01/10/2020 16:05

ARAPIRACA

 

Perguntaram, faz algum tempo, porque tenho tanto apego a Arapiraca. Arapiraca, dizia a pessoa, incomodado com meu amor, não tem as belas praias de Maceió, nem o comércio, nem as noitadas da bela capital. Sim, não tem, respondi, mas tem o lago que aprecio, o trabalho que desejo, o sossego que quero, os campos que me fazem sereno, que embelezam o meu olhar e acalmam o meu espírito, o povo simples com quem com converso minha prosa sem pressa e descontraído. Arapiraca, ainda tem, o bar do Né, simples e acolhedor, tem, também, o caldinho da Canafístula e o famoso arroz de tempero do Aluízio.

Sim, tem o ASA, que faz a emoção do povo, em uma fé perene de campeão. Tem a história de Manoel André, nunca esquecida; tem a cultura do pastoril, tradição que não morre; tem o canto dos jovens cantores e cantoras que na voz de Nelsinho e na arte de biribinha nos elevam enquanto povo.

Arapiraca tem indústrias, intenso comércio, boas escolas e um polo educacional voltado para o ensino superior.

Arapiraca tem um polo educacional com boas escolas em todos os níveis de ensino. E, na área de saúde, bons profissionais, e consolidando um polo que, dentro em breve breve, será orgulho e referência em Alagoas,

Arapiraca tem exemplos de homens que deram certo, acreditando no trabalho, na ideia do empreendimento, na persistência de fazer, sem esquecer, sobretudo, o alcance social das empresas.

Arapiraca tem academia de letras, realizando na literatura, a beleza criadora da capacidade humana.

Se nos falta a praia, tão bela, a desafiar a humana natureza a compreender o mistério do mar e a imensidão insondável dos oceanos; temos, aqui, nas Arapiraca, de compreender, em sentimento humano limitado, a beleza dos campos, em brisa constante e em temperatura suave. Também, nos encanta, nesta terra de praças lindas, a capacidade criadora e trabalhadora deste povo, tão a acolhedor e que não discrimina. Somos um povo cordial, expressão usada por Sergio Buarque de Holanda, pai de Chico Buarque, em Raizes do Brasil, ao referir-se ao povo brasileiro. Os Arapiraquense constituem sim, um povo cordial.

A simplicidade desta cidade é seu ponto vital. A capacidade empreendedora é a energia que não falta; o reinventar-se na dinâmica do nunca desistir, é que a faz grande; a religiosidade da fé que não falha, a faz perene e religiosa; o conversar fácil e simples é a cordialidade que cativa. As vilas e povoados são belezas cativantes que nos alegram.

Está, aí, pois, o meu apego, meu amor, pela cidade onde respiro sereno olhando os verdejantes campos que me encantam. Satisfaço-me com a gente simples com que converso. Eis a razão de tanto amor e apego, só igualável aos filhos e netos em que me realizo, e na esposa compreensiva que me tolera.