A família da babá cearense Lucinete Freitas, assassinada em Portugal, ganhou um novo desdobramento neste sábado (10). Após a divulgação de que o corpo poderia ser enterrado como indigente no país europeu, o secretário-chefe da Casa Civil do Governo do Ceará, Chagas Vieira, anunciou que o Estado irá custear integralmente o traslado para o Brasil.
“Sobre esse caso, informo que o governador Elmano já determinou que o Governo do Estado arcará com tudo para o traslado ocorrer. Triste demais essa situação, e isso é o mínimo para atenuar um pouco a imensa dor dessa família cearense aqui”, afirmou Chagas Vieira em publicação nas redes sociais.
A informação muda o cenário enfrentado pelos familiares da vítima, que, até então, tentavam arrecadar cerca de 10 mil euros — o equivalente a aproximadamente R$ 62,5 mil — para trazer o corpo de Lisboa para Fortaleza. Segundo o portal Público Brasil, a família não havia conseguido juntar sequer metade do valor.
Risco de sepultamento como indigente
Pela legislação portuguesa, após 45 dias da liberação do corpo pela Polícia Judiciária, o sepultamento pode ser realizado à revelia da família. O corpo de Lucinete foi localizado no dia 18 de dezembro do ano passado, após 13 dias de desaparecimento.
Com isso, restavam poucos dias para que o prazo se esgotasse. Caso não houvesse o traslado até 1º de fevereiro, a cearense poderia ser enterrada como indigente em Portugal.
O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa informou que buscava auxiliar o viúvo, José Teodoro, mas destacou que não há verba pública para esse tipo de repatriação. Uma norma estabelecida em junho de 2025, por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, previa o custeio do traslado em casos específicos.
Crime foi cometido pela própria patroa
O Ministério Público de Portugal confirmou nesta semana que Lucinete Freitas foi assassinada pela própria patroa, também brasileira, cujo nome não foi divulgado. Segundo a investigação, a suspeita atraiu a vítima para um local isolado no dia 5 de dezembro, onde cometeu o crime.
Após o assassinato, o corpo foi ocultado sob entulhos em uma área de mata na cidade de Amadora, na Região Metropolitana de Lisboa. De acordo com as autoridades, o crime foi cometido com blocos de cimento.
Ainda conforme o MP, a mulher utilizou o celular da babá para enviar mensagens a familiares e conhecidos, fingindo ser Lucinete. Nas conversas, dizia estar viajando para o Algarve com uma amiga, numa tentativa de afastar suspeitas sobre o desaparecimento.
Relação conflituosa e prisão da suspeita
Lucinete tinha 43 anos, era natural de Aracoiaba, no interior do Ceará, e vivia em Portugal havia cerca de sete meses. A principal suspeita, que era mãe da criança de quem ela cuidava, foi presa no dia 18 de dezembro.
O Ministério Público português imputou à acusada os crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver, detenção de arma proibida e falsidade informática. No Brasil, as tipificações equivalentes seriam homicídio qualificado, ocultação de cadáver, porte ilegal de arma e falsidade ideológica.
Segundo familiares, a relação entre as duas era conflituosa, e a patroa estaria em processo de separação, com discussões frequentes dentro de casa.
Último contato e desconfiança
O marido de Lucinete, Teodoro Júnior, que mora em Fortaleza, relatou que o último contato atribuído ao celular da esposa ocorreu no início de dezembro. Ele contou que Lucinete havia ido a Portugal para trabalhar e se estabelecer antes de levar a família.
No dia 6 de dezembro, ela deveria visitar um apartamento para alugar, mas não compareceu. “Depois disso, mandei mensagens, ela visualizou, mas não respondeu. Foi aí que percebi que algo estava errado”, afirmou. Ele também disse não conhecer a suposta amiga citada nas mensagens.
Leia também | Manoel Carlos, autor de clássicos da teledramaturgia brasileira, morre aos 92 anos no Rio de Janeiro
>>>Clique aqui para seguir o canal do GCMAIS no WhatsApp<<<
>>>Siga o GCMAIS no Google Notícias<<<
Fonte: gcmais.com.br











