A secretária de Turismo de Paracuru, Yasmin Freire, afirma estar sofrendo ataques misóginos, intimidações e perseguições por parte de um opositor político do município. Segundo ela, as situações começaram após assumir o cargo público, há pouco mais de um ano, e teriam sido praticadas por um agente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que também atua na política local. Diante dos episódios, a gestora registrou um boletim de ocorrência. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o agente em eventos na cidade e também na sede da secretaria, em situações classificadas como intimidadoras.
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Ao falar sobre o início da gestão, Yasmin destacou que as críticas não impediram o trabalho desenvolvido. “No primeiro ano de gestão, em pouquíssimo tempo depois de assumir, nós conseguimos realizar um dos maiores carnavais do Ceará, onde nós conseguimos aquecer toda a economia local da cidade, a rede hoteleira, os restaurantes, o comércio local mesmo, as barracas. Então, as críticas, elas nunca atrapalharam diretamente o nosso trabalho, porque realmente tem muita força de vontade, muita determinação em fazer acontecer”, afirmou. Ela explica que o problema se intensificou quando os ataques saíram do ambiente virtual. “Só ficou realmente muito preocupante quando as críticas, que geralmente feitas em grupos de WhatsApp ou em publicações de Instagram, antes anônimos, hoje já revelados, isso se tornou mais preocupante para mim e para a minha família quando isso foi à rua.”
A secretária relatou dois episódios presenciais que classificou como graves. “Nós tivemos dois episódios muito sérios de perseguição por um policial rodoviário federal, o seu Márcio Batista, onde ele estava em algum momento também com a esposa dele. E assim que ele viu a nossa mesa, ele começou a me encarar diretamente primeiro”, contou. Segundo Yasmin, o comportamento do agente gerou medo. “Eu me senti completamente coagida e ameaçada, principalmente por ele estar armado a todo momento e não esconder isso, ficar pegando na arma. Foi horrível, foi realmente um episódio muito grande de intimidação. Foi preciso intervenção de outras pessoas que estavam no local.” Para ela, não há outra explicação para os episódios: “Só perseguição, porque não tem outro motivo.”
Em outro vídeo, gravado pelo próprio agente da PRF, ele aparece indo até a Secretaria de Turismo e Meio Ambiente, onde teria ameaçado servidores e rasgado um documento público.
O que diz o acusado
Procurado pela reportagem, o agente citado não quis gravar entrevista. Em mensagens, ele negou as acusações, afirmou que não tem nada contra Yasmin Freire e declarou que sua divergência seria política, não de gênero, alegando ainda que o alvo das críticas seria o pai da secretária, Carlos Júnior.
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Prefeita de Paracuru repudia ataques
A prefeita de Paracuru, Gabi do Aquino, declarou apoio à secretária e repudiou os ataques. “Eu vejo a oposição como algo legítimo, a oposição em todo canto, nós temos oposição, mas eu acho que a oposição tem que ser feita de uma forma responsável, ela tem que ser feita dentro dos limites da ética, das leis e com bom senso. Mas o que a gente está vendo aqui em Paracuru é uma oposição não à gestão, mas uma oposição com ataques pessoais, principalmente às mulheres da gestão”, afirmou.
O caso reacende o debate sobre violência política de gênero. A deputada estadual Larissa Gaspar destacou que esse tipo de prática busca afastar mulheres da política. “Mesmo a gente sendo a maioria da população e do eleitorado, nós somos uma minoria a ocupar esses espaços e, quando a gente chega neles, a gente ainda se depara com situações de constrangimento, de humilhação, de perseguição, de ameaça, de assédio e tudo isso caracteriza violência política de gênero, que é uma estratégia para nos deslegitimar, nos afastar, querer que a gente não tenha vontade de ocupar esses espaços.”
Já a cientista política Carla Michele reforçou que o enfrentamento passa por leis mais rigorosas e mudança cultural. “É necessário que a legislação seja cada vez mais rigorosa, fazendo com que as pessoas entendam que a ausência da participação feminina pode gerar penalidades para os agentes do campo da política, mas principalmente uma mudança cultural, que passa pela cidadania, pela construção de um debate nas instituições sociais, que permitam compreender que o espaço da política deve ser o espaço da pluralidade.”
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Fonte: gcmais.com.br











