08/09/2020 11:24

A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL E A MAÇONARIA

 

A História da Independência do Brasil está intimamente ligada com a fundação do Grande Oriente do Brasil, por isso existe um farto material documental sobre o papel decisivo e cívico da Maçonaria na História do Brasil, acerca dos fatos que antecederam a Declaração da Independência da Pátria, porém, ainda pairam muitas dúvidas sobre questões pontuais, que devem ser divulgadas para se evitar omissões dos historiadores, que o tempo não perdoa.

Há quem diga que o objetivo da criação do Grande Oriente foi, sem dúvida, engajar a Maçonaria na luta pela Independência Política do Brasil, pois, desde seu descobrimento no ano de 1.500, o território brasileiro foi apenas uma Colônia Portuguesa, sendo explorada pela Metrópole. Em 1822, o Brasil não tinha liberdade administrativa, econômica e muito menos liberdade política. Os colonos brasileiros viviam oprimidos e descontentes porque não tinham o direito de discordar, de protestar e de se manifestar sobre a vida social da comunidade, por isso havia rebeliões em nome de Movimentos Nativistas, que cogitavam na separação entre o Reinado de Portugal e a Colônia do Brasil, enaltecendo o ideário da liberdade.

A primeira manifestação popular foi a Revolta de Beckman no Maranhão, em 1684. Porém, no início do século XVIII, com o desenvolvimento econômico e intelectual da colônia, algumas lideranças brasileiras pensaram na Independência Política do Brasil, de forma que a nação pudesse escolher sobre seu próprio destino. Assim, ocorreram a Inconfidência Mineira (1789) que marcou a história com a coragem de seus dissidentes; em seguida a Conjuração Baiana (1798) e a Revolução Pernambucana (1817), todas elas reprimidas de forma violenta pelas autoridades portuguesas. Em todos estes movimentos a Maçonaria Brasileira se fez presente através das suas Lojas Maçônicas e Sociedades Secretas, de caráter maçônico, tais como: “Cavaleiros da Luz” na Bahia e “Areópago de Itambé” na divisa da Paraíba e Pernambuco, através de ações individuais ou de grupos maçônicos.

Em dados comparativos, os grandes eventos marcantes do passado não se repetem mais, em face do sentimento cívico que se encontra adormecido em nossas mentes. Vejamos, pois, os acontecimentos importantes que marcaram o início da emancipação política do Brasil. Sabe-se que, no início do século XIX, por volta de 1808, Dom João VI e sua família real veio se refugiar no Brasil em decorrência da invasão das tropas francesas nas terras de Portugal, por ordem do Imperador Napoleão Bonaparte. Este fato acontecido em Portugal trouxe um notável progresso para a colônia brasileira, pois esta passou a ter uma organização administrativa idêntica à de um Estado independente. O Rei Dom João VI assina o Decreto da Abertura dos Portos, que extinguia o monopólio português sobre o comércio brasileiro. Então, o Brasil começa a adquirir condições para ter uma vida política independente do Estado de Portugal, mas, a acerca do aspecto econômico, passa a ser cada vez mais controlado pelo capitalismo inglês.

Todavia, foi em agosto de 1822 que o Príncipe Regente, Dom Pedro, agora Mestre Maçom, tomou a medida mais dura em relação a Portugal, declarou inimigas as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil sem o seu consentimento. E, no dia 14 de agosto deixa o Rio de Janeiro para ir a São Paulo, com o propósito de apaziguar os paulistas descontentes, acompanhado do Pe. Belchior Pinheiro de Oliveira e de uma pequena comitiva. No dia 25 de agosto chega a São Paulo sob salva de artilharia, repiques de sino, girândolas e foguetes, hospedando-se no Colégio dos Jesuítas. De São Paulo se dirige para Santos em 5 de setembro de 1822, de onde regressou na madrugada de 7 de setembro... Encontrava-se na colina do Ipiranga, às margens de um riacho, quando foi surpreendido pelo Major Antônio Gomes Cordeiro e pelo ajudante Paulo Bregaro, Correios da Corte, que lhes traziam notícias enviadas com urgência pelo seu primeiro ministro José Bonifácio. D. Pedro, após tomar conhecimento dos conteúdos das cartas e das notícias trazidas pelos emissários, pronunciou as seguintes palavras:

“As Cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Verão agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações; nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal”. Portanto, a Independência do Brasil foi realizada à Sombra da Acácia Amarela, na margem do Ipiranga e a Maçonaria brasileira preparou o terreno para isto... Pensemos nisso! Por hoje é só.