17/08/2020 10:49

A ASSUNÇÃO DA VIRGEM MARIA

 

Em meio a essa Pandemia do Coronavírus, com mais de 100 mil mortes no Brasil (segundo lugar em óbitos no mundo) e em razão das comemorações alusivas a Assunção da Virgem Maria nesta data de 15 de agosto, decidi transcrever parte de um Livro Apócrifo atribuído a São João Evangelista que informa acerca das circunstâncias da Assunção de Maria, Mãe de Jesus Cristo.

Também utilizei do livro LEGENDA ÁUREA: Vidas dos Santos, escrita por Jacopo de Varazze (1229 - 1298), Arcebispo de Gênova, traduzido do latim por Hilário Franco Júnior, com publicação da Editora Companhia das Letras. De acordo com São Epifânio (315 – 403 d. C), Bispo de Constantia, em Chipre, santo festejado em 12 de maio, “a bem-aventurada Virgem Maria tinha 14 anos quando concebeu Jesus; 15 quando o pôs no mundo; viveu com o filho 33 anos; sobreviveu 24 anos à morte e Ascensão do seu filho, e estava com 72 anos quando morreu”.

Narra o biógrafo que “um dia em que o coração da Virgem estava fortemente abrasado de saudade do seu filho, comoveu tanto seu espírito que derramou lágrimas abundantes, e como ela não podia se consolar facilmente pela perda do filho que lhe fora subtraído por algum tempo, apareceu um anjo, que cercado por intensa luz, saudou-a com reverência como Mãe do Senhor: ‘Salve, bendita Maria, receba a benção daquele que deu a salvação a Jacó.

Aqui está um ramo de palmeira que trouxe do Paraíso para você, minha senhora, e que deve ser levado diante do seu caixão, pois em três dias sairá do corpo, já que o filho espera sua reverenda mãe’. Maria, então respondeu: “se encontrei graça diante de seus olhos, peço que se digne a revelar seu nome. Mas o que peço ainda mais insistentemente é que meus filhos e irmãos, os apóstolos, estejam reunidos junto de mim para que possa vê-los com os olhos do corpo antes de morrer, e que possa ser sepultada por eles depois que tiver entregue meu espírito ao Senhor na presença deles. Há outra coisa que desejo avidamente: que ao sair do corpo, minha alma não veja nenhum espírito mau e que nenhuma das potências de Satanás apareça nesse momento”.

São Dioniso, discípulo de Paulo, afirma a mesma coisa em seu livro “Nomes Divinos”, onde diz que os apóstolos se reuniram e assistiram juntos a morte da Virgem Maria e que logo a seguir cada um deles fez um sermão em honra de Cristo e da Virgem. Ele falou a Timóteo: “Nós e muitos santos, nossos irmãos, nos reunimos para ver o corpo que produziu a vida e carregou Deus no ventre. Ali estavam Tiago, o irmão de Deus, e Pedro, e o maior e mais perfeito dos teólogos, Paulo. Depois se combinou que todos louvassem, cada um conforme sua hierarquia, a infinita bondade daquele que se revestira de nossa humanidade”.

Escreveu ainda Dioniso que, “quando a bem aventurada Maria viu todos os apóstolos reunidos, bendisse ao Senhor e, depois que haviam acendido lâmpadas e tochas, sentouse no meio deles”. Por volta da terceira hora da noite (entre 3 e 6 horas da manhã), Jesus chegou com os anjos, a assembléia dos patriarcas, a tropa dos mártires, o exército dos confessores e os coros das virgens. Todos se agruparam em torno do trono da Virgem e entoaram cânticos. Cristo começou a falar: “Venha, minha eleita, e eu a colocarei em meu trono porque desejo sua beleza”. Maria respondeu: “Meu coração está preparado, Senhor!” Então todos os que tinham vindo com Jesus entoaram docemente estas palavras: “Aqui está quem conservou seu leito sem mácula e que por isso receberá a recompensa que cabe às almas santas”.

Maria cantou para si própria, dizendo: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada, pois o Todo-Poderoso, cujo nome é santo, fez em mim grandes coisas”. Narra o livro atribuído a São João como foram os funerais. Foi assim que a alma de Maria saiu do seu corpo e voou para os braços do seu filho, liberada da dor da carne da mesma forma que fora isenta da corrupção. Cristo disse aos apóstolos: “Levem o corpo da Virgem Mãe para o vale de Josafá e coloquem-no em um sepulcro novo que encontrarão ali, e esperem-me por três dias até eu voltar”.

Escreve o autor, ela foi cercada por rosas vermelhas, quer dizer, pela assembléia dos mártires, e por lírios dos vales, que são os exércitos dos anjos, dos confessores e das virgens. Os apóstolos puseram-se a exclamar: “Virgem cheia de prudência, para onde vai? Lembre-se de nós, Senhora!” Os apóstolos viram sua alma resplandecente de tal brancura que nenhuma língua humana poderia descreve. (...) Escreve São Jerônimo em relato apócrifo: Tomé não estava lá, e como se recusava a acreditar no que acontecera, subitamente caiu do ar o cinto usado por ela, de forma que ele compreendesse que ela subira ao Céu também de corpo... Pensemos nisso! Por hoje é só.