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09/02/2020 08:12 - Atualizado em 09/02/2020 08:15

Superlotação e pacientes no chão: quadro é estarrecedor no HGE

 

As imagens reproduzidas nesta matéria jornalística denunciam e revelam o dia a dia do sofrimento de pacientes que agonizam em busca de atendimento nos corredores e macas do Hospital Geral do Estado (HGE). As fotos, que não têm espaço nas redes sociais do governo Renan Filho e na Alagoas criada e fantasiada pelo marqueteiro pessoal do governador, escancaram o abismo entre o sofrimento dos pacientes e uma dura realidade que não tem espaço nas propagandas milionárias do governo estadual.

As imagens, ignoradas nas redes sociais oficiais, revelam a situação terrível com a qual a população mais carente se depara dentro do HGE, com pacientes recebendo medicação no chão e outros aguardando à porta de consultórios por uma consulta que não tem, sequer, hora para acontecer. Acompanhantes de pacientes também ficam no chão enquanto aguardam por um atendimento. Os pacientes reconhecem a dedicação dos funcionários (médicos e enfermeiras) que tentam minimizar o sofrimento frente a tamanho cenário de terror.

Apesar da dedicação, os servidores não conseguem fazer mais por falta de condições de trabalho. Os profissionais que trabalham no HGE encaram com muita dedicação a missão diária de salvar vidas. Muitos deles até adoecem por não conseguir fazer mais. Há alguns dias, por exemplo, houve registro que o sistema de refrigeração quebrou, mais uma vez, na área verde da enfermaria e nas alas D e C. Especialistas da área de saúde alertam que este tipo de situação aumenta e muito o risco de infecção e coloca em risco a vida dos pacientes que estão à espera de procedimentos ou de transferências. Salas para cirurgias, que deveriam estar em pleno funcionando, apresentam problemas e estão fechadas, deixando pacientes à espera de intervenções.

Os trabalhadores se queixam que o drama é grave e que, portanto, é preciso fazer algo para salvar a vida da população. As denúncias que chegaram à Gazeta revelam, ainda, que pacientes que precisam de procedimentos ortopédicos estão vagando de unidade para unidade em busca de procedimentos cirúrgicos, que não estão sendo realizados pelo Estado. Em dezembro de 2019, uma operação desbaratou um esquema criminoso que atuava dentro do HGE com a conivência de servidores do alto escalão da Secretaria de Saúde justamente nessa área, expôs a polícia. O rombo aos cofres públicos pode chegar a R$ 30 milhões. Parentes do vice-governador, Luciano Barbosa (MDB), foram presos na Operação Florence.

O drama da saúde pública de Alagoas é real e não tem espaço na mídia publicitária do governo. Abaixo, a reportagem reproduz, na íntegra, o desabafo que chegou de uma filha que está com o pai internado há dias no HGE. “Minha gente, pelo amor de Deus, alguém faça alguma coisa para mudar essa situação. Estou com meu pai enfartado, precisando urgente de um cateterismo e angioplastia, deitado numa maca, numa sala de urgência que mais parece um depósito de gente, falta até água para beber, os médicos e enfermeiros trabalhando feito doidos, fazendo o impossível para ajudar os pacientes.

Isso é uma falta de respeito com a condição humana! O que se faz com o dinheiro público? Esses políticos não têm um pingo de consciência? Como eles conseguem dormir e viver a vida deles sabendo do caos que está na saúde pública? Como esse povo consegue ser indiferente e não fazer absolutamente nada para mudar isso? Não têm uma gota de dignidade e compaixão com o ser humano! Ainda têm a cara de pau de investir milhões em propagandas mentirosas e ridículas mostrando uma realidade que nem de longe pertence a do estado de Alagoas. Ministério Público, Defensoria Pública, cadê vocês pelo amor de Deus? [sic]”, reagiu a filha de um paciente em denúncia enviada à Gazetaweb.



Gazeta de Alagoas 


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