08/09/2016 12:15 - Atualizado em 08/09/2016 12:19

As duas Faces da Maçonaria

 

A Maçonaria nasceu com o homem. No entanto, ela é uma criação mais simples e menos complexa do que o homem. Afinal ela existe para servir o homem e a humanidade. Sua origem se perde no tempo, mas sua finalidade filosófica se mantém estática por vários séculos. Desde sua criação até os dias de hoje, ela vem se moldando a história humana no Mundo e no Brasil. Nas independências e nas proclamações de países e de nações ela se fez e ainda se faz presente. Em todo episódio humano surpreendente e marcante, como em qualquer tempo e em qualquer solo terrestre, vê-se e ouve-se falar sobre a presença do “espírito maçônico” personificado em atos e atitudes de homens notáveis. As duas faces da Maçonaria se molduram no perfil da “Maçonaria Operativa” e da “Maçonaria Especulativa”. Os “maçons operativos” foram os construtores medievais das pontes, das catedrais e dos grandes monumentos, que se associavam em “guildas” para melhor defender os seus interesses classistas e estavam estreitamente ligadas ao sistema religioso da época. As primeiras “guildas” foram despertadas na Inglaterra ao final do século IX e início do século X. Os “maçons especulativos” eram homem livres, com uma nova mentalidade social que começaram a ocupar o espaço vago deixado pelos maçons operativos, que se desestruturavam, a partir do século XVI. Esses “Maçons Especulativos” empunharam a bandeira de uma nova fraternidade, não mais alicerçada exclusivamente em rígidos padrões religiosos, mas livremente nascida da compreensão, da tolerância e da solidariedade humana.

A diferença entre as duas faces da Maçonaria não se resume na assertiva de que o Maçom Especulativo é o Maçom Operativo que deixou de trabalhar como pedreiro e construtor e aprimorou o seu “espírito maçônico”. Não! Foram as Lojas Operativas que se transformaram em Lojas Especulativas pela substituição gradual dos seus membros, que faziam obras materiais, por membros especulativos, que adotaram o uso da reflexão, da imitação e da experiência como meio de ganhar sabedoria, sem desprezar o conhecimento acumulado das gerações passadas. Por isso, o rápido crescimento da Maçonaria Especulativa no século XVIII demonstra que ela tinha propósitos definidos. Ser “maçom especulativo” significa ser observador e crítico para perceber os princípios morais subjacentes aos símbolos e aplicá-los na construção de relacionamentos humanos confiáveis e leais, na busca da construção de uma harmoniosa e perfeita fraternidade entre os homens.

Mas, não se pode esquecer que, mesmo sendo Maçom Especulativo, ele não possa também ser um “construtor de obras materiais” como o eram os mestres Maçons Operativos do passado. Tanto um quanto o outro, essencialmente, são altruístas e filantrópicos.

E o que é o espírito maçônico? É o sentimento que tem por fim o despertar do homem, libertando-o do sonho da ignorância e reorientá-lo no cumprimento do dever de ser útil aos semelhantes. Preferindo ter “a garganta cortada”, “o coração arrancado” ou “o corpo divido ao meio”, antes de trair a confiança dos irmãos, dos companheiros e dos seus mestres, mantendo-se incólume no juramento de ser um homem justo e de bons costumes, que entrega à sua vida a serviço da humanidade, sem exibicionismo ou vaidade. Esse Espírito Maçônico ensina aos seus adeptos, um comportamento que não se encontra em nenhum outro grupo social. E se esse espírito maçônico não for absorvido, não será este homem um Maçom perfeito. Com esse espírito, o alferes Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), o grande mártir da Independência do Brasil, marchou para a forca com a serenidade dos que fazem a coisa certa e no tempo certo, sem se importar com a grandeza da sua atitude, mas com o desejo apenas de servir. O Arauto da liberdade brasileira conheceu a história da Declaração de Independência dos EUA assinada pelo maçom George Washington e reuniu em Minas Gerais um grupo de inconfidentes dispostos a romper os laços da exploração e da tirania portuguesa no Brasil. Com seus irmãos mineiros, Tiradentes repetiu a façanha corajosa em Ouro Preto que resultou na Independência do Brasil, mesmo sacrificando sua vida humana. O sacrifício de Tiradentes serviu de exemplo a outro maçom, Simon Bolivar, e aos seus companheiros que estremeceram o chão das colônias espanholas na América do Sul, proclamando o fim da submissão ao trono espanhol... Pensemos nisso! Por hoje é só.

(*) Frater Rosacruz, Grau 12º - Mestre Instalado, Grau 33º