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19/02/2020 08:28 - Atualizado em 19/02/2020 08:33

Renan Filho deixa de lado o caos no HGE, operações da PF, obras paradas e servidores públicos

 

Um retorno morno, sonolento e visto por apenas 22 dos 27 deputados, marcado ainda pelo silêncio do governador Renan Filho (MDB) sobre as denúncias que envolvem a sua gestão. Foi assim a retomada dos trabalhos na Assembleia Legislativa Estadual (ALE), na manhã de ontem.

O rito oficial incluía a leitura da mensagem do chefe do Executivo para o ano de 2020. Falando de improviso, Renan Filho fugiu das principais crises de seu governo: a política, social, sindical e previdenciária. A ferida aberta pela queda na qualidade do atendimento do Hospital Geral do Estado (HGE) não foi lembrada. Mesmo com a unidade amargando, quase toda semana, uma denúncia de abandono de pacientes ou caos administrativo, junto com denúncias de superlotação e abandono, o tema não mereceu a atenção do governador.

O desgaste político do governo Renan Filho, com as operações da Polícia Federal (PF) na saúde - com cumprimento de mandados no mesmo HGE - e na educação não mereceram nenhuma explicação. Os técnicos presos junto com o fato mais grave, a prisão do marido e da filha do vice-governador Luciano Barbosa (MDB), principal aliado e sombra política, também escaparam de um esclarecimento na ALE.

O problema foi tão grave que também alcançou a cunhada do deputado Ricardo Nezinho (MDB), arranhando o seu nome no processo futuro da eleição municipal. Com uma oratória firme, altiva e bem editada, Renan Filho também ignorou a crise sindical, agravada com a ruptura das negociações com a direção dos policiais civis. Situação que vai resultar na paralisação gradativa das atividades, inclusive sem registrar nenhum boletim de ocorrência esta semana, além de uma “operação tartaruga” no carnaval.

Outro esquecimento que chamou a atenção dos deputados mais independentes do parlamento foi a ausência de detalhes sobre as obras paradas, sendo a maior delas o Canal do Sertão, que se arrasta num trecho de 30 Km. Bem como os matadouros de Viçosa e Murici, além da duplicação da AL-101 Norte. O viaduto da antiga Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi lembrado, mas só com nova promessa de data para entrega.

Por fim, também foram ignorados os milhares de servidores que serão alcançados pela Lei Renan Filho, que penaliza servidores da ativa e aposentados com aumento da alíquota previdenciária de 11% para 14% a partir de abril. Como teve a ALE como cúmplice da medida, considerada a que mais penalizou os servidores nos últimos anos, Renan Filho concluiu fazendo propaganda de si mesmo, elogiando o serviço de resgate aéreo do Estado, antes de posar para a foto com os presentes.

Ao fazer o resumo do retorno do parlamento às atividades, o deputado Davi Maia (DEM) resumiu as suas impressões durante entrevista a uma emissora de rádio local. “O governador não falou nada sobre o Canal do Sertão, nada sobre os polos tecnológicos e nada sobre as obras atrasadas, e isso nos deixa muito preocupados.

Nós não temos nenhuma dificuldade em conversar com o Estado”, questionou Davi Maia. A questão do rateio de R$ 4,4 milhões do Fundeb, que vai ser discutida após o envio do projeto de lei à ALE, na semana passada, também foi lembrado pelo parlamentar. Segundo Davi Maia, se o governador quisesse agilidade, ele teria mandado o projeto de lei antes do recesso parlamentar ou até mesmo durante o recesso, com pedido de convocação extraordinária dos deputados. “Não fez nem uma coisa, nem outra. Agora ele joga a responsabilidade para a ALE e isso no mínimo é indelicado com a Casa”, concluiu Davi.


Com Gazeta de Alagoas  


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