Notícias / Alagoas


Imprimir notícia

25/03/2020 07:08 - Atualizado em 25/03/2020 07:11

Trabalhadores cobram de Renan Filho ações contra desemprego

 

Um cenário de incerteza. O decreto de situação de emergência que vigora em Alagoas desde a última sexta-feira (20) traz perspectivas sombrias para patrões e empregados. As medidas implementadas para conter o avanço do coronavírus no estado afetam diretamente a classe trabalhadora. O decreto estabelece o fechamento, por dez dias, de bares, restaurantes, lanchonetes, estabelecimentos comerciais similares e pontos que pratiquem o comércio ou prestem serviços de natureza privada. Além disso, proíbe a presença de clientes nessas localidades.

Com isso, também estão fechados os shoppings centers e galerias comerciais. Entretanto, o questionamento de trabalhadores e empresários é se haverá a preservação dos empregos, enfim, se haverá apoio do governo para garantir os salários e as vagas no comércio e indústria, por exemplo. José Cícero da Silva, da Central Única dos Trabalhadores (CUT/AL), diz que os trabalhadores são os que mais sofrerão com o decreto emergencial. “É um afronte para o trabalhador que não sabe o que fazer, porque ele tem que trabalhar. Não houve garantia de que o emprego será preservado e nem garantia de que os salários serão pagos com os dias parados.

A CUT está discutindo essa questão”, explica o sindicalista. Na avaliação de José Cícero, o empregado que atua no comércio será ainda mais afetado com o decreto do governo do Estado, que não esclareceu como ficará a situação desses trabalhadores em Alagoas. “Os empresários não vão sentir, quem vai sofrer é o trabalhador. É preciso uma explicação sobre o que acontecerá porque há o risco de aumentar o desemprego também”, acrescenta o integrante da CUT.

COMÉRCIO
Vagner Tavares, presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio de Alagoas, afirma que o setor jurídico da entidade tentará junto ao governo do Estado que o decreto não seja prorrogado, para evitar demissões em massa no comércio, que emprega mais de 80 mil pessoas. “A gente teme que haja desemprego.

Estamos tentando de todas as maneiras não deixar o trabalhador desamparado, mas entendemos ser essencial fechar o comércio, lojas e shoppings por causa do coronavírus. Mas fomos a alguns supermercados e vimos funcionários trabalhando sem proteção nenhuma. Em alguns estabelecimentos observamos filas quilométricas e os trabalhadores sem proteção para a pandemia. A gente vai estar junto com o Ministério Público do Trabalho para não deixar o trabalhador desamparado, para evitar demissão em massa”, explica Tavares.

Está proibida com a publicação do decreto, ainda, frequentar as barracas distribuídas nas praias, lagoas, rios e piscinas públicas ou quaisquer outros locais de uso coletivo e que permitam a aglomeração de pessoas como museus, cinemas e outros equipamentos culturais, públicos e privados, além de academias e clubes.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea/AL), José Carlos Lyra, as medidas adotadas pelo governo alagoano, no decreto de emergência nº 69.541, são necessárias e visam, como toda sociedade sabe, conter o avanço da pandemia Covid-19 e assim, preservar a saúde pública. “O governador discutiu conosco as questões relativas ao setor produtivo. Entendemos que são providências necessárias, pois se as pessoas não param de circular, não quebramos a cadeia da disseminação”, disse o empresário José Carlos Lyra de Andrade.

PREJUÍZO

Em nota enviada à Gazeta, a Fiea revela que não pode desconhecer as consequências para a economia, quando unidades industriais são fechadas, mesmo que temporariamente. “Nosso país, e consequentemente Alagoas, estará diante de um prejuízo sem precedentes ao final dessa pandemia!”, completou, ao analisar os reflexos das medidas oficiais até agora adotadas para conter a propagação do novo coronavírus.

O presidente da Fiea informou que estará em contato com os secretários das áreas econômica do governo estadual para assegurar que caso haja necessidade de renovação do decreto, as indústrias não voltem a ser incluídas. O empresário ressalta que as empresas em atividade estão adotando todas as providências de modo a assegurar que seus trabalhadores tenham todas as condições para se preservarem, evitando risco de contaminação e propagação do coronavírus.

EMPREGOS

O centro de Maceió gera mais de sete mil empregos diretos, sem contar ambulantes e feirantes, segundo dados da Aliança Comercial. São 18 mil pessoas circulando diariamente. Com o decreto do governo, quase todas as lojas estão fechadas.

Para Guido Júnior, presidente da Aliança Comercial, são necessárias correções nas medidas implementadas pelo governo federal senão a crise econômica vai se agravar. “Precisamos de cobertura jurídica, porque como fica o pagamento do INSS, férias e fundo de garantia do empregado? o governo federal vai corrigir porque está muito vago.

A gente está esperando que haja essa alteração do governo federal”, explica. Segundo Guido Júnior, os decretos precisam proteger o trabalhador e a empresa. “No meu ramo, por exemplo, está tudo fechado, não entra nada. Eu tive que suspender entrega e montagem, porque nenhum trabalhador quer trabalhar, não quer se arriscar. Tem que ter mudança, porque vamos fazer como? Se não tiver a cobertura jurídica o cara pode depois botar a empresa na Justiça do Trabalho. Se eu não tenho receita não tenho como pagar”, explica Guido Júnior.


Gazeta de Alagoas


Deixe seu comentário

PREENCHA SEUS DADOS ABAIXO

Suas informações pessoais não serão divulgadas.


Comentários 0

Ainda não há comentários nesta matéria.