualizado em 04/09/2018 08:08

Museus do estado correm risco de tragédia por descaso

 

Com o incêndio do Museu Nacional, na noite de domingo (2), é fácil se perguntar quantos outros museus correm o mesmo risco.

A museóloga Cármen Lúcia Dantas, graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é o principal nome da área no estado. Ela destaca a falta de cuidado com as entidades e lembra o caso do Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore, localizado na Praia da Avenida e ligado a Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

"Alagoas está na mesma situação ou até pior, porque aqui não se olha para os museus. O Théo Brandão foi restaurado e são quase 20 anos sem manutenção; está lá se acabando novamente. O que guarda os museus em Alagoas e no Brasil é a divina providência. Eles são amparados pela divina providência e isso é muito triste", aponta a estudiosa.

Cármen também lembra de outros casos como o do Museu Nacional. "O que houve no Rio de Janeiro pode acontecer em qualquer estado do País. Tivemos o mesmo em São Paulo com o Museu da Língua Portuguesa, no passado com o Museu de Arte Moderna do Rio. Isso pode acontecer a qualquer museu porque eles não têm um sistema especial de segurança, eles são vulneráveis, todos eles".

Cármem classificou o incêndio como "uma perda irreparável para o País e uma vergonha internacional", enumerando ainda as consequências para a população brasileira. "Estou profundamente chocada, as lágrimas descendo ao ver essa destruição de todo um passado. Um museu de ciências, além do acervo museológico, tem os documentos, as teses. Ali era um centro de estudos", relata com pesar.

Ressaltando a importância dos acervos guardados em solo alagoano. No Instituto Histórico e Geográfico, por exemplo, repousam algumas das mais raras peças de cultos de matriz africana no Brasil, com a Coleção Perseverança. Já no Museu do Paço Imperial, em Penedo, estão pratarias, louças, móveis e toda uma sorte de objetos utilizados por D. Pedro II durante sua passagem pela cidade.
"Nossos museus têm acervo rico. Alguns deles não têm uma museografia, que é a forma como se expõe esse acervo, adequada ou moderna, mas nossos acervos são preciosos tanto para a história de Alagoas como para a brasileira. Peças valiosíssimas do culto afro, peças importantíssimas da cultura popular de Alagoas, do Nordeste e do Brasil, além de peças significativas da arte erudita, esculturas sacras, pinturas. Temos um acervo muito rico, mas altamente vulnerável".

Especializada em Planejamento Urbano e Patrimônio Cultural em Berlim, na Alemanha, ela afirma que tudo isso corre risco. "Todos os museus de Alagoas correm risco, sejam das esferas estadual, municipal, federal. Todos eles correm risco e é a providência divina que os segura e preserva, apenas isso", diz, acrescentando que a tragédia no Rio já era esperada, visto a situação "caótica" das instituições.

Para a museóloga, a imagem do museu em chamas é emblemática. "Ela representa o momento que o Brasil atravessa. Um País que não zela pela sua cultura, pela educação, é um país em chamas", destaca. "E essa tragédia acontece exatamente no momento em que o Brasil se prepara para eleger seus representantes. Que façamos uma reflexão sobre quem vamos levar pra lá. É um momento de reflexão e de dor, uma dor histórica".


Jornal de Alagaos 


Deixe seu comentário

PREENCHA SEUS DADOS ABAIXO

Suas informações pessoais não serão divulgadas.


Comentários 0

Ainda não há comentários nesta matéria.