A rotina escolar de crianças e educadores da rede municipal de Fortaleza tem sido impactada pela escalada da violência armada nas regiões atendidas pela Secretaria Executiva Regional II, especialmente no bairro Vicente Pinzón. Entre o fim de junho e agosto, 16 escolas foram afetadas, segundo levantamento do Sindicato União dos Trabalhadores em Educação de Fortaleza (Sindiute). Quatro delas estão sem aulas e doze funcionam de forma parcial, com turmas reduzidas e baixa frequência.
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Docentes relatam episódios de intenso pânico dentro das unidades, com barulhos de tiroteios durante o horário de aula, o que tem provocado interrupções, correria e esvaziamento das salas. Em um dos casos mais graves, uma granada foi arremessada nas proximidades da Escola Municipal Maria Gondim logo após a saída dos alunos. Em Centros de Educação Infantil (CEIs), bebês e crianças pequenas convivem com o medo, tornando inviável a manutenção de atividades pedagógicas regulares.
Na tarde desta quinta-feira (28), representantes do Sindiute estiveram na sede da Secretaria Municipal da Educação (SME) para cobrar providências imediatas. O sindicato denuncia que, mesmo diante da gravidade da situação, nenhuma equipe técnica da SME compareceu às escolas afetadas para oferecer suporte, acolhimento ou traçar protocolos de segurança adequados à realidade enfrentada.
“Queremos trabalhar, e os alunos têm direito à educação. A situação atual coloca vidas em risco e prejudica gravemente o ensino e a aprendizagem”, afirmou Ana Cristina Guilherme, presidenta do Sindiute. Ela reforça que professores, estudantes e familiares não devem permanecer expostos a ameaças diárias, especialmente dentro de ambientes escolares, onde a segurança deveria ser garantida.
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O sindicato também alerta que o cenário de medo compromete diretamente o rendimento escolar dos alunos. Em outubro, a rede municipal de ensino participará de avaliações externas como o SPAECE e o Saeb. Para o Sindiute, não há como avaliar o desempenho educacional de estudantes sem garantir, antes, o direito básico de estudar em paz.
Diante do contexto, a entidade exige ações emergenciais da Prefeitura e do Governo do Estado para proteger as comunidades escolares; definição de protocolos de segurança com comunicação eficaz com gestores, professores e famílias; e suporte psicológico às comunidades impactadas. “Queremos paz, segurança e aulas para nossos alunos”, reforça Ana Cristina.
Como resposta inicial, o sindicato informou que será realizada nesta sexta-feira (29) uma reunião entre a SME, a Guarda Municipal, gestores e professores das escolas afetadas. O encontro acontecerá às 8h, na Academia do Professor, e terá como pauta a apresentação de um Protocolo de Segurança Escolar. Participam da reunião representantes das escolas EM Maria Gondim, EM Maria Alice, CEI Darcy Ribeiro e CEI Menino Maluquinho.
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Fonte: gcmais.com.br