08/08/2016 21:46 - Atualizado em 09/08/2016 07:18

Um Mito, Uma Árvore e uma Caverna

 

Era uma vez um mundo cheio de obras, construções e palavras bonitas. Nesse mundo havia um clã adoradores das fogueiras e das sombras. Distribuíam cargos públicos, benefícios que eram doados pelos viscondes e realizações de obras visíveis em ano de eleição.

Um mundo governado há mais de vinte anos por um mesmo grupo. Tendo seus dogmas inspirados na Alegoria da Caverna, narrativa escrita por Platão que conta a história fictícia de pessoas que passam a vida inteira vivendo dentro de uma caverna, como prisioneiras, isoladas do mundo por um muro, onde só existe uma pequena fresta para o mundo real. Os líderes do clã dominante assim o fazia, mas com algo mais dominantes seduziam seus opositores com brindes, cargos e tapinhas nas costas. Os seduzidos, por sua vez, permaneciam de costas para o povo que os escolheu, com seus rostos postados apenas para a turva nuvem que os embriagavam de delicadezas e subsídios, correntes que aprisionavam as almas dos seus seguidores.

Na caverna existia uma fogueira! No mundo, o bombardeamento de boas novas e imagens artificiais na tentativa de que os igualassem as multidões visitadas. Naquele ambiente de delicadeza hostil, quem habitava no interior da caverna, se satisfazia de abraços frouxos, sorrisos vazios, tapinhas nas costas e toda a realidade que era construída sobre as sombras de um desejo de liberdade. Nas ações governamentais de sons distorcidos, choros em hospitais, cidadãos enjaulados em suas residências e o abandono dos que viviam nas periferias. Meras tentativas de embriaguez coletiva.

Certa vez, um grupo, como Platão exemplificou em sua história, questionou-se sobre o que poderia haver além daquelas algemas que lhes prendia há um vincênio. Então o grupo arrumou um jeito de se libertar das correntes e atravessou a neblina que cegava cada um. Ao perceber que eram cativos do clã, uma constante luz emanou de cada indivíduo desbravador. Seus sentidos transbordaram de desejos ao perceber que eram maiores em quantidade e em força, e, as margens do Riacho Piauí resolveram gritar e contar aos que ainda continuavam embriagados da neblina psicodélica.

Ofuscados pelo gosto de liberdade, quiseram voltar ao interior daquele mundo, mas ficaram e descobriram que a verdade era muito diferente daquela que lhes fora acrescentada. Ao compartilhar o desejo de liberdade foram zombados, caçoados, desacreditados e perderam amigos e irmãos por insistir em tirar seus semelhantes daquela caverna subjetiva.

O que são as correntes que predem o povo ao continuísmo? Quais os preconceitos e opiniões em quebrar paradigmas? Está preso ao um grupo político é vantajoso para quem? Como perceber que a alternância no poder é a realidade que não está sendo usada? Quem é o grupo de prisioneiro que se libertará da caverna? E Platão, que ao fazer referência a Sócrates ou o Mito da Caverna, ainda está impregnado o seu ponto de vista na sociedade contemporânea? Qual é o mundo novo que o continuísmo pode oferecer? Qual o instrumento de liberdade os prisioneiros podem usar? Esse mundo tinha o nome de uma árvore da família das Fabáceas.