Um clima de medo e insegurança tomou conta do bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza, após uma série de episódios violentos registrados entre o fim de junho e o mês de agosto. Como consequência direta, ao menos 16 escolas municipais tiveram as aulas presenciais interrompidas ou restringidas, afetando milhares de alunos e famílias da região.
De acordo com o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará (Sindiute), quatro dessas escolas seguem completamente fechadas e outras 12 funcionam de forma parcial, com turmas reduzidas e baixa frequência.
“O medo paralisa. Os pais precisam trabalhar, as crianças precisam se alimentar — muitas delas têm na escola sua única refeição do dia. Como uma escola pode funcionar debaixo de tiroteios e explosões de granada?”, desabafa Ana Cristina Guilherme, presidente do Sindiute.
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Na porta de uma das escolas mais afetadas, o cenário é desolador: o silêncio substituiu o barulho das crianças no recreio. O medo de não voltar para casa tem falado mais alto do que o desejo de aprender.
Muitos pais optaram por manter os filhos em casa. “O clima é de abandono. Os alunos desaparecem da sala e os professores estão adoecendo”, diz Ana Cristina.
Em reação à crise, a Secretaria de Segurança Cidadã de Fortaleza reforçou o patrulhamento no entorno das escolas mais afetadas, com presença permanente da Guarda Municipal em áreas consideradas “epicentro do medo”.
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“Identificamos onde o impacto da violência foi mais doído. Desde às 7h da manhã de hoje, essas escolas já contam com viaturas permanentes garantindo acesso e permanência segura de alunos, professores e funcionários”, afirmou o major Messias Mendes, secretário da pasta.
Além da presença policial, a Secretaria Municipal da Educação de Fortaleza anunciou a criação de um comitê emergencial para lidar com a situação. “É um momento delicado, e vamos dar atenção especial. Já estamos implementando medidas de apoio pedagógico e psicológico para estudantes e profissionais da educação”, garantiu Ana Cristina Silva, secretária executiva da Educação de Fortaleza.
A paralisação das atividades coloca em risco o calendário escolar e o desempenho dos alunos em avaliações institucionais marcadas para outubro. Segundo o Sindiute, o contexto afeta diretamente o rendimento escolar e agrava a evasão. “Os resultados dessas avaliações são muito cobrados pelos políticos. Mas como cobrar desempenho de quem estuda e trabalha sob tiroteio?”, questiona Ana Cristina Guilherme.
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Fonte: gcmais.com.br