15/02/2019 06:38

Apartidária, institucional e 'menos esquerda'

 

Em determinado momento da campanha eleitoral no ano passado, a agora deputada estadual Janaina Paschoal alertou durante um evento da campanha de Jair Bolsonaro que era preciso cuidado para que seu futuro governo não virasse um governo do PT “ao contrário”. Houve dentro do governo Bolsonaro quem defendesse que esse vaticínio de Janaína se confirmasse pelo menos na comunicação oficial. 

Por esse caminho, pretendia-se tentar sufocar a imprensa tradicional, alimentando uma aproximação com a sociedade via redes sociais e blogs e demais veículos mais alinhados ao governo. Exatamente o que tentou fazer o PT em sua era. O modelo petista fracassou e não conseguiu frear os movimentos oposicionistas que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff e à vitória de Bolsonaro. Talvez a partir dessa constatação, quem defendia tal linha perdeu a queda de braço interna. A orientação que será dada pelo Secretário de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, para a comunicação oficial de governo é oposta. Pretende ser a mais apartidária e institucional possível. O que Santos Cruz deseja é ampliar ao máximo os canais de comunicação com o objetivo de ganhar os corações e mentes da sociedade para a necessidade da reforma da Previdência e outras mudanças que o governo pretende implementar.

O que se deve esperar é um discurso mais formal, sem espaços para manifestações culturais alternativas. Parecido com o tipo de comunicação que era feita pelos governos militares antes da redemocratização em 1985. “Não será uma comunicação de viés ideológico”, afirmou a ISTOÉ Santos Cruz. “Será uma comunicação limpa, objetiva, esclarecendo as medidas e relações governamentais. Uma informação honesta à população sobre as ações do governo”. Serão priorizadas, segundo ele, os chamados serviços, como campanhas de vacinação. Atualmente, todos os contratos de publicidade do governo federal estão em fase de revisão. Segundo Santos Cruz, serão mantidos aqueles com preços adequados ao mercado e em que o governo não encontrar qualquer tipo de indício de irregularidade. 

Esse processo de revisão de contratos deve durar aproximadamente 120 dias. Na largada, a ideia do secretário de Governo é centrar fogo na reforma da Previdência. Nesse sentido, ele afirma que o governo não vai privilegiar veículos por sua posição ideológica. Para tentar convencer a sociedade da necessidade da reforma da Previdência, a publicidade buscará os veículos com maior amplitude: aqueles que têm mais capacidade de alcançar as pessoas e transmitir a mensagem que o governo deseja.


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