25/03/2020 08:34 - Atualizado em 25/03/2020 08:35

Ordem de Renan Filho contra lojistas é criticada

 

A maneira como o governo Renan Filho retirou equipamentos e insumos médicos de empresas localizadas na capital, no último fim de semana, foi alvo de reação e críticas feita por alguns deputados, durante a sessão ordinária e remota da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), na manhã desta terça-feira (24). Os parlamentares classificaram a medida do governo como agressiva e desnecessária. O deputado Antônio Albuquerque (PTB) chegou a classificar a ação como 'pirotecnia'. Logo após a ação, os comerciantes divulgaram áudios denunciando a truculência do Estado.

De acordo com Albuquerque, se o Estado tivesse solicitado os equipamentos e produtos sem abuso, os empresários fariam a entrega, visto que ninguém discute a necessidade da área da Saúde diante do quadro atual. O parlamentar utilizou, ainda, sua fala para manifestar solidariedade aos comerciantes que tiveram as lojas invadidas e aos cidadãos que tiveram direitos constitucionais violados.

"Eu tive informações de fontes da maior fidelidade de que as pessoas foram ameaçadas de prisão. Algumas pessoas que já tinham pago pelos produtos, não tiveram como levar para casa o que compraram. Foram postos para fora. Foi uma ação desnecessária, acho que uma pirotecnia, um exibicionismo sem nenhum valor. Concordo plenamente que eles [comerciantes] deveriam ter sido contatados. Eles cederiam tranquilamente. Então, é lamentável o que aconteceu. Acho que isso só depõe a quem faz. Não há justificativa alguma para este tipo de comportamento. Lamento profundamente", disse o parlamentar na sessão desta terça-feira.

Quem primeiro tocou neste assunto foi o deputado Bruno Toledo (PROS), durante discussão de requerimento da deputada Jó Pereira (MDB) ao Executivo para que solicite providências para garantir, a todos os profissionais de saúde, os equipamentos de proteção individual, como máscaras, luvas e álcool em gel. Toledo disse que requisições, em caso de decreto governamental, não devem ser feitas da maneira como essa foi realizada no último sábado, nas lojas e distribuidoras em Maceió. "De maneira coercitiva e com o uso das forças policiais. Entraram nestes estabelecimentos, recolheram os materiais de maneira agressiva", avaliou o deputado, que também foi acompanhado por Davi Maia (DEM).

"Saque, roubo, assalto". Assim os comerciantes do setor hospitalar classificaram a ação do Estado, no último sábado. As empesas e distribuidoras vítimas da ação foram a Casa do Médico, Comac, Kamed, DEA Farma e APL Cárdio.

Outros parlamentares também engrossaram o coro. Cabo Bebeto (PSL) disse que o governo agiu desmedidamente e, o pior, ainda não garantiu o pagamento dos comerciantes pelos materiais que foram retirados à força. Na opinião do deputado, a ação não deveria ter sido feita nestes moldes, pegando os comerciantes de surpresa.

A deputada Jó Pereira ponderou o discurso, ao tratar a atitude do Executivo como legítima, mas desproporcional. Segundo ela, as requisições foram necessárias, e deveriam ter sido feitas mesmo, porém de uma maneira que não assustasse os comerciantes e nem os deixasse sem expectativa de receber o pagamento posteriormente.

Líder do governo na ALE, o deputado Silvio Camelo (PV) disse que todas as medidas tomadas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) estão regulares e seguem as diretrizes do decreto governamental para o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus em Alagoas.

A denúncia feita à Gazetaweb por comerciantes compara a estratégia do governo a um verdadeiro saque. Áudios revelam o uso da força e da intimidação, pelas equipes da Sesau, enquanto recolhiam os materiais nestas empresas. Horas após a invasão aos estabelecimentos, eles enviaram áudios à redação classificando a ação como "saque, roubo". Disseram, inclusive, que não foi dado prazo para pagamento.

PROMESSA DE PAGAMENTO
Após a denúncia o uso da força e o saque os proprietários dos estabelecimentos, além de áudios que revelam o abuso do Estado, o Secretário de Saúde de Alagoas, Alexandre Ayres, reuniu os empresários nesta terça-feira (24) e prometeu pagá-los o quanto antes. Visivelmente constrangidos, os comerciantes compareceram à reunião classificada pelo governo como "visita de cortesia".



Com Gazetaweb