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05/01/2019 23:23 - Atualizado em 05/01/2019 08:26

Segue a vingança de Renan Filho demitindo secretários da Cultura e Assistência Social

 

Depois de lançar mão do que há de mais velho na política que é a utilização de cargos e da máquina pública para intimidar a liberdade de voto no parlamento e interferir no Poder Legislativo, o governador de Alagoas Renan Filho (MDB) publicou em edição extraordinária do Diário Oficial do Estado, na noite desta sexta-feira (4), as exonerações dos titulares das secretarias da Cultura, Mellina Freitas, e da Assistência e Desenvolvimento Social, Fernando Pereira.

A retaliação que também atingiu cerca de 20 cargos da Assistência Social decorre do fato de os respectivos padrinhos políticos dos secretários, deputados Inácio Loiola (PDT-AL) e Jó Pereira (MDB-AL), não terem se rendido à pressão do chefe do Executivo para que apoiassem a eleição do tio do governador, Olavo Calheiros (MDB-AL), para presidir a Assembleia Legislativa (ALE), e desistissem de votar no favorito da disputa, Marcelo Victor (SD-AL).

Além de Mellina e de Fernando Pereira, o presidente do Procon, vereador de Maceió Galba Netto (MDB-AL), e o presidente do IMA, Gustavo Lopes, já haviam sido exonerados na primeira versão do Diário Oficial do dia, com decretos assinados na quinta-feira (3). O vereador era indicado para o Procon pelo deputado Galba Novaes, que preside o MDB em Maceió, e o presidente do IMA ligado ao deputado eleito Marcelo Beltrão (MDB-AL).

Todos os parlamentares ligados aos exonerados participaram de uma reunião, na quarta-feira (2), com Marcelo Victor e 20 dos 21 deputados que declararam voto no adversário do tio do governador. Uma foto com 19 dos opositores de Olavo Calheiros foi divulgada como um gesto de consolidação da aliança, o que foi um estopim para a reação de Renan Filho.

A demora em publicar a edição extraordinária somente com as exonerações dos afilhados de Inácio Loiola e Jó Pereira sugere ter havido uma espera pelo recuo dos deputados após a comunicação de que lhes seriam revogadas as indicações de espaço no governo.

Mas nem o governador nem sua assessoria responderam ao Diário do Poder se procediam as informações sobre pressão sobre os parlamentares e se esta seria uma posição que fere a independência dos poderes, ou faz parte de seu jogo político.

Conveniência da ocasião

Fato curioso na exoneração de Mellina Freitas é o contexto da conveniência política que une os extremos do início do primeiro e do segundo mandatos de Renan Filho.

Em 2015, o governador resistiu a pressões da opinião pública, reportagens da imprensa nacional e protestos que o constrangeram em solenidades, pedindo a queda da secretária de Cultura, criticada por ser alvo de denúncia do Ministério Público de Alagoas, acusada de 385 crimes e de desviar cerca de R$ 16 milhões de sua gestão na Prefeitura de Piranhas.

Mellina é filha do desembargador Washington Luiz Damasceno Freitas, que era presidente presidente Tribunal de Justiça de Alagoas. Hoje, ainda se defende das mesmas acusações, mas foi demitida por ser, agora, apenas a sobrinha de um deputado não domesticado, Inácio Loiola.

O Diário do Poder já havia antecipado a ameaça de demissão de Mellina Freitas e Fernando Pereira na matéria que registrou a reação do irmão da deputada Jó Pereira, Joãozinho Pereira, contra o tratamento do governador aos aliados. E registrou a estratégia do governador de minar de forma dura e lenta o grupo de deputados apoiadores de Marcelo Victor, para fazer os demais recuarem da ideia de não votar em Olavo Calheiros para presidir a ALE.



Diário do Poder 


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