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07/07/2020 11:19 - Atualizado em 07/07/2020 11:20

Ordem dos Jornalistas do Brasil emite nota em solidariedade a Oswaldo Eustáquio

 

A Ordem dos Jornalistas do Brasil emitiu nesta segunda-feira (6) uma nota pública em solidariedade ao jornalista profissional Oswaldo Eustáquio e a outros jornalistas que tiveram suas liberdades violadas.

“É gravíssima a censura imposta a um trabalhador de imprensa, principalmente porque o que está sendo censurado não é uma notícia ou opinião específica, mas sim a pessoa do jornalista Oswaldo Eustáquio, que fica impedido de exercer sua profissão, ou se manifestar publicamente”, destacou a nota.

Eustáquio é jornalista profissional diplomado e já passou por vários veículos de comunicação de grande porte, tendo recebido prêmios por sua atuação como repórter investigativo. Evangélico e apoiador do presidente Jair Bolsonaro, Eustáquio foi solto neste domingo (5) depois de passar 10 dias em prisão temporária. Apesar da liberdade reestabelecida, o jornalista está impedido de exercer sua profissão por ordem do STF, que o impediu de utilizar qualquer as redes sociais.

Além das investidas do Judiciário contra sua atuação, Eustáquio vem sofrendo ataques de veículos de imprensa que tentam diminuir seu trabalho chamando-o de “blogueiro”.

A OJB foi a única entidade representativa da classe de jornalistas a emitir nota em apoio ao jornalista preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito que investigas atos supostamente “antidemocráticos”.

“A Ordem dos Jornalistas do Brasil é uma entidade comprometida em manter vivo o espírito de solidariedade e defesa da classe em todo o território Nacional, visando ser uma organização de excelência sendo a voz influenciadora nas decisões referentes ao trabalho da imprensa junto aos Três Poderes”, conforme palavras do presidente Renato Fortuna Campos, no site da instituição.

Confira a íntegra da nota da OJB.

“Nota Pública

A Ordem dos Jornalistas do Brasil vem se manifestar publicamente a respeito das restrições ao exercício da profissão jornalística impostas ao colega Oswaldo Eustáquio após sua libertação.

Os diversos ataques que a classe jornalística vem sofrendo recentemente comprometem seriamente o exercício da liberdade de expressão, item essencial para a existência de uma democracia plena no Brasil.

Foi em reação a esses ataques que diversos veículos de imprensa repercutiram na última semana um levantamento de “atos de desapreço e zombarias perpetrados pelo presidente da República contra jornalistas”. Estamos agora diante de um ato ainda maior de desapreço contra a atividade jornalística, com a prisão de um colega em razão de seu exercício profissional.

Jornalistas precisam trabalhar de forma livre, mostrando todas as realidades, inclusive aquelas que os poderosos menos desejam que apareçam. Numa democracia, jornalistas podem e devem cobrar e questionar todas e quaisquer autoridades sem que se sintam intimidados ou temam retaliações.

Precisamente por existir entre os jornalistas esta consciência de que a liberdade é requisito fundamental ao seu trabalho é que a Ordem dos Jornalistas do Brasil não concorda com os abusos praticados contra o jornalista Oswaldo Eustáquio, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que incluem prisão arbitrária e a impedimento de exercício de sua atividade do profissional.

É gravíssima a censura imposta a um trabalhador de imprensa, principalmente porque o que está sendo censurado não é uma notícia ou opinião específica, mas sim a pessoa do jornalista Oswaldo Eustáquio, que fica impedido de exercer sua profissão, ou se manifestar publicamente. Arbitrariedades como essa não condizem com qualquer democracia séria do planeta.

Como se estivéssemos em uma ditadura, nem o direito de defesa foi assegurado, pois os advogados do jornalista não conseguiram por ocasião da prisão ter acesso aos autos do inquérito e nem sequer se soube qual acusação realmente era feita ao profissional.

A situação é verdadeiramente teratológica quando se sabe que um arbítrio desta magnitude foi perpetrado pela Corte Constitucional. Alguns ministros do STF, ao invés de zelar pela Lei Maior, tratam de vilipendiá-la com um recado claro: novos delitos de opinião, ou seja, a opinião que não é a de seu grupo, terão resposta da mesma natureza.

A Ordem dos Jornalistas do Brasil, como entidade não-sindical voltada a manter vivo o espírito de solidariedade, harmonia e a defesa dos profissionais em todo o território nacional, vem expressar seu irrestrito apoio aos jornalistas que sofrem embaraços em sua atividade e manifestar repúdio às iniciativas autoritárias de alguns ministros do STF como os que resultaram na absurda prisão e censura de Oswaldo Eustáquio, jornalista profissional.

Convocamos, ainda, todos os colegas jornalistas do Brasil a erguer a voz contra o arbítrio e as iniciativas de tolher a liberdade de imprensa, em especial contra a criminalização da opinião, que, a persistir, só irá trazer um panorama sombrio ao nosso país. “


Portal Novo Norte 


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Comentários 3

Adilson Bernardino Rodrigues

07/07/2020 às 16:39

Cadê a Imprensa em favor dele. Onde estão os amigos de profissão? Não existe corporativismo mais. Estão todos com medo do STF? Rabinho no meio das pernas? Se acovardaram?


Adilson Bernardino Rodrigues

07/07/2020 às 16:39

Cadê a Imprensa em favor dele. Onde estão os amigos de profissão? Não existe corporativismo mais. Estão todos com medo do STF? Rabinho no meio das pernas? Se acovardaram?


Wagner Zanco

09/07/2020 às 13:46

Os orgãos de imprensa brasileiro estão cometendo um grande erro, ratificando a perseguição contra a liberdade de expressão praticada por membros do STF.