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Motoqueiros por aplicativo voltam às ruas e cobram agilidade nas investigações sobre morte de entregador em Fortaleza

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Motoqueiros por aplicativo voltam às ruas e cobram agilidade nas investigações sobre morte de entregador em Fortaleza

Pelo segundo mês consecutivo, motoqueiros por aplicativo realizaram uma manifestação em Fortaleza para cobrar celeridade nas investigações sobre a morte de Lucas do Nascimento Alencar, ocorrida em novembro do ano passado na Avenida Governador Parsifal Barroso. O protesto aconteceu nesta segunda-feira (12), data em que o entregador completaria 29 anos.

O grupo se concentrou no bairro Presidente Kennedy e seguiu em cortejo até o local onde ocorreu o atropelamento. Dezenas de motociclistas participaram da mobilização e pararam no trecho da avenida para prestar homenagens a Lucas. Em seguida, seguiram até o 10º Distrito Policial, unidade responsável pela apuração do caso.

Durante o ato, os manifestantes reforçaram a indignação com a lentidão das investigações e a falta de respostas das autoridades. Segundo eles, passados mais de dois meses desde a morte do entregador, ainda não há informações concretas sobre a identificação do veículo e do motorista envolvidos.

Leonardo Lacerda, motoqueiro por aplicativo e um dos organizadores do protesto, afirmou que o grupo não pretende recuar. “De dois meses pra cá, vocês pouco viram avançar. A gente sabe a impunidade que é o crime no trânsito. Dois meses, a delegacia está com a filmagem há 20 dias e não deu nenhum avanço desde a última manifestação. Eles já teriam uma placa, teriam suspeito, e até agora o suspeito não veio pra cá pra ser ouvido”, disse.

Ainda segundo ele, as informações sobre o caso continuam nebulosas. “A gente não sabe como foi o contexto do acidente. Fica essa incógnita: o que foi? Quem era a pessoa? Por que a polícia não está acelerando o caso? Será que ele é policial militar? Será que é filho de alguém importante? A gente sabe que no Brasil é assim: se você tiver uma pessoa grande nas costas, seu crime fica impune, e ainda mais crime de trânsito”, afirmou.

Leonardo também reforçou que a categoria está disposta a manter as mobilizações. “Nem que a gente precise vir todo mês pra essa delegacia cobrar o delegado daqui, a gente vai vir. A gente quer saber por que a Justiça não está acelerando o caso. É um caso tão simples de resolver, já tem placa, já tem filmagem. E por que essa pessoa não está aqui pra responder? A gente não quer essa impunidade. Esse é um recado que a gente já falou e vai falar quantas vezes for preciso. A gente não vai desistir do caso do Lucas”, declarou.

Os manifestantes destacam ainda que a Avenida Governador Parsifal Barroso é uma via monitorada por câmeras, o que, segundo eles, deveria facilitar a identificação do veículo envolvido. No entanto, conforme relatos do grupo, as imagens entregues à polícia teriam problemas técnicos.

“Chegaram e falaram que o sistema que mandaram para a delegacia é um sistema antigo e que a delegacia não estava com o aparelho para transformar. Pediram novamente as imagens em pendrive de cinco minutos. Parece que o que veio pra delegacia foram quatro segundos”, relatou Leonardo.

Ele questiona a demora e as dificuldades técnicas apresentadas. “Eu tenho certeza que as forças de segurança da nossa cidade e do nosso estado não são insuficientes pra isso. Fica aquela questão: por que essa demora toda? Por que esse atrapalho nas investigações? Querendo ou não, soa pra categoria que alguém está sendo encobertado”, afirmou.

O grupo reforçou que continuará se mobilizando até obter respostas. “São muitas perguntas sem respostas. E a categoria segue unida com o objetivo de saber quem foi o causador desse acidente. A gente sabe que a segurança do estado do Ceará é dotada de tecnologia capaz de buscar por informações e imagens no trânsito. E é exatamente por saber disso que eles querem saber por que a investigação não toma outro rumo, porque não é acelerada. Se continuar sem resposta, todo mês a gente vai estar aqui na porta cobrando justiça”, disse.

O caso

Lucas do Nascimento Alencar morreu no dia 7 de novembro, após ser atingido por um carro enquanto realizava entregas na Avenida Governador Parsifal Barroso, no cruzamento com a Rua Humberto Monte. A família afirma que não se tratou de um acidente, mas de uma ação proposital.

De acordo com a esposa de Lucas, o motorista teria jogado o veículo contra o entregador e fugido sem prestar socorro, deixando a vítima agonizando no asfalto. Em depoimentos anteriores, ela destacou o impacto da perda para a família. “Como vou explicar aos nossos filhos que o pai não volta mais? Como seguir em frente sabendo que quem destruiu a nossa família está livre?”, desabafou.

Ela também reforçou que o marido era o principal provedor da casa e que a morte não pode ser tratada como fatalidade. “Não foi acidente. Foi assassinato. O culpado precisa ser encontrado e preso. Queremos justiça”, disse.

Investigação

Em nota, a Polícia Civil do Estado do Ceará informou que segue apurando as circunstâncias do caso, classificado como homicídio culposo no trânsito. A investigação está sob responsabilidade do 10º Distrito Policial.

Segundo a corporação, mais informações serão divulgadas em momento oportuno, para não comprometer os trabalhos em andamento.

Enquanto isso, os entregadores por aplicativo prometem continuar nas ruas até que o caso seja esclarecido e o responsável, seja identificado e responsabilizado.

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Fonte: gcmais.com.br