02/12/2016 08:24

O PRESIDENTE NEGRO

 

José Bento Monteiro Lobato (1882-1948) autor de “estórias” como “O Sítio do Pica Pau Amarelo”, “Reinações de Narizinho”, “Zeca Tatu” e tantas outras, não era apenas um criador de fábulas. Também não se pode dizer que ele foi apenas o “precursor” da literatura infantil brasileira. Monteiro Lobato foi advogado, jornalista, editor, inventor. Em sua trajetória de vida mostrou que, além de excelente escritor, era uma pessoa inventiva, pois seu sonho na adolescência era fazer a Faculdade de Belas-Artes, mas por imposição do seu avô, o Visconde de Tremembé, proprietário da Fazenda de Buquira, ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, em 1904. Monteiro Lobato era um homem com espírito de pioneiro, aventuroso, empreendedor, dinâmico, corajoso e direto. Um homem altamente energético, que odiava a restrição e amava a liberdade. Impulsivo, satírico e impaciente. 

Criou a União Jornalística Brasileira, uma empresa destinada a redigir e distribuir notícias pelos jornais. Foi tradutor de obras da literatura universal e de artigos do “Weekly Times” para os jornais. Fundou a editora “Monteiro Lobato & Cia.” para dar espaço aos novos talentos brasileiros. Em 1927, foi Adido Comercial nos EUA, para defender os interesses culturais do Brasil, por indicação do presidente brasileiro Washington Luís. Entusiasmado com as inovações tecnológicas em terras norte-americanas, liderou o movimento nacionalista - “O petróleo é nosso” - que lhe enviou para a prisão.

Em razão de sua personalidade forte, ele fez uso da crítica para construir sua obra literária, em forma de contos e de artigos. E, embora tenha escrito um único romance, de ficção científica - “O Presidente Negro” (1926) – este livro não alcançou à mesma popularidade de suas “estórias” dedicadas às crianças. Hoje, seu livro é assustador, por vários motivos. Primeiro pelo caráter premonitório da obra. No ano de 1926, Monteiro Lobato previu a invenção de um tipo de “rádio transmissão de dados” (microcomputador) que possibilitaria o ser humano a cumprir suas tarefas da própria casa e sem a necessidade de se deslocar para o trabalho. Também previu o desaparecimento do jornal impresso (em papel) porque as notícias seriam “radiadas” diretamente para a casa das famílias, aparecendo os textos em caracteres luminosos numa tela (tipo, internet) - exatamente como acontece nos dias de hoje.

Mas, suas premonições não param por aí. Um ano antes de ser “Adido Comercial” nos EUA (1927), Monteiro Lobato começa a escrever seu único romance – “O Presidente Negro” (ou “Choque das Raças”), onde preconiza a idéia da eleição de um Presidente Negro para ocupar a Casa Branca, na época do apogeu da Ku Klux Klan (KKK), organização racista que prega a supremacia branca e o protestantismo em detrimento de outras religiões, fundada em Tennessee, em 1865, após a Guerra Civil Americana. Em curto resumo da obra, Monteiro Lobato escreve sobre um movimento político no ano de 2228, que surge da divisão da raça branca, entre homens e mulheres; de um lado o candidato do Partido Masculino (Kerlog) e do outro lado à candidata do Partido Feminino (Evelyn Astor). A feminista (Evelyn Astor) está com a vitória garantida, mas, eis que surge no cenário da disputa um líder negro (Jim Roy), que acaba eleito como o 88º Presidente dos EUA... Ora, qualquer semelhança com os fatos atuais, não é mera coincidência! O Partido Masculino tem a cara vermelha do Republicano John McCain, enquanto que o Partido Feminino tem a face azul da feminista e Democrata Hillary Clinton (esposa do ex-presidente “Bill” Clinton). O líder Barack Hussein Obama, advogado, de 47 anos, filho de um negro do Quênia com uma branca do Kansas, eleito o 44º Presidente, não deixa de ser o personagem “Jim Roy”, magnânimo, criativo, generoso, entusiasta, indulgente, pomposo e dogmático, criado por Monteiro Lobato... Pensemos nisso! Por hoje é só.