Notícias / Política


Imprimir notícia

09/06/2018 06:51 - Atualizado em 09/06/2018 06:54

Suposta propina da J&F para Renan Filho é destaque em inquérito

 

A delação do ex-executivo da J&F, Ricardo Saud, é base para o inquérito aberto em 16 de maio pelo ministro Edson Fachin, no Supremo Tribunal Federal (STF). Ontem (7), a Procuradoria Geral da República apontou o senador Renan Calheiros (MDB-AL) entre os alvos da investigação, porque Saud cita Renan como receptor de R$ 9,9 milhões do montante de R$ 43 milhões em suposta propina.

Dentro do enredo que será investigado pela PGR, o delator também acusa Renan de usar R$ 1 milhão para sua campanha de reeleição ao Senado e para eleger o então deputado federal Renan Filho (MDB) ao Governo de Alagoas, em 2014. As contas oficiais da campanha do governador registram R$ 1,3 milhão doados pela JBS, controlada pela J&F.

No depoimento gravado em vídeo pela PGR, Saud também afirmou o senador Renan “carimbou” não apenas o R$ 1 milhão para Renan Filho, mas também teria dado ordem para o repasse de outros R$ 2 milhões para o PMDB nacional, de Sergipe, do Amapá, para o PTB da Paraíba e para o PTdoB nacional.

“Renan Calheiros: R$ 9 milhões e 900. É, 1 milhão – que eu entendo também que o Renan usou parte desse dinheiro para preparar já sua eleição para à Presidência do Senado, e parte desse dinheiro para eleger o seu filho Renanzinho, em Alagoas… Um milhão para o PMDB de Alagoas, carimbado para o Renan Filho. Aí vem 300 mil para o PMDB de Sergipe, por ordem de Renan Calheiros; 500 mil para o PMDB do Amapá, por ordem de Renan; 455 para o PMDB nacional, carimbado para o Renan; 500 mil para o PTB da Paraíba, por ordem de Renan; 300 mil para o PT do B nacional, por ordem do Renan. Então, o que entendi disso aí, das conversas que a gente teve lá com ele, que ele já estava jogando alguns senadores, o senhor vai ver mais embaixo, para preparar a eleição dele para a presidência do Senado”, declarou o delator.


Ricardo Saud ainda disse à PGR que parte do dinheiro foi entregue no apartamento do senador em Alagoas, que fica em Maceió, na orla da Ponta Verde. E outra parte foi enviada à sede do PMDB de Alagoas, que fica no bairro da Jatiúca.

Saud dizia frequentar a casa do então presidente do Senado, para definir a operacionalização da partilha de propina. Renan Calheiros trata esta delação como “fantasiosa”. E ainda afirma que o fato de o delator ter ido à sua casa não significa que o senador alagoano tenha qualquer relação com atos criminosos. “Ricardo Saud ou qualquer outro delator jamais falaria com ele sobre propina ou caixa dois”, defendeu-se Renan, em 2017.

CASO ODEBRECHT NO STJ

Renan Filho não é alvo do inquérito sobre a acusação de propina da J&F, mas dois inquéritos já foram abertos no STF contra o governador de Alagoas, em abril de 2017, pelo ministro Edson Fachin.

Nesses casos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ), é relatado que o senador Renan pediu doação de campanha de “ao menos R$ 800 mil” para beneficiar Renan Filho, durante uma reunião com o ex-executivo da Odebrecht, Claudio Melo Filho. E este delatou que entendeu o pleito como um pedido de propina para que fosse aprovada a matéria legislativa que beneficiava contratos de energia de interesse da Braskem, no Nordeste.

Em outro caso envolvendo o governador de Alagoas, delatores da Odebrecht, indicam supostos recebimentos de propina de 2,25% do total do contrato de empreiteiras que executam a obra do Canal do Sertão Alagoano; de um repasse de R$ 500 mil em dinheiro, entregues em um hotel de Maceió; e de parte dos R$ 5 milhões pagos ao senador Romero Jucá (PMDB-RR), em contrapartida à aprovação da Medida Provisória nº 627/2013 que beneficiaria subsidiárias da Odebrecht no exterior.

DOAÇÕES DE DENUNCIADAS

Renan Filho recebeu e registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um montante de R$ 9,2 milhões somente em doações de campanha originadas de nove empresas enroladas com a Operação Lava Jato.

E, à época da abertura dos inquéritos da Odebrecht, Renan Filho declarou que “todas as doações recebidas durante a campanha ocorreram dentro da lei e foram devidamente declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral”.

No ano passado, Renan Calheiros saiu em defesa do filho: “O senador Renan Calheiros informa que o governador [Renan Filho] jamais tratou de doações eleitorais com empresas. Essa tarefa coube ao presidente do partido em Alagoas, que é o próprio senador. Acusar alguém por obra executada por governo adversário é, no mínimo, um absurdo”, disse uma nota divulgada pela assessoria do senador.


 
Diário do Poder Alagoas


Deixe seu comentário

PREENCHA SEUS DADOS ABAIXO

Suas informações pessoais não serão divulgadas.


Comentários 0

Ainda não há comentários nesta matéria.