14/06/2015 06:39

A Herança Das Alianças Malditas

A política das alianças partidárias que fatiam a orgânica municipal, estadual e federal distribui cargos como se fossem prêmios pós-eleições, correndo riscos futuros de possíveis desvios do erário. Esse, talvez seja o erro do sistema político atual do Brasil. Muitas vezes os detentores do poder partilham com seus camaradas os espólios (spoliare) de campanha e possivelmente sem capacidades técnicas para gerir determinadas pastas que requer um conhecimento acima das expectativas do escolhido.
Ao se aliarem a grandes caciques regionais os gestores se submetem a determinadas indicações em troca dos favores já obtidos, levando-o a cometerem erros de escolhas, comprometendo o futuro do seu governo.
O gestor fica impedido de contrariar os interesses individuais dos seus camaradas cessando qualquer ação que seja a favor de uma boa administração e que possa amputar os desejos do grupo que buscam apenas a aquisição de numerários para próxima eleição para se perpetuar no poder. Os caciques e seus apadrinhados, herdeiros e escolhidos castram os direitos e burlam as leis que servem para o beneficio da população e cada vez mais afundam o povo na lama da miséria e do abandono para se enriquecerem e bancarem suas farás no poder.
No modelo de administração atual não há uma harmonia de interesse coletivo, principalmente quando um processo depende da decisão de vários órgãos (Secretarias Municipais, Estaduais e Ministérios) do governo. Os verdadeiros senhores dos gestores são aqueles que lhe serviram de braços abertos durante a campanha e não os trabalhadores e seus familiares humildes que recebem visitas a cada dois anos e nesse intervalo são abandonados e esquecidos e com seus bolsos e estômagos saciados de promessas não cumpridas.
Muitos dos esfomeados e esfarrapados são vitimas e cúmplices da política predatória. Eles possuem sua parcela de culpa quando aceitam, por necessidades muitas vezes fabricadas intencionalmente, as migalhas e favores distribuídos e cobrados regularmente. Os politiqueiros tratam a política como uma profissão e a coisa pública como propriedade privada e unicamente elas servem para saciar os seus desejos e vícios. O que finalizaria esta questão seria a exclusão dos milhares de cargos comissionados e contratos sem concurso público, esse ultimo se tornou uma industria de sorrisos frouxos (no principio), votos (por real interesse), e demissões (por fim) no inicio do mandato. Isso ajudaria aos governantes se livrarem de aliados parasitas, que sugam do povo através do gestor e inibe o bem-estar da população.