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22/03/2020 16:04 - Atualizado em 22/03/2020 16:07

Áudios atestam recolhimento à força, sem 'devido pagamento'

 

Vários depoimentos em áudio enviados à Gazetaweb comprovam a denúncia de comerciantes do setor hospitalar, alvos de uma verdadeira operação para saqueá-los, ordenada pelo governador Renan Filho. A ação foi realizada neste sábado (21) em lojas e distribuidoras situadas em Maceió. Nos áudios, que a Gazetaweb preserva a pedido dos comerciantes, que temem perseguição, o clima é de revolta e indignação.

Os comerciantes se sentiram tratados como marginais, diante da força ostensiva do aparato de segurança, utilizado para acessar pequenos estoques e recolhê-los à força, sem diálogo do governo com seus proprietários. O ato de invasão dos estabelecimentos aconteceu menos de 24 horas depois de o Palácio estabelecer novas medidas restritivas em meio à pandemia de Coronavírus.

Medida extrema e com força policial, horas após o ato governamental contendo novas medidas, aponta a procedência ao conteúdo de outra denúncia repassada à Gazetaweb, segundo a qual o Estado vem trabalhando no limite do caos, sem estoque de material e insumos hospitalares para fazer face ao cotidiano. "Por que o Estado não se antecipou e mobilizou todos nós fornecedores e colaboradores habituais?", indagou um lojista do setor hospitalar, através de áudio.

De acordo com os comerciantes, as equipes do Estado chegaram nos estabelecimentos proibindo a venda de qualquer produto, dizendo que "tudo estava confiscado após decreto do governador Renan Filho". Os clientes presentes nos estabelecimentos, em compras para familiares, que estão acamados em razões de outras enfermidades graves, não conseguiram concluir as aquisições, sendo obrigados pela força policial ordenada por Renan a sair imediatamente das lojas.

"Muitas dessas pessoas ficaram desesperadas, porque não sabem como fazer sem os produtos que são necessários para os seus familiares. Foi um atitude bastante equivocada do Poder Público. Os clientes ficaram assustados e, sobretudo, em pânico sem saber como agir diante daquela situação", narrou um comerciante, reforçando o fato de o governo ter tomado tal medida por trabalhar sempre no limite ou com estoque muito abaixo.

"Como não costuma pagar a ninguém, vive com estoque crítico e não encontra distribuidor. No meio da crise do Coronavírus, restou saquear os produtos dos empresários alagoanos. Foi um dia muito triste. Deveria ter tido, ao menos, um diálogo. Não houve nada. O pessoal vai trabalhar na segunda-feira? Ninguém sabe de nada, nem quando vai receber", desabafou um dos comerciantes.

Desalinho e contradições

As contradições entre o que de fato ocorreu nas lojas e a versão oficial não param por aí. Nas redes sociais, o secretário de Saúde, Alexandre Ayres, e secretário executivo de Ações de Saúde, Marcos Ramalho, receberam ordens do Palácio para alinhar o discurso com o Instagram de Renan Filho. Este, por sua vez, desalinhou-se com a nota divulgada pela Secretaria de Saúde de Alagoas (Sesau).

Enquanto o governador qualifica a invasão e saque de "requisição administrativa", o secretário Ramalho e a nota da Sesau tratam de "apreensões". Até que houve pressão e Ramalho modificou o termo em seu Instagram, tentando alinhar o que já havia publicado com o discurso virtual de Renan.

No desalinho, Renan apressou-se em dizer que a "requisição administrativa" foi legal com "devido pagamento". Para o secretário Alexandre Ayres, não é bem assim. A nota da Sesau é clara e desmente o Palácio ao dizer que a indenização dos comerciantes será quantificada por critérios que serão definidos pela Secretaria".

Ou seja, não há "devido pagamento" nem "fake news", como postou Renan Filho, mas um saque travestido de requisição administrativa, sem data nem critério definidos para indenizar os lojistas. Estes tiveram seus estabelecimentos invadidos, de forma real, com presença de polícia ostensiva, recolhimento de estoque e tudo mais que a lamentável cena permitiu.


Com Gazetaweb 


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