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Irmão pede justiça e diz que influenciadora não pode virar “mais uma estatística” após feminicídio no Ceará

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Irmão pede justiça e diz que influenciadora não pode virar “mais uma estatística” após feminicídio no Ceará

O feminicídio que vitimou a influenciadora digital Ana Karolina Sousa, de 31 anos, em Itapipoca, no Ceará, ganhou novos desdobramentos a partir de relatos do irmão da vítima, repassados à equipe de reportagem da TV Cidade. Em mensagem enviada à emissora, o familiar afirmou não ter condições emocionais para falar longamente sobre o caso, mas destacou a importância da divulgação das informações para que a morte da irmã não seja tratada apenas como mais um número nas estatísticas da violência contra a mulher.

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“Eu particularmente estou sem estruturas pra falar, mas seria de grande importância para que a Karol não seja apenas mais uma estatística”, afirmou o irmão.

Ana Karolina foi encontrada morta no último sábado (14), no bairro Nova Aldeota. O principal suspeito do crime é o ex-companheiro da vítima, Anderson Renan Magalhães Freitas, de 35 anos, que segue foragido. O caso é investigado como feminicídio pela Polícia Civil do Ceará.

Velório ocorreu em dois municípios

Segundo o relato do irmão, o velório de Ana Karolina ocorreu inicialmente em uma residência localizada abaixo do apartamento onde mora a mãe da vítima. Em seguida, o corpo foi levado para o município de Uruburetama, onde houve uma breve cerimônia na capela do cemitério, antes do sepultamento.

“Aconteceu em uma residência abaixo do apartamento onde mora minha mãe, depois seguimos pra Uruburetama, onde ela ficou um pouco na capela do cemitério antes de ser enterrada”, relatou.

As informações ajudam a contextualizar os momentos posteriores ao crime e o deslocamento da família para a realização do sepultamento, reunindo parentes e amigos em meio à comoção causada pela morte da influenciadora.

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Influenciadora morta no Ceará; perseguição e ausência de medida protetiva

O irmão também detalhou como era a relação de Ana Karolina com o ex-marido, apontado como principal suspeito. De acordo com ele, a vítima passou mais de um ano tentando encerrar o relacionamento, mas enfrentava resistência constante.

“Ela passou cerca de mais de um ano tentando separar. E ele sempre contrariando, até que uns três meses atrás ela conseguiu que ele saísse da casa e estava em processo de divórcio, porém ele nunca aceitou”, afirmou.

Ainda conforme o relato, mesmo após a separação, o homem continuava a perseguir Ana Karolina, utilizando mensagens e o sistema de câmeras da residência para monitorá-la.

“Ele a perseguia por mensagem, monitorava pelas câmeras que tinha na residência e possivelmente ameaçava por mensagens”, disse o irmão.

Segundo a família, Ana Karolina não chegou a solicitar medida protetiva. O motivo, de acordo com o familiar, era a percepção de que as ameaças não se concretizariam, além do fato de o suspeito ainda ter amplo acesso à casa.

“Não. Ela nunca foi fazer, pois não colocava fé nas ameaças dele. Ele tinha acesso à casa, tinha cópia de chaves, acesso a câmeras”, relatou.

Perfil da vítima e trajetória interrompida

Ao falar sobre quem era Ana Karolina, o irmão destacou a trajetória de superação da influenciadora. Segundo ele, desde cedo a irmã precisou assumir responsabilidades, especialmente após o nascimento da filha, já que o pai da criança não foi presente.

“Minha irmã desde cedo aprendeu a ser forte. Quando a Eloá surgiu, o pai dela nunca foi presente. Karol teve que lutar bastante para conseguir dar uma vida à minha sobrinha”, afirmou.

Ana Karolina era mãe de uma menina de 7 anos, empresária no ramo da estética, influenciadora digital com cerca de 12 mil seguidores e estudante de Biomedicina. O início do curso superior havia sido comemorado por ela nas redes sociais como a realização de um sonho.

“Karol estava na sua melhor versão, atuava na área que desejava e recentemente tinha dado início a mais um grande sonho, se formar na faculdade”, disse o irmão.

O familiar também descreveu as circunstâncias da morte de forma detalhada, ressaltando a brutalidade do crime. “Infelizmente, todos os sonhos interrompidos de uma forma brutal. Karol era uma menina doce, amável por todos. Não merecia um fim tão trágico quanto esse”, declarou, acrescentando que a vítima apresentava sinais evidentes de espancamento e perfurações por faca.

Últimos momentos antes do crime

O irmão confirmou ainda que Ana Karolina esteve em um show do cantor Luan Santana, em Paracuru, horas antes de ser morta. Segundo ele, a influenciadora era fã do artista e se organizou para ir ao evento, deixando a filha sob os cuidados do padrinho, que é irmão do suspeito.

Ao retornar para casa, a última atividade registrada por Ana Karolina foi uma postagem nas redes sociais às 6h14. Para a família, o ex-companheiro já a aguardava ou chegou logo depois.

“Provavelmente o Renan já estava no seu aguardo ou chegou logo depois. Como ele tinha acesso às imagens externas e cópias da chave, foi fácil pra ele adentrar”, afirmou.

Investigação e buscas

A Polícia Civil segue com diligências para localizar o suspeito, que teria fugido após o crime. A população pode contribuir com informações de forma anônima por meio do Disque-Denúncia 181 ou diretamente à delegacia responsável pelo caso. O sigilo é garantido.

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Fonte: gcmais.com.br